sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Dezembro

 RADIODIFUSÃO TRANSATLÂNTICA

    Em 1901, o físico italiano Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio ou rádio, faz a primeira transmissão transatlântica, desafiando os que consideram impossível.

Por causa da curvatura da Terra, os críticos imaginam que as ondas de rádio seriam captadas a no máximo 300 quilômetros de distância, talvez menos.

Marconi envia uma mensagem simples, um sinal do Código Morse por uma distância de mais de 3,6 mil km, de Poldhu, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, para a Terra Nova, no Canadá.

MONA LISA RECUPERADA

    Em 1913, dois anos após ser roubada do Museu do Louvre, em Paris, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, talvez o quadro mais famoso da história da arte, é recuperada num quarto de hotel do garçon italiano Vincenzo Peruggia, em Florença.

Da Vinci, um dos grandes gênios da humanidade e um dos maiores pintores do Renascimento, completa a Mona Lisa em 1504. O quadro traz uma mulher de sorriso enigmático, ao mesmo tempo absorta e fascinante.

Peruggia trabalha no Louvre e participa do roubo com um grupo de cúmplices fantasiados de zeladores do museu na manhã de 21 de agosto de 1911. Aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura é roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I, da França, comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Condenado na Itália, Peruggia fica apenas um ano e dois meses na prisão.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA

    Em 1963, sob a liderança de Jomo Kenyatta, o Quênia declara independência do Reino Unido.

Na década anterior, a violenta repressão ao Levante dos Mau-Mau abala a colônia britânica, com massacres de civis, internação de centenas de milhares de quenianos em campos de concentração e suspensão dos direitos civis em algumas cidades. Kenyatta é preso.

CADERNO DE DA VINCI

    Em 1980, o magnata do petróleo norte-americano Armand Hammer paga US$ 5,126 bilhões por um caderno com desenhos de Leonardo da Vinci, um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos.

O manuscrito, de cerca de 1508, foi um de 30 livros parecidos que Da Vinci cria ao longo da vida. Tem 72 páginas com cerca de 300 notas e desenhos, todos relacionados à água e como ela se move.

O pintor Giuseppe Ghezzi descobre o caderno em 1690 junto a papéis de Guglielmo della Porto, um escultor milanês do século 16 que estudou a obra de Da Vinci. Em 1717, Thomas Coke, 1º Duque de Leicester, compra o manuscrito para a coleção de arte da família.

Mais de dois séculos depois, o caderno é colocado a venda na casa de leilões Christie's de Londres pelo atual Lorde Coke, obrigado a vender para pagar o imposto sobre herança de propriedades e da magnífica coleção de arte da família.

O leilão dura pouco mais de dois minutos. É o maior preço pago por um manuscrito até aquela época. Uma Bíblia de Johannes Gutenberg saiu por US$ 2 milhões em 1978.

Quando Hammer morre, deixa o Caderno de Da Vinci e outras obras para o Museu de Arte e Centro Cultural Armand Hammer na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Anos depois, o manuscrito é colocado a venda com a explicação de que a UCLA precisa pagar custos judiciais de uma ação de uma sobrinha de Hammer que alega ter sido lesada.

Em 11 de novembro de 1994, o bilionário Bill Gates paga US$ 30,8 milhões, novo recorde para um manuscrito.

ACORDO DE PARIS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA

    Em 2015, mais de 190 países aprovam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que substitui o Protocolo de Quioto, inclui todos os países signatários na luta contra o aquecimento global e coloca como meta conter em no máximo 1,5 grau centígrado o aumento da temperatura média da Terra em relação à era pré-industrial. 

Cada país apresenta suas metas voluntárias de redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa e não há punição para quem não cumprir sua própria meta.

A Convenção Quadro sobre Mudança do Ciima é aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra ou Rio-92, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro.

A partir daí, são realizadas as Conferências das Partes (CoP) do Acordo sobre Mudança do Clima. Na CoP-3, em 1997, é aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 38 de países desenvolvidos se comprometem a reduzir as emissões em média em 5,2% em relação às emissões de 1990. Os países em desenvolvimento não tinham qualquer obrigação.

Quando o Protocolo de Quioto expira, em 2012, é necessário um novo acordo global que comprometa o mundo inteiro ao combate ao aquecimento global causado pelo homem pela emissão de gases carbônicos.

O acordo é concluído no Conferência de Paris e aberto para assinatura dos países-membros da ONU. Entra em vigor em 4 de novembro de 2016, com a assinatura de 194 países. O presidente Donald Trump, negacionista do clima, retirou os EUA duas vezes.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Dezembro

 ABDICAÇÃO DE EDUARDO VIII

    Em 1936, depois de menos de um ano no trono, o rei Eduardo VIII, da Inglaterra, abdica para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana duas vezes divorciada, o que era proibido para um monarca do Reino Unido.

Eduardo nasce em 1894. É o filho mas velho de George V, que ascende ao trono em 1910. Ele não se casa até os 40 anos. Em 1934, se apaixona pela socialite norte-americana Wallis Simpson, mulher do empresário anglo-norte-americano Ernest Simpson. Ela casara com um piloto da Marinha dos Estados Unidos e se divorciara.

O rei George V morre em janeiro de 1936 sem discutir a questão com o herdeiro do trono. O novo rei é popular. Marca a coroação para maio de 1937. Em 27 de outubro de 1936, Wallis se divorcia do segundo marido, o que deflagra o escândalo.

A Igreja da Inglaterra e a maioria dos políticos britânicos não aceita o romance real. Uma exceção é o deputado Winston Churchill.

Na noite de 11 de dezembro de 1936, Eduardo VIII faz um pronunciamento pelo rádio anunciando que é "impossível carregar a pesada responsabilidade e exercer meus deveres como rei, como eu gostaria de fazer, sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo."

No dia seguinte, seu irmão mais moço, o Duque de York, é proclamado o rei George VI, pai da rainha Elizabeth II e avô do rei Carlos III.

ÚLTIMO PASSEIO NA LUA

    Em 1972, os astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt, da nave Apollo 17 são os últimos seres humanos a caminhar na Lua. É a última missão tripulada ao satélite natural da Terra.

A Apollo 17 parte em 7 de dezembro. Cernan, o comandante da missão, é um astronauta experiente, depois de orbitar a Terra na Gemini e a Lua na Apollo 10. O terceiro tripulante é Ronald Evans, que não desce na Lula. 

A nave entra na órbita da Lua em 10 de dezembro. Duas horas e 34 minutos depois de se separar da Apollo 17, Cernan e Schmitt fazem a alunissagem com o módulo de excursão lunar. Horas depois, fazem a primeira de três atividades extraveiculares na Lua.

Ao todo, ficam mais de 22 horas fora do módulo de excurso lunar e percorrem 30,5 quilômetros num veículo lunar. Eles coletam 110,53 quilos de amostras de pedras e do solo da Lua e deixam um equipamento que transmite mensagens da Lua durante anos.

Depois de 74 horas, em 14 de dezembro, eles voltam à nave-mãe. A Apollo 17 chega à Terra em 19 de dezembro e cai no Sul do Oceano Pacífico a 6km do navio Ticonderoga, encarregado de resgatá-la.

RÚSSIA INVADE CHECHÊNIA

    Em 1994, o Exército da Rússia invade a república rebelde da Chechênia na maior ação militar do país desde a invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.
Com o colapso da URSS, em 1991, várias repúblicas declaram independência. Mas a Chechênia não é uma república soviética. Faz parte da Federação Russa. Então, sua independência não será tolerada. De maioria muçulmana, conquistada pela Rússia nos anos 1850, sempre foi rebelde.

Em agosto de 1991, Djokhar Dudaiev, ex-oficial da Força Aérea da URSS, derruba o regime comunista e instala um governo hostil a Moscou, provocando a reação da Rússia.

As forças russas enfrentam forte resistência em Grozny. Milhares de soldados russos morrem. Em agosto de 1996, os rebeldes chechenos retomam Grozny. A Rússia se retira em 1997.
Quando Vladimir Putin vira primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999, para se firmar no poder, inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) depois de ações terroristas de extremistas muçulmanos no vizinho Daguestão e uma série de atentados em Moscou em que há suspeita de envolvimento do serviço secreto russo, que Putin dirige até ir para o Kremlin. A ferro e fogo, a Rússia vence, com um total de mortes estimado entre 50 e 250 mil pessoas.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 1997, a 3ª Conferência das Partes (CoP-3) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima aprova o Protocolo de Quioto, no Japão, pelo qual 38 países desenvolvidos se comprometem a reduzir até 2012 as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5,2%, em média, em relação aos níveis de 1990.
Um dos principais negociadores em Quioto é o então vice-presidente dos Estados Unidos, Albert Gore Jr., mas o Senado do país nunca ratifica o protocolo. O argumento, que havia sido usado pelo presidente George Herbert Walker Bush durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), é que, ao não incluir a China e outros países em desenvolvimento, daria uma desvantagem competitiva para a economia norte-americana.

O fracasso do Protocolo de Quioto, que caduca em 2012, leva ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015, que incluiu todos os países do mundo, menos a Síria. Todos apresentam metas voluntárias de redução das emissões de gases carbônicos e não correm o risco de punições ou sanções se não cumprirem o prometido.

Na CoP-26, realizada em novembro de 2021 em Glasgow, na Escócia, os países foram pressionados a apresentar metas mais ambiciosas. Se o que foi prometido até agora for cumprido, o que não está sendo, a expectativa dos cientistas é de um aumento de 2,7 graus centígrados na temperatura média da Terra até o fim do século em relação à era pré-industrial. A meta é conter o aquecimento global em 1,5 grau centígrado.

A CoP-27, realizada em novembro de 2022 em Charm al-Cheikh, no Egito, aprova a criação de um fundo global para ajudar os países pobres e em desenvolvimento a financiar a transição energética para uma economia de baixo carbono, mitigação, adaptação e reparação de perdas e danos. 
Os detalhes ficaram de ser discutidos por uma comissão e apresentados na CoP-28, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 2023. A CoP-29, realizada em 2024 em Baku, no Azerbaijão, deveria resolver o problema do financiamento ao combate e mitigação dos efeitos do aquecimento global. O impasse não é resolvido na CoP-30, em Belém do Pará, no Brasil.

BERNIE MADOFF PRESO

    Em 2008, o bilionário norte-americano Bernard Madoff é preso sob a acusação de fraudar clientes com uma pirâmide financeira de US$ 65 bilhões que desaba com a Grande Recessão, a crise deflagrada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers, em 15 de setembro daquele ano.
Sua corretora, Bernard L. Madoff Investment Securities, dá altos retornos e atrai as aplicações de celebridades, filântropos ricos e indivíduos, muitos da comunidade judaica, instituições beneficentes, escolas e prefeituras. Conquista grande prestígio no centro financeiro de Wall Street até desabar na crise. Ele compra um iate e mansões em Palm Beach, na Flórida, e no Sul da França.

Ao contrário do que acontece no Brasil, não é necessária sentença condenatória transitada em julgado para mantê-lo preso. Condenado a 150 anos de reclusão, Madoff nunca mais é solto. Morre na cadeia em 14 abril de 2021.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Doutrina Trump quer impor suas políticas ao mundo

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, anunciada na semana passada, abandona 80 anos de política externa baseada em alianças e num sistema internacional multilateral e consolida as ideias e visões de mundo do presidente Donald Trump.
A Doutrina Trump quer conciliar a hegemonia dos EUA com um recuo dos compromissos internacionais que o país assumiu desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o que é impossível. É uma regressão à Era dos Impérios, a um mundo dividido em esferas de influência das superpotências militares: EUA, China e Rússia.

Em 29 páginas, o documento traz uma lista de desejos, exalta a supremacia dos EUA e cita os instrumentos que o país tem para atingir seus objetivos. Divide o mundo em cinco regiões: América, Ásia, Europa, Oriente Médio e África.

Enquanto na Ásia Trump espera que os países atuem como aliados voluntários de uma ampla aliança informal para conter a China, na Europa e na América, exige uma submissão total aos interesses econômicos e militares dos EUA.

Há um desprezo pela Europa, descrita como uma civilização decadente sob ameaça de extinção, assolada pela imigração de povos não europeus. Isso significa que imigrantes não brancos corrompem os valores das sociedades ocidentais. Este racismo explícito é uma das raízes do trumpismo, causado pelo medo de que em algumas décadas os brancos de origem europeia deixem de ser maioria nos EUA.

Só três parágrafos são dedicados à África, desprezada e discriminada por esta visão racista. À noite, em comício na Pensilvânia em que deveria exaltar a superioridade de sua economia, Trump voltou a se referir a países africanos como "buracos de merda", uma semana depois de chamar os somalianos norte-americanos de "lixo".

Na América Latina, a proposta é resgatar a Doutrina Monroe, enunciada no início do século 19 para evitar intervenções militares europeias e tentativa de recolonizar países do continente. Os objetivos são combater o tráfico de drogas, a imigração ilegal e a crescente influência da China. Mas não diz como pretende fazer isso numa região em que a China é a maior parceira comercial da maioria dos países.

O Corolário Trump da Doutrina Monroe não é doutrina nem estratégia, mas vai aumentar a presença militar dos EUA na América Latina.

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Hoje na História do Mundo: 10 de Dezembro

 PRIMEIRA ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA

    Em 1768, a primeira parte da primeira edição da Enciclopédia Britânica, a mais antiga publicação continuamente atualizada e revisada em língua inglesa, é publicada e colocada a venda em Edimburgo, na Escócia.

A última edição impressa é de 2010. Os últimos exemplares da edição, de 32 volumes, saem em março de 2014. A Britânica continua na internet. 

DIA DOS DIREITOS HUMANOS   

    Em 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Seus primeiros artigos afirmam que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos" (...) e que "todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição." A data é festejada como Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Os direitos naturais nascem na filosofia da Grécia Antiga e são citados pelo senador romano Marco Túlio Cícero. Jesus Cristo lança a ideia de que todos os homens são iguais. Durante a Idade Média, filósofos cristãos como São Tomás de Aquino defendem os direitos naturais.

Um marco importante na luta pelos direitos humanos é a Magna Carta, considerada como a primeira constituição, imposta pelos barões da Inglaterra em 15 de junho de 1215 para limitar os poderes do rei João Sem Terra. 

A Carta promete a proteção dos direitos da igreja, proteção contra prisão ilegal, acesso a justiça rápida e limitações de impostos e outros pagamentos feudais à Coroa ao exigir que os nobres concordassem com a instituição de novos impostos. 

Talvez o mais importante para a história seja a instituição do habeas corpus. A Coroa é obrigada a apresentar os presos à Justiça.

Na mesma Inglaterra, em 16 de dezembro de1689, durante a Revolução Gloriosa o Parlamento Britânico aprova a Lei de Direitos ou Declaração de Direitos, que transforma o país numa monarquia constitucional, consagrando a supremacia do Parlamento e o princípio do filósofo liberal John Locke de que um governo legítimo precisa do consentimento dos governados.

Entre outros direitos, a declaração garante a ampla liberdade de expressão, a imunidade dos parlamentares pelo que disserem no Parlamento Britânico, proíbe o rei de interferir no processo legislativo e de cobrar impostos sem a aprovação do Parlamento, proíbe as punições cruéis e multas excessivas, manter um exército em tempo de paz sem o consentimento do Parlamento e dá o direito de portar armas para autodefesa.

Um século depois, a Revolução Francesa (1789-99) aprova em 26 de agosto de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que afirma que "os homens nascem livres e iguais em direitos" e que "a finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem: a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão". 

Na mesma época, em 25 de setembro de 1879, o Congresso dos Estados Unidos aprova 12 emendas à Constituição que são consideradas a declaração de direitos do país. Dez são ratificadas até 15 de dezembro de 1791. 

Elas garantem a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, o direito de associação para fins pacíficos, o direito de processar o governo, o direito de portar armas, o direito de ficar em silêncio para não se incriminar, o direito de não ser submetido a punição cruel e incomum nem de receber multas excessivas, entre outros direitos.

REI DO SOUL

    Em 1967, o cantor e compositor Otis Redding, o Rei do Soul, morre aos 26 anos em um acidente de avião perto de Madison, no estado de Wisconsin.

Otis Redding nasce em 9 de setembro de 1941 em Dawson, na Geórgia. e é criado em Macon, no mesmo estado. Sofre influências de Sam Cooke e Little Richard. No fim do anos 1950, ele entra para a banda de Richard, The Upsetters. Quando Richard vai fazer carreira solo, Redding imita Richard.

Sua carreira no soul decola quando Redding faz parte da banda georgiana Pinetoppers, de Johnny Jenkins, e o grupo vai gravar na gravadora Stax, em Memphis, no Tennessee, em 1962. No fim da gravação, Redding grava duas músicas de sua autoria. The Arms of Mine lança sua carreira.

A garanta rasgada, o forte tom emocional e uma sinceridade irresistível são a marca do estilo de Redding, que dá o tom da música soul dos anos 1960. Entre seus grandes sucessos, estão I've Been Loving You Too Long (To Stop Now)Sitting on The Dock of the BayRespect Satisfaction.

Em parceria com Steve Cropper, ele cria um novo tipo de rhythm and blues simples, enxuto e inflexível. Sua banda é tão influente quanto grandes ídolos como Ray Charles e James Brown. No auge da carreira, ele canta soul para os hippies no Festival de Monterrey, na Califórnia. Quando conquista grande popularidade, seu avião, que leva outros músicos da banda, cai num lago em Wisconsin.

FIM DO APARTHEID

    Em 1996, o presidente Nelson Mandela assina a nova Constituição da África do Sul para a era democrática, depois de séculos de dominação da minoria branca sobre maioria negra.

Mandela é um militante do Congresso Nacional Africano (CNA), que lidera a luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid. Sob a influência das ideias de desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros do Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA entra na luta armada.

Mandela é o chefe do braço armado do CNA, Umkhonto we Siswe (Lança da Nação). Preso em 1962 quando volta de treinamento militar no exterior, Mandela é condenado à morte, pena convertida em prisão perpétua.

Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela sai da prisão para negociar o fim do regime da minoria branca e se tornar o primeiro presidente eleito da África do Sul em 1994. Ele governa por apenas um mandato e depois se torna o grande conselheiro da nação até a morte, em 5 de dezembro de 2013.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro

 VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, pode voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.

A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo. 

O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atinge sobretudo os índios, que acreditam que o Deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.

O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursor das vacinas.

No fim do século 18, quando a varíola é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.

A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina, hoje ameaçado pelo movimento antivacinas.

Cerca de 40% das notícias falsas e mentirosas sobre vacinas na América Latina têm origem no Brasil.

PRIMEIRA INTIFADA

    Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente em que um caminhão israelense bate numa caminhonete e mata quatro palestinos.

Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967).

Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.

Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.

As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulso com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.

Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, e a ascensão de Benjamin Netanyahu desandam o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje, mas a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que nasce no dia seguinte, em 10 de dezembro de 1987, cria uma nova oportunidade.

WALESA PRESIDENTE

    Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.

Walesa nasce em 29 de setembro de 1943 em Popowo, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ele faz curso técnico e se torna eletricista. Trabalha como mecânico de automóveis de 1961 a 1965 e, depois de servir o Exército por dois anos, vai ser eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, em 12 de julho de 1967.

Nove anos depois, em 1976 é demitido como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato livre Solidariedade pelo regime comunista polonês. 

Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.

Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. 

Tadeusz Mazowiecki, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.

Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.

CHARLES E DIANA SE SEPARAM

    Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.

É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana faz teste de virgindade com ginecologista da rainha para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.

O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando foge dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. 

A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.

EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA

    Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para apoiar a ação humanitária das Nações Unidas no país assolado pela fome. A Somália está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro de 1991.

O país cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome. 

A ajuda humanitária da ONU recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.

Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001), estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento nem contingente para grandes ações militares.

Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados norte-americanos. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.

A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho. Este conflito dura até hoje.

Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou nos anos 1960 no Congo com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio. Kabila sai das Montanhas da Lua para marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

RÚSSIA DOPADA

    Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.

Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.

A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional. O país é proibido de competir de novo na Olimpíada de 2024, em Paris.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Dezembro

 LENNON ASSASSINADO

    Em 1980, Mark Chapman, um fã desequilibrado, mata com quatro tiros à queima-roupa o ex-beatle John Lennon na entrada do Edifício Dakota, em Nova York, onde o músico morava com a mulher, a artista plástica japonesa Yoko Ono, e o filho Sean.

Chapman fica na cena do crime lendo O Apanhador no Campo de Centeio, de John David Salinger, um clássico da literatura norte-americana. É condenado à prisão perpétua. Todos os apelos para redução da pena são rejeitados até hoje.

Confira a última entrevista de Lennon, à revista Rolling Stone.

ADEUS ÀS ARMAS

    Em 1987, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, assinam na Casa Branca, em Washington, o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro a eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de curto e médio alcances, capazes de atingir alvos a distâncias entre 500 e 5,5 mil quilômetros.

A Segunda Guerra Fria começa com a invasão da URSS ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, depois da détente do início dos anos 1970. Agrava-se com a eleição do presidente linha-dura Ronald Reagan nos EUA, em 1980, o abate de um Boeing 747 do Korean Air no espaço aéreo soviético, em 1º de setembro de 1983. e a instalação de mísseis nucleares norte-americanos de curto e médio alcances na Europa, a partir de 1º de novembro de 1983.

O degelo inicia com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985. Depois de uma série de encontros de cúpula, eles acertam a eliminação das forças nucleares intermediárias.

Em 2 de agosto de 2019, no governo Donald Trump (2017-21), os EUA abandonam o tratado que acusam a Rússia de violar desde julho de 2014. Dos acordos que acabam com a Guerra Fria, resta o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), na versão renegociada pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev, que entra em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e é prorrogado até 2026. A Guerra da Ucrânia prejudica as negociações.

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

    Em 1991, as repúblicas da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, o núcleo central eslavo da União Soviética, assinam o Acordo de Minsk para formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI), acabando assim na prática com a pátria do comunismo.

A URSS nasce em 1922, no fim da guerra civil deflagrada pela Revolução Comunista de 1917 para acomodar como repúblicas vários países do antigo Império Russo. Com a morte de Vladimir Lenin, em 1924, ascende ao poder Josef Stalin, que impõe uma tirania ainda pior do que o regime czarista.

Com a indústria pesada desenvolvida pelo stalinismo e o apoio logístico dos aliados ocidentes, a URSS é a grande força de resistência ao nazifascismo. Mais de 80% das tropas da Alemanha são derrotadas na frente oriental pelo Exército Vermelho, que toma Berlim em 8 de maio de 1945, marco do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

No pós-guerra, o mundo é dividido entre capitalismo e comunismo, sob a liderança dos Estados Unidos e da URSS, numa confrontação total, estratégica, política, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural pela supremacia mundial que acaba com a ascensão à liderança do Partido Comunista de Mikhail Gorbachev (1985-91).

Depois de uma fracassada tentativa de golpe da linha dura em agosto de 1991, os novos dirigentes eleitos pelo voto popular como Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia, lideram a resistência e tomam o poder de Gorbachev. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade. Por fim, as repúblicas eslavas decidem sair da URSS, que acaba oficialmente no fim do ano.

NAVE DA SPACEX VOLTA À TERRA

    Em 2010, a empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, lança a cápsula Dragon no primeiro voo teste e torna-se a primeira empresa privada a enviar uma nave ao espaço e recuperá-la na volta à Terra.

No segundo voo teste, em 8 de dezembro de 2010, a Dragon leva equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional. A SpaceX também a primeira empresa privada a enviar uma nave espacial tripulada à estação espacial, em 22 de maio de 2012.

Musk funda a empresa em 2002 para revolucionar a era espacial, tornar viáveis voos espaciais comerciais, enviar missões tripuladas a Marte e colonizar o Planeta Vermelho.

DITADURA DE ASSAD CAI

    Em 2024, depois de mais de 13 anos de guerra civil, no fim de uma ofensiva fulminante de 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomam as cidades mais importantes da Síria, inclusive a capital, Damasco. É o fim da ditadura de Bachar Assad, no poder desde o ano 2000.

O Comando Geral do Exército ordena a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fazem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime. Assume o poder o líder rebelde Abu Mohammed al-Julani, ligado a Al Caeda e antes do Estado Islâmico, que abandona o nome de guerra e volta a usar o nome batismo Ahmed Hussein al-Charaa. Hoje é o presidente interino da Síria.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria havia quase 54 anos. O pai do ditador deposto é ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder num golpe em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, luta ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estuda medicina na Universidade de Damasco e faz pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalha até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando é convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que seja um reformista influenciado pela experiência no Ocidente dura pouco.

Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em março de 2011, os protestos pacíficos são violetamente reprimidos. O ditador liberta os extremistas muçulmanos presos para alegar que combate terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, se tornam as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começa a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também é importante.

Em 2020, o regime controla dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda, as Forças Democráticas Sírias (FDS), principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistem na província de Idlibe. De lá, partem os rebeldes que derrubam o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegam à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, pelo menos 618 mil sírios são mortos. Cerca de 6,6 milhões fogem do país. A onda de refugiados chega à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

Depois de um ano, Al Charaa consegue o reconhecimento internacional, é recebido na Casa Braca, mas minorias como alauítas e curdos são alvo de massacres e se sentem inseguras. A Síria precisa de ajuda internacional para se reconstruir. Conta com o apoio das monarquias petroleiras árabes do Golfo Pérsico. Isso o afasta do Irã, grande sustentáculo da ditadura de Assad.

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domingo, 7 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Dezembro

 RATIFICANDO A CONSTITUIÇÃO

    Em 1787, com a votação de 30 delegados, Delaware é o primeiro estado a ratificar a Constituição dos Estados Unidos.

Pelos termos da Constituição dos EUA, o documento precisa ser ratificado por 75% dos estados para entrar em vigor ou ser reformado. Em 21 de junho de 1788, Novo Hampshire se torna o nono dos 13 estados a ratificar concluindo a tramitação. A carta entra em vigor em 4 de março de 1789. 

ATAQUE A PEARL HARBOR

    Em 1941, às 7h55, o Império do Japão lança um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí, mata 2.403 norte-americanos e destrói ou danifica 19 navios, levando os EUA a entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA chamam a data de Dia da Infâmia. No dia seguinte, o presidente Franklin Delano Roosevelt vai ao Congresso e pede autorização para declarar guerra ao Japão. Na Câmara e no Senado, só há um voto contra, da deputada pacifista Jeanette Rankin, que votara contra a entrada na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 1917.

Três dias depois, A Alemanha Nazista e a Itália Fascista, aliadas do Império do Japão, declaram guerra aos EUA. Em quatro anos de guerra, morrem 418,5 mil norte-americanos.

INDONÉSIA INVADE TIMOR

    Em 1975, a Indonésia bombardeia Díli e invade o Timor Leste, quando a ex-colônia de Portugal, que sai em agosto, declara independência.

Mais de 100 mil timorenses morrem nos primeiros meses da invasão, incentivada pelo então secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, que teme que um governo de esquerda da Frente Timorense de Libertação Nacional (Fretilin) transforme o Timor Leste numa Cuba.

Quando o sanguinário ditador Mohamed Suharto, que ordena a invasão, morre em 1998, o movimento pela independência ganha força. 

Em 1999, um plebicito aprova a independência, garantida por uma força de paz das Nações Unidas liderada pela Austrália. As primeiras eleições democráticas são realizadas em agosto de 2001. 

Em 12 de outubro de 2002, atentados terroristas de extremistas muçulmanos na paradisíaca ilha indonésia de Báli, tendo como principais alvos turistas australianos, matam 202 pessoas, inclusive 88 australianos.

TERREMOTO DA ARMÊNIA

    Em 1988, dois terremotos de 6,9 e 5,8 graus na escala aberta de Richter arrasam a então República Soviética da Armênia, matando 60 mil pessoas e destruindo meio milhão de prédios, entre eles quase todas as construções de má qualidade da era soviética.

O Terremoto de Spitak atinge o Norte da Armênia, parte de uma região sujeita a abalos sísmicos que vai da Cordilheira dos Alpes à do Himalaia. Dura pouco menos de 20 segundos.

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