sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Janeiro

 PIOR TERREMOTO DA HISTÓRIA

    Em 1556, o terremoto de Xaanxi ou do Condado de Hua mata cerca de 830 mil pessoas na China, o que o torna o mais mortífero da história.

Dez províncias chinesas são abaladas. Uma área de 1,3 mil quilômetros quadrados é arrasada. Em alguns condados, 60% da população morrem. A maioria morava em cavernas naturais que desabam com o tremor de terra.

PRIMEIRA MÉDICA MULHER NOS EUA

  Em 1849, numa cerimônia de formatura realizada numa igreja de Genebra, no estado de Nova York, Elizabeth Blackwell torna-se a primeira mulher a se graduar em medicina nos Estados Unidos.

Seu pai era do movimento abolicionista. O irmão e a mulher dele eram ativistas da luta pelo voto feminino. Boa aluna, Elizabeth decide estudar medicina depois de ouvir de uma amiga que estava morrendo que teria sido mais bem-tratada por uma mulher.

A questão vai para o conselho universitário e é aprovada por estudantes, talvez por troça tão inacreditável é a ideia para a época. Elizabeth recebe sua carta de aceitação e começa a estudar em 1847.

Elizabeth Blackwell monta uma clínica para pobres em Nova York, funda um hospital e uma enfermaria para crianças e mulheres junto com uma irmã mais moça que também se forma em medicina,

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), elas treinam enfermeiras para atender os feridos. Em 1868, abrem sua faculdade de medicina. Elizabeth vai então para Londres, onde dá aula de ginecologia na Escola de Medicina para Mulheres.

Blackwell é uma pioneira. Seu exemplo contribui para que as mulheres aos poucos sejam aceitas numa profissão predominantemente masculina. Em 2017, pela primeira vez, há mais mulheres do que homens estudando medicina nos EUA.

MULHER NO PODER

    Em 1997, um dia depois de aprovação unânime no Senado, Madeleine Albright toma posse como a primeira secretária de Estado, a primeira mulher a chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.

Albright nasce em 1937 na Tcheco-Eslováquia e é batizada como Madeleine Jana Korbelova. Sua família foge para os EUA em 1948, depois que os comunistas tomam o poder. 

Ela estuda direito e política na Universidade Colúmbia, em Nova York, e vai até o doutorado. Em 1959, casa com Joseph Albright, de uma família de editores. Nos anos 1970, trabalha como funcionária do Conselho de Segurança Nacional nos anos 1970. 

Em janeiro de 1993, no início do governo, o presidente Bill Clinton a nomeia embaixadora junto às Nações Unidas. Em dezembro de 1996, Clinton a indica para secretaria da Estado, tornando-a na primeira mulher a ocupar o cargo e a mais alta funcionária até então do governo dos EUA.

Imigrante da Europa Oriental, fala francês, polonês, russo e tcheco, Madeleine Albright se interessa especialmente pelos países de sua região de origem no mundo pós-Guerra Fria. É uma das principais responsáveis pela intervenção internacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra do Kossovo contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, também conhecida como a guerra da Srª Albright.

Madeleine Albright é secretária de Estado até o fim do governo Clinton, em janeiro de 2001. Volta então a lecionar na Universidade Georgetown. Torna-se uma voz importante do antifascismo nos EUA. Ela morre em 23 de março de 2022. Um mês antes, na véspera da invasão da Ucrânia, o jornal The New York Times publica um artigo da ex-secretária advertiu o ditador russo, Vladimir Putin, para o "erro histórico" de ir à guerra.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantêm a maioria no Senado, mas perdem na Câmara. Não evita a vitória de Donald Trump em 2024, quando a vice-presidente Kamala Harris faz do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.

SAKHAROV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 20% da população dos EUA e os negros 12,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 57,5%. Os brancos, considerando todos, são 71%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, do povo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Plurinacional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica, que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflagram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.

Em 17 de janeiro de 2025, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. Ele não se apresenta à Justiça e não é preso. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. 

O ex-presidente acusa o sucessor, Luis Arce, de perseguição política. Ambos são do mesmo partido, o MAS, que tem uma votação de pouco mais de 3% na eleição presidencial de 17 de agosto de 2025. Rodrigo Paz, de centro-direita, é eleito no segundo turno, em 19 de outubro, marcando o fim de 20 anos de domínio do MAS sobre a política boliviano.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump ataca democracia e destrói ordem mundial

Em um ano de desgoverno, com ataques sem precedentes às instituições nacionais e internacionais, o presidente Donald Trump desafiou a democracia nos Estados Unidos e bombardeou a ordem internacional liberal, o sistema multilateral de comércio e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), considera a aliança militar mais bem-sucedida da história.

Do perdão a mais de 1,5 mil criminosos que participaram do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 numa tentativa de golpe de Estado ao envio de tropas federais e da polícia de imigração para aterrorizar imigrantes e às ameaças de anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, Trump extrapolou todos os limites do poder presidencial.

Além de hostilizar aliados históricos que ampliam o poder dos EUA no mundo, Trump declarou uma guerra comercial contra todos, inclusive ilhas habitadas apenas por focas e penguins. A China, a principal inimiga, resistiu e teve um saldo comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.

Trump alega que merece o Prêmio Nobel da Paz por ter acabado com oito guerras. Até agora, só num caso chegou a um acordo capaz de levar a uma paz duradoura. Infantil emocionalmente, escreveu ao primeiro-ministro da Noruega para dizer que não pensa mais só na paz porque não ganhou o prêmio. É uma desgraça para os EUA e para o mundo.

Depois da gravação, Trump anunciou um acordo negociado pelo secretário-geral da OTAN para que os EUA tenham mais bases militares na Groenlândia. Já tiveram 17 durante a Guerra Fria, com base num tratado firmado em 1951 com a Dinamarca. Com o fim da União Soviética, deixaram só uma.

As empresas norte-americanas podem negociar acordos de exploração dos recursos naturais. Assim, não existe a menor necessidade de que os EUA tenham soberania para garantir a segurança nacional e o acesso aos recursos.

O que Trump quer mesmo é entrar para a história como um presidente que ampliou o território dos EUA como os czares russos Ivã o Terrível, Pedro o Grande, Catarina a Grande e o ditador soviético Josef Stalin, ídolos de seu amigo Vladimir Putin, numa volta ao imperialismo do século 19.

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Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

 LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É um pouco antes do início do período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive a rainha e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaca, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, polícia política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspende as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Janeiro

 PRIMEIRO EUROPEU NO HAVAÍ

    Em 1778, o navegador britânico James Cook chega a Waimea, na ilha de Kauai, e se torna o primeiro europeu a visitar o Havaí.

Cook nasce em 27 de outubro de 1728, em Marton-in-Cleveland, no Condado de York, na Inglaterra, filho de um agricultor que emigrou da Escócia. Ao perceber que o menino é inteligente, o patrão do pai paga os estudos até 12 anos. Um estágio numa cidade costeira de Whitby o põe em contato com o mar.

Aos 18 anos, Cook começa como aprendiz de marinheiro. Aos 21 anos, está pronto para grandes viagens. De início, trabalha nas águas perigosas do Mar do Norte, em navios de 300 a 400 toneladas. Ganha experiência para grandes viagens. Promovido a piloto, entra para a Marinha Real.

Ele vai duas vezes ao Canadá, em 1759 e 1763-67. Como capitão, faz três viagens ao Oceano Pacífico, em 1768-71, 1772-75 e 1776-79. Vai da Antártida ao Estreito de Bering, das costas da América do Norte à Austrália, à Nova Zelândia e ao Havaí. Com uma dieta de agrião, chucrute e um extrato de laranja, seus marinheiros não morrem de escorbuto, uma doença causada por falta de vitamina C.

PAPEL DA SUPREMA CORTE

    Em 1801, o presidente John Adams nomeia John Marshall como quarto presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos. Talvez seja o juiz mais importante da história do país, decisivo para estabelecer o papel constitucional da Corte como revisora das leis e intérprete da Constituição.

John Marshall nasce em 24 de setembro de 1755 numa cabana de madeira perto de Germantown, hoje Midland, na colônia da Virgínia. É o mais velho de 15 filhos de Thomas Marshall, um xerife e juiz de paz que chega a ter 80 mil hectares de terra na Virgínia e no Kentucky.

Quando começa a guerra da independência dos EUA, em abril de 1775, ele e o pai entram para um regimento na Virgínia. Em 1776, John entra para o Exército Continental e serve três anos sob o comando de George Washington em Nova Jérsei, em Nova York e na Pensilvânia. Chega ao posto de capitão e deixa o Exército em 1779.

Seu único estudo formal de direito foi uma série de palestras dadas por George Wythe no William and Mary College, na Virgínia em 1780. Em agosto daquele ano, Marshall consegue uma licença para atuar como advogado. Ele não participa da Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA, mas faz campanha pela ratificação pelos estados.

Quando a Constituição entra em vigor, Washington lhe oferece um cargo de procurador federal na Virgínia e depois de procurador-geral, que nos EUA equivale a ministro da Justiça. Marshall recusou. Líder do Partido Federalista, de Alexander Hamilton e John Adams, está mais interessado na política estadual da Virgínia.

Em 1800, Marshall rejeita um convite para ser secretário da Guerra, mas aceita ser secretário de Estado, posição que ocupa até ser nomeado para a Suprema Corte.

O caso mais importante, Marbury x Madison, em 1803, consolida o o direito do supremo tribunal norte-americano de declarar leis inconstitucionais e solidifica a posição do Judiciário como um poder do mesmo nível do Executivo e do Judiciário.

Marshall participa de mais de mil julgamentos. Em mais de 500, é o relator. Assim, ajuda a forjar o papel da Corte e a natureza do governo dos EUA.

REFÉNS NO IRÃ SOLTOS

    Em 1981, minutos depois da posse de Ronald Reagan como presidente dos Estados Unidos, ativistas revolucionários iranianos libertam 52 reféns detidos há 444 dias, desde 4 de novembro de 1979, na embaixada norte-americana em Teerã.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe militar de 19 de agosto de 1953, o primeiro articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria com o apoio do Reino Unido e a aprovação do presidente Dwight Eisenhower e primeiro-ministro Winston Churchill. Cai o primeiro-ministro nacionalista Mohammed Mossadegh, que estatizou o petróleo da Anglo Iranian Oil, e ascende ao poder o xá Reza Pahlevi.

Com o apoio dos EUA, o xá impõe uma ditadura secularista e anticomunista aliada do Ocidente na Guerra Fria, com uma polícia política, a Savak, acusada de prender e torturar adversários do regime, além de milhares de mortes.

A Revolução Iraniana começa com uma onda de greves no setor de petróleo que abala a economia do país em 1978. O clero conservador dominado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini era a instituição com força para tomar o poder.

Khomeini volta do exílio em Paris em 2 de fevereiro de 1979. O xá cai em 11 de fevereiro. Para o regime dos aiatolás, os EUA são o Grande Satã que sustentou a ditadura durante décadas.

O radicalismo e o ódio aos EUA levam à invasão da Embaixada Norte-Americana em Teerã em 4 de novembro de 1979 e a tomada dos diplomatas e funcionários como reféns, uma humilhação para o presidente Jimmy Carter, aliado do xá. O governo Carter tenta resgatar os reféns. 

A Operação Garra de Águia fracassa com a entrada de areia do deserto nos motores de helicópteros dos EUA. Um civil iraniano e oito militares americanos morrem quando um helicóptero cai sobre um avião de transporte de tropas.

Essa sucessão de derrotas e humilhações de Carter contribui junto com a inflação elevada para a vitória de Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980. Ele negocia a libertação dos reféns para o dia de sua posse.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Janeiro

 NASCE O GENERAL LEE

    Em 1807, nasce na Virgínia o general Robert Edward Lee, comandante militar dos estados confederados do Sul na Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos.

Filho da aristocracia, Lee  entra aos 18 anos para a Academia Militar de West Point, onde é o segundo melhor de sua turma, com distinção em artilharia, cavalaria e infantaria.

Lee se destaca na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) como um comandante brilhante taticamente. É considerado herói na guerra em que os EUA tomaram mais de 40% do território do México.

No fim de 1859, Lee é cotado para ser comandante das forças da Confederação. Lincoln chega a lhe oferecer o comando da União. Ele recusa. Só entra na Guerra Civil Norte-Americana quando a Virgínia se separa da União, em 17 de abril de 1861.

O general Lee enfrenta a União em batalhas sangrentas como Antietam e Gettysburg até se render ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, no Fórum de Appomattox, em 9 de abril de 1865. As hostilidades param em 26 de maio na mais sangrenta das guerras da história dos EUA, com um total de mortes estimado em 620 mil.

Robert Lee morre aos 63 anos de um acidente vascular cerebral em 12 de outubro de 1870, em Lexington, na Virgínia.

A remoção de uma estátua do general Robert E. Lee provoca uma grande manifestação da extrema direita em Charlottesville, na Virgínia, em 11 e 12 de agosto de 2017, com neonazistas cantando slogans contra judeus e enfrentando antifascistas que os confrontam. Na época, o presidente Donald Trump declara que "havia gente boa dos dois lados".

PRIMEIRO ATAQUE AÉREO

    Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), dois zepelins da Alemanha jogam bombas na costa leste da Inglaterra, no primeiro bombardeio aéreo ao Reino Unido.

No início da guerra, a Alemanha usa suas aeronaves, que viajam a uma velocidade de até 135 quilômetros por hora com uma carga de até duas toneladas de explosivos, para bombardear Paris, Liège e Antuérpia. A Inglaterra vem em seguida.

Meses depois, em 31 de maio, um zepelim de quase 200 metros joga 90 bombas incendiárias e 30 granadas em Londres.

O dirigível zepelim, um balão rígido com motor semelhante a uma bola de rúgbi, é uma criação de 1900 do Conde Ferdinand Graf von Zeppelin, um inventor alemão, muito usada nos anos 1930 para o transporte transatlântico até o acidente com o Hindenburg ao pousar em Lakehurst, em Nova Jérsei, em 6 de maio de 1937, quando pega fogo e 14 pessoas morrem. É o fim da era dos zepelins.

NASCE JANIS JOPLIN

    Em 1943, nasce em Porto Arthur, no Texas, numa família de classe média a maior cantora da história do rock: Janis Joplin.

Depois de uma infância difícil, ela estuda no Lamar State College of Technology e na Universidade do Texas em Austin, mas larga em 1963 para se tornar uma cantora de música folclórica e principalmente de blues em casas noturnas do Texas.

Numa temporada em São Francisco da Califórnia, ela abusa de álcool e anfetaminas. Volta ao Texas e vai outra vez para São Francisco em 1966 para ser a cantora do grupo Big Brother & The Holding Company.

Sua voz passional, rouca e rasdada, seu estilo de blues estouram no Festival de Monterrey., em que também se apresentam Jimi Hendrix, The Who e Ravi Shankar. Cheap Thrills, o primeiro álbum com uma grande gravadora, a Columbia Records, chega ao primeiro lugar nas paradas de sucesso em 1968.

Ela deixa o Big Brother e forma em 1969 ,a Kozmic Blues Band, que se apresenta no Festival de Woodstock, mas se dissolve pouco depois. Janis está usando heroína. Ela morre aos 27 anos, em 4 de outubro de 1970, em Los Angeles, de dose excessiva de heroína.

O álbum Pearl, lançado depois de sua morte, chega ao topo das paradas, assim como o compacto Me and Bob McGee. Sua importância na história da música e sua intensidade são seu legado.

INDIRA NO PODER

    Em 1966, depois da morte repentina do primeiro-ministro Lal Bahadur Shastri oito dias antes, Indira Gandhi se torna chefe de governo da Índia ocupando o cargo que um dia foi de seu pai, Jawaharlar Nehru, o primeiro governante depois da independência do país, em 15 de agosto de 1947.

Única filha de Jawaharlar Nehru, Indira Nehru nasce em Allahabade, na Índia, em 19 de novembro de 1917. Ela entra para o Partido do Congresso em 1938. Em 1942, casa com Feroze Gandhi, que não tem parentesco com o grande herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Alma).

Em 1964, quando o pai morre, Shastri a nomeia ministra da Informação. De 1966 a 1977, ela governo por três mandatos. 

Depois de uma decisão da Suprema Corte, em julho de 1975, de que ela violou a lei eleitoral, Indira decreta estado de emergência, assume poderes especiais e manda prender adversários políticos. Também impõe outras medidas impopulares, como esterilização em grande escala para controlar a natalidade.

Como resultado das medidas de exceção, o Partido do Congresso perde pela primeira vez as eleições na Índia, em 1977, para o Partido Janata, precursor do Partido Bharatiya Janata (BJP), que hoje governa o país.

Indira chega a ser presa por corrupção, mas volta em janeiro de 1980 com uma vitória eleitoral avassaladora. O filho Sanjay Gandhi, o sucessor favorito, morre num acidente de avião em junho de 1980. Na política interna, Indira enfrenta uma tentativa de secessão dos hindus da seita sikh, que querem proclamar a independência do Calistão.

Sob a liderança de Sant Jarnail Singh Bhingrnwale, em 1982, um grande número de sikhs se entrincheira no Templo Dourado de Amritsar, o lugar mais sagrado da seita sikh. Em junho de 1984, Indira Gandhi manda o Exército da Índia atacar o templo. Pelo menos 450 separatistas são mortos.

Cinco meses depois, em 31 de outubro de 1984, dois sikhs da guarda pessoal da primeira-ministra a fuzilam. Ela é sucedida por outro filho, Rajiv Gandhi, que governa até sofrer uma derrota eleitoral, em 1989, quando vira líder da oposição. Rajiv é assassinado em 21 de maio de 1991 por militantes da minoria tamil.

MORTE DE HADY LAMMAR

    Em 2000, morre na Flórida a atriz Hedy Lamarr, uma das primeiras mulheres fatais do cinema, mais tarde também reconhecida como inventora de um equipamento de radiocomunicação.

Filha de um próspero banqueiro vienense, Hedy Lamarr nasce em Viena, na Áustria, em 1913 ou 1914 e recebe uma educação especial. Aos 10 anos, é pianista, bailarina e fala quatro línguas. Aos 16 anos, entra para a escola de teatro de Max Reinhardt, em Berlim, e logo faz sua estreia em Geld auf der Strasse (Ouro na Rua), em 1930.

Hedy Lamarr faz sucesso e vira estrela com o filme tcheco Êxtase, em que aparece nua rapidamente. Em 1933, ela se casa com o fabricante de armas austríaco Fritz Mandl, que não apenas a proíbe de atuar como tenta, sem sucesso, destruir todas as cópias de Êxtase.

Depois de se livrar de Mandl, Hedy Lamarr vai para Hollywood em 1937 e se torna uma estrela nos Estados Unidos a partir de Argel (1938). Seu maior sucesso é Sansão e Dalila, dirigido por Cecil B. deMille.

"Toda menina pode ser glamurosa", declara certa vez Hedy Lamarr. "Tudo o que você tem de fazer é ficar quieta e parecer estúpida."

Ela é brilhante. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), junto com o compositor George Antheil, Hedy inventa um equipamento eletrônico que reduz a interferência nos sinais de rádio. Sua invenção não é usada na guerra, mas a tecnologia está nos satélites e telefones celulares de hoje.

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domingo, 18 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

SEGUNDO REICH

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), a Áustria-Hungria (1866) e a França (1870-71).

Na França, a derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira experiência de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século 19 torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão ou Segundo Reich acaba. O Primeiro Reich é o Sacro Império Romano-Germânico, fundado pelo imperador Carlos Magno em 800. Surge a República de Weimar, que acaba com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933, e seu Terceiro Reich.

CONQUISTA DO POLO SUL

    Em 1912, o explorador britânico Robert Falcon Scott chega ao Polo Sul numa expedição com mais quatro homens e descobre que o norueguês Roald Amundsen chegara um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. Scott e seu grupo morrem na volta ao acampamento.

Scott nasce em Devonport, no condado de Devon, na Inglaterra, em 6 de junho de 1868. Ele entra para a Marinha Real 1880 e se torna primeiro-tenente em 1887. Comanda uma expedição à Antártida em 1901-4.

Em junho de 1910, Scott embarca numa segunda expedição à Antártida. Quer estudar a região do Mar de Ross e chegar ao Polo Sul. Consegue, mas não é o primeiro e morre na volta. O último registro em seu diário é em 29 de março.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho da União Soviética rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia, berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos centrais da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, os exércitos nazistas e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Há  um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A libertação de Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, é decisiva no avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.

FIM DA GUERRA CIVIL EM SERRA LEOA

    Em 2002, depois de 11 anos e mais de 50 mil mortes, com uma intervenção militar britânica, termina a Guerra Civil de Serra Leoa, na África Ocidental, marcada por atrocidades, inclusive o uso de crianças como soldados, mutilações, tortura e execuções brutais. Cerca de 2,5 milhões fogem de casa.

O conflito começa em 23 de maio de 1991, quando a guerra civil na vizinha Libéria se propaga a Serra Leoa. O presidente Joseph Momoh envia tropas para a fronteira para impedir a invasão dos rebeldes da Frente Patriótica Nacional da Libéria (NPEL), liderada por Charles Taylor, e seus aliados da Frente Unida Revolucionária (RUF), liderada pelo ex-cabo do Exército serra-leonês Foday Sankoh. 

No primeiro ano da guerra, a RUF toma o Sul e o Leste da Libéria, uma região rica em diamantes, os Diamantes de Sangue do filme de 2006 com Leonardo di Caprio. O fracasso do presidente Momoh no combate aos rebeldes e o impacto sobre a produção de diamantes levam a um golpe de Estado. 

Em abril de 1992, o capitão Valentine Strasser toma o poder sob a alegação de que o governo não dá condições aos militares para vencer os rebeldes e cria o Conselho Governante Nacional Provisório com ele próprio como chefe de Estado. 

A guerra civil se agrava. A RUF ocupa mais território e controla uma parte maior do comércio de diamantes. É o período com mais atrocidades, cometidas tanto pelo governo quanto pelos rebeldes, do recrutamento de menores à força a mutilações de braços, pernas, orelhas e lábios. A escravidão e a violência sexual são generalizadas.

Uma empresa privada de mercenários sul-africanos é contratada em março de 1995 para enfrentar a RUF. Strasser cai num golpe em janeiro de 1996 por dúvida se ele entregaria o poder aos civis. 

Em março de 1996, o presidente eleito Ahmad Kabbah assume o governo de Serra Leoa. O governo civil assina com a RUF em retirada o Acordo de Abdijã. Um novo golpe militar, em maio de 1997, impõe o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que se alia à RUF para tomar a capital, Freetown.

O novo chefe de Estado, Johnny Paul Koroma, anuncia o fim da guerra. Uma onda de saques, violência sexual e assassinatos assola o país. Uma força da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (ECOWAS) intervém. Kabbah volta ao poder em 1998.

Sob pressão internacional, em março de 1999, o governo e a RUF assinam o Acordo de Paz de Lomé. Em troca da paz, Foday Sankoh vira vice-presidente e controla as minas de diamantes. Não dá certo. Em maio de 2000, os rebeldes avançam rumo a Freetown.

Quando a missão de paz da ONU é ameaçada, o Reino Unido intervém militarmente na antiga colônia para retomar o controle de Freetown e derrotar a RUF de uma vez por todas. Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah proclama o fim da guerra.

Foday Sankoh é preso e entregue a um tribunal internacional. É denunciado por 17 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, mas morre de um acidente vascular cerebral em 29 de julho de 2003, antes de ser julgado.

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sábado, 17 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Janeiro

 GOLPE DERRUBA MONARQUIA NO HAVAÍ

    Em 1893, uma comissão liderada por Sanford Ballard Dole e seus aliados dos Estados Unidos depõe a primeira e única rainha do Havaí, Liliuokalani, e instala um governo provisório com Dole como presidente.

Lydia Kamakacha nasce em 2 de setembro de 1838 em Honolulu, no Havaí. numa família da elite. Como uma princesa, recebe uma educação moderna e viaja ao Ocidente para conhecer o mundo. É assessora do rei Kamehameha IV.

Em 1874, seu irmão David Kalakaua se torna rei. Com a morte do segundo irmão, em 1877, ela se torna herdeira do trono. A partir daí, passa a usar seu nome da realeza, Lilioukalani. Ela é princesa-regente quando o rei Kalakaua viaja pelo mundo, em 1881. O presidente Grover Cleveland a recebe na Casa Branca e a rainha Vitória em Londres em 1887.

Com a morte do rei, em janeiro de 1891, ela ascende ao trono e tenta restaurar o poder da monarquia. É contra o Tratado de Reciprocidade (1887), que dá privilégios a empresas dos EUA, que controlam o porto de Pearl Harbor. Aliena assim os empresários estrangeiros, os interesses açucareiros e norte-americanos.

Sandord Dole, filho de missionários norte-americanos, pressiona por sua abdicação, depõe Liliuokalani e forma um governo provisório para preparar a anexação pelos EUA em 12 de agosto de 1898.

COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR

    Em 1961, no seu discurso de despedida, o presidente Dwight Eisenhower (1953-61), comandante militar dos aliados ocidentais na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adverte para o risco da "influência indevida do complexo industrial-militar" sobre a democracia nos Estados Unidos.

Ike governa durante o auge da Guerra Fria, quando as duas superpotências desenvolvem bombas de hidrogênio, mil vezes mais poderosas do que as de Hiroxima e Nagasáki. Ele teme que a indústria bélica mine a democracia.

Os discursos de despedida são uma tradição na política dos EUA, a começar pelo primeiro presidente, George Washington, que publicou a seu na imprensa em 1896. Aconselhou o país a comerciar com todo o mundo e não se envolver em conflitos no exterior. E defendeu a importância da educação, afirmando que, se decidimos entregar o poder ao povo é preciso investir maciçamente em escolas para ter uma "opinião pública iluminada".

Em seu discurso de despedida, o presidente Joe Biden adverte para o risco de uma oligarquia de bilionários como ameaça à democracia nos EUA. Não cita ninguém, mas os alvos parecem ter sido os magnatas do setor de alta tecnologia como o homem mais rico do mundo, Elon Musk, dono da Tesla, do X, da SpaceX e da Starlink; Jeff Bezos, da Amazon; Peter Thiel, da Palantir; e Mark Zuckerberg, dono da Meta, do Facebook, do Instagram, do Threads e do WhatsApp.

INÍCIO DA GUERRA DO GOLFO

    Em 1991, com um bombardeio maciço, começa a Guerra do Golfo Pérsico. Uma coalizão de mais de 30 países liderada pelos Estados Unidos ataca para expulsar as forças do Iraque do Kuwait, com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ditador iraquiano Saddam Hussein ordena a invasão do Irã em 22 de setembro de 1980 com o apoio dos EUA, da União Soviética e do mundo árabe para tentar derrubar o regime fundamentalista xiita imposto pelo aiatolá Ruhollah Khomeni depois da Revolução Islâmica de 1979 no Irã.

A guerra dura oito anos, tem intensos bombardeios a cidades e ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico, e mata um e dois milhões de muçulmanos de acordo com a Enciclopédia Britânica. Em 20 de agosto de 1988, Khomeini aceita o cessar-fogo, que chama de "pílula amarga".

Com a economia abalada, Saddam Hussein chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, que o apoiaram na guerra, exgindo compensação ao Iraque por suposto roubo de petróleo em campos na fronteira com esses países. Como eles não cedem, o Iraque invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 sob a alegação de Saddam de que é "a 19ª província do Iraque".

Por temer uma invasão da Arábia Saudita, o que daria a Saddam o controle de 40% das reservas de petróleo conhecidas do mundo, o então presidente dos EUA, George Bush, lança a Operação Escudo no Deserto, envia forças dos EUA para território saudita e exige a retirada total dos iraquianos do Kuwait.

Depois de meses de negociações infrutíferas, o Conselho de Segurança da ONU autoriza o uso da força. A URSS vota a favor e a China se abstém.

NAVALNY SOBREVIVE E VAI PRESO

    Em 2021, o líder da oposição na Rússia, Alexey Navalny, sobrevive a uma tentativa de assassinato e é preso ao voltar da Alemanha, onde recebe tratamento, por violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, mesmo totalmente inconsciente.

Navalny nasce em Butyn em 4 de junho de 1976. Estuda direito na Universidade dos Povos. No início da sua carreira política, liderou passeatas xenófobas e de extrema direita, atacando a Ucrânia, apesar de ser filho de estrangeiro, e os muçulmanos do Cáucaso, que comparou a "baratas", num discurso fascista.

Advogado, ativista e blogueiro, torna-se conhecido ao denunciar os escândalos de corrupção. Em 2011, cria a Fundação Anticorrupção.

Seus principais alvos são o partido governista Rússia Unida, que chama de "partido de bandidos e ladrões", e a oligarquia que cerca o Kremlin e governa o país com o ditador Vladimir Putin como um Estado feudal baseado no apadrinhamento político.

2011 é o ano da Primavera Árabe, que Putin vê como uma conspiração do Ocidente. Há protestos durante a campanha para as eleições parlamentares na Rússia. Putin toma como parte de uma conspiração global. Navalny é detido por 15 dias

Em 8 de setembro de 2013, Navalny concorre a prefeito de Moscou com uma campanha anti-imigrantes. Conquista 27% dos votos, mas perde para o prefeito Serguei Sobianov, apoiado por Putin, que teve 51%.

Condenado a três anos e meio de prisão por crimes econômicos num processo forjado em 2014, Navalny é impedido de se candidatar à Presidência da Rússia em 2018. No ano seguinte, apoia candidatos independentes à Prefeitura e à Câmara Municipal de Moscou. A maioria é proibida de concorrer.

Em 20 de agosto de 2020, quando faz campanha eleitoral, Navalny passa mal num voo de Tomsk para Moscou. O avião faz um pouso de emergência em Omsk. Ele sobrevive e, sob pressão internacional, a Rússia autoriza sua remoção para o exterior. Em 22 de agosto, ele vai para a Alemanha, que identifica o agente nervoso Novichok, usado pelos serviços secretos russos, como causa do envenenamento.

Depois de denunciar que Putin tem um palácio de US$ 7,2 bilhões no Mar Negro, Navalny é condenado a dois anos e oito meses de prisão. Em 4 de agosto de 2023, ele é condenado a mais 19 anos de prisão por atividades extremistas e "reabilitar a ideologia nazista" ao criticar a invasão da Ucrânia.

Em 25 de dezembro de 2023, um porta-voz de Navalny revela que ele está numa prisão ao norte do Círculo Polar Ártico, numa das cadeias do arquipélago gulag do período stalinista, onde ele morre em 16 de fevereiro de 2024.

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