segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Novembro

 GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1700, Luís XIV, o rei mais poderoso da história da França, o Rei Sol, proclama seu neto Felipe de Anjou como rei da Espanha depois da morte de Carlos II, último rei espanhol da Dinastia dos Habsburgo, que não deixa filhos. A reação de países que temem a união de países tão poderosos como Espanha e França causa a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa em 9 de julho de 1701. É para decidir quem vai governar o imenso Império Espanhol, a Dinastia de Bourbon ou a Dinastia dos Habsburgo. A França teme a união entre Espanha e Áustria, centro do Sacro Império Romano-Germânico. O imperador Leopoldo I quer a coroa para seu filho, o arquiduque Carlos.

Em 1702, a Grande Aliança formada por Áustria, Baviera, Brandemburgo, Sacro Império Romano-Germânico, Inglaterra, Portugal, Espanha, República dos Sete Países Baixos Unidos, Suécia, Saxônia, Eleitorado de Palatinato, Roma e Japão declara guerra à França.

Na América do Sul, a Colônia do Sacramento, que está em poder dos portugueses, é cercada em 1704 pelos espanhóis, que a mantém até o fim da guerra.

A paz é negociada no Tratado de Utrecht (1713), que faz a Espanha devolver a Colônia do Sacramento, mas a guerra só termina em 7 de março de 1714. Felipe de Anjou é reconhecido como o rei Felipe V da Espanha, mas há uma erosão do poder da Espanha e da França. A Grã-Bretanha, resultado da união entre Inglaterra e Escócia em 1707, se torna a maior potência da Europa.

TEORIA DA EVOLUÇÃO

    Em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin publica o livro A Origem das Espécies, onde apresenta a Teoria da Evolução em processos que chama de "seleção natural", a sobrevivência do mais apto a se adaptar às alterações do meio ambiente, e a "seleção sexual", pela qual as fêmeas escolhem os machos mais fortes, mais bonitos ou mais inteligentes (ou mais ricos, no caso da espécie humana).


Darwin recebe influência do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck e do economista britânico Thomas Malthus. Formula sua teoria depois de uma viagem de cinco anos pelo mundo no navio Beagle, quando passa pelo Brasil, as Ilhas Galápagos, no Equador, e a Nova Zelândia.

A Teoria da Evolução é de 1844. Darwin teme divulgá-la por contrariar as versões religiosas sobre a origem do mundo. Em 1858, as ideias são apresentadas pelo naturalista inglês Alfred Wallace. Os dois enunciam a teoria na Sociedade de Lineu, em Londres.

O lançamento do livro provoca forte reação das igrejas. O fundamentalismo religioso é uma reação dos cristãos dos EUA à Teoria da Evolução exposta numa coleção de livros chamada de Fundamentos, que defende o criacionismo, a ideia de que Deus criou o mundo.

Darwin influencia Sigmund Freud, o criador da psicanálise, e sua teoria dos instintos de vida e de morte, sexualidade e agressividade.

DEZ DE HOLLYWOOD

    Em 1947, durante a Guerra Fria, por 346 a 17 votos, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos denuncia 10 diretores, produtores e roteiristas da indústria cinematográfica por desacato ao Congresso ao se negar a cooperar com a Comissão de Atividades Antiamericanas, que investiga a infiltração comunista em Hollywood.

Os 10 são condenados a um ano de prisão. A Suprema Corte mantém as acusações porque eles se negam a responder se um dia pertenceram ao Partido Comunista. 

A histeria anticomunista e a caça aos comunistas leva à criação de listas negras em Hollywood até os anos 1960, muito depois da desmoralização do senador Joe McCarthy, censurado em 2 de dezembro de 1954 depois de denunciar a infiltração comunista nas Forças Armadas.

LEE OSWALD ASSASSINADO

    Em 1963, dois dias depois do assassinato do presidente John Kennedy, Jacob Rubinstein, mais conhecido como Jack Ruby, mata o único suspeito, Lee Harvey Oswald, no subsolo de uma delegacia de polícia em Dallas, no Texas, quando era levado para cela mais segura.

JFK morre com dois tiros na cabeça. Um terceiro fere o governador do Texas, John Connally. Menos de uma hora mais tarde, Oswald mata um policial que o interpela nas ruas de Dallas. Meia hora depois, é preso.

Ruby, um dono de boate de Dallas supostamente ligado à máfia, alega ter feito um gesto patriótico ao vingar a morte do presidente, mas suas relações suspeitas alimentam teorias conspiratórias. É condenado à morte. 

O Tribunal de Justiça do Texas anula o processo. Ele morre na cadeia de câncer de pulmão em 1967, enquanto aguarda novo julgamento.

TERROR NO EGITO

    Em 2017, uma bomba explode na mesquita de al-Rawdah, frequentada por muçulmanos sufistas, no Norte da Península do Sinai, e os terroristas abrem fogo contra a multidão em fuga, matando 311 pessoas, inclusive 27 crianças, e ferindo outras 128, no pior atentado terrorista da história recente do Egito.

Uma revolta popular derruba o ditador egípcio Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe, em 11 de fevereiro de 2011. Única força de oposição organizada no país, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, vence as eleições para a Assembleia Nacional e para a Presidência, mas Mohamed Mursi, o único chefe de Estado eleito democraticamente na história do país, dura só um ano no cargo.

Em 3 de julho de 2013, os militares retomam o poder num golpe liderado pelo comandante das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi. Quando as forças de segurança matam mil pessoas ao atirar contra uma manifestação de protesto um mês depois, os islamistas entendem que acabou o espaço para a luta pacífica.

Nenhum grupo assume a responsabilidade pelo atentado. As suspeitas recaem sobre a organização terrorista Estado Islâmico, extremistas da corrente salafista ou wahabista do Islã, autoritária, moralista e reacionária, criada em reação ao sufismo.

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domingo, 23 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Novembro

 LEI SUÁREZ

    Em 1855, o México aprova a Lei Suárez para acabar com os tribunais especiais para o clero e os militares, uma iniciativa do ministro da Justiça, Benito Juárez, para eliminar os resquícios do regime colonial e promover a igualdade.

A Reforma (1854-76) é uma revolução política e social liderada por Juárez. Inicia com um pronunciamento pela queda do ditador Antonio López de Santa Ana, que perde 41% do território mexicano em guerras com os Estados Unidos.

Quando ele cai, em 1855, começam as reformas. Primeiro, essa lei que acaba com o foro especial. Em 1856, a Lei Lerdo manda vender todas as propriedades da Igreja não usadas especificamente para fins religiosos.

O Congresso, de maioria liberal, faz em 1857 um projeto de Constituição federalista que limita o poder da Igreja, coloca o Exército sob controle civil, abole os títulos hereditários e a prisão por dívidas. É a primeira lei de direitos civis do México. Em 1858, Juárez se torna o primeiro presidente indígena da América Latina.

A reação dos grandes proprietários de terras, dos militares e do clero conservador deflagra em 1859 a Guerra da Reforma, vencida pelos liberais em 1860. A Lei da Reforma (1859) confisca as propriedades da Igreja, menos os locais de culto, sem qualquer compensação, e introduz o casamento civil.

As terras conquistadas são distribuídas a camponeses sem terra, mas essa reforma agrária fracassa. Os grandes fazendeiros acumulam mais terras, enquanto os pequenos agricultores ficam mais pobres.

No fim de 1861, aproveitando que os EUA estão divididos pela Guerra da Secessão (1861-65), a França do imperador Napoleão III invade o México e instala no poder o imperador Maximiliano de Habsburgo. Quando termina a guerra civil norte-americana, os EUA apoiam as forças de Juárez, que expulsam os franceses e executam Maximiliano em 1867.

Juárez retoma o poder e governa até 1872. No fim do governo, é acusado de autoritarismo pelos liberais. Seu sucessor, Sebastián Lerdo de Tejada, sofre intensa pressão da oposição conservadora, que resulta no golpe que leva o ditador Porfirio Díaz ao poder em 1876.

O Porfiriato (1876-1911) dura até a Revolução Mexicana (1910-20), que luta pela valorização das culturas indígenas e a reforma agrária.

ROMÊNIA ENTRA NO EIXO

    Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Romênia adere ao Pacto Tripartite formado pela Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Império do Japão, as potências do Eixo.

Desde 1937, a Romênia tem um governo fascista que se assemelha aos regimes de Adolf Hitler e Benito Mussolini, inclusive no antissemitismo. O rei Carol II dissolve o governo um ano depois e nomeia o patriarca da Igreja Ortodoxa como primeiro-ministro.

A morte do patriarca e uma revolta camponesa provocam novas agitação fascista e de uma organização paramilitar, a Guarda de Ferro. Em junho de 1940, a União Soviética ocupa duas províncias romenas.

Em busca um aliado, em 5 de julho de 1940, o rei faz um acordo com a Alemanha de Adolf Hitler. A Romênia é invadida pelo novo aliado, que quer ampliar a frente oriental contra a URSS.

O rei abdica em 6 de setembro de 1940, deixando o país sob o controle do primeiro-ministro fascista Ion Antonescu e da Guarda de Ferro.

A Hungria se alia ao Eixo em 20 de novembro. No dia 23, é a vez da Romênia.

PRIMEIRA GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, um bombardeio naval da França mata 6 mil vietnamitas na cidade portuária de Haiphong e deflagra a Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

Quando o Japão, que ocupava o Sudeste Asiático, se rende formalmente na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. Ele acusa o Japão e a França pela morte de 2 milhões de vietnamitas.

No fim da guerra, a China, dominada pelos nacionalistas do Kuomintang (KMT), ocupa o Norte do Vietnã e os britânicos o Sul. A antiga potência colonial está determinada a reassumir o controle a partir de dezembro de 1945.

Em resposta ao bombardeio a Haiphong, o Viet Minh, o exército guerrilheiro de Ho Chi Minh, ataca as forças da França em Hanói em 19 de dezembro de 1946, no que é considerado o início da guerra. 

Com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung na China, em 1º de outubro de 1949, os EUA passam a ver o conflito no quadro da Guerra Fria e a apoiar a França. Mesmo assim, o Viet Minh ganha a guerra com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954.

Nas negociações de paz em Genebra, na Suíça, fica acertada a realização de eleições para unificar o país, dividido em Vietnã do Norte e Vietnã do Sul. Diante da expectativa de vitória comunista, sob pressão dos EUA, as eleições são suspensas. Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

MEMBRO DO IRA CONDENADO POR MATAR LORDE MOUNTBATTEN

    Em 1979, Thomas McMahon, miliciano do Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, é condenado à prisão perpétua pelo atentado que matou Lorde Louis Mountbatten (foto), último vice-rei da Índia, e mais três pessoas.

Lorde Mountbatten, herói da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Conde Mountbatten da Birmânia e primo em segundo grau da rainha Elizabeth II, morre em 27 de agosto de 1979 com a explosão de uma bomba de pouco menos de 23 quilos no seu barco de pesca na Baía de Donegal, na Irlanda. Um dos mortos é Nicholas, um neto de 14 anos.

Mais tarde no mesmo dia, o IRA mata 18 soldados britânicos num ataque na Irlanda do Norte.

McMahon era um líder lendário do movimento nacionalista e republicano irlandês, comandante da Brigada de Armagh do Sul do IRA, responsável pela morte de mais de 100 soldados britânicos.

A guerra civil na Irlanda do Norte termina com o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, depois de 3,5 mil mortes. McMahon é libertado logo em seguida como parte da pacificação.

REAGAN CRIA OS CONTRAS

    Em 1981, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan (1981-89) autoriza a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos a recrutar e financiar uma força de 500 homens para lutar contra o governo no poder na Nicarágua desde a vitória da Revolução Sandinista, em 17 de julho de 1979, com orçamento de US$ 19 milhões.

Com a vitória da revolução nicaraguense e a guerra civil em El Salvador, que Reagan atribuía à URSS, os EUA querem impedir a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) em El Salvador e derrubar a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua.

Os acampamentos e centros de treinamento dos contrarrevolucionários são instalados em Honduras, governada por um regime militar aliado de Washington. Os instrutores são militares da guerra suja argentina contra a esquerda da ditadura cívico-militar de 1976-83. Eles fazem o que está proibido pelo Congresso dos EUA.

Com o apoio dos EUA ao Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), a Argentina para de treinar paramilitares de direita na América Central.

A venda ilegal de armas e peças ao Irã quando está proibida, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), e o desvio de parte do dinheiro para ajudar os contras da Nicarágua causam o Escândalo Irã-Contras, em 1986, no segundo governo Reagan (1985-89).

Os contras fustigam o governo sandinista da Nicarágua até a derrota de Daniel Ortega para Violeta Chamorro, em 1990. 

Ortega volta ao poder em 2007 com o apoio de forças ligadas à ditadura de Anastasio Somoza, que os sandinistas derrubam em 1979. Desde então, está decidido a não entregar o poder. Controla a Assembleia Nacional e o Judiciário. Mudou a lei para acabar com limites à reeleição.

Desde uma revolta popular contra uma reforma da previdência abandonada, em 2018, o governo Ortega se mostra cada vez mais ditatorial. Prende os candidatos da oposição, acabou com todos os jornais independentes, fecha igrejas católicas e persegue padres e bispos.

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sábado, 22 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Novembro

REVOLTA DA CHIBATA 

    Em 1910, há 115 anos, os marinheiros (na sua maioria negros) da Marinha do Brasil  se rebelam, expulsam navios os oficiais dos navios e, sob o comando do negro João Cândido Felisberto, gaúcho de Encruzilhada do Sul, manobram com maestria a esquadra na Baia de Guanabara. Eles ameaçam bombardear o Rio de Janeiro, exigem o fim da chibata e dos castigos físicos na Marinha, condições dignas de trabalho e anistia aos revoltosos.

Impotente, o governo cede e o senador Rui Barbosa apresenta um projeto de anistia, o compromisso de abolir o castigo da chibata e melhores condições de trabalho na Marinha. A anistia é aprovada rapidamente no Senado e na Câmara dos Deputados. 

Vitoriosos, os rebeldes arriam em 26 de novembro a bandeira vermelha e os navios são devolvidos na mais perfeita ordem. Imediatamente, as oligarquias dominantes começam a tramar a repressão aos anistiados. Um decreto autoriza a expulsão de qualquer marinheiro “cuja permanência se tornar inconveniente à disciplina”. Mas, o pior estava para vir. 

Em 9 de dezembro, é instigada uma nova revolta sem qualquer participação de João Cândido e dos líderes da Revolta da Chibata. Rapidamente, os rebeldes são massacrados, o estado de sítio é decretado, as principais lideranças dos marujos são mortas ou enviadas para a Amazônia para serem escravizadas pelos donos de seringais. 

No início de 1911, mil marinheiros são expulsos. João Cândido e outros 17 líderes são encerrados em uma masmorra sem ventilação e asfixiados com cal viva. Dezesseis morrem, só sobrevivem João Cândido e Pau de Lira

João Cândido é internado em um hospício. Quando consegue sair, vai preso. Só 18 meses depois, defendido gratuitamente por Evaristo de Moraes, é absolvido. Com os pulmões tomados pela tuberculose, é expulso da Marinha e impedido de trabalhar como marinheiro. Convidado a trabalhar como informante da polícia, recusa com altivez, e sobrevive como vendedor de peixe no cais do porto. 

Anos depois, sua memória é resgatada pelo escritor comunista Edmar Morel, que relata a história no livro A Revolta da Chibata, publicado em 1963. Por esse "crime", após o golpe de 1964, Morel é punido com a dispensa compulsória e a cassação dos seus direitos políticos.

O presidente João Goulart concede a João Cândido uma humilde pensão retirada pela ditadura militar. O Almirante Negro – como é imortalizado – morre em 1969 aos 89 anos de idade, na miséria. 

Em 2008, o presidente Lula dá anistia póstuma a João Cândido e seus companheiros de rebelião. Em 20 de novembro de 2008, o Almirante Negro tem sua estátua inaugurada na Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro. Ignorado pela maioria dos historiadores oficiais, a sua luta mudou o Brasil e acabou com a infâmia do chibateamento de negros e brancos pobres no Brasil.

(Com base em texto de Raul Carrion)

SOVIÉTICOS CERCAM NAZISTAS

    Em 1942, durante a Batalha de Stalingrado, um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a contraofensiva do Exército Vermelho cerca de 250 mil soldados da Alemanha Nazista ao sul de Kalach, no Rio Dom. O general Friedrich Paulus pede autorização a Berlim para se retirar.

A Batalha de Stalingrado é a mais mortal da guerra e uma das mais violentas da história da humanidade, com quase 2 milhões de mortes e pelo menos 40 mil civis mortos. Começa em 23 de agosto de 1942.

Stalingrado, hoje Volgogrado, depois que o ditador Josef Stalin caiu em desgraça, é um porto importante no Rio Volga. Seu controle dá acesso à região do Cáucaso e ao Vale do Volga, o maior rio da Rússia. Tomar a cidade com o nome de Stalin seria uma vitória da propaganda de Adolf Hitler.

Mesmo com apoio aéreo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, o 6º Exército da Alemanha, sob o comando do gen. Paulus, e o 4º Exército Panzer, sob o comando do gen. Edwald von Kleist, não conseguem vencer a defesa posta pelo 62º Exército da URSS, comandado pelo gen. Vassili Chuikov.

Os alemães cercam Stalingrado e pressionam os soviéticos contra o Rio Volga. A batalha vira um combate casa a casa.

Em 19 de novembro, a URSS lança a contra ofensiva com a Operação Urano, um ataque em duas frentes que cerca forças romenas que protegem os flancos do 6º Exército da Alemanha. Dois dias depois, 250 mil alemães estão cercados, sem acesso a suprimentos. Ainda assim, resistem durante dois meses e tentam avançar até capitular em 2 de fevereiro de 1943 por falta de munição e de comida.

INDEPENDÊNCIA DO LÍBANO

    Em 1943, o Líbano declara independência da França, na época ocupada pela Alemanha Nazista, mas só se torna realmente independente em 1946, depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando forças francesas e britânicas deixam o país.

Uma estreita faixa de terra no Leste do Mar Mediterrâneo, o Líbano é o local de origem dos fenícios, um povo que domina o Mediterrâneo antes da Era Cristã e funda os portos de Tiro, Sidon e Biblos, algumas das cidades mais antigas do mundo.

O país moderno surge em 1920, depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando os impérios Britânico e Francês ganham mandatos da Liga das Nações para administrar o Oriente Médio. O Líbano e a Síria ficam sob administração da França.

Em 1942, o Líbano cria um sistema político confessional único no mundo para dividir o poder entre diferentes grupos religiosos: o presidente e o comandante do Exército são cristãos maronitas, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento é muçulmano xiita.

Com a Guerra da Independência de Israel (1948-49), refugiados palestinos fogem para o Líbano e começam a abalar o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A situação se agrava com a Guerra dos Seis (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza; do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém.

Em 1970, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe na Jordânia para transformar o país na pátria do povo palestino. É massacrada pelas forças do rei Hussein no Setembro Negro.

Mais refugiados palestinos vão para o Líbano, de onde lançam ataques contra Israel. Combates entre guerrilheiros palestinos e o Exército deflagram a Guerra Civil Libanesa (1975-90) entre cristãos e muçulmanos. A Síria intervém militarmente no Líbano em 1976 e fica no país até 2005.

Em 1982, Israel invade o país na Primeira Guerra do Líbano para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia. Naquele ano, com o patrocínio do Irã, onde há uma Revolução Islâmica em 1979, nasce a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), atualmente em guerra com Israel.

Israel sai do Líbano em 1985, mas apoia uma milícia aliada, o Exército do Sul do Líbano (ESL), para controlar a região da fronteira. No ano 2000, o Hesbolá derrota o ESL e assume o controle da região da fronteira.

Em 2006, depois de uma invasão e sequestro de soldados em território israelense, Israel inicia a Segunda Guerra do Líbano, que dura pouco mais de um mês. As escaramuças na fronteira continuam, especialmente na região das Fazendas de Chebá, um território disputado.

A atual guerra começa em 8 de outubro de 2023. Um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, o Hesbolá intensifica os ataques, abrindo uma segunda frente na guerra. De início, Israel concentra seus esforços contra o Hamas. No ano passado, intensifica os bombardeios, invade por terra e mata vários líderes do Hesbolá, inclusive o líder supremo, xeique Hassan Nasrallah. Os Estados Unidos negociam uma trégua instável, mas o Hesbolá resiste a se desarmar.

JFK ASSASSINADO

    Em 1963, o presidente John Fitzgerald Kennedy é morto a tiros durante visita a Dallas, no Texas, no Sul dos Estados Unidos, de acordo com as investigações oficiais por um único atirador, Lee Harvey Oswald, o que é discutido até hoje.

Mais jovem presidente da história dos EUA, Kennedy é o primeiro católico a chegar à Casa Branca (Joe Biden é o segundo). Herói na Segunda Guerra Mundial (1939-45), JFK é também o primeiro presidente da era da televisão. 

Os primeiros debates presidenciais da história são decisivos para a imagem de jovem carismático e confiável, o xerife que protege a cidadezinha, na descrição do sociólogo canadense e papa das comunicações Marshall McLuhan, enquanto seu adversário, o vice-presidente Richard Nixon, parece o advogado espertalhão a convite da companhia da estrada de ferro.

No início de seu governo, três meses depois da posse, acontece a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por exilados cubanos apoiados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), causa da Crise dos Mísseis (1962). quando Kennedy enfrenta a União Soviética e obtém uma vitória diplomática.

Kennedy apoia o movimento pelos direitos civis dos negros liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. e decide enviar um homem à Lua até o fim dos anos 1960. Ao mesmo tempo, manda mais de 2,8 mil assessores militares para a Guerra do Vietnã (1955-75). Alguns entram em combate. Os EUA só declaram guerra ao Vietnã do Norte em 1964, depois de sua morte.

O atentado de Dallas, o quarto assassinato de um presidente dos EUA no exercício do cargo, é objeto de debates até hoje. As investigações oficiais, inclusive o Relatório Warren, com o nome do presidente da Suprema Corte na época, Earl Warren, concluem que Oswald agiu sozinho.

Dois dias depois, Jacob Rubinstein, ou Jack Ruby, dono de uma boate em Dallas supostamente ligado à máfia, mata Oswald à queima-roupa e alega ter sido um gesto patriótico de vingança pela morte do presidente, mas há fortes suspeitas de queima de arquivo.

B-52 ABATIDO NO VIETNÃ

    Em 1972, os Estados Unidos perdem sua primeira fortaleza voadora Boeing B-52, um bombardeiro de oito turbinas, na Guerra do Vietnã (1955-75).

Num dos dias de bombardeio aéreo mais intenso dos EUA, um míssil terra-ar disparado pelo Vietnã do Norte derruba o B-52 perto de Vinh.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA jogaram mais de 7,5 milhões de toneladas de bombas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

REI DA ESPANHA

    Em 1975, dois dias depois da morte do ditador Francisco Franco, o rei Juan Carlos se torna chefe de Estado da Espanha.
Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Bordón-Dos Sicilias nasce em 5 de janeiro de 1938 em Roma, onde seu avô, Alfonso XIII, vive no exílio desde que sai da Espanha em 1931, quando é deposto e começa a Segunda República.

A Espanha está em Guerra Civil (1936-39), vencida pelo generalíssimo Francisco Franco, que impõe uma ditadura. Para que a Espanha não volte a ser uma república, em 1969, Franco nomeia o príncipe Juan Carlos como sucessor.

No poder, o rei Juan Carlos resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e consolida a democracia espanhola. Mas uma série de escândalos, caçadas de elefantes na África, um caso extraconjugal e denúncias de corrupção, abalam seu prestígio. Em 2 de junho de 2014, Juan Carlos abdica em favor de seu filho, o atual rei Felipe VI.

MAIS JOVEM CAMPEÃO PESO-PESADO

    Em 1986, ao nocautear Trevor Berbick no segundo assalto, aos 20 anos, Mike Tyson, se torna o mais jovem campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado.

Filho de pai jamaicano, Michael Gerard Tyson nasce no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966 e vira um dos maiores boxeadores da história, mas tem uma vida pessoal conturbada. Ele tem uma infância difícil depois que o pai adotivo abandona a filha quando ele tem dois anos.

Tyson sofre de transtorno de personalidade limítrofe. Aos 11 anos, é internado num reformatório para jovens delinquentes. Aos 12 anos, tem 80 quilos e uma musculatura formidável. O diretor do reformatório, um antigo pugilista, o aconselha a lutar boxe.

Em 1981, aos 15 anos, Tyson é campeão juvenil dos Estados Unidos. Quando vira profissional, em 1985, ganha todas as 15 lutas de que participa, 11 por nocaute no primeiro assalto. No ano seguinte, ganha mais 13 lutas e conquista o título do Conselho Mundial de Boxe. Em 1987, ganha também os títulos da Federação Internacional de Boxe e da Associação Mundial de Boxe e unifica o título.

Em 1988, Tyson se casa com a modelo a atriz Robin Givens, que pede o divórcio no ano seguinte alegando que ele é maníaco-depressivo, o que hoje se chama de bipolaridade. Ele só luta duas vezes em 1989. Em 11 de fevereiro de 1990, Tyson perde os três títulos mundiais para Buster Douglas, no Japão, ao ser nocauteado no 10º assalto.

Famoso, polêmico e rebelde, Tyson faz parte do júri de Miss America e é acusado de estupro por uma das participantes. É condenado a seis meses de prisão em março de 1992. Com bom comportamento, sai depois de cumprir a metade da pena.

De volta ao boxe, desafia o campeão mundial, Evander Holyfield. Em 9 de novembro de 1996, Holyfield vence e Tyson pede revanche. No novo combate, em 28 de junho de 1997, 40 segundos antes do fim do terceiro assalto, Tyson morde a orelha de Holyfield. A luta continua. Ele morde de novo a orelha do adversário e é desclassificado. Declara que a mordida uma resposta às cabeçadas que disse sofrer. É banido do esporte por um ano.

QUEDA DE THATCHER

    Em 1990, a primeira primeira-ministra da história do Reino Unido, Margaret Thatcher, anuncia sua demissão depois de 11 anos no poder.

Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford, casa com o empresário Denis Thatcher e tem um casal de filhos antes de se eleger deputada pelo distrito conservador de Finchley, no Norte de Londres.

Em 1967, Thatcher entra para o governo paralelo do Partido Conservador, que faz oposição ao governo trabalhista de Harold Wilson (1964-70). Com a vitória de Edward Heath, em 1970, ela se torna ministra da Educação e da Ciência.

Quando os trabalhistas voltam ao poder, em 1974, Thatcher vira ministra das Finanças do gabinete paralelo até conquistar a liderança do partido, em fevereiro de 1975, com uma plataforma claramente direitista, prometendo cortar subsídios, privatizar as empresas públicas, prestigiar a polícia e defender vigorosamente os interesses britânicos no exterior com uma visão de mundo anticomunista.

Em 1976, depois de acusar a União Soviética de querer dominar o mundo, ganha da imprensa soviética a alcunha de Dama de Ferro, que marcará sua carreira política visceralmente conservadora.

O fracasso do governo trabalhista de James Gallaghan (1976-79), que substitui Harold Wilson (1974-76), causa uma onda de greves, inclusive de lixeiros e coveiros, no chamado inverno do descontentamento, em 1978-9.

A situação caótica leva à vitória de Thatcher, que se torna primeira-ministra em 4 de maio de 1979. As privatizações começam logo e o governo adota a linha dura no combate ao Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Mas as grandes reformas que reduzem o poder dos sindicatos vêm depois da Guerra das Malvinas, invadidas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982.

Thatcher envia uma força-tarefa ao Atlântico Sul. Os argentinos, inclusive vários assassinos da ditadura militar, se rendem em 14 de junho, depois das mortes de 255 britânicos e 649 argentinos.

Com a vitória na guerra, Thatcher obtém sua segunda e maior vitória eleitoral em 1983, parte para o confronto com os sindicatos e enfrenta uma greve de mineiros de um ano, de 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985.

Em 1987, Thatcher vence as terceiras eleições. Sua oposição a uma maior integração europeia, seu eurocetismo, gera a guerra civil interna do Partido Conservador que está na origem da saída do Reino Unido da União Europeia.

A questão europeia e um imposto comunitário cobrado por pessoa, sem considerar o valor da propriedade onde o cidadão vive, derrubam Thatcher. O partido não se recupera até hoje do regicídio. O desafiante Michael Heseltine não chega ao poder, seguindo a máxima da política britânica de que "quem mata o rei não ascende ao trono".

Seis dias depois, Thatcher é substituída por John Major (1990-97), que é reeleito em 1992 prorrogando para 18 anos o domínio conservador sobre o Reino Unido, que seria quebrado pela vitória do neotrabalhismo de Tony Blair em maio de 1997. 

MULHER NO PODER

    Em 2005, a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, se torna a primeira mulher a governar a Alemanha.

Merkel nasce em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, em 17 de julho 1954, mas vai para a Alemanha  Oriental quando o pai, um pastor luterano, é enviado para Perleberg. Ela se forma em química quântica e faz pesquisa científica até 1989, ano da queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Entra na política como porta-voz do primeiro governo democrático da Alemanha Oriental.

Com a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, é eleita deputada do Parlamento Federal e vira ministra da Mulher e da Juventude e depois ministra do Meio Ambiente do chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl (1982-98).

Depois da derrota de Kohl para o social-democrata Gerhard Schröder em setembro de 1998, nas últimas eleições de um século trágico e de renascimento da Alemanha, em 10 de abril de 2000, Merkel se torna líder da CDU. 

Em 2005, Merkel vence as eleições a se torna a primeira mulher a governar o país. É chamada de Mutti, uma forma familiar de chamar a mãe e Chanceler de Ferro, numa comparação com o Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck, líder da unificação da Alemanha, em 1871. Ela lidera governos estáveis e a União Europeia em seus piores momentos: a Crise do Euro (2009-14), a saída do Reino Unido e a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio. 

Ao permitir a entrada de 1,1 milhão de imigrantes, honrando a tradição da Alemanha do pós-guerra para compensar os horrores do nazis, abre espaço para um partido de extrema direita, a Alternativa para a Alemanha, hoje o segundo nas pesquisas.

Ela é substituída pelo social-democrata Olaf Scholz, que era vice-chanceler e se apresenta nas eleições como continuador da obra de Merkel. Scholz faz aliança sinal de trânsito com o partido ecologista Os Verdes e o Partido Liberal-Democrata (FDP). 

A coalizão entra em colapso neste mês, forçando Scholz a antecipar as eleições previstas para 28 de setembro para 23 de fevereiro. Ele está sob pressão para renunciar à liderança do SPD e passar o cargo ao ministro da Defesa, Boris Pistorius, muito mais popular. A CDU vence as eleições sem maioria absoluta. Seu líder, Friedrich Merz é forçado a formar uma grande aliança com o SPD para ter maioria no Bundestag.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

EUA e Rússia propõem rendição da Ucrânia

 O presidente Volodymyr Zelensky, acossado por um escândalo de corrupção, prometeu negociar a paz com base num plano elaborado pelos Estados Unidos e a Rússia, sem a participação da Europa e da Ucrânia. Mas as primeiras informações sobre o plano de 28 pontos indicam que é inaceitável por qualquer líder ucraniano.

A proposta dá tudo o que a Rússia quer e não conseguiu em três anos e nove meses de uma guerra que matou provavelmente centenas de milhares de civis e militares. O Kremlin não faz qualquer concessão. 

O presidente Donald Trump deu prazo até quinta-feira da próxima sermana para a Ucrânia aceitar o plano. Zelensky declarou que este é um dos momentos mais difíceis da história do país. Tem de decidir entre aceitar o plano e reduzir sua dignidade ou perder o maior aliado.

Além de exigir o reconhecimento da soberania russa sobre as províncias da Crimeia, de Donetsk e de Lugansk, o plano proíbe a Ucrânia de entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e a presença de forças estrangeiras no país para garantir a paz. 

A Ucrânia ainda teria de reduzir suas Forças Armadas à metade, não ter armas como mísseis de longo alcance, capazes de atingir Moscou, fazer do russo a segunda língua oficial do país e realizar eleições dentro de 100 dias.

É uma tentativa de enfraquecer a Ucrânia, tornando-a um alvo mais fácil de uma futura ofensiva russa, e de afastar Zelensky numa eleição com forte influência russa. Deixa claro mais uma vez que o objetivo do ditador russo, Vladimir Putin, é dominar a Ucrânia, que o ultranacionalismo russo considera parte da Rússia.

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Hoje na História do Mundo: 21 de Novembro

BLOQUEIO CONTINENTAL

    Em 1806, o imperador francês Napoleão Bonaparte decreta em Berlim o Bloqueio Continental, proibindo os aliados da França e os países neutros de comerciar com o Reino Unido, que tenta sufocar economicamente.

O bloqueio atinge a indústria britânica e incentiva o movimento ludista, que luta contra a Revolução Industrial e a mecanização, e estimula a industrialização em partes da França, mas abala o comércio internacional. Como o Império Britânico domina os mares, o almirante Horace Nelson derrota a Marinha da França duas vezes, em 1799 e 1805, Napoleão tem dificuldades para impor o bloqueio.

A França invade Portugal em 1807, provocando a fuga da família real portuguesa para o Brasil sob a proteção da Marinha britânica, que faz um contrabloqueio. Este leva à Guerra de 1812 entre Reino Unido e Estados Unidos. O bloqueio é uma das causas da desastrosa Campanha de Rússia, a maior derrota de Napoleão.

EDISON LANÇA O FONÓGRAFO

    Em 1877, Thomas Alva Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos, com mais de mil patentes, anuncia a invenção do fonógrafo, o primeiro aparelho para gravar e reproduzir o som.

Edison desenvolve uma de suas principais invenções ao tentar criar uma forma de gravar ligações telefônicas de seu laboratório no Parque Menlo, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos.

A invenção do fonógrafo deu fama mundial a Edison, o Gênio do Parque Menlo. Ele morre aos 84 anos, em 1931, depois de registrar 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil no mundo inteiro.

NAVIO-IRMÃO DO TITANIC AFUNDA

    Em 1916, irmão do Titanic, naufraga no Mar Egeu e causa a morte de 30 pessoas. Mais de mil pessoas são salvas.

Depois da tragédia do Titanic, em 14 de abril de 1912, a empresa White Star Line faz mudanças na fabricação de um navio-irmão. Primeiro, muda o nome de Gigantic para Britannic. O casco muda para ser menos vulnerável a icebergs. Passa a ser obrigatório ter botes salva-vidas suficientes para todos, o que não havia no Titanic.

O navio de luxo, com 50 mil toneladas, o maior do mundo, lançado em 1914, é requisitado pelo governo britânico para servir como navio-hospital durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando faz cinco viagens levando feridos para o Reino Unido.

Em mais uma dessas viagens, uma violenta explosão atinge o Britannic perto do Golfo de Atenas às 8h12. Menos de meia hora depois, o capitão Charlie Bartlett manda evacuar o navio, que afunda às 9h07. Cerca de 1,1 mil passageiros e tripulantes se salvam. 

ELLA FITZGERALD GANHA NOITE DOS AMADORES

    Em 1934, aos 17 anos, a jovem Ella Fitzgerald sobe ao palco do Teatro Apolo, no bairro negro do Harlem, em Nova York, por sorte, depois de ter o nome sorteado num chapéu, e ganha a Noite dos Amadores.

O sonho era ser bailarina. Ao decidir cantar naquele dia, em vez de dançar, inicia uma carreira que a torna uma lenda da música popular norte-americana.

Ella nasce em Newport, na Virgínia, em 25 de abril de 1917 e fica órfã aos 15 anos. É humilhada, espancada e estuprada pelo padrasto. Deprimida, abandona a escola no ensino médio e vive sob a tutela do estado de Nova York quando vai ao teatro com duas amigas.

"Botamos nossos nomes. Nunca imaginamos que seria sorteada", conta mais tarde à Rádio Pública Nacional.

Com medo de não estar à altura das bailarinas da apresentação anterior, Ella fica petrificada. Então, decide cantar The Object of My Affection. Na segunda tentativa, com o apoio do apresentador Ralph Cooper, o teatro vem abaixo. Nasce uma estrela.

Seu primeiro grande sucesso é A-Tisket A-Tasket, de 1938. Nos anos 1940 e 1950, ela se torna uma lenda do jazz.

Ao longo de 69 anos de carreira, Ella Fitzgerald ganha 14 prêmios Grammy e a Medalha Nacional das Artes.

FIM DA GUERRA NA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1995, os presidentes da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic; da Croácia, Franjo Tudjman, e da Sérvia, Slobodan Milosevic; assinam os Acordos de Paz de Dayton, para acabar com a Guerra da Bósnia, o mais violento dos conflitos que dissolvem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes.

A Iugoslávia pós-1945 é fruto da articulação do marechal Josip Broz Tito, um croata, líder da resistência comunista à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), que reprime os nacionalismos agressivos da região dos Bálcãs.

Com a morte de Tito, em 4 de maio de 1980, o declínio do comunismo como ideologia e o fim da Guerra Fria, os nacionalismos reprimidos voltam com grande força. Em 24 de abril de 1987, o líder comunista Slobodan Milosevic faz um discurso no Kossovo, na época uma província autônoma da Sérvia, afirmando que os sérvios jamais seriam humilhados de novo em sua terra. É o sinal de que os nacionalismos estavam suplantando o comunismo.

Em 1991, as repúblicas iugoslavas da Croácia e da Eslovênia declaram independência, provocando a reação da Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia. É o início das guerras que destroem o país.

Com 44% de bósnios muçulmanos, 31% de sérvios e 15% croatas, a Bósnia-Herzegovina é a mais diversa das repúblicas iugoslavas. Em 18 de novembro de 1990, há eleições multipartidárias que levam deputados das três etnias a formar um governo de união nacional.

Depois das declarações de independência da Croácia e da Eslovênia e do início de guerras nestas duas repúblicas, em 24 de outubro de 1991, os deputados sérvios deixam a coalizão e criam a Assembleia do Povo Sérvio na Bósnia-Herzegovina.

Em 9 de janeiro de 1992, a assembleia proclama a fundação da República Sérvia da Bósnia-Herzegovina. A resposta dos bósnios é a convocação de um plebiscito sobre a independência, realizada em 29 de fevereiro e 1º de março de 1992. Em 3 de março, a Bósnia-Herzegovina declara a independência, reconhecida internacionalmente em 6 de abril e é admitida na ONU em 22 de maio.

As milícias sérvias rejeitam a iindependência e vão à guerra com o apoio do Exército Federal da Iugoslávia. Sarajevo, a capital da Bósnia, é cercada de 5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 1996. É o mais longo cerco de uma cidade europeia no século 20, que só acaba com um bombardeio aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) depois de 13.952 mortes. 

A maior tragédia da guerra é o massacre de mais de 8 mil homens, toda a população adulta masculina da cidade de Srebrenica, em julho de 1995. 

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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Novembro

 MORTE DE ZUMBI DOS PALMARES

    Em 1695, Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, o maior do período da escravidão no Brasil, é morto junto com outros 20 guerreiros na Serra Dois Irmãos, então parte da capitania de Pernambuco, hoje parte do município de Viçosa, no estado de Alagoas.

O Quilombo dos Palmares surge por volta de 1580 e se torna o maior símbolo da resistência africana à escravidão. É uma comunidade de escravizados que fogem de fazendas, prisões e senzalas.

Zumbi ou Zumbe vem de zumba, do idioma africano quimbundo, falado em Angola. Significa fantasma, espectro, a alma de uma pessoa falecida. Ele nasce em 1655 no quilombo, na Serra da Barriga, então parte de Pernambuco, hoje parte do município de União dos Palmares, em Alagoas.

Por volta dos 6 anos, ele é capturado e entregue ao padre missonário português Antônio Melo, que o batiza como Francisco. Zumbi recebe os sacramentos, aprende português e latim, e ajuda na missa todos os dias como sacristão. Depois, foge e volta para o quilombo.

Em 1678, cansado da longa rebelião do quilombo, o governador de Pernambuco faz uma proposta de paz a Ganga Zumba, o líder de Palmares, tio de Zumbi. Eles serão homens livres se o quilombo se submeter à autoridade da Coroa Portuguesa.

Ganga Zumba aceita. Zumbi promete continuar a luta contra a opressão do Império Português e se torna líder do quilombo e depois rei de Palmares a partir de 1680. O quilombo é o centro da resistência à escravidão e se torna um modelo.

Quinze anos depois da ascensão de Zumbi, em 1693, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho recebe a missão de comandar a invasão de Palmares. Em 6 de fevereiro de 1694, a capital do quilombo é destruída. Zumbi é ferido. Traído por Antônio Soares, Zumbi é surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça na Serra da Barriga. É apunhalado, sobrevive, mas termina sendo morto com outros guerreiros da resistência africana no Brasil.

A cabeça de Zumbi é entregue ao governador pernambucano, Caetano de Melo e Castro, que a expõe no Pátio do Carmo, no Recife, para acabar com o mito da imortalidade de Zumbi.

A data de sua morte, 20 de novembro, é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

REVOLUÇÃO MEXICANA

    Em 1910, Francisco Madero inicia uma revolta fracassada que mobiliza os líderes revolucionários Emiliano Zapata e Pancho Villa, deflagrando a Revolução Mexicana (1910-20).

A revolta é contra a ditadura corrupta, elitista e oligárquica de Porfirio Díaz, o Porfiriato (1867-1911), que serve os interesses dos latifundiários e dos capitães de indústria.

Quando Díaz se lança para a sétima reeleição, em 1910, Madero se torna líder do movimento contra a reeleição. Díaz manda prender Madero e se declara vencedor de uma eleição fraudulenta, mas Madero é solto e lança a revolta, o Plano de San Luis de Potosí, de San Antonio, no Texas.

Com a rebelião de Zapata e Villa, Porfirio Díaz renuncia em 25 de maio de 1911. Madero vira presidente. Ele acredita num governo constitucional, mas os revolucionários querem mais. Zapata e Pascual Orozco ficam contra Madero.

JULGAMENTO DE NURUMBERGUE

    Em 1945, o Tribunal Militar Internacional organizado pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa a julgar em Nurembergue, na Alemanha, 24 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

As sentenças saem em 1º de outubro de 1946: 12 pegam pena de morte, sete pegam penas de 10 anos à prisão perpétua e três são absolvidos.

Dez condenados são enforcados em 16 de outubro. Hermann Göring, número 2 do regime e comandante da Luftwaffe, a força aérea nazista, se suicida na véspera. Martin Bormann é condenado à revelia. Hoje se acredita que tenha morrido no fim da guerra na Europa, em maio de 1945.

Os julgamentos dos criminosos de guerra continuam. Ao todo, 5.025 são condenados e 806 executados.

MORTE DE FRANCO

    Em 1975, o generalíssimo Francisco Franco, "caudilho da Espanha pela graça de Deus", morre pondo fim a uma ditadura que começa com um golpe de Estado, em 1936, e a Guerra Civil Espanhola (1936-39).

Filho de um oficial da Marinha e de uma mãe católica ultraconservadora, Franco nasce em El Ferrol, na Galícia, em 4 de dezembro de 1892. 

Como quatro gerações da famílila e o irmão mais velho, deveria entrar para a Marinha. A redução do número de vagas na Academia Naval e leva ao Exército. Aos 14 anos, em 1907, ele entra para a Academia da Infantaria, em Toledo, onde se forma três anos depois.

Em 1912, aos 19 anos, Franco se oferece como voluntário para lutar na guerra colonial no Marrocos Espanhol. No ano seguinte, é promovido a 1º tenente de um regimento de elite de cavalaria. Em 1915, torna-se o mais jovem capitão do Exército da Espanha. 

Ferido por um tiro no abdome, vai se tratar na Espanha em 1916, mas isso não impede uma carreira brilhante. Em 1920, Franco é nomeado subcomandante da Legião Estrangeira, da qual vira comandante em 1923. Durante campanhas contra os rebeldes marroquinos, é aclamado como herói.

Aos 33 anos, em 1926, Franco é promovido a general. Com a queda da monarquia, a república espanhola faz uma ampla reforma nas Forças Armadas. A Academia Militar Geral é fechada e Franco é encostado.

Quando os conservadores chegam ao poder, em 1933, Franco volta à ativa. Em outubro de 1934, é convocado para reprimir uma revolta violenta de mineiros na província de Astúrias. Com o sucesso, é nomeado comandante do Exército.

Diante de escândalos de corrupção, o governo cai. Em fevereiro de 1936, são realizadas eleições com a Espanha dividida entre o Bloco Nacionalista, de direita, e a Frente Popular, de esquerda. 

A esquerda vence, mas não consegue estabilizar o país. Franco, que não é filiado a nenhum partido político, defende a decretação de estado de emergência. É afastado do comando do Exército e enviado para uma guarnição menor nas Ilhas Canárias.

Por algum tempo, ele se recusa a entrar para a conspiração contra o governo esquerdista, mas acaba aderindo.

Em 18 de julho de 1936, Franco divulga um manifesto apoiando a rebelião militar. No dia seguinte, vai para o Marrocos, onde assume o controle de uma das principais forças do Exército da Espanha.

Na Guerra Civil Espanhola (1936-39), as forças franquistas invadem a Espanha e marcham até Madri, mas são detidas nos arredores da capital espanhola. Quando preparam o assalto final à cidade, os militares decidem quem será o comandante em chefe da revolta. 

Em 1º de outubro de 1936, Franco é nomeado chefe de Estado do governo nacionalista. Apesar do apoio dos ditadores da Alemanha, Adolf Hitler, e da Itália, Benito Mussolini, leva quase três anos para tomar Madri e assumir o controle sobre todo o país, em 1º de abril de 1939. Seu regime executa dezenas de milhares de espanhóis durante e logo após a guerra civil.

Apesar da simpatia pelos países do Eixo, a Espanha franquista fica neutra na Segunda Guerra Mundial. No pós-guerra a Espanha fascista é marginalizada pela recém-criada Organização das Nações Unidas. A reabilitação vem em 1953, quando, no auge da Guerra Fria, os Estados Unidos fazem um acordo militar de 10 anos.

Para tentar preservar a ditadura depois de sua morte, em 1947, Franco organiza um plebiscito que declara que a Espanha é uma monarquia, com ele como regente até o fim da vida. Em 1969, ele designa o príncipe Juan Carlos como sucessor.

Depois da morte do ditador, o rei Juan Carlos desmonta o regime autoritário, resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e transforma a Espanha numa monarquia constitucional.

ESPIONAGEM NUCLEAR

    Em 2015, o analista de defesa norte-americano Jonathan Pollard sai da cadeia nos Estados Unidos depois de ficar preso por 30 anos por espionagem ao vender a Israel informações ultrassecretas para fabricar armas atômicas.

Pollard nasce em Galveston, no Texas, em 7 de agosto de 1954, e se forma em relações internacionais, mas é rejeitado pela CIA (Agência Central de Inteligência) por causa do uso de drogas no passado.

Em 1984, ele entra para o Centro de Alerta Antiterrorismo da Marinha dos EUA e tem acesso a documentos confidenciais. Começa, então, a fornecer a Israel informações secretas e ultrassecretas do Departamento da Defesa, do Departamento de Estado, do Departamento da Justiça, da CIA e da Agência de Segurança Nacional dos EUA.

Preso em 21 de novembro de 1985 quando tenta se refugiar na Embaixada de Israel em Washington, Pollard é condenado em março de 1987 à prisão perpétua por traição. Em 2015, ganha direito a liberdade condicional, mas é proibido de sair do país por cinco anos. No fim deste período, ele se muda para Israel.

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