Apesar da negativa categórica do presidente Álvaro Uribe de que a libertação de Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares e policiais seqüestrados pelas Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), especialistas em questões militares levantam diversas questões que fortalecem a hipótese de guerrilheiros tenham sido subornados.
As maiores suspeitas recaem sobre a atitude de César, o comandante guerrilheiro encarregado de guardar os reféns. No vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa, ele aparece relaxado e sorridente. Entra no helicóptero antes dos reféns que deveria proteger e senta-se no fundo, quando normalmente, se estivesse no comando de uma operação, ficaria perto da porta.
Também estaria desarmado, por sugestão de um dos agentes disfarçados de membros de uma organização não-governamental européia que estaria prestando ajuda humanitária. Assim, teria se entregado antes da decolagem.
Isso provoca a suspeita de que as FARC tenham sido realmente infiltradas e que César tenha sido subornado. A rádio suíça que noticiou um suposto pagamento de resgate no valor de US$ 20 milhões às FARC disse que a amante de César teria recebido parte do dinheiro.
Pelas observações dos analistas militares, o outro guerrilheiro capturado no helicóptero, Eduardo Gafas, talvez não soubesse do suposto acordo entre César e os agentes secretos colombianos.
A libertação desmoralizou as FARC, que estariam promovendo um grande expurgo interno e uma investigação para descobrir infiltrados. Alguns analistas esperam que tente fazer um grande ataque para fortalecer sua posição em uma negociação de paz que parece cada vez mais inevitável, se ainda tiver forças para isso.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 6 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Ingrid reencontra filhos e quer presidir Colômbia

Depois de seis anos e quatro meses de seqüestro pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a ex-senadora e ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt reencontrou hoje seus filhos, Lorenzo e Melanie Delloye, no aeroporto militar de Bogotá. Ela disse que ainda sonha em governar a Colômbia.
terça-feira, 8 de abril de 2008
FARC negam acesso a Ingrid Betancourt
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) negaram a uma equipe médica enviada pela França o acesso à ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de seis anos.
O maior grupo guerrilheiro colombiano estaria exigindo, em troca de Ingrid, a libertação de dois companheiros extraditados para os Estados Unidos, onde cumprem longas penas, o que parece impossível.
Fracassa assim a missão humanitária lançada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. As FARC, um notório grupo terrorista envolvido em tráfico de drogas, alegaram que não podem negociar diante da mídia internacional.
O maior grupo guerrilheiro colombiano estaria exigindo, em troca de Ingrid, a libertação de dois companheiros extraditados para os Estados Unidos, onde cumprem longas penas, o que parece impossível.
Fracassa assim a missão humanitária lançada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. As FARC, um notório grupo terrorista envolvido em tráfico de drogas, alegaram que não podem negociar diante da mídia internacional.
sábado, 5 de abril de 2008
França mantém missão de socorro a Ingrid
A França ainda espera a autorização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para levar assistência médica de emergência à ex-senadora Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de seis anos pelo maior grupo guerrilheiro colombiano.
"Temos de fazer tudo o que for possível", declarou o ministro do Exterior, Bernard Kouchner, ao canal de televisão France 2.
Há dois, um avião Falcon 50 com dois médicos e dois diplomatas está na base aérea de Catam, em Bogotá, aguardando apenas a permissão das FARC, que precisariam dar as coordenadas geográficas para que a missão humanitária encontre Ingrid.
A ex-senadora e ex-candidata a presidente, de 46 anos, está com hepatite B e leishmaniose, uma doença transmitida por um mosquito da Amazônia. Sua vida correria sério risco.
O grupo guerrilheiro insiste em que não vai mais libertar reféns unilateralmente, só em troca dos cerca de 500 rebeldes presos na Colômbia.
Sob intensa pressão internacional, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, assinou decreto anistiando os guerrilheiros presos. Mas exige que Ingrid seja solta primeiro. Como as FARC não confiam em Uribe, a situação está estagnada.
Em silêncio, há uma negociação conduzida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que recebeu um apelo direto do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que se dispôs a ir até a fronteira da Venezuela com a Colômbia para resgatar Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade e também é francesa.
"Temos de fazer tudo o que for possível", declarou o ministro do Exterior, Bernard Kouchner, ao canal de televisão France 2.
Há dois, um avião Falcon 50 com dois médicos e dois diplomatas está na base aérea de Catam, em Bogotá, aguardando apenas a permissão das FARC, que precisariam dar as coordenadas geográficas para que a missão humanitária encontre Ingrid.
A ex-senadora e ex-candidata a presidente, de 46 anos, está com hepatite B e leishmaniose, uma doença transmitida por um mosquito da Amazônia. Sua vida correria sério risco.
O grupo guerrilheiro insiste em que não vai mais libertar reféns unilateralmente, só em troca dos cerca de 500 rebeldes presos na Colômbia.
Sob intensa pressão internacional, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, assinou decreto anistiando os guerrilheiros presos. Mas exige que Ingrid seja solta primeiro. Como as FARC não confiam em Uribe, a situação está estagnada.
Em silêncio, há uma negociação conduzida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que recebeu um apelo direto do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que se dispôs a ir até a fronteira da Venezuela com a Colômbia para resgatar Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade e também é francesa.
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Colombianos pedem liberdade para reféns
Uma passeata realizada ontem em Bogotá pediu a libertação de cerca de 2,8 mil reféns seqüestrados pelo grupo guerrilheiro terrorista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O lema da terceira jornada de protesto em dois meses na Colômbia foi "Um só grito pela vida e pela liberdade". Diversos cartazes mostravam a mais famosa refém, a ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de seis anos.
A França enviou uma equipe médica, com o apoio da Espanha, Suiça e Cruz Vermelha Inernacional, em missão humanitária para tratar de Ingrid, que sofre de hepatite B e leishmaniose. Mas não obteve permissão da guerrilha para chegar até a ex-senadora.
Ontem, a irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, mostrou-se pessimista quanto ao sucesso da missão francesa.
Na Venezuela, ao receber o presidente da Eslovênia, Danilo Türk, que no momento ocupa a presidência rotativa da União Européia, o presidente Hugo Chávez avaliou que a situação de Ingrid é "complicada. Chávez prometeu trabalhar intensamente por sua libertação, mas disse que vai ficar calado para não atrapalhar as negociações.
A senadora Piedad Córdoba, principal aliada de Chávez no Congresso da Colômbia, divulgou um vídeo da guerrilha para mostrar que o ex-deputado Oscar Tulio Lizcano, refém das FARC há mais de sete anos, está vivo.
Cercado por quatro guerrilheiros, o refém leu uma mensagem ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, fazendo um apelo para que não realize operações militares na região nem tente um resgate militar mas continue insistindo: "Faça o que puder para nos tirar daqui. Estamos apodrecendo."
Um guerrilheiro das FARC que desertou há poucos dias confirmou que o estado de saúde de Ingrid é grave.
O lema da terceira jornada de protesto em dois meses na Colômbia foi "Um só grito pela vida e pela liberdade". Diversos cartazes mostravam a mais famosa refém, a ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de seis anos.
A França enviou uma equipe médica, com o apoio da Espanha, Suiça e Cruz Vermelha Inernacional, em missão humanitária para tratar de Ingrid, que sofre de hepatite B e leishmaniose. Mas não obteve permissão da guerrilha para chegar até a ex-senadora.
Ontem, a irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, mostrou-se pessimista quanto ao sucesso da missão francesa.
Na Venezuela, ao receber o presidente da Eslovênia, Danilo Türk, que no momento ocupa a presidência rotativa da União Européia, o presidente Hugo Chávez avaliou que a situação de Ingrid é "complicada. Chávez prometeu trabalhar intensamente por sua libertação, mas disse que vai ficar calado para não atrapalhar as negociações.
A senadora Piedad Córdoba, principal aliada de Chávez no Congresso da Colômbia, divulgou um vídeo da guerrilha para mostrar que o ex-deputado Oscar Tulio Lizcano, refém das FARC há mais de sete anos, está vivo.
Cercado por quatro guerrilheiros, o refém leu uma mensagem ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, fazendo um apelo para que não realize operações militares na região nem tente um resgate militar mas continue insistindo: "Faça o que puder para nos tirar daqui. Estamos apodrecendo."
Um guerrilheiro das FARC que desertou há poucos dias confirmou que o estado de saúde de Ingrid é grave.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Presidente da UE vai a Bogotá por Ingrid
O presidente da Eslovênia, Danilo Türk, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, foi a Bogotá fazer um apelo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para que recebam a equipe médida enviada pela França para socorrer a ex-senador e ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt.
Enquanto Türk e os embaixadores da Espanha, da França e da Suíça se reuniam no Palácio Nariño com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a Cruz Vermelha Internacional aguardava o consentimento da guerrilha para cumprir a missão humanitária.
Ingrid, de 46 anos, tem hepatite B, uma doença transmitida por água contaminada, e leishmaniose. Se não é tratada em seis meses, a hepatite B pode se tornar crônica, evoluindo para cirrose hepática e câncer de fígado.
Enquanto Türk e os embaixadores da Espanha, da França e da Suíça se reuniam no Palácio Nariño com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a Cruz Vermelha Internacional aguardava o consentimento da guerrilha para cumprir a missão humanitária.
Ingrid, de 46 anos, tem hepatite B, uma doença transmitida por água contaminada, e leishmaniose. Se não é tratada em seis meses, a hepatite B pode se tornar crônica, evoluindo para cirrose hepática e câncer de fígado.
FARC só libertam reféns em troca de presos
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia só vão libertar reféns em troca de guerrilheiros presos, advertiu ontem o porta-voz Rodrigo Granda, no primeiro pronunciamento de um chefe da guerrilha depois do envio da equipe médica francesa que pretende socorrer a ex-senadora Ingrid Betancourt.
"Só como conseqüência de uma troca de prisioneiros saíram livres os que estão cativos em nossos acampamentos", alertou Granda em mensagem distribuída pela Agência Bolivarista de Notícias, ligada ao governo da Venezuela.
"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz quando, depois de tantas mostras de nossa vontade política de encontrar saídas para o conflito, nos respondem com infâmias e maledicência", acrescentou.
Além de socorrer a ex-senadora e ex-candidata à Presidência, seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral contra a guerrilha, a missão humanitária francesa pretende libertá-la. Mas outra agência de notícias ligada às FARC considerou ingenuidade do presidente da França, Nicolas Sarkozy, mandar o avião com médicos e diplomatas sem obter autorização da guerrilha para encontrar Ingrid.
"Muitos pedem a libertação dos 'seqüestrados', mas se esquecem que os nossos, os filhos dos pobres que lutam como combatentes no exército do povo em busca da justiça social, estão em piores condições que os prisioneiros nas mãos das FARC", pretextou Granda.
Em tom intimidatório, o líder terrorista ameaçou: "Que ninguém pose de inocente porque todos os cativos são responsáveis por atiçar a guerra. De Ingrid em diante, e vale dizer que nenhum deles está em piores condições do que Simón Trinidad ou Sonia". Ambos foram extraditados para os EUA e condenados pela Justiça americana.
"Só como conseqüência de uma troca de prisioneiros saíram livres os que estão cativos em nossos acampamentos", alertou Granda em mensagem distribuída pela Agência Bolivarista de Notícias, ligada ao governo da Venezuela.
"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz quando, depois de tantas mostras de nossa vontade política de encontrar saídas para o conflito, nos respondem com infâmias e maledicência", acrescentou.
Além de socorrer a ex-senadora e ex-candidata à Presidência, seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral contra a guerrilha, a missão humanitária francesa pretende libertá-la. Mas outra agência de notícias ligada às FARC considerou ingenuidade do presidente da França, Nicolas Sarkozy, mandar o avião com médicos e diplomatas sem obter autorização da guerrilha para encontrar Ingrid.
"Muitos pedem a libertação dos 'seqüestrados', mas se esquecem que os nossos, os filhos dos pobres que lutam como combatentes no exército do povo em busca da justiça social, estão em piores condições que os prisioneiros nas mãos das FARC", pretextou Granda.
Em tom intimidatório, o líder terrorista ameaçou: "Que ninguém pose de inocente porque todos os cativos são responsáveis por atiçar a guerra. De Ingrid em diante, e vale dizer que nenhum deles está em piores condições do que Simón Trinidad ou Sonia". Ambos foram extraditados para os EUA e condenados pela Justiça americana.
domingo, 30 de março de 2008
França manda avião para resgatar Ingrid
Um avião Falcon 900 do governo da França com equipamento médico para atender emergências está na Guiana Francesa pronto para levar a ex-senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt para Paris.
Ingrid, que tem dupla nacionalidade e também é francesa. foi seqüestrada há mais de seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quando fazia campanha eleitoral pedindo paz. Ela está muito doente, com hepatite B e leishmaniose, foi atendida quatro vezes por médicos nos últimos meses e poderia morrer a qualquer momento.
Sob intensa pressão internacional para evitar uma tragédia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, assinou quinta-feira à noite um decreto anistiando centenas de guerrilheiros presos, uma das exigências da guerrilha para libertar a ex-senadora.
Ingrid, que tem dupla nacionalidade e também é francesa. foi seqüestrada há mais de seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quando fazia campanha eleitoral pedindo paz. Ela está muito doente, com hepatite B e leishmaniose, foi atendida quatro vezes por médicos nos últimos meses e poderia morrer a qualquer momento.
Sob intensa pressão internacional para evitar uma tragédia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, assinou quinta-feira à noite um decreto anistiando centenas de guerrilheiros presos, uma das exigências da guerrilha para libertar a ex-senadora.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Colômbia aceita trocar rebeldes por Ingrid
Numa dramática mudança política, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está disposto a anistiar e libertar centenas de guerrilheiros em troca dos reféns mantidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), especialmente a ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt.
Com hepatite B e leishmaniose, o estado de saúde de Ingrid é gravíssimo e o governo colombiano está sob forte pressão internacional para negociar sua libertação.
Desde o início do ano, as FARC soltaram seis ex-parlamentares mantidos como reféns há anos. Mas reluta em libertar Ingrid, a refém mais valiosa, para obter em troca centenas de guerrilheiros presos.
Ontem à noite, Uribe assinou um decreto autorizando a libertação dos presos, se as FARC libertarem Ingrid. Os guerrilheiros presos ou que queiram abandonar a luta armada poderiam pedir asilo político à França para evitar possíveis represálias.
Com hepatite B e leishmaniose, o estado de saúde de Ingrid é gravíssimo e o governo colombiano está sob forte pressão internacional para negociar sua libertação.
Desde o início do ano, as FARC soltaram seis ex-parlamentares mantidos como reféns há anos. Mas reluta em libertar Ingrid, a refém mais valiosa, para obter em troca centenas de guerrilheiros presos.
Ontem à noite, Uribe assinou um decreto autorizando a libertação dos presos, se as FARC libertarem Ingrid. Os guerrilheiros presos ou que queiram abandonar a luta armada poderiam pedir asilo político à França para evitar possíveis represálias.
terça-feira, 4 de março de 2008
FARC surgiram depois de uma década violenta
A guerrilha surge na Colômbia depois do assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal Jorge Eliecer Gaitán, um crítico feroz da sinistra empresa multinacional United Fruit, hoje chamada Chiquita Brands, que provocou o golpe de Estado contra o presidente Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954.
Gaitán era o franco favorito. Sua morte levou ao Bogotaço, uma onda de violência em que duas mil pessoas morreram, deflagrando uma guerra civil de mais de 10 anos, um período conhecido na História da Colômbia como La Violencia em que 200 mil pessoas foram mortas.
Sem chance de chegar ao poder pacificamente, grupos liberais e socialistas entraram para a clandestinidade para combater o domínio do Partido Conservador.
Nesse ambiente de violência brutal, surgiram em 1964 as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), braço armado do Partido Comunista Colombiano.
Com o fim da Guerra Fria e o declínio da ideologia comunista, os grupos guerrilheiros de esquerda praticamente desapareceram na América Latina. As FARC sobreviveram em aliança com os traficantes de cocaína que um dia combateram em nome da pureza da sociedade socialista.
Dois presidentes colombianos, Ernesto Samper (1994-98) e Andrés Pastrana (1998-2002), tentaram uma solução negociada. A última negociação de paz foi suspensa em fevereiro de 2002, quando foi seqüestrada a senadora Ingrid Betancourt, candidata à Presidência da Colômbia.
O vencedor naquele ano foi o presidente Álvaro Uribe, um conservador que pertencia ao Partido Liberal. Uribe, que teve o pai assassinado pela guerrilha, prometeu uma política de "segurança democrática" que nega legitimidade aos grupos guerrilheiros.
Com US$ 7 bihões de ajuda americana através do Plano Colômbia, destinado a combater tanto as guerrilhas esquerdistas quanto o tráfico de drogas, Uribe tentou derrotar militarmente a guerrilha ou enfraquecê-la para que chegasse muito débil à mesa de negociações.
Nos últimos cinco anos, as FARC perderam 8 mil homens e foram derrotadas em 20 frentes de combate. Mas mostraram capacidade de rearticulação e sobreviveram.
A ascensão de Hugo Chávez na Venezuela lhes deu um aliado poderoso. Ontem o governo colombiano declarou que as FARC deram US$ 50 mil ao caudilho venezuelano quando ele estava preso, depois de liderar o fracassado golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez em 1992. Em retribuição, recentemente Chávez teria dado US$ 300 milhões aos guerrilheiros.
Hoje o maior trunfo da guerrilha são mais de 700 reféns. Quarenta são políticos colombianos como Ingrid Betancourt.
O fato de seu subcomandante estar acampado no Equador indica uma incapacidade crescente da guerrilha de operar efetivamente em território colombiano.
No ano passado, Chávez iniciou negociações para promover um acordo humanitário que permitisse trocar reféns por guerrilheiros presos. Mas Uribe desautorizou Chávez quando o caudilho venezuelano manteve contato direto com o comandante do Exército da Colômbia, passando por cima da autoridade do presidente.
Mesmo assim, como aliado das FARC, Chávez conseguiu a libertação de duas reféns, as ex-deputadas Clara Rojas e Consuelo González, no início de janeiro, e de mais quatro ex-parlamentares no mês passado.
O subcomandante Raúl Reyes era o negociador das FARC com Chávez. Sua morte enfraquece ainda mais a guerrilha e atrapalha a estratégia chavista. Por isso, o caudilho reagiu com tanta fúria, ameaçando declarar guerra. Mas foi apenas uma bravata.
Gaitán era o franco favorito. Sua morte levou ao Bogotaço, uma onda de violência em que duas mil pessoas morreram, deflagrando uma guerra civil de mais de 10 anos, um período conhecido na História da Colômbia como La Violencia em que 200 mil pessoas foram mortas.
Sem chance de chegar ao poder pacificamente, grupos liberais e socialistas entraram para a clandestinidade para combater o domínio do Partido Conservador.
Nesse ambiente de violência brutal, surgiram em 1964 as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), braço armado do Partido Comunista Colombiano.
Com o fim da Guerra Fria e o declínio da ideologia comunista, os grupos guerrilheiros de esquerda praticamente desapareceram na América Latina. As FARC sobreviveram em aliança com os traficantes de cocaína que um dia combateram em nome da pureza da sociedade socialista.
Dois presidentes colombianos, Ernesto Samper (1994-98) e Andrés Pastrana (1998-2002), tentaram uma solução negociada. A última negociação de paz foi suspensa em fevereiro de 2002, quando foi seqüestrada a senadora Ingrid Betancourt, candidata à Presidência da Colômbia.
O vencedor naquele ano foi o presidente Álvaro Uribe, um conservador que pertencia ao Partido Liberal. Uribe, que teve o pai assassinado pela guerrilha, prometeu uma política de "segurança democrática" que nega legitimidade aos grupos guerrilheiros.
Com US$ 7 bihões de ajuda americana através do Plano Colômbia, destinado a combater tanto as guerrilhas esquerdistas quanto o tráfico de drogas, Uribe tentou derrotar militarmente a guerrilha ou enfraquecê-la para que chegasse muito débil à mesa de negociações.
Nos últimos cinco anos, as FARC perderam 8 mil homens e foram derrotadas em 20 frentes de combate. Mas mostraram capacidade de rearticulação e sobreviveram.
A ascensão de Hugo Chávez na Venezuela lhes deu um aliado poderoso. Ontem o governo colombiano declarou que as FARC deram US$ 50 mil ao caudilho venezuelano quando ele estava preso, depois de liderar o fracassado golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez em 1992. Em retribuição, recentemente Chávez teria dado US$ 300 milhões aos guerrilheiros.
Hoje o maior trunfo da guerrilha são mais de 700 reféns. Quarenta são políticos colombianos como Ingrid Betancourt.
O fato de seu subcomandante estar acampado no Equador indica uma incapacidade crescente da guerrilha de operar efetivamente em território colombiano.
No ano passado, Chávez iniciou negociações para promover um acordo humanitário que permitisse trocar reféns por guerrilheiros presos. Mas Uribe desautorizou Chávez quando o caudilho venezuelano manteve contato direto com o comandante do Exército da Colômbia, passando por cima da autoridade do presidente.
Mesmo assim, como aliado das FARC, Chávez conseguiu a libertação de duas reféns, as ex-deputadas Clara Rojas e Consuelo González, no início de janeiro, e de mais quatro ex-parlamentares no mês passado.
O subcomandante Raúl Reyes era o negociador das FARC com Chávez. Sua morte enfraquece ainda mais a guerrilha e atrapalha a estratégia chavista. Por isso, o caudilho reagiu com tanta fúria, ameaçando declarar guerra. Mas foi apenas uma bravata.
sábado, 1 de março de 2008
Uribe dá ultimato às FARC para soltar Ingrid
Diante dos relatos de que a ex-senadora e ex-candidata a presidente da Colômbia, Ingrid Betancourt, está gravemente doente e da pressão internacional, o presidente do país, Álvaro Uribe, deu na sexta-feira um ultimato às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para que a libertem imediatamente.
Ingrid é o maior trunfo entre cerca de 700 reféns mantidas pelas FARC na selva colombiana. A guerrilha pretende usá-la para negociar a libertação de rebeldes presos pelo governo colombiano.
Ingrid é o maior trunfo entre cerca de 700 reféns mantidas pelas FARC na selva colombiana. A guerrilha pretende usá-la para negociar a libertação de rebeldes presos pelo governo colombiano.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Sarkozy quer ir à Colômbia por Ingrid
Depois de um apelo dramático da família da ex-senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, o presidente da França, Nicolas Sarkozy fez um apelo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para libertá-la.
Um dos reféns libertados quarta-feira pelas FARC, o ex-senador Eladio Pérez, contou que Ingrid está com hepatite B, uma doença mortal que se contrai, entre outras maneiras, através da água contaminada.
Em imagens divulgadas pela guerrilha no final do ano passado, Ingrid aparece magra e pálida, com a saúde debilitada.
Nesta quinta-feira, o ex-marido dela, Fabrice Delloye, advertiu que o tempo está se esgotando: "Ela está morrendo. Já teve hepatite e, quando a doença volta, torna-se mais grave."
O filho dela, Lorenzo Delloye, acredita que "não temos muito tempo. Se não agirmos rapidamente, minha mãe vai morrer".
Ingrid é a mais valiosa entre todos os reféns seqüestrados pelas FARC. Com mediação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a guerrilha soltou seis ex-parlamentares nos últimos dois meses.
Na quarta-feira, as FARC anunciaram que as "libertações unilaterais" acabaram. Daqui para a frente, só aceitar trocar reféns por guerrilheiros presos. Mas o presidente colombiano, Álvaro Uribe, com sua política de "segurança democrática", nega legitimidade política à guerrilha e não quer ceder.
Um dos reféns libertados quarta-feira pelas FARC, o ex-senador Eladio Pérez, contou que Ingrid está com hepatite B, uma doença mortal que se contrai, entre outras maneiras, através da água contaminada.
Em imagens divulgadas pela guerrilha no final do ano passado, Ingrid aparece magra e pálida, com a saúde debilitada.
Nesta quinta-feira, o ex-marido dela, Fabrice Delloye, advertiu que o tempo está se esgotando: "Ela está morrendo. Já teve hepatite e, quando a doença volta, torna-se mais grave."
O filho dela, Lorenzo Delloye, acredita que "não temos muito tempo. Se não agirmos rapidamente, minha mãe vai morrer".
Ingrid é a mais valiosa entre todos os reféns seqüestrados pelas FARC. Com mediação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a guerrilha soltou seis ex-parlamentares nos últimos dois meses.
Na quarta-feira, as FARC anunciaram que as "libertações unilaterais" acabaram. Daqui para a frente, só aceitar trocar reféns por guerrilheiros presos. Mas o presidente colombiano, Álvaro Uribe, com sua política de "segurança democrática", nega legitimidade política à guerrilha e não quer ceder.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Ex-refém tentou fugir das FARC com Ingrid
A ex-candidata à Vice-Presidência da Colômbia Clara Rojas, libertada há dois dias pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) depois de seis anos de cativeiro, contou que tentou fugir com a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, que continua seqüestrada.
Para puni-las pela tentativa de fuga, os guerrilheiros usaram cobras, aranhas e até mesmo uma onça morta.
"Não podíamos deixar a área ao redor do nosso acampamento porque não encontramos o caminho no meio da escuridão", declarou Clara Rojas em entrevista por telefone a uma rádio colombiana, em Caracas, capital da Venezuela, onde está sendo submetida a exames médicos, antes de voltar para a Colômbia.
Mesmo depois do fracasso, Rojas continuou próxima de Betancourt, com quem formava a chapa presidencial em fevereiro de 2002, quando as duas foram seqüestradas pelas FARC. Rojas disse que foi Betancourt a primeira pessoa a quem disse que estava grávida de um dos guerrilheiros, em 2003.
Clara Rojas e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, seqüestrada desde 2001, caminharam 20 dias pela selva com um pequeno grupo de rebeldes das FARC até chegarem a uma clareira onde foram resgatadas por helicópteros das Forças Armadas da Venezuela com bandeira da Cruz Vermelha Internacional.
Ao chegar à Colômbia, Rojas vai se reencontrar com seu filho Emmanuel.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mediou a libertação das reféns, que pretende transformar no início de um processo de paz na Colômbia. Chávez tem hoje mais diálogo com as FARC do que com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, com quem está rompido.
Para puni-las pela tentativa de fuga, os guerrilheiros usaram cobras, aranhas e até mesmo uma onça morta.
"Não podíamos deixar a área ao redor do nosso acampamento porque não encontramos o caminho no meio da escuridão", declarou Clara Rojas em entrevista por telefone a uma rádio colombiana, em Caracas, capital da Venezuela, onde está sendo submetida a exames médicos, antes de voltar para a Colômbia.
Mesmo depois do fracasso, Rojas continuou próxima de Betancourt, com quem formava a chapa presidencial em fevereiro de 2002, quando as duas foram seqüestradas pelas FARC. Rojas disse que foi Betancourt a primeira pessoa a quem disse que estava grávida de um dos guerrilheiros, em 2003.
Clara Rojas e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, seqüestrada desde 2001, caminharam 20 dias pela selva com um pequeno grupo de rebeldes das FARC até chegarem a uma clareira onde foram resgatadas por helicópteros das Forças Armadas da Venezuela com bandeira da Cruz Vermelha Internacional.
Ao chegar à Colômbia, Rojas vai se reencontrar com seu filho Emmanuel.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mediou a libertação das reféns, que pretende transformar no início de um processo de paz na Colômbia. Chávez tem hoje mais diálogo com as FARC do que com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, com quem está rompido.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
FARC confirmam libertação de três reféns
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram este noite a libertação de três reféns: Clara Rojas,seu filho Emmanuel e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo.
"Esta libertação se dá contra o desejo do Sr. Álvaro Uribe", declarou um porta-voz da guerrilha, atacando o presidente colombiano. "Esperamos que ele não a impeça".
Os reféns seriam entregues na Venezuela do presidente Hugo Chávez, que atuava como mediador mas foi afastado por Uribe. Essa ruptura gerou um tiroteio verbal entre os dois presidente, retomado agora por Chávez, que promete não falar com Uribe até a morte.
A mais valiosa refém, a senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia em 2002 Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, foi seüestrada em 2002. Não será solta. Os guerrilheiros querem a libertação de 500 prisioneiros de guerra em troca dos reféns. Ingrid é o trunfo mais valioso das FARC nesta negociação.
"Esta libertação se dá contra o desejo do Sr. Álvaro Uribe", declarou um porta-voz da guerrilha, atacando o presidente colombiano. "Esperamos que ele não a impeça".
Os reféns seriam entregues na Venezuela do presidente Hugo Chávez, que atuava como mediador mas foi afastado por Uribe. Essa ruptura gerou um tiroteio verbal entre os dois presidente, retomado agora por Chávez, que promete não falar com Uribe até a morte.
A mais valiosa refém, a senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia em 2002 Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, foi seüestrada em 2002. Não será solta. Os guerrilheiros querem a libertação de 500 prisioneiros de guerra em troca dos reféns. Ingrid é o trunfo mais valioso das FARC nesta negociação.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Uribe aceita criar "zona de encontro" com FARC
Em uma importante mudança de política, o presidente Álvaro Uribe atendeu a uma das exigências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e aceitou criar uma "zona de encontro" para negociar uma troca de prisioneiros de guerra por reféns.
As FARC queriam uma "zona desmilitarizada" para que seus comandantes se encontrassem com representantes governo em total segurança.
Inicialmente, Uribe recusou. Cedeu sob pressão de três ex-presidentes, Cesar Gaviria, Ernesto Samper e Andrés Pastrana, além do governo da França, interessado na libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de cinco anos.
Até agora, Uribe buscava uma solução militar para acabar com uma guerra civil de décadas na Colômbia. Nesta semana, surpreendeu ao declarar que iria pessoalmente se reunir com a guerrilha.
"A Igreja Católica e a Comissão Nacional de Conciliação nos propõem uma zona de encontro. O governo manifesta a disposição de aceitá-la", anunciou Uribe na sexta-feira, 7 de dezembro.
O local, esclareceu o presidente, "deve ter cerca de 150 quilômetros de raio e ficar na zona rural, onde não haja postos militares ou policiais que seja necessário remover, preferivelmente sem população civil ou com muito pouca população, para não criar riscos".
"Essa zona teria a presença de observadores internacionais e os presentes para negociar o intercâmbio humanitário não iriam armados", acrescentou Uribe
O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, explicou ontem que a "zona desmilitarizada" seria mantida por 30 dias.
Antes das negociações, representantes da Cruz Vermelha Internacional entrariam em contato com as FARC para visitar os reféns e verificar seu estado de saúde. Esse pedido foi encaminhado pouco depois que foram divulgadas as imagens de 16 reféns em poder das FARC.
No vídeo, a saúde da política franco-colombiana Ingrid Betancourt pareceu visivelmente deteriorada, o que levou seus filhos a fazerem um apelo para que tenha "vontade de viver". (Veja neste blog)
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Filhos a Ingrid Betancourt: tenha vontade de viver

Os filhos da ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, seqüestrada há cinco anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) fizeram um apelo à mãe para que tenha "vontade de viver".
Mélanie et Lorenzo Delloye gravaram na sexta-feira, 7 de dezembro, na Rádio France Internationale, mensagens em espanhol para sua mãe, refém das FARC na selva colombiana. Eles manifestaram preocupação com a saúde da mãe, que admitiu em carta não ter apetite e não conseguir se alimentar, tamanho é seu desespero.
Lorenzo, de 19 anos, falou de sua vida como um jovem adulto. Quando a mãe o deixou, estava entrando na adolescência. A filha insistiu numa mobilização internacional.
"Mamãe", disse o jovem, quero te dizer primeiro que te amo com todo o meu coração. As palavras não são suficientes para te dizer como sinto tua falta. (...) És uma mãe fantástica. Esteja certa de que não passo um dia sem pensar em ti.
"Agora sou estudante da Sorbonne, bem... às vezes, porque há greves. Adoro tocar violão. Tenho 1,78m, a mesma altura do papai. (...)
"Não sei nem por onde começar de tantas coisas que tenho para te contar...
"Durante minhas férias de verão, estive na Córsega, onde fiz grandes caminhadas com um amigo. Foi incrível. As pessoas eram muito gentis, mesmo quando dormíamos nos seus jardins sem autorização. Fiz quatro músicas com um grupo, na verdade quase um ex-grupo. São de boa qualidade. Gravamos num estúdio de verdade, como se fosse para um disco.
"Tenho tantas outras coisas para te contar. (...) Quero te dizer que preciso de ti, que és a mãe mais forte de todas e que te amo de todo o coração.
"Estudo direito e economia, é muito mais difícil do que eu pensava, tenho de trabalhar muito. A boa novidade é que moro no apartamento que te agradava tanto. Espero que te lembres. (...)
"Mamãe, tu queres me ver vivo e eu quero que tu vivas. Quero que comas o melhor possível e que tenhas vontade de viver. Vou te mandar mensagens nas segundas, quartas e sextas-feiras pela Rádio France Internationale e outras rádios. Sinto muito tua falta. Te amo."
Sua irmã foi igualmente carinhosa: "Mamãe, tu sabes, estás todo o tempo no meu coração. Espero que cuides de ti, que comas bem, é muito importante, mamãe, temos muita necessidade de ti".
Em seguida, Mélanie comenta o apelo do presidente da França, Nicolas Sarkozy, para que o comandante das FARC, Manuel Marulanda, entenda que a vida de Ingrid Betancourt está em risco.
"As coisas estão se mexendo. Ontem, fiz uma declaração à TFI, outra para a Itália, outra para o Chile, tudo para te dizer que através do mundo as pessoas se mobilizam pelos reféns na Colômbia. A mensagem do presidente Sarkozy foi tão forte que as FARC não podem ficar indiferentes. Sua mensagem merece uma resposta do comandante Marulanda. Assim esperamos. (...)
"Seja forte no teu coração, faça isso por nós. (...) Estás comigo em que o que faço.
"O que gostaria de te dizer também é que amanhão Loli [Lorenzo] e Babon [filho do primeiro casamento de Fabrice Delloye] vem a Nova Iorque. Vão nos entrevistar, os três. (...) No sábado, vamos te enviar uma mensagem conjunta. Assim, saberás que teus filhos estão a teu lado para aumentar tuas forças e energias, para te dar coragem para sair daí, mamãe. Coragem, mamãe! Se quiseres, mamãe, coragem porque vais voltar para casa. (...)
"É mais importante para mim que guardes tuas forças, o tempo se acelera para que possas voltar o mais rapidamente possível. (...)
"A todos os reféns, que se cuidem e sejam fortes! (...) Tu és a melhor mamãe do monde, bastante força, cuida de ti. Te amo."
domingo, 2 de dezembro de 2007
Ingrid Betancourt: "Aqui, vivemos mortos"
O drama dos reféns seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ficou mais nítido com a publicação ontem, no jornal colombiano El Tiempo, de mais trechos de suas cartas, especialmente a destinada pela ex-senadora e ex-candidata à Presidência em 2002 Ingrid Betancourt à sua mãe.
"Aqui, vivemos mortos", desabafa Ingrid.
"A vida aqui não é vida; é um desperdício lúgubre de tempo. Vivo ou sobrevivo em uma rede estendida entre dois paus, coberta com um mosquiteiro e com uma lona por cima, que funciona como teto, com o qual posso pensar que tenho uma casa", diz Betancourt na carta de 12 páginas enviada a sua mãe, que ameaçou ontem processar o jornal por entender que divulgou informação "privada".
Essas cartas são a prova de que os reféns estão vivos exigida pelo governo colombiano nas negociações mediadas, até 10 dias atrás, pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Desde então, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, suspendeu a mediação de Chávez, paralisando a negociação. As FARC exigem que seja criada uma zona desmilitarizada para negociar com o governo; Uribe rejeita esta exigência.
Leia mais sobre as cartas no jornal argentino La Nación.
"Aqui, vivemos mortos", desabafa Ingrid.
"A vida aqui não é vida; é um desperdício lúgubre de tempo. Vivo ou sobrevivo em uma rede estendida entre dois paus, coberta com um mosquiteiro e com uma lona por cima, que funciona como teto, com o qual posso pensar que tenho uma casa", diz Betancourt na carta de 12 páginas enviada a sua mãe, que ameaçou ontem processar o jornal por entender que divulgou informação "privada".
Essas cartas são a prova de que os reféns estão vivos exigida pelo governo colombiano nas negociações mediadas, até 10 dias atrás, pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Desde então, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, suspendeu a mediação de Chávez, paralisando a negociação. As FARC exigem que seja criada uma zona desmilitarizada para negociar com o governo; Uribe rejeita esta exigência.
Leia mais sobre as cartas no jornal argentino La Nación.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Uribe encerra mediação de Chávez
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, interrompeu ontem a mediação realizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para libertar reféns seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), maior grupo guerrilheiro do país. Chávez manteve contato com o comandando do Exército colombiano, atropelando a autoridade de Uribe.
Ao ser informado, o presidente venezuelano deplorou a decisão, alegando que a mediação seria o início de um diálogo para acabar com décadas de guerra civil na Colômbia. Ele pedira às FARC provas de que a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancort, seqüestrada em 2002, está viva. Disse que ainda espera um sinal positivo da guerrilha colombiana.
Em Paris, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que recebeu Chávez há dois dias para discutir o assunto, declarou que a mediação do líder venezuelano é a maior esperança para Ingrid Betancourt, que também tem cidadania francesa.
Ao ser informado, o presidente venezuelano deplorou a decisão, alegando que a mediação seria o início de um diálogo para acabar com décadas de guerra civil na Colômbia. Ele pedira às FARC provas de que a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancort, seqüestrada em 2002, está viva. Disse que ainda espera um sinal positivo da guerrilha colombiana.
Em Paris, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que recebeu Chávez há dois dias para discutir o assunto, declarou que a mediação do líder venezuelano é a maior esperança para Ingrid Betancourt, que também tem cidadania francesa.
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