sábado, 17 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Janeiro

 GOLPE DERRUBA MONARQUIA NO HAVAÍ

    Em 1893, uma comissão liderada por Sanford Ballard Dole e seus aliados dos Estados Unidos depõe a primeira e única rainha do Havaí, Liliuokalani, e instala um governo provisório com Dole como presidente.

Lydia Kamakacha nasce em 2 de setembro de 1838 em Honolulu, no Havaí. numa família da elite. Como uma princesa, recebe uma educação moderna e viaja ao Ocidente para conhecer o mundo. É assessora do rei Kamehameha IV.

Em 1874, seu irmão David Kalakaua se torna rei. Com a morte do segundo irmão, em 1877, ela se torna herdeira do trono. A partir daí, passa a usar seu nome da realeza, Lilioukalani. Ela é princesa-regente quando o rei Kalakaua viaja pelo mundo, em 1881. O presidente Grover Cleveland a recebe na Casa Branca e a rainha Vitória em Londres em 1887.

Com a morte do rei, em janeiro de 1891, ela ascende ao trono e tenta restaurar o poder da monarquia. É contra o Tratado de Reciprocidade (1887), que dá privilégios a empresas dos EUA, que controlam o porto de Pearl Harbor. Aliena assim os empresários estrangeiros, os interesses açucareiros e norte-americanos.

Sandord Dole, filho de missionários norte-americanos, pressiona por sua abdicação, depõe Liliuokalani e forma um governo provisório para preparar a anexação pelos EUA em 12 de agosto de 1898.

COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR

    Em 1961, no seu discurso de despedida, o presidente Dwight Eisenhower (1953-61), comandante militar dos aliados ocidentais na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adverte para o risco da "influência indevida do complexo industrial-militar" sobre a democracia nos Estados Unidos.

Ike governa durante o auge da Guerra Fria, quando as duas superpotências desenvolvem bombas de hidrogênio, mil vezes mais poderosas do que as de Hiroxima e Nagasáki. Ele teme que a indústria bélica mine a democracia.

Os discursos de despedida são uma tradição na política dos EUA, a começar pelo primeiro presidente, George Washington, que publicou a seu na imprensa em 1896. Aconselhou o país a comerciar com todo o mundo e não se envolver em conflitos no exterior. E defendeu a importância da educação, afirmando que, se decidimos entregar o poder ao povo é preciso investir maciçamente em escolas para ter uma "opinião pública iluminada".

Em seu discurso de despedida, o presidente Joe Biden adverte para o risco de uma oligarquia de bilionários como ameaça à democracia nos EUA. Não cita ninguém, mas os alvos parecem ter sido os magnatas do setor de alta tecnologia como o homem mais rico do mundo, Elon Musk, dono da Tesla, do X, da SpaceX e da Starlink; Jeff Bezos, da Amazon; Peter Thiel, da Palantir; e Mark Zuckerberg, dono da Meta, do Facebook, do Instagram, do Threads e do WhatsApp.

INÍCIO DA GUERRA DO GOLFO

    Em 1991, com um bombardeio maciço, começa a Guerra do Golfo Pérsico. Uma coalizão de mais de 30 países liderada pelos Estados Unidos ataca para expulsar as forças do Iraque do Kuwait, com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ditador iraquiano Saddam Hussein ordena a invasão do Irã em 22 de setembro de 1980 com o apoio dos EUA, da União Soviética e do mundo árabe para tentar derrubar o regime fundamentalista xiita imposto pelo aiatolá Ruhollah Khomeni depois da Revolução Islâmica de 1979 no Irã.

A guerra dura oito anos, tem intensos bombardeios a cidades e ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico, e mata um e dois milhões de muçulmanos de acordo com a Enciclopédia Britânica. Em 20 de agosto de 1988, Khomeini aceita o cessar-fogo, que chama de "pílula amarga".

Com a economia abalada, Saddam Hussein chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, que o apoiaram na guerra, exgindo compensação ao Iraque por suposto roubo de petróleo em campos na fronteira com esses países. Como eles não cedem, o Iraque invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 sob a alegação de Saddam de que é "a 19ª província do Iraque".

Por temer uma invasão da Arábia Saudita, o que daria a Saddam o controle de 40% das reservas de petróleo conhecidas do mundo, o então presidente dos EUA, George Bush, lança a Operação Escudo no Deserto, envia forças dos EUA para território saudita e exige a retirada total dos iraquianos do Kuwait.

Depois de meses de negociações infrutíferas, o Conselho de Segurança da ONU autoriza o uso da força. A URSS vota a favor e a China se abstém.

NAVALNY SOBREVIVE E VAI PRESO

    Em 2021, o líder da oposição na Rússia, Alexey Navalny, sobrevive a uma tentativa de assassinato e é preso ao voltar da Alemanha, onde recebe tratamento, por violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, mesmo totalmente inconsciente.

Navalny nasce em Butyn em 4 de junho de 1976. Estuda direito na Universidade dos Povos. No início da sua carreira política, liderou passeatas xenófobas e de extrema direita, atacando a Ucrânia, apesar de ser filho de estrangeiro, e os muçulmanos do Cáucaso, que comparou a "baratas", num discurso fascista.

Advogado, ativista e blogueiro, torna-se conhecido ao denunciar os escândalos de corrupção. Em 2011, cria a Fundação Anticorrupção.

Seus principais alvos são o partido governista Rússia Unida, que chama de "partido de bandidos e ladrões", e a oligarquia que cerca o Kremlin e governa o país com o ditador Vladimir Putin como um Estado feudal baseado no apadrinhamento político.

2011 é o ano da Primavera Árabe, que Putin vê como uma conspiração do Ocidente. Há protestos durante a campanha para as eleições parlamentares na Rússia. Putin toma como parte de uma conspiração global. Navalny é detido por 15 dias

Em 8 de setembro de 2013, Navalny concorre a prefeito de Moscou com uma campanha anti-imigrantes. Conquista 27% dos votos, mas perde para o prefeito Serguei Sobianov, apoiado por Putin, que teve 51%.

Condenado a três anos e meio de prisão por crimes econômicos num processo forjado em 2014, Navalny é impedido de se candidatar à Presidência da Rússia em 2018. No ano seguinte, apoia candidatos independentes à Prefeitura e à Câmara Municipal de Moscou. A maioria é proibida de concorrer.

Em 20 de agosto de 2020, quando faz campanha eleitoral, Navalny passa mal num voo de Tomsk para Moscou. O avião faz um pouso de emergência em Omsk. Ele sobrevive e, sob pressão internacional, a Rússia autoriza sua remoção para o exterior. Em 22 de agosto, ele vai para a Alemanha, que identifica o agente nervoso Novichok, usado pelos serviços secretos russos, como causa do envenenamento.

Depois de denunciar que Putin tem um palácio de US$ 7,2 bilhões no Mar Negro, Navalny é condenado a dois anos e oito meses de prisão. Em 4 de agosto de 2023, ele é condenado a mais 19 anos de prisão por atividades extremistas e "reabilitar a ideologia nazista" ao criticar a invasão da Ucrânia.

Em 25 de dezembro de 2023, um porta-voz de Navalny revela que ele está numa prisão ao norte do Círculo Polar Ártico, numa das cadeias do arquipélago gulag do período stalinista, onde ele morre em 16 de fevereiro de 2024.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

 IVÃ O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de nobres guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que mandaria na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para manter a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (quadro). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares salvadorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvaro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impede a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declara a anistia inconstitucional.

PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE AFRICANA

    Em 2006, Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, toma posse como presidente da Libéria.

Ellen nasce em 29 de outubro de 1938 em Monróvia, a capital do país. Em 1961, ela vai para os EUA estudar economia e administração de empresas. Depois de um mestrado em administração pública da Universidade de Harvard, ela entra no serviço público liberiano.

Em 1972-73, Ellen Johnson Sirleaf é a segunda no Ministéro das Finanças do presidente William Tolbert. De 1980-85, é ministra das Finanças da ditadura de Samuel Doe. Conhecida por sua integridade, entra em choque com os dois presidentes. Na ditadura, é presa duas vezes. Escapa por pouco da execução.

Durante a campanha eleitoral de 1985, Ellen luta por uma vaga no Senado denunciando a ditadura. É condenada a 10 anos de prisão e solta desde que saia do país. Fica 12 anos no Quênia e nos EUA, enquanto a Libéria mergulha numa guerra civil brutal.

Ela trabalha como economista do Banco Mundial. De 1992-97, dirige o Escritório Regional para a África do Programa das Nações para o Desenvolvimento (PNUD).

Em 1997, Ellen Johnson Sirleaf concorre à Presidência da Libéria contra o ditador Charles Taylor. O governo a acusa de traição e volta para o exílio. A guerra civil recomeça em 1999. Quando Taylor vai para o exílio, em 2003, ela volta para presidir a Comissão pela Boa Governança, que prepara o país para eleições democráticas.

Na segunda tentativa, em 2005, ela se elege presidente vencendo o ex-jogador de futebol George Weah no segundo turno e toma posse em janeiro.

Com 15 mil soldados da ONU no país e 80% de desemprego, os desafios são enormes. Em 2006, cria uma Comissão da Verdade e Reconciliação. Ela própria é citada por ter apoiado Taylor contra Doe no início da Primeira Guerra Civil Liberiana (1989-97).

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf divide o Prêmio Nobel da Paz com a também liberiana Leyman Gbowee e a iemenita Tawakkal Karman pela luta pelos direitos da mulher. Ela governa a Libéria até 2018 e entrega o poder a George Weah. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã clama por liberdade

Quarenta e sete anos depois da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a ditadura teocrática do Irã enfrenta seu maior desafio, uma revolta popular sem precedentes, com mais de 2,5 mil mortes. 

O presidente Donald Trump ameaçou bombardear alvos do regime fundamentalista xiita se manifestantes fossem mortos. O ataque, ilegal à luz do direito internacional, pode acontecer neste fim de semana e iniciar uma nova guerra no Oriente Médio.

A atual onda de manifestações começou em 28 de dezembro no Grande Bazar, o mercado central de Teerã, em protesto contra a desvalorização da moeda e a inflação. Espalhou-se pelas 31 províncias do país. Em 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou a Internet e os telefonemas internacionais. No domingo passado, o massacre se tornou evidente nas imagens que conseguiram ser divulgadas no exterior.

 Não há garantia de que uma intervenção militar seja capaz de derrubar a ditadura. Bombardeios aéreos não têm como impedir as forças de segurança de continuar matando manifestantes. Mas regime dos aiatolás e da Guarda Revolucionária perdeu toda e qualquer legitimidade. Está condenado.

Hoje na História do Mundo: 15 de Janeiro

 MUSEU BRITÂNICO

    Em 1759, o Museu Britânico, criado seis anos antes por lei do Parlamente Britânico, é aberto ao público no bairro de Bloomsbury, em Londres, com uma formidável coleção de antiguidades e tesouros históricos e arqueológicos, muitos saqueados pelo Império Britânico e hoje reivindicados pelos países de origem como a Pedra da Rosetta, do Egito, e as frisas do Partenon de Atenas, na Grécia Antiga.

É uma das principais atrações turísticas do Reino Unido e não cobra entrada, a não ser para exposições especiais. O prédio atual é construído de 1823 a 1852. A famosa sala de leitura, frequentada por Karl Marx, Virgina Woolf, Peter Kropotkin e Thomas Carlyle, é dos anos 1850.

Em 1881, a coleção de história natural é transferida para o Museu de História Nacional, no bairro de South Kensington. A Biblioteca Britânica é criada em 1973.

Outras relíquias são esculturas gregas do Mausoléu de Halicarnasso e do Templo de Artemísia, em Éfeso, duas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, os portões de palácios e tempos de Nimrod e Nínive, na Mesopotâmia.

NASCE GENE KRUPA

    Em 1909, nasce em Chicago, no estado de Illinois, o baterista de jazz Gene Krupa, talvez o percussionista mais popular da era do suingue.

Com a morte da mãe quando ele tem 11 anos, Krupa tem de trabalhar e vira menino de recados de uma empresa musical. Logo, junta dinheiro para comprar um instrumento e escolhe uma bateria porque era o mais barato.

No início dos anos 1920, Krupa aprende com grandes músicos de jazz em Chicago. Uma de suas grandes influência é o baterista Baby Dodds, de Nova Orleans. Ele toca com vários grupos de Chicago.

No início dos anos 1930, Gene Krupa é o baterista de orquestra de dois musicais de George Gershwin encenados na Broadway, em Nova York. Em 1934, por indicação do produtor John Hammond, entra para a orquestra de Benny Goodman. 

Depois de uma apresentação histórica no Carnagie Hall, em janeiro de 1938, ele deixa Goodman para formar sua própria banda. No início, ela segue o estilo de Goodman. Em 1941, a banda cresce com a entrada da cantora Anita O'Day e do trumpetista Roy Eldridge, que vai do jazz tradicional de Louis Armstrong ao bebop de Dizzy Gillespie.

O trio Krupa-Eldridge-O'Day produz os melhores discos da banda, como Boogie Blues Let Me Off Uptownxi, maior sucesso de Krupa.

Em 1943, Krupa é preso por três meses por posse de maconha. Ao sair da cadeia, toca com Goodman e Tommy Dorsey até formar sua própria banda em 1944, desta vez com uma seção de instrumentos de corda, com jovens talentos com influência do movimento bebop

Faz sucesso nos anos 1940, com músicas como Leave Us LeapDisc Jockey Jump e Lemon Drop, com arranjos de George Williams e Gerry Mulligan, mas não resiste ao declínio das grandes bandas de jazz e acaba em 1951.

Nos anos 1950, Krupa lidera pequenos grupos e faz turnê com Norman Gainz e o projeto Jazz na Filarmônica. Em 1954, ele cria com o colega baterista Cozy Cole uma escola da bateria onde Krupa dá aula até o fim da vida.

Ele participa de dois filmes como ele mesmo, The Glenn Miller Story (1953) e The Benny Goodman Story (1955) e é objeto de uma biografia ficcional, The Gene Krupa Story (1959), em que Sal Mineo o representa e o próprio Kupra toca bateria na trilha sonora.

Com problemas de saúde, reduziu as atividades nos anos 1960, mas se uniu com os membros originais do Benny Goodman Quartet para gravar Together Again! (1963) e reuniu seu quarteto para gravar The Great New Gene Krupa Quartet (1964), sua última gravação.

Gene Krupa morre em Yonkers, no estado de Nova York, em 16 de outubro de 1973 aos 64 anos.

MORTE DE ROSA LUXEMBURGO

    Em 1919, a filósofa, economista e revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, nascida na Polônia, é presa e assassinada em Berlim por incentivar um levante comunista conhecido como Revolta de Espártacus.

Róza Luksemburg nasce em 5 de março de 1871 em Zamosc, na Polônia, na época parte do Império Russo. É a menor de cinco filhos de uma família judia de classe média baixa. Na juventude, envolve-se no ativismo clandestino. Em 1889, foge do Império Russo para Zurique, na Suíça, onde se forma em economia política em 1898.

Na Suíça, começa a participar do movimento internacional socialista e conhece o social-democrata russo Georgy Plekhanov.

É fundadora do Partido Social-Democrata da Polônia e ativista do Partido Social-Democrata da Alemanha (SDP) e do Partido Social-Democrata Independente da Polônia. Funda a ala comunista do SPD, que se torna o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

No livro Reforma ou Revolução, de 1899, ela defende a ortodoxia marxista. Rejeita o parlamento como uma impostura da burguesa.

A Revolução Russa de 1905 é um momento decisivo em sua vida. Até então, ela acredita que a revolução mundial começaria na Alemanha. Vai para a Polônia e é presa.

Em 1915, quando o SPD apoia a participação alemã na Primeira Guerra Mundial (1914-18), Rosa Luxemburgo cria a Liga Espartaquista. Em 1º de janeiro de 1919, a liga se transforma no KPD.

Como teórica política, Rosa Luxemburgo desenvolve uma teoria humanista do marxismo com destaque para a democracia e o papel revolucionário das massas populares. 

Na sua opinião, o nacionalismo e a independência nacional são concessões retrógradas à classe dominante, um dos pontos de suas discordâncias com Vladimir Lenin, líder da Revolução Comunista na Rússia. 

Ao contrário de Lenin ela entende que a revolução não depende de uma estrutura partidária rígida e que a organização é forjada na luta. Lenin acredita que o partido deve ser a vanguarda do proletariado e guiar a revolução. Para Rosa Luxemburgo, todo poder popular deriva das massas.

Libertada na revolução alemã de 1918, ela cria o KPD e tenta limitar a influência bolchevique. No seu livro A Revolução Russa, publicado em 1922, ela critica o partido de Lenin por suas teses de autodeterminação nacional e seus métodos ditatoriais e terroristas. Acreditava na democracia em oposição ao centralismo democrático de Lenin.

Uma de suas frases famosas é "liberdade é o direito que se dá aos outros de fazer e dizer aquilo com que não concordamos."

Por fomentar a Revolta de Espártacus, é presa e morte pelo Freikorps (Corpo da Liberdade), uma aliança de grupos paramilitares de direita.

NASCE LUTHER KING

    Em 1929, nasce em Atlanta, na Geórgia, filho de um pastor batista, Martin Luther King Jr., o grande líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. 

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se negou a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau foi lido pelo escritor russo Leon Tolstói e suas ideias influenciaram Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Luther King lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker é presa por se negar a ceder o assento para um branco. Leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham, no Alabama.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King, que está na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

MILAGRE NO RIO HUDSON

    Em 2009, o piloto Charles Sully Sullenberger consegue a façanha de pousar no Rio Hudson, em Nova York, poucos minutos depois da decolagem do voo 1549 da companhia aérea US Airways, quando gansos entram nas turbinas e paralisam os motores do avião, um Airbus A320. Cinco pessoas saem feridas, mas ninguém morre.

O ex-piloto da Força Aérea está para ser demitido por causa da idade. Vira herói. Ele avisa o centro de controle de Aeroporto La Guardia que está voltando, mas percebe que não terá condições de chegar até a pista de pouso.

Três minutos e meio depois de sugar os pássaros de um bando de gansos do Canará, o avião pousa suavemente no Rio Hudson e flutua, talvez por não estar com os tanques cheios. 

Os passageiros e tripulantes saem pelas esteiras de emergência e caminham sobre as asas ou entram em botes salva-vidas até serem resgatados por lanchas e ferryboats. Alguns têm hipotermia, mas todos se salvam.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Janeiro

 TRATADO DE MADRI

    Em 1526, o imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico (Carlos I na Espanha) e o rei Francisco I, da França, capturado na Batalha de Pávia, em 24 de fevereiro de 1525, assinam o Tratado de Madri. Carlos V (imagem) mantém Francisco I prisioneiro até a conclusão do tratado, em que a França abre mão de reivindicações sobre territórios na Itália, abrindo caminho para o Império dos Habsburgo.

No fim de 1524, Francisco I invade a Lombardia e ocupa Milão. Então, cerca Pávia, que fica 40 quilômetros ao sul. Carlos V manda um exército para romper o cerco. O exército francês, de 28 mil homens, é aniquilado e Francisco I é capturado e enviado para Madri. Só volta à França após ceder às ambições de Carlos V.

Rei e imperador, Carlos V é o homem mais poderoso da Europa na época. Sonha com uma "monarquia universal". Além de seu império na América, a Espanha tem um império europeu, no que hoje é Bélgica e Países Baixos, no Sacro Império e em algumas cidades da Itália. Na Guerra dos Trinta Anos (1618-48), a Espanha perde seu império europeu e a França se torna a maior potência do continente.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1784, o Congresso Continental ratifica o Segundo Tratado de Paris, negociado no fim da Guerra da Independência (1775-83), em que a França e o Reino Unido reconhecem os Estados Unidos como um país independente e soberano.

O Primeiro Tratado de Paris é assinado no fim da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando o Império Britânico conquista possessões do Império Francês na Índia e na América do Norte, menos no que hoje é a província do Quebec, no Canadá. Essa guerra é causa tanto da independência dos EUA (1776) quanto da Revolução Francesa (1789).

Os dois impérios ficam em situação difícil para financiar a guerra. O rei George III resolve aumentar os impostos e as 13 colônias norte-americanas se rebelam e formam os EUA. Na França, a insatisfação popular é agravada por invernos rigorosos e quebras de safra que causam fome e resultam na revolução.

O Segundo Tratado de Paris fixa a fronteira entre os EUA, na época apenas as 13 colônias da costa do Oceano Atlântico, e as possessões britânicas no resto da América do Norte, que viriam a formar o Canadá. Todos os prisioneiros de guerra são libertados. Os pescadores dos EUA ganham o direito de pescar ao largo da Terra Nova e no Golfo de São Lourenço.

"ESTRANGEIROS INIMIGOS"

    Em 1942, o presidente Franklin Delano Roosevelt decreta que todos os cidadãos de países inimigos na Segunda Guerra Mundial (1939-45) – alemães, italianos e japoneses – residentes nos Estados Unidos precisam se registrar no Departamento da Justiça.

O país ainda está em choque, depois do bombardeio japonês à Frota do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que leva os EUA à guerra. 

O decreto regulamenta a Lei de Registro de Estrangeiros, de 1940. Serve de base legal para a internação em massa de 120 mil japoneses-americanos em campos de concentração durante a guerra, decretada em 19 de fevereiro de 1942.

DIANA ROSS AND THE SUPREMES

    Em 1970, a cantora e atriz Diana Ross fez o último show com o grupo The Supremes antes de partir para uma carreira solo.

A cantora e atriz Diana Ross nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 26 de março de 1944, e começa sua carreira em 1959, que forma um grupo de pop e soul com amigas da vizinhança chamado de Primettes.

No ano seguinte, o grupo é rebatizado The Supremes depois de assinar um contrato com a gravadora Motown. Em 1967, o grupo muda de nome outra vez, para Diana Ross & The Supremes.


REVOLUÇÃO DE JASMIM

    Em 2011, depois de dias de manifestações de protestos contra a miséria, a fome e a repressão política, o ditador Zine el-Abidine Ben Ali renuncia à Presidência da Tunísia na Revolução de Jasmin, a primeira da Primavera Árabe.

Mohamed Bouazizi é um engenheiro desempregado que vende frutas e verduras nas ruas da cidade de Sidi Bouzid para sobreviver. Ganha em média US$ 75 por mês. 

Em 17 de dezembro de 2010, uma fiscal apreende suas mercadorias e balança, lhe dá um tapa no rosto e rasga uma cópia da lei que autoriza o trabalho de ambulante que Bouazizi levava consigo. Ele vai para a frente da prefeitura da cidade e se autoimola. Toca fogo na roupa.

Ben Ali vai visitá-lo no hospital, mas piora ainda mais a situação. Quando Bouazizi morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro de 2011, a revolta popular explode. Mais de 5 mil pessoas participam do funeral. Ele deixa uma mensagem para a mãe pedindo desculpas por ter perdido a esperança.

A reação da ditadura é brutal. Dezenas de pessoas morrem. Ben Ali lamenta as mortes, promete baixar os preços dos alimentos e reduzir as restrições ao uso da Internet. Em 14 de janeiro, Ben Ali decreta estado de emergência, dissolve o Parlamento e convoca eleições, mas os manifestantes não cedem. Ele renuncia, depois de ficar 23 anos no poder, e foge para a Arábia Saudita, onde morre em 19 de setembro de 2019.

A Tunísia é o único país onde a Primavera Árabe leva à democracia, mas não dura muito. O presidente Kaïs Saïed, que chega ao poder em 23 de outubro de 2019, dissolve o Parlamento em 25 de julho de 2021 e assume poderes ditatoriais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Trump quer evitar na Venezuela erros no Iraque e Afeganistão

Ao tentar cooptar parte do regime chavista da Venezuela, o presidente Donald Trump procura evitar os erros cometidos pelos Estados Unidos nas invasões do Afeganistão e do Iraque, quando o colapso do Estado criou uma situação de caos e anarquia. A ideia agora é trabalhar com quem está no poder, marginalizando a oposição, para tentar manter a estabilidade.

A principal interlocutora do governo Trump é a vice-presidente e agora presidente interina, Delcy Rodríguez, responsável pelo setor de petróleo e pela reforma econômica que na prática abandonou o "socialismo do século 21" pregado pelo caudilho Hugo Chávez.

O resultado desse acordo ainda é incerto. Com certeza, a mesma fórmula não poderá ser aplicada no Irã, que Trump ameaça bombardear diante da violenta repressão da ditaduras dos aiatolás e da Guarda Revolucionária contra a revolta popular.

A realidade é que intervenções militares não costumam levar estabilidade aos países invadidos. Um exemplo foi a ação na Líbia contra o ditador Muamar Kadafi, que ameaçava massacrar os rebeldes da Primavera Árabe, em 2011. A intervenção foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que nunca organizou uma missão de paz. A Líbia está em guerra civil até hoje.

Hoje na História do Mundo: 13 de Janeiro

 CAVALEIROS DO TEMPLO

    Em 1128, durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo dos Templários, como um "exército de Deus".

A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, nove expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.

De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.

Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.

Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.

Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.

As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.

ÉMILE ZOLA ACUSA

    Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu acuso:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e de ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante o tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.

O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

COSTA CONCORDIA NAUFRAGA

    Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.

Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.

Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"

O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.

UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS

    Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.

Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.

A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que presidia a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.

Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.

Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renunciou quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Janeiro

 LOBO DO MAR

    Em 1876, nasce na miséria em São Francisco da Califórnia John Griffith Chaney, ativista, operário, marinheiro, jornalista e escritor mais conhecido como Jack London.

"Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro – e, é claro, o leme que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. 

"Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil, foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos – e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. 

"Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globetrotter, um palestrante incendiário, um 'líder' popular – e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre." (Eduardo Bueno)

GUERRA ANGLO-ZULU

    Em 1879, começa a Guerra Anglo-Zulu, um conflito de seis meses decisivo para consolidar a hegemonia britânica sobre o que hoje é a África do Sul.

Na segunda metade do século 19, o Império Britânico se interessa pelas terras da Zululândia, para onde os bôeres, camponeses de origem holandesa, avançam na Longa Jornada (1835-46). Os britânicos pensam em usar mão de obra zulu nas minas de diamantes.

Desde que se torna rei dos zulus, em 1872, Cetshwayo decide resistir ao imperialismo. Para isso, forma um exército de 40 a 60 mil homens.

Em dezembro de 1878, o alto comissário (embaixador) britânico para a África do Sul dá um ultimato impossível de cumprir: exige que os zulus desmantelem sua força militar em 30 dias e paguem reparações por supostos insultos.

Como é óbvio, Cetshwayo não aceita. Em janeiro, as forças britânicas invadem a Zululândia sob o comando de Frederic Thesiger, 2º Barão de Chelmsford, que deixa um terço de suas tropas num acampamento desprotegido atacado pelos zulus em 22 de janeiro. Em Isandlwana, eles matam 800 britânicos e tomam mil fuzis e munição. É a única derrota de um exército moderno, com armas de fogo, para um exército que luta com lanças e escudos

Outra força, sob o comando de Dabulamanzi kaMpande, irmão de Cetshwayo, investe contra os britânicos em Rorke's Drift, onde os britânicos, avisados pelos sobreviventes de Isandlwana, estão preparados. Em 12 horas de batalha, cerca de 120 soldados britânicos matam mais de 500 guerreiros zulus.

A notícia da derrota em Isadlwana, uma das maiores humilhações do Império Britânico no século 19, chega a Londres em 11 de fevereiro e acaba com qualquer chance de Cetshwayo negociar a paz. Londres declara guerra total. 

Um exército sob o comando do general Evelyn Wood sofre uma derrota inicial em 28 de março em Hoblane, mas conquista uma vitória decisiva na Batalha de Kambula no dia seguinte. Em 2 de abril, uma coluna britânica liderada por Chelmsford inflige uma grande derrota aos zulus em Gingindlovu, onde mais de mil zulus são mortos.

Chelmsford avança em direção a Ulundi, onde em 4 de julho conquista a vitória definitiva sobre Cetshwayo, que é capturado em agosto. O Império Britânico controla a Zululândia e consolida seu domínio pela África do Sul ao vencer a Guerra dos Bôeres (1899-1902) contra os africâners, descendentes de colonos holandeses e huguenotes franceses, que os britânicos chamam de "tribo branca da África" para sugerir que não têm mais os costumes da civilização europeia.

RETALIAÇÃO MACIÇA

    Em 1954, durante a Guerra Fria com a União Soviética, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, anuncia que os Estados Unidos vão responder a agressão comunista com "a força de uma retaliação maciça", que se torna a ideia central da doutrina de segurança nacional do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

Os EUA fabricam a bomba durante a Segunda Guerra Mundial e a jogam em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, em agosto de 1945, para acabar com a guerra. 

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba nuclear. 

Os EUA investem então na bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Ela é testada pela primeira vez em 1º de novembro de 1952. A URSS testa a sua em 12 de agosto de 1953, equilibrando a corrida armamentista.

Então, os EUA decidem advertir que um ataque com armas nucleares será respondido com uma "retaliação maciça".

IMPACTO PROFUNDO

    Em 2005, os Estados Unidos lançam a nave espacial Deep Impact, que dispara um artefato com 370 quilos de massa contra o núcleo do cometa Tempel 1 para estudar a estrutura do corpo celeste.

O bólido se choca com o cometa em 4 de julho e abre uma cratera. Ao contrário do esperado, as fotografias mostram mais poeira do que gelo. Uma nuvem de poeira dificulta a visualização da cratera.

Três missões anteriores haviam observado cometa. Esta foi a primeira a realizar um impacto para obter material e descobrir de que é feito o núcleo dos cometas.

TERREMOTO DE PORTO PRÍNCIPE

    Em 2010, a terra treme pouco depois das cinco horas da tarde, num abalo de 7 graus na escala aberta de Richter sentido em Cuba e na Venezuela, com epicentro a 25 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O abalo é perto da superfície, a 19 km de profundidade, o que aumenta o poder de destruição, matando cerca de 200 mil pessoas.

A ilha de Hispaniola, que o Haiti divide com a República Dominicana, está sujeita a terremotos violentos, registrados em 1751, 1770, 1846 e 1946. Porto Príncipe fica em cima da falha geológica onde as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe se encontram.

Cerca de 300 mil construções são arrasadas, estradas destruídas, assim como os cabos de linhas de transmissão de energia e telecomunicações, o porto, o aeroporto e todos os hospitais.