quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 6 de Setembro

 FROTA DE MAGALHÃES TERMINA VOLTA AO MUNDO

    Em 1522, Victoria, o último navio da frota de Fernão de Magalhães, chega a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, completando a primeira viagem de circum-navegação da Terra, a serviço da coroa espanhola, com 18 homens a bordo.

O objetivo de Magalhães não é dar a volta ao mundo. Quer descobrir um caminho marítimo para as Ilhas Molucas ou Ilhas das Especiarias, hoje parte da Indonésia, encontrar o caminho das Índias como quis Cristóvão Colombo. Portugal domina a rota pelo Sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança.

Magalhães estuda vários mapas e decide apostar numa passagem pelo sul da América do Sul para chegar ao Oceano Pacífico, descoberto por Vasco Núñez Balboa em 25 de setembro de 1513, ao atravessar o Istmo do Panamá.

O rei Dom Manuel I, o Venturoso, de Portugal, rejeita o projeto. Como domina a rota pela África, não se interessa, mas o rei, Carlos I, da Espanha, Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, provavelmente o homem mais poderoso do mundo no seu tempo, decide patrocinar a empreitada.

A frota de cinco navios com 250 homens a bordo zarpa de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. Magalhães comanda Trinidad, a nau-capitânia. Sai da Espanha rumo as Ilhas Canárias e passa pelo Arquipélago de Cabo Verde antes de cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro em dezembro de 1519.

Daí em diante, a situação piora. A primeira viagem de circum-navegação do planeta é um ato heroico, um inferno de doenças, fome e violência, observa o historiador britânico Jerry Brotton. 

Magalhães fica meses explorando a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o Pacífico sem sucesso. A expedição enfrenta um inverno rigoroso, os marinheiros passam fome e frio. As rações diminuem. Um navio naufraga em meio a uma tempestade e o maior, San Antonio, que tem mais comida, deserta e volta para a Espanha.

Entre motins, rebeliões, fome e sede, a expedição perde muitos homens nos primeiros seis meses. Em 28 de novembro de 1520, Magalhães atravessa o estreito batizado em seu nome. Chega ao oceano que chama de Pacífico porque suas águas parecem mais tranquilas, talvez por causa do fenômeno El Niño, enquanto o Atlântico é conhecido como Mar Tenebroso.

Mas os primeiros europeus a singrar aqueles mares não tem noção do tamanho do Pacífico, que cobre um terço da superfície do planeta, quase duas vezes o tamanho do Atlântico. Mapas errados e erros de cálculo transformam o trecho da viagem até as Molucas num pesadelo de mais de 100 dias de fome, escorbuto e mortes, comenta Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, na Espanha..

"Durante três meses e 20 dias, não conseguimos comida fresca", conta Antonio Pigaffeta em seu relato da viagem. "Comíamos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

"Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal."

Quando se dá conta do tamanho do Pacífico, Magalhães percebe que as Molucas não estão na metade da Terra destinada à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas com Portugal, em 1494, aprovado pelo papa Alexandre VI. Vai então para as Filipinas, onde faz contato com os chefes locais e vê que tem ouro.

Magalhães não completa a viagem. Tenta fazer uma política de alianças com os chefes. O rei da iIha de Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, não aceita. Magalhães e 40 espanhóis decidem invadir a ilha e enfrentam uma reação violenta. Ele morre em 27 de abril de 1521 nem Mactán. 

Com a morte, Juan Sebastián Elcano assume o comando da frota, que chega às Ilhas Molucas, objetivo incial da viagem, em 20 de novembro de 1521. Como acreditam não estar na parte espanhola do Tratado de Tordesilhas, carregam às pressas os dois últimos navios e tentam voltar à Espanha.

A dúvida é que caminho seguir. Trinidad, o navio comandado por Magalhães escolhe a rota pelo Pacífico. É capturado por navios portugueses. O navio Victoria, de Elcano, toma o caminho do Oceano Índico e contorna o Cabo da Boa Esperança, que os marujos chamam pelo nome antigo, Cabo das Tormentas. Do Timor até as Ilhas de Cabo Verde, eles não chegam a terra,

São obrigados a atracar em Cabo Verde, uma possessão portuguesa. Treze tripulantes são presos. Dos 250 marinheiros, só 18 voltam à Espanha quase três anos depois com apenas um navio.

PRESIDENTE ASSASSINADO

    Em 1901, o anarquista Leon Czolgozn atira no presidente norte-americano William McKinley (1897-1901) na Exposição Pan-Americana, realizada em Buffalo, no estado de Nova York. McKinley morre oito dias depois.

McKinley é o último presidente a lutar na Guerra da Secessão. Vai de soldado a major no Exército da União (Norte). 

No poder, leva os Estados Unidos à vitória na Guerra Hispano-Americana (1898), um golpe final no Império Espanhol, com a independência de Cuba, a colonização das Filipinas e a ocupação de Porto Rico, que hoje tem status de "Estado livre associado aos EUA", não é independente. Em 1898, os EUA também anexam a República do Havaí.

Ë uma época de grande crescimento econômico. Os EUA se tornam no fim do século 19 na maior economia do mundo ultrapassando o Reino Unido. Em 1900, McKinley introduz o padrão-ouro para controlar a inflação e consegue se reeleger.

Na época, é o terceiro presidente dos EUA assassinado no exercício do cargo, depois da Abraham Lincoln por John Wilkes Booth (1865) e James Garfield por Charles Guiteau (1881). John Kennedy seria morto por Lee Oswald em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Com a morte de McKinley, assume a Presidência o vice-presidente Theodore Roosevelt, considerado um dos presidentes mais importantes da história dos EUA.

PRIMEIRO TANQUE DE GUERRA

    Em 1915, um protótipo de tanque de guerra chamado Little Willie sai da linha de montagem na Inglaterra. Não é um sucesso no primeiro momento.


Ele pesa 14 toneladas, para nas trincheiras e se arrasta sobre terreno acidentado a uma velocidade de 2 km/h, mas o tanque de guerra evolui e se torna um elemento decisivo do campo de batalha.

O tanque é desenvolvido em resposta à guerra de trincheiras que marca a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Entra em combate na Batalha do Somme, em 15 de setembro de 1916. 

Na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o tanque exerce um papel dominante no campo de batalha. É um elemento central na blitzkrieg, a guerra-relâmpago em alta velocidade da Alemanha Nazista, com aviação e tanques de alta velocidade para romper as linhas de defesa do inimigo.

Depois da Batalha de Stalingrado (1942-43), talvez a mais importante da história, e da Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história, com 7.360 tanques soviéticos e 3.253 tanques alemães, o Exército Vermelho da União Soviética inicia uma contraofensiva que termina em Berlim com a vitória sobre o nazifascismo, em 8 de maio de 1945.

ALEMANHA LANÇA BOMBA V-2

    Em 1944, a Alemanha Nazista dispara pela primeira o míssil V-2, uma bomba voadora, contra um alvo aliado, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O foguete ou bomba voadora V-2 (Vergeltungswaffen-2 ou Bomba da Vingança-2) é um míssil balístico desenvolvido pelo cientista alemão Werner von Braun. Tem 14 metros de comprimento, pesa cerca de 13 toneladas no lançamento, viaja a até 80 quilômetros de altitude e tem um alcance de 320 km.

Paris é o primeiro alvo. Dois dias depois, as V-2 são lançadas contra Antuérpia e Liège, na Bélgica. Londres é impiedosamento bombardeada, 1.358 vezes, atrás apenas de Antuérpia com 1.610. Em 20 de junho de 1944, a V-2 atinge uma altitude de 175 km. É o primeiro foguete a atingir o espaço.

Mais de 3 mil mísseis V-2 são disparados até o fim da guerra e matam cerca de 9 mil pessoas. O último ataque é ao Reino Unido em 27 de março de 1945. Pelo menos 10 mil presos em campos de concentração de Mittelbau-Dora morrem em trabalhos forçados para fabricar as bombas voadoras na fábrica subterrânea de Mittelwerk. 

CRIADOR DO APARTHEID MORRE

    Em 1966, o primeiro-ministro da África do Sul Hendrik Verwoerd, que cria e implementa o regime segregacionista do apartheid, é esfaqueado mortalmente por um funcionário temporário do Parlamento considerado insano.

Wervoerd nasce em Amsterdã, na Holanda, em 8 de setembro de 1901. Quando tem dois anos, a família emigra para a África do Sul. Fica um tempo na Rodésia do Sul e depois volta para o Estado Livre de Orange, então parte da União Sul-Africana, um reino sob a coroa britânica.

Aluno brilhante da Universidade de Stellenbosch, se forma em psicologia e faz doutorado em sociologia na África do Sul. Vai para universidades alemãs em Hamburgo, Berlim e Leipzig. De volta ao país, em 1937, é contratado como editor-chefe de um jornal diário africâner, Die Transvaler, de Joanesburgo, no Transval, terra do ouro na África do Sul, uma grande riqueza do país, desde o século 19.

Deixa o jornal com a vitória do Partido Nacional nas eleições só para brancos de 1948, quando se elege senador. Em 1950, se torna ministros dos Assuntos Nativos e passa a criar a doutrina do "desenvolvimento separado" mais conhecida como aparheid por segregar a maioria negra e aplicá-la em todos os aspectos da vida sul-africana.

Em 31 de maio de 1961, Wervoerd proclama a República Sul-Africana, rompendo o último vínculo do país com o Império Britânico.

Alvo de dois atentados, a tiros em 16 de abril de 1960, em Joanesburgo, e o fatal em com facadas na Assembleia Nacional por Dimitri Tsafendas, um imigrante moçambicano revoltado com as políticas do apartheid que trabalha como carteiro temporariamente no parlamento e é declarado insano, mas cumpre a maior pena da história da África do Sul.

O apartheid só acaba em abril e maio de 1994, com a vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) e do líder histórico da luta contra a segregação, Nelson Mandela.

NAVRATILOVA PEDE ASILO

    Em 1975, a tenista tcheco-eslovaca Martina Navratilova, uma das maiores jogadoras da história, pede asilo político aos Estados Unidos.

Martina nasce em Praga em 18 de outubro de 1956, capital da Tcheco-Eslováquia, na época sob um rígido regime comunista de inspiração stalinista, e se torna a tenista mais vencedora da história, com 167 títulos, 18 grand-slams de simples, um recorde 31 de duplas femininas e 10 de duplas mistas.

Depois de perder a final do Torneio Aberto dos EUA de 1975 para sua amiga e rival Chris Evert, Navratilova pede asilo político. Em 1981, depois de ter a cidadania cassada pelo regime comunista, ela se torna cidadã norte-americana.

Lésbica assumida, é uma voz importante na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+.

FUNERAL DA PRINCESA

    Em 1997, poucos dias depois de sua morte, o funeral da princesa Diana, com discurso do irmão, Conde Charles Spencer, contra a família real britânica e participação do cantor e compositor Elton John, um amigo da princesa, na Abadia de Westminster, é uma cerimônia assistida na televisão por 2,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro.

A princesa seduz o mundo com sua beleza e sensibilidade um tanto estranha para a família real do Reino Unido. O casamento de contos de fadas na Catedral de São Paulo, em 28 de julho de 1981, ela casa virgem, vira um pesadelo na vida real. Lady Di se sente uma prisioneira de palácios frios onde tem de obedecer a uma disciplina rígida.

Com a crise do casamento, a princesa arruma outros namorados, seu instrutor de equitação, um médico e o playboy egípcio Dodi al-Fayed, filho do dono da loja de departamentos Harrod's, uma das melhores do Reino Unido.

A princesa morre como uma cinderela moderna, com sua carruagem virando abóbora na noite de Paris, a cidade mais romântica do mundo, como vê a crítica literária e intelectual norte-americana Camille Paglia.

Dodi pressiona o motorista e segurança Henry Paul, que está de folga e bebeu muito antes, a correr em seu Mercedes-Benz W140 para fugir dos paparazzi, os fotógrafos que perseguiam a princesa em busca de fotos exclusivas. Ele perde o controle do carro e bate em alta velocidade. É considerado o único responsável pelo acidente. Só o segurança da princesa sobrevive.

Diana e Charles se separam em 1992 e formalizam o divórcio em 1996. Então, quando morre, em 31 de agosto de 1997, Diana não tem mais nenhum vínculo legal com a família real britânica. Em nome da tradição, a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip não quer lhe dar um enterro com as honras da monarquia.

A comoção popular é enorme. "Ela era o princesa do povo", declara o primeiro-ministro Tony Blair, consagrando a expressão criada por seu assessor de imprensa, Alastair Campbell. O primeiro-ministro e o príncipe Charles tentam convencer a rainha, que está no Castelo Balmoral, na Escócia, em férias de verão. 

Milhares de pessoas. depositam flores, brinquedos e fotos de Diana nas grades do Palácio de Buckingham, em Londres, A população e os jornais populares esperam uma palavra do trono que só vem quando a rainha autoriza que o funeral seja realizado na Abadia de Westminster com todas as honras da famílias real. Como estrela da mídia Diana mudou a monarquia, trazendo-a para a realidade do fim de século. A mulher de seu filho William, herdeiro do trono, a princesa Kate Middleton, não casou virgem.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 5 de Setembro

 CONGRESSO CONTINENTAL

    Em 1774, em resposta a leis coercitivas impostas pelo Parlamento Britânico aos colonos norte-americanos, o Congresso Continental se reúne na Filadélfia com 56 delegados de todas as colônias, menos da Geórgia, e redige um projeto de declaração de direitos.

A revolta que leva à independência dos Estados Unidos começa em 1765, quando o Parlamento Britânico impõe a Lei do Selo, criando um imposto para financiar o exército colonial na América. As finanças do Reino Unido estão abaladas pela Guerra dos Sete Anos (1756-63), um conflito em quatro continentes entre os impérios britânico e francês, cada um com seus aliados.

Os colonos norte-americanos, que contribuem com recursos e vidas humanas para o esforço de guerra do Império Britânico, não aceitam os aumentos de impostos aprovados em Londres. A sessão do Primeiro Congresso Continental termina em 26 de outubro de 1774 com uma declaração de direitos dos colonos e ameaça de boicote econômico.

Seis meses depois, em 19 de abril de 1775, começa a Guerra da Independência (1775-83), com as Lexington e Concord, na colônia de Massachusetts. Os britânicos atacam as duas cidades para confiscar as armas dos colonos e sufocar uma possível revolta. Ao contrário do pretendem, deflagram a guerra 

Por ironia da história, a Guerra dos Sete Anos também foi uma causas da Revolução Francesa de 1789.

PERÍODO DO TERROR

    Em 1793, com exércitos hostis cercando a França, começa o Período do Terror da Revolução Francesa (1789-99), quando os jacobinos adotam medidas drásticas e fazem execuções em massa contra os supostos inimigos do novo regime, especialmente nobres e clérigos.

É a fase da Convenção Nacional (1792-95), a segunda da Revolução Francesa. Durante o Período do Terror, o Comitê de Salvação Pública, de 12 membros, liderado por Maximiliano Robespierre, exerce um poder ditatorial. Manda muito mais do que o rei durante a monarquia. 

Até a primavera de 1794, o comitê elimina os inimigos de esquerda, os hebertistas, e de direita, os indulgentes, liderados por George-Jacques Danton. Em 10 de junho de 1794, aprova uma lei que suspende os direitos a um julgamento público e de assistência jurídica. O júri passa a ter apenas duas opções: absolvição ou morte. Cerca de 1,4 mil pessoas são executadas sob esta lei.

O radicalismo leva à queda de Robespierre, em 27 de julho de 1794, marco do fim do Período do Terror. Ele é guihotinado no dia seguinte.

Ao todo, 16.594 pessoas são executadas depois de processos em tribunais revolucionários durante o Período do Terror, sendo 2.639 em Paris, inclusive a rainha Maria Antonieta, guilhotinada em 16 de outubro de 1793 na Praça da Concórdia. Entre 10 e 12 mil pessoas são executas sem julgamento, 10 mil morrem na prisão e outras em massacres promovidos por cidadãos. 

O total de mortes no Período do Terror pode chegar a 50 mil. Em toda a a revolução, cerca de 100 mil pessoas são mortas.

MORTE DE CAVALO DOIDO

    Em 1877, um soldado do Exército dos Estados Unidos mata com uma baioneta em Forte Robinson, no estado de Nebraska, o cacique Cavalo Doido, grande líder da resistência da tribo sioux, que se nega a ser confinado numa prisão militar.


Depois do Massacre de Sand Creek, em 1864, os sioux da tribo lakota se juntam aos cheyennes. Em 2 de agosto de 1867, Cavalo Doido ataca Wagon Box Fight na guerra do chefe Nuvem Vermelha. Quando os mineiros de Black Hill desrespeitam o Tratado de Forte Laramie (1868) e matou o índio Pequeno Falcão, Touro Sentado e Cavalo Doido fazem o primeiro grande ataque ao Exército dos Estados Unidos na Batalha de Arrow Creek, em agosto de 1872.

Em 17 de junho de 1876, Cavalo Doido chefia 1,5 mil índios em ataque às forças do general George Crook, na Batalha de Rosebud. É o início da Guerra Sioux.

Um ano antes de sua morte, em 25 de junho de 1876, ao lado de Touro Sentado, Cavalo Doido lidera os índios na maior vitória dos nativos contra o Exército nas Guerras Indígenas dos EUA, quando o general George Custer ataca acampamentos indígenas na Batalha de Little Big Horn. Morrem 265 homens do 7º Regimento de Cavalaria, inclusive Custer.

A maior batalha contra a cavalaria acontece em 8 de janeiro de 1877, em Wolf Mountain, no estado de Montana. Com seu povo esgotado e faminto, Cavalo Doido se rende ao general Crook em 5 de maio de 1877. Morre numa suposta tentativa de fuga.

NA ESTRADA

    Em 1957, é lançado o livro On The Road (Na Estrada), do escritor norte-americano Jack Kerouac, um clássico da literatura beat.

É o segundo romance de Kerouac, considerado sua obra-prima. Mistura a filosofia da transgressão, lirismo, amor por viagens e pela estrada como universo da aventura, liberdade sexual e loucura induzida por drogas. Tem grande influência na contracultura dos anos 1960.

O livro autobiográfico relata as viagens de carro pelos Estados Unidos de Dean Moriarty (Neal Cassidy) e Sal Paradise (Jack Kerouac), com uma incursão ao México, numa prosa espontânea escrita num fluxo de consciência, entorpecido por benzedrina e café, em abril de 1951, em apenas três semanas. Para não trocar o papel da máquina, Kerouac escreve num rolo de telex.

Com tradução do jornalista e escritor Eduardo Bueno, o livro é publicado no Brasil com o ridículo nome de Pé na Estrada, exigência do editor Caio Graco Prado.

MASSACRE EM MUNIQUE

    Em 1972, durante a Olimpíada de Munique, terroristas do grupo palestino Setembro Negro atacam a delegação de Israel na vila olímpica, matam dois atletas e tomam outros nove como reféns.

Os sequestradores exigem a libertação de dois terroristas alemães e de 230 árabes detidos em prisões israelenses.

Num tiroteio no aeroporto de Munique, morrem os nove reféns israelenses, cinco terroristas palestinos e um policial alemão-ocidental. 

Depois de uma homenagem aos mortos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decide prosseguir com os Jogos para não dar uma vitória aos terroristas do grupo Setembro Negro, cujo nome evoca um massacre de palestinos na Jordânia em 1970, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta tomar o poder no país.

FORD NA MIRA 

   Em 1975, Gerald Ford sobrevive a uma tentativa de assassinato quando agentes do serviço secreto dominam Lynette Fromme, uma mulher que puxa um revólver perto do presidente dos Estados Unidos, em Sacramento, a capital da Califórnia.

Fromme faz parte da gangue de Charles Manson, que matou a atriz Sharon Tate. Pega prisão perpétua.

Dezessete dias depois, outra mulher, Sara Jane Moore, perturbada mentalmente, tenta matar Ford em São Francisco e é impedida por um transeunte que pega seu braço quando ela levanta a arma.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Golpes militares marcam o fim da França-África

Desde 1990, dois terços dos golpes de Estado ocorridos na África foram em antigas colônias da França. Nos últimos cinco anos, oito foram em ex-colônias francesas. É o fim do arranjo negociado pelo general e presidente Charles de Gaulle com as elites políticas e econômicas locais para manter a influência da França depois da independência, em 1960.

Com a exceção do Gabão, as outras ex-colônias da França estão entre os países mais pobres do mundo, apesar de serem ricos em minérios, enfrentam o terrorismo de extremistas muçulmanos e estão numa das regiões mais atingidas pelo aquecimento global.

O Gabão é rico em petróleo e tem uma renda per capita quatro vezes acima da média da África Subsaariana. Há quase 56 anos, era um feudo da família Bongo. O líder do golpe, general Brice Oligui Nguema, primo do presidente deposto, foi empossado hoje pelo supremo tribunal do país. Prometeu anistia para presos políticos, eleições livres e uma nova Constituição, mas não marcou data. Meu comentário:

Hoje na História do Mundo: 4 de Setembro

QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    No ano 476 da era cristã, Flávio Odoacro, rei dos hérulos, uma tribo bárbara germânica, depõe Rômulo Augusto, último imperador do Império Romano do Oriente, pondo fim ao maior império do Ocidente na Antiguidade, que chega a ter mais de 60 milhões de habitantes.

O imperador Teodósio divide o Império Romano em 393 depois de Cristo em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Bizâncio. A partir de 410, Roma é saqueada três vezes, a primeira pelos visigodos sob o rei Alarico; a segunda em 455 pelos vândalos, quando o papa Leão I apela ao rei Genserico para que não destrua e cidade e mate seus habitantes; e a terceira por Odoacro. 

Depois da queda de Roma, o Império do Oriente (Bizantino) sobrevive até 29 de maio de 1453, quando é derrubado pelo Império Otomano (turco).

QUEDA DE NAPOLEÃO III

    Em 1870, depois da derrota na Batalha de Sedan, na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), dois dias antes, o imperador Napoleão III cai, é preso pela Alemanha e vai para o exílio no Reino Unido. É o fim do Segundo Império e o início da Terceira República da França.

Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasce em Paris em 20 de abril de 1808, filho de Luís I da Holanda, irmão de Napoleão Bonaparte. Com a queda do tio, em 1815, passa a juventude exilado na Alemanha e na Suíça. Vira herdeiro do trono após as mortes do irmão mais velho, Napoleão Luís, e de Napoleão Francisco, o Rei de Roma, filho de Napoleão I.

Depois da Revolução de 1848, Luís Napoleão se elege deputado. No mesmo ano, se torna o primeiro presidente da República Francesa eleito pelo voto direto. Como a Constituição Francesa de 1848 não permite a reeleição, dá um golpe de 2 de dezembro de 1851 e vira imperador em 2 de dezembro de 1852.

Seu reinado enfrenta forte hostilidade do escritor francês Vítor Hugo e do filósofo e economista alemão Karl Marx, que escreve O 18 Brumário de Luís Napoleão, um clássico de análise política.

Para recuperar a hegemonia francesa na Europa, Napoleão III entra na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Reino Unido e do Império Otomano (turco) contra a Rússia, que perde, e manda tropas com o Reino Unido para a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) contra a China.

Napoleão III apoia a Segunda Guerra da Independência da Itália (1859) contra o Império Austríaco, o que leva à criação do Reino da Itália em 1861. De 1859 a 1862, ele toma a Cochinchina, o sul do que hoje é o Vietnã, que passa a ser colônia francesa.

Ele aproveita a Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos, para intervir militarmente no México, que tem dívidas com a Espanha, a França e o Reino Unido. Derruba o presidente Benito Juárez, domina o país de 8 de dezembro de 1861 a 21 de junho de 1867 e envia Maximiliano da Áustria, irmão mais novo do imperador Francisco José e primo de Dom Pedro II, como imperador do México.

Com o fim da Guerra Civil Americana, os EUA apoiam Juárez. Maximilano é deposto e fuzilado em 19 de junho de 1867.

Seu último erro foi subestimar o primeiro-ministro da Prússia, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, que vence a Dinarmarca (1864), Áustria (1866) e a França (1870-71), e unifica a Alemanha em 1871, tornando-se o primeiro chefe de governo do novo país.

Com a derrota em Sedan, Napoleão III é preso no Castelo de Wilhelmshöhe de 5 de setembro de 1870 a 19 de março de 1871, quando vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em Chislehurst em 9 de janeiro de 1873.

GERÔNIMO SE RENDE

    Em 1886, depois de 30 anos de resistência à invasão de suas terras, o cacique apache Gerônimo se entrega ao Exército dos Estados Unidos, no fim das guerras indígenas no Sudoeste do país.

Gerônimo nasce em 16 de junho de 1829 em Bedonkohe, hoje parte do Novo México, na época parte do território mexicano, e se torna líder dos apaches chiricahua, que durante décadas guerreiam para resistir à internação dos indígenas em reservas. Ganha o apelido provavelmente dos mexicanos.

De 1858 a 1886, enfrenta repetidas vezes os exércitos do México e dos EUA. Quando se rende ao general Nelson Miles, em Skeleton Canion, no Arizona, seu bando tem apenas 38 pessoas, contando mulheres e crianças. É o fim das guerras dos apaches. Gerônimo fica preso durante 22 anos até morrer em 17 de fevereiro de 1909, no Forte Sill.

TV DE COSTA A COSTA

    Em 1951, o presidente Harry Truman participa da primeira transmissão de televisão de costa a costa nos Estados Unidos para anunciar a assinatura de um tratado com o Japão para acabar com a ocupação iniciada no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e restaurar a independência japonesa.

No pronunciamento, transmitido por 87 estações de 47 cidades, Truman declara que o acordo vai ajudar "a construir um mundo onde nossos filhos possam viver em paz". Com o início da Guerra Fria contra a União Soviética e a vitória da revolução de Mao Tsé-tung na China, Truman destaca a necessidade de um Japão forte e democrático.

O Congresso dos EUA aprova o tratado de paz em 20 de março de 1952.

MORTE DE HO CHI MINH

    Em 1969, a Rádio Hanói anuncia a morte do líder comunista Ho Chi Minh, o grande herói da luta pela independência do Vietnã. A Frente de Libertação Nacional suspende os combates da Guerra do Vietnã (1955-75) por três dias.

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebe uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã. 

MARK SPITZ CONQUISTA SÉTIMO OURO

    Em 1972, o nadador americano Mark Spitz vence a prova de de 400 metros quatro estilos, conquistando sua sétima medalha de ouro com o sétimo recorde mundial na Olimpíada de Munique, na Alemanha.

Spitz nasce em Modesto, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 1950. Aos dois anos de idade, a família se muda para o Havaí, onde ele aprende a nadar. Quatro anos mais tarde, Spitz volta para a Califórnia, onde é treinado por Sherm Chavoor, seu grande mentor. Aos 10 anos, mostra seu talento ao bater 17 recordes nacionais e um mundial para sua faixa de idade.

Em apenas cinco anos como profissional, conquistou 11 medalhas olímpicas: 9 de ouro, 1 de prata e uma de bronze. É o segundo maior nadador olímpico e o segundo em medalhas de ouro numa olimpíada (7), superado 36 anos depois pelo também norte-americano Michael Phelps, que conquisto oito ouros na Olimpíada de Beijim, em 2008

domingo, 3 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 3 de Setembro

RIO HUDSON

    Em 1609, em busca de uma passagem para a Ásia a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o navegador inglês Henry Hudson entra no que hoje é o porto de Nova York e sob o rio batizado com seu nome.

Na sua última viagem, também em busca de um caminho marítimo para a Ásia, é o primeiro europeu a chegar ao Estreito de Hudson e à Baía de Hudson. 

Em 1611, passa o inverno na Baía de São Jaime e tenta seguir no rumo oeste. Alvo de um motim da tripulação, é abandonado à deriva na região ártica com o filho e outros sete marujos e nunca mais é visto.

MORTE DE CROMWELL

    Em 1658, morre em Londres aos 59 anos Oliver Cromwell, líder da Revolução Puritana e do breve período republicano da história da Inglaterra.

Cromwell nasce em Huntingdon numa família da nobreza rural. As primeiras décadas de sua vida são pouco conhecida. Nos anos 1630, ele se converte ao protestantismo e se torna um homem profundamente religioso. Acredita que Deus o guia em suas vitórias.

É eleito para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 1628 pelo distrito de Huntingdon e por Cambridge para o Pequeno Parlamento (1640) e para o Longo Parlamento (1640-1649).

Na Guerra Civil, Cromwell se torna um mililtar e estadista, comandante das forças do Parlamento Britânico na Guerra Civil Inglesa contra o rei Carlos I (1625-49) e derruba a Dinastia Stuart. Um dos signatários da sentença de morte de Carlos I, executado em 30 de janeiro de 1649, vira Lorde Protetor (1853-58) da Commonwealth, como é chamado o governo republicano, e restaura o poderio do país, abalado desde a morte da rainha Elizabeth I (1558-1603).

Durante as Guerras Confederadas Irlandesas ou Guerra dos Onze Anos (1641-53), parte da Guerra dos Três Reinos (1639-53), travada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, Cromwell lidera as forças protestantes contra os monarquistas e a Confederação dos Católicos da Irlanda. Ele impõe uma série de leis penais contra os católicos, que são minoria na Inglaterra e na Escócia, mas ampla maioria na Irlanda, para onde faz uma imigração forçada de presbiterianos escoces que viram maioria no que hoje é a Irlanda do Norte.

Cromwell morre de malária no Palácio de Whitehall e é enterrado como herói na Abadia de Westminster. Com a restauração da monarquia, em 1660, seu cadáver é exumado, pendurado em correntes e decapitado.

Por seu radicalismo político, é comparado ao líder revolucionário francês Maximiliano Robespierre e ao ditador soviético Josef Stalin.

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, a bandeira dos Estados Unidos é usada pela primeira vez no campo de batalha, numa escaramuça com as tropas britânicas na ponte de Cooch, em Delaware, durante a Guerra da Independência (1775-83).

O general William Maxwell manda erguer a bandeira quando a infantaria e a cavalaria enfrentam uma força do Império Britânico. Os rebeldes perdem e se retiram até encontrar as tropas do general George Washington, comandante do Exército Continental.

A bandeira original, aprovada pelo Congresso Continental em 14 de junho de 1777, tem 13 listras horizontais, sete vermelhas e seis brancas, e 13 estrelas de cinco pontas contra um fundo azul no canto superior esquerdo. Cada listra e cada estrela representa uma das 13 colônias que formavam os EUA no momento da independência.

Com a entrada na União dos estados de Kentucky e Vermont, a bandeira passa a ter 15 listras e 15 estrelas. Depois, volta a ter apenas 13 listras e uma estrela para cada estado.

A bandeira atual, com 50 estrelas, depois da inclusão do Havai como 50º estado, é hasteada pela primeira vez à zero hora de 4 de julho de 1960 em Baltimore, no estado de Maryland.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1783, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a França assinam o Tratado de Paris reconhecendo a independência dos EUA.

A guerra começa em 19 de abril 1775, em Lexington, na colônia de Massachusetts, quando os colonos norte-americanos não aceitam a recusa o rei George III de lhes dar mais autonomia econômica e administrativa. Mais de um ano depois, em 4 de julho de 1776, os americanos declaram independência.

A última grande batalha é travada em outubro de 1781 em Yorktown, na Virgínia. A paz começa a ser negociada por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay, em setembro de 1782. Franklin pede que o Canadá seja entregue aos colonos americanos. Não consegue, mas com a guerra as 13 Colônias dobram o tamanho de seu território.

INVASÃO DA ITÁLIA

    Em 1943, sob o comando do marechal Bernard Montgomery, o 8º Exército Britânico cruza da ilha da Sicília para o território continental da Itália, iniciando a invasão aliada da Europa ocupada pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O governo que derruba o regime fascista de Benito Mussolini se rende imediatamente, mas a rendição fica em segredo até 8 de setembro. Mussolini sonha em reconstruir o poder e a glória do Império Romano, mas uma série de derrotas o deixa totalmente dependente da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Em 10 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília. Quando a notícia chega a Roma, em 25 de julho, Grande Conselho Fascista depõe Mussolini. No dia seguinte, assume o poder o marechal Pietro Badoglio, que negocia em segredo com os aliados.

Os alemães libertam Mussolini en 12 de setembro de 1943 e vão à guerra contra o governo Badoglio. Roma cai de novo em junho de 1944, quando os aliados se concentram na invasão da Normandia, no Norte da França.

Uma nova ofensiva aliada começa em abril de 1945. Mussolini é capturado, executado e pendurado de cabeça para baixo em 28 de abril, dias antes da rendição da Alemanha e do fim da guerra na Europa, em 8 de maio. 

sábado, 2 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 2 de Setembro

BATALHA DE ÁCIO

    Em 31 antes de Cristo, na Batalha de Ácio, na Grécia, as forças de Otávio conquistam uma vitória decisiva na guerra contra o general romano Marco Antônio, que foge para o Egito, onde comete suicídio no ano seguinte.

Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra nasce em 69 AC e se torna a rainha Cleópatra VII, do Egito, quando o pai morre, em 51 AC. Eles fazem parte de uma dinastia macedônia que assume o poder no Egito depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC. 

 Em 47 AC, começa uma guerra civil entre ela e o irmão. Roma, o maior país da Europa na época, também está em guerra civil entre Júlio César e Cneu Pompeu, ambos membros do Primeiro Triunvirato. Vencido por César na Grécia, Pompeu foge para o Egito, mas é morto por agentes do rei Ptolomeu XIII. 

César vai para Alexandria e decide impor a Pax Romana ao Egito. Cleópatra se alia a César para consolidar o poder no Egito. É entregue ao general romano enrolada num tapete. Linda e fascinante, ela seduz César e torna-se sua amante. Tem um filho com César, Cesarion. 

Quando César volta para Roma, Cleópatra e Cesarion vão junto. Ela vive discretamente numa casa de campo que o general tem perto da Cidade Eterna. Com a morte de César, em 44 AC, Cleópatra volta para o Egito e Roma cai em nova guerra civil, que termina em 43 AC com a formação do Segundo Triunvirato: Otávio, sobrinho e sucessor designado de Júlio César, o general Marco Antônio e Lépido. 

Marco Antônio, encarregado das províncias orientais do Império Romano, convoca Cleópatra para um encontro em Tarso, na Ásia Menor, em 41 AC. Ela chega numa balsa magnífica fantasiada de Vênus, a deusa do amor, e seduz mais um general romano. 

Em 40 AC, para emendar as relações Antônio volta a Roma e casa com Otávia, irmã de Otávio. Em 37 AC, ele se separa e encontra Cléopatra, que lhe dá dois gêmeos, na Síria. Partidários de Otávio o acusam de se casar com uma estrangeira, o que é proibido pela lei romana. 

Uma derrota militar em Pártia, hoje parte do Irã, em 36 AC, reduz o prestígio de Marco Antônio. Ele se reabilita ao vencer na Armênia em 34 AC, quando faz uma marcha triunfal em Alexandria ao lado da rainha, de Cesarion e de seus filhos. 

Em Roma, é acusado de querer entregar Roma nas mãos de estrangeiros. Otávio declara guerra a Cleópatra, e indiretamente a Marco Antônio, em 31 AC. Eles se enfrentam na Batalha do Ácio, uma batalha naval, na Grécia, em 31 AC. 

Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio se rendem, mas Otávio leva quase um ano para chegar a Alexandria e vencer Marco Antônio mais uma vez. Cleópatra se refugia no mausoléu que mandara construir para si mesmo. 

Ao ser informado erradamente da morte da rainha, Marco Antônio se suicida se jogando sobre sua espada, mas fica sabendo que ela está viva e é levado para morrer nos braços da amada. 

 A rainha do Egito não consegue seduzir mais um general romano e morre no mausoléu, oficialmente por suicídio, mordida por uma cobra, mas o historiador romano Plutarco, quem mais escreve sobre Cleópatra, diz: "O que aconteceu naquele mausoléu ninguém realmente sabe."

GRANDE INCÊNDIO DE LONDRES

    Em 1666, um incêndio na casa do padeiro do rei Carlos II, Thomas Farrinor, que esquece de desligar o forno, na Pudding Lane (Travessa da Sobremesa), atinge a Rua Tâmisa, onde há depósitos de combustível que explodem e transformam a cidade num inferno com a ajuda de um forte vento leste.


Quando o Grande Incêndio de Londres acaba, quatro dias depois, 80% da capital britânica estão destruídos. Por milagre, há apenas 16 mortes.

Na época, Londres é uma cidade medieval de casas de madeira. As casas dos pobres são vedadas contra a chuva por materiais inflamáveis como carvão, óleo para lâmpadas, bebidas alcoólicas e banha. As ruas são estreitas e as casas amontoadas. Tudo contribui para propagar o fogo.

MASSACRES DE SETEMBRO

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), começam os massacres de prisioneiros em Paris por medo de que os presos políticos se revoltem e se juntem às forças contrarrevolucionárias.

 
A revolução começa em 14 de julho de 1789, com a tomada da Bastilha, uma prisão que é um símbolo do antigo regime. De 20 a 26 de agosto, a Assembleia Nacional aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 10 de agosto de 1792, depois que o rei Luís XVI veta várias decisões da Assembleia Nacional, a Guarda Nacional da Comuna de Paris e federados da Bretanha e de Marselha assaltam a residência real no Palácio das Tulherias, que é defendida pela Guarda Suíça. O rei e a rainha se refugiam na Assembleia Nacional. Centenas de guardas e 400 revolucionários morrem na batalha.

Os massacres de 2 a 6 de setembro em Paris são a primeira onda de terror da revolução. A matança começa em 2 de setembro, quando um grupo armado ataca presos que estão sendo transferidos para a Prisão da Abadia, perto de Saint-Germain-des-Près. Em cinco dias, 1,2 mil prisioneiros são mortos, a maioria depois de julgamentos sumários num "tribunal popular".

A monarquia acaba formalmente em 21 de setembro, numa das primeiras decisões da Convenção Nacional (1792-95), a primeira assembleia eleita sem distinção de classe social, que funda a República no dia seguinte. O Período do Terror propriamente dito vai de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando cerca de 17 mil pessoas são executadas, inclusive os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e a rainha Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano.

GRANDE PORRETE

    Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt, um pioneiro do imperialismo norte-americano, diz a frase que o caracterizou, tirada de um provébio africano: "Fale suavemente e carregue um grande porrete. Você vai longe."

Doze dias depois, o presidente William McKinley é assassinado e T. Roosevelt  se torna o 26º presidente dos Estados Unidos (1901-9) aos 42 anos. É o presidente mais jovem da história do país. 

Durante seu governo, os EUA intervém militarmente em 1903 no Panamá, então parte da Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre conservadores e liberais, promovem a independência do Panamá e, em 1904, começam a construção do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1945, a bordo do navio de guerra americano USS Missouri, o ministro do Exterior, Mamoru Shigemitsu, e o general Yoshijiro Umezu assinam a rendição do Japão, formalizando o fim da Segunda Guerra Mundial. Ambos são condenados por crimes de guerra.

Os países do Sudeste Asiático que eram colonizados pelo Ocidente e foram invadidos pelo Japão na guerra começam a declarar a independência, a Indonésia em 17 de agosto e o Vietnã em 2 de setembro.

O Japão já negociava a rendição através da Suíça. Por causa do ataque japonês à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os EUA exigem a rendição incondicional do Japão.

Diante do custo em vida dos assaltos anfíbios às ilhas de Ivo Jima e Okinawa, o comando militar norte-americano estima que um ataque às quatro maiores ilhas japonesas custaria 1 milhão de vidas. 

O presidente Harry Truman decide, então, usar uma nova arma, a bomba atômica, jogada em 6 de agosto em Hiroxima e em 9 de agosto em Nagasaki, onde 140 mil pessoas morrem nos dias das explosões e mais de 300 mil até hoje de doenças causadas pela radiação. Em 15 de agosto, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 1º de Setembro

 INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1939, a Alemanha Nazista bombardeia o porto de Gdansk (Danzig para os alemães) e invade a Polônia com sua blitzkrieg, um ataque-relâmpago com aviação e tanques de alta velocidade, dando início à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Hitler quer recuperar territórios com base na tese nazista de que onde tem alemães é Alemanha. No Brasil, o comentário na época é que assim acabaria em São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Alega que os alemães são discriminados e atacados na Polônia.

O Exército da Polônia tem mais de 1 milhão de soldados, mas não tem condições de competir tecnologicamente com a Alemanha, e o Pacto Germano-Soviético, assinado nove dias antes, deixa a União Soviética neutra. O ditador Josef Stalin quer mais tempo para preparar a guerra contra Hitler, que considera inevitável.

Em 3 de setembro, em resposta à invasão da Polônia, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha. Depois de conquistar a Europa Ocidental, menos o Reino Unido, em 1940, Hitler invade a URSS em 22 de junho de 1941, seu maior erro, que o levaria à derrota. Mais de 80% das tropas alemãs são derrotadas na frente oriental.

KADAFI DÁ GOLPE NA LÍBIA

    Em 1969, o coronel Muamar Kadafi derruba o rei Idris I, se torna ditador da Líbia e impõe uma ditadura socialista que dura até a chamada Primavera Árabe, em 2011, quando é deposto e morto pelos rebeldes apoiados por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A descoberta de grandes jazidas de petróleo, em 1959, permitem ao Reino da Líbia se transformar de uma das nações mais pobres do mundo num país rico, mas a riqueza é concentrada pelo rei Ídris e sua corte.

O descontentamento aumenta com a ascensão do ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, líder do nacionalismo pan-árabe, e da revolução socialista na vizinha Argélia, que se torna independente da França em 1962 no fim de uma guerra sangrenta.

A Revolução de 1º de Setembro é realizada pelo Movimento dos Oficiais Livres, uma facção jovem, esquerdista e revolucionária liderada pelo coronel Kadafi, que funda a República Árabe Popular Socialista Líbia.

Kadafi se torna um dos grandes inimigos do Ocidente durante a Guerra Fria. Com seus petrodólares, financia grupos terroristas palestinos e até o Exército Republicano Irlandês (IRA), na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Fracassa em guerras contra os vizinhos Chade e Egito.

Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da companhia aérea norte-americana PanAm explode no ar sobre Lockerbie, na Escócia, matando todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo. Dois agentes líbios são acusados. Sob pressão internacional, Kadafi os entrega para julgamento na Holanda.

Durante a guerra do governo George W. Bush contra o terrorismo dos extremista muçulmanos, em 2003, um inimigo comum, faz um acordo com as potências ocidentais e entrega suas armas de destruição em massa.

Na Primavera Árabe, os protestos populares começam em 13 de fevereiro de 2011. Dois dias depois, o ditador inicia uma repressão violenta. Os rebeldes tomam Bengázi, a segunda maior cidade líbia. Quando Kadafi ameaça esmagar a revolta, o Conselho de Segurança da ONU aprova, em 17 de março, uma intervenção militar na Líbia. Kadafi cai em agosto e é assassinado em 20 de outubro.

FISCHER É CAMPEÃO MUNDIAL DE XADREZ

    Em 1972, Bobby Fischer vence em Reikjavik, na Islândia, o russo Boris Spassky e se torna o primeiro americano a ganhar o campeonato mundial de xadrez, acabando com o virtual monopólio da União Soviética.

Em plena Guerra Fria, o embate é enquadrado na grande competição estratégica entre os EUA e a URSS na segunda metade do século 20. Fischer não vai à cerimônia de abertura em 1º de julho. Exige mais dinheiro. Muda de ideia ao receber um telefonema do assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que lhe diz: "Os EUA querem que você vá lá e bata os russos."

A primeira partida é disputada em 11 de julho. A última, em 31 de agosto, é suspenda depois de 40 jogadas. No dia seguinta, Spassky abandona.

Fischer perde o título em 1975 para o soviético Anatoli Karpov por se negar a disputar as partidas depois de fazer exigências não atendidas.

URSS ABATE JUMBO SUL-COREANO

    Em 1983, a Força Aérea da União Soviética derruba um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando as 269 pessoas a bordo, inclusive um deputado federal dos Estados Unidos, Larry McDonald, vice-presidente da conservadora Sociedade John Birch, no auge da Segunda Guerra Fria, que começa com a invasão do Afeganistão pelos soviéticos, em 26 de dezembro de 1979.

O Jumbo vai de Anchorage, no Alasca, para Seul, na Coreia do Sul, por uma rota via Polo Norte e entra no espaço aéreo soviético. Outro deputado e dois senadores dos EUA deveriam embarcar no mesmo voo 007. Iam festejar os 30 anos do fim da Guerra da Coreia (1950-53). 

A URSS acusava os EUA de enviar aviões-espiões, as versões militares do Boeing, atrás de voos comerciais para iludir os radares. 

O piloto do avião de caça soviético consulta os superiores, mas não consegue contato com o comando central em Moscou. O oficial com quem fala aconselha: "Na dúvida, use o manual." E o manual manda abater aviões suspeitos.

Na época, os EUA estão prestes a instalar mísseis de curto e médio alcances na Europa Ocidental, em 1º de novembro, reduzindo o tempo de reação dos soviéticos. A Segunda Guerra Fria acaba com a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à chefia do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

RESTOS DO TITANIC

    Em 1985, 73 anos depois do naufrágio mais famoso da história, os restos do Titanic são localizados a cerca de 640 quilômetros da costa da Terra Nova, no Canadá, a uma profundidade de quase 4 mil metros.

O megatranstlântico, considerado insubmersível bate num iceberg em sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, e afunda na noite de 14 para 15 de abril de 1912. Mais de 1,5 mil pessoas morrem.