sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA e Israel bombardeiam Irã para derrubar o regime

 Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.

A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã. 

Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.

O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.

Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa. 

Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle. 

Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil. 

De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam. 

Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.

Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.

Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018. 

No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio. 

Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.

A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.

Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.

A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.

Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.

Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.

A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.

Hoje na História do Mundo: 28 de Fevereiro

JAPÃO INVADE JAVA

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Japão invade Java, a ilha que é o centro do poder político na Indonésia, e ocupa a então colônia holandesa até o fim da guerra.

O Japão é um país com escassez de recursos energéticos. Ocupa a região da Manchúria, no Norte da China, em 1931, para explorar as reservas de carvão para sua indústria. Em 1937, o Império do Japão invade o resto da China, não todo o país, o que seria impossível por causa do tamanho, mas as principais cidades próximas da costa.

Para cortar o fornecimento dos EUA à China de armamentos, combustível e outros materiais, o Japão invade, em 22 de setembro de 1940, a Indochina Francesa, que inclui o Vietnã, o Laos e o Camboja. Em resposta, os EUA impõe um embargo à venda de petróleo ao Japão.

Em plena guerra, o Japão precisa de petróleo. O ataque de surpresa à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, é a reação japonesa ao boicote à venda de petróleo e leva os EUA a entrar na guerra. O Japão precisa de mais petróleo ainda.

A Indonésia, grande produtora de petróleo, passa a ser um objetivo. Em março de 1942, os japoneses assumem o controle do país. 

Até o fim da guerra, ocupam todas as colônias europeias no Sudeste Asiático, até a Birmânia, mas não a Tailândia, que não era colônia, com extrema crueldade e ainda tem o desplante de afirmar que estão libertando os países asiáticos do colonialismo europeu. 

No fim da guerra, começa a luta desses países pela independência.

TERROR BRANCO

    Em 1947, um dia depois que um vendedor é atacado por um agente do governo do Kuomintang (Partido Nacionalista) em Taipé, uma revolta se espalha por Taiwan. O chamado Incidente 228 (28 de fevereiro) é violentamente reprimido, com milhares de morte e décadas de lei marcial.

A era do Terror Branco se torna ainda mais autoritária e repressiva a partir de 1949, quando o KMT perde a Guerra Civil Chinesa e se refugia em Taiwan. O governo persegue civis, especialmente dissidentes políticos. Prende, mata e desaparece com pessoas.

A lei marcial dura até 1992. O total de mortes é estimado entre 10 e 30 mil.

ESTRUTURA DO DNA

    Em 1953, os cientistas James Watson e Francis Crick, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, anunciam a descoberta da estrutura da molécula do ácido desoxirribonucleico (DNA), que compõe o código genético da humanidade, em forma de uma escada torcida como uma hélice dupla.

O DNA é descoberto em 1869 pelo bioquímico suíço Johann Friedrich Miescher, mas só em 1943 se entende sua importância na transmissão da herança genética. Através da difração, Watson e Crick revelam a estrutura molecular do DNA. Eles dividem o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962 com Maurice Wilkins.


ASSASSINATO DE OLOF PALME

    Em 1986, o primeiro-ministro sueco Olof Palme, um pacifista que se opôs à Guerra do Vietnã, é assassinado em Estocolmo.
Olaf nasce em 30 de janeiro de 1927 numa família rica. Ele estuda nos Estados Unidos e se forma em direito na Universidade de Estocolmo em 1951. Ativista do Partido Social-Democrata, torna-se secretário pessoal do primeiro-ministro Tage Erlander em 1953 e é eleito deputado em 1958.

Palme entra para o governo como ministro sem pasta em 1963 e ministro da Comunicação em 1965. Vira ministro da Educação e de Assuntos Eclesiásticos em 1967. Vira líder do partido e primeiro-ministro em 1969.

Por ser contra a intervenção militar dos EUA no Vietnã, acolhe jovens norte-americanos que se negam a ir para a guerra. Em 1976, cai quando os sociais-democratas perdem as primeiras eleições na Suécia em 44 anos.

Depois do acidente nuclear da usina de Three Mile Island, nos EUA, faz campanha bem-sucedida para fechar as usinas nucleares da Suécia. Volta ao poder em 1982 e governa o país até sua morte.

Christer Pettersson é condenado em julho de 1989 e sentenciado a prisão perpétua. A condenação é anulada em outubro do mesmo sob a alegação de que não é descoberta nenhuma arma nem motivo para o crime, Em 2020, um procurador sueco afirma ter "provas razoáveis" para acusar Stig Engström, que estava presente na cena do crime e tinha acesso ao tipo de arma usada no assassinato, mas Engström estava morto desde 2000, antes de ser denunciado. 

RENÚNCIA DO PAPA

    Em 2013, Bento XVI se torna o primeiro papa a renunciar desde Gregório XII, em 1415.
O cardeal Joseph Ratzinger representa a ala conservadora da Igreja Católica. Como prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, impõe o silêncio ao frei brasileiro Leonardo Boff e a outras vozes do setor mais progressista.

Como papa, é acusado de leniência diante dos escândalo de abusos sexuais cometidos dentro da Igreja. Com a saúde debilitada, Bento XVI decide renunciar e se torna papa emérito quando o Papa Francisco assume o comando do Vaticano.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Fevereiro

TERÇA-FEIRA GORDA

    Em 1827, um grupo de estudantes fantasiados e mascarados dança e desfila pelas ruas de Nova Orleans, na Louisiana na primeira celebração da Mardi Gras (Terça-Feira Gorda) nos Estados Unidos.

O Carnaval, a festa da carne que antecede à Quaresma, é uma tradição pagã incorporada pelo cristianismo ocidental que se propagou de Roma para a Europa e o resto do mundo.

INCÊNDIO DO REICHSTAG

    Em 1933, os nazistas tocam fogo no Parlamento da Alemanha (Reichstag), acusam os comunistas e o chanceler (primeiro-ministro) Adolf Hitler pede poderes especiais. É o grande golpe da ascensão do Nazismo.

O Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista) é o mais votado em duas eleições em 1932, no auge da Grande Depressão, quando o desemprego na Alemanha chega a 30%. Conquista 37% dos votos em 31 de julho e 33% em 6 de novembro.

Hitler é nomeado primeiro-ministro em 30 de janeiro de 1933. Quatro semanas depois, o Reichstag pega fogo. Os nazistas pressionam o presidente Paul Hindenberg, que baixa o Decreto do Incêndio do Reichstag, que suspende o direito de reunião, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e outras proteções constitucionais. Elimina todas as restrições a investigações policiais. Permite ao regime prender e encarcerar oposicionistas sem acusação formal. dissolver partidos políticos e confiscar propriedade privada.

Este decreto, que fica em vigor até a derrota da Alemanha Nazista, em 8 de maio de 1945, abre o caminho para a ditadura de Adolf Hitler, sacramentada no referendo de 19 de agosto de 1934, depois da morte do presidente Hindenburg, quando ele acumula os títulos e funções de chefe de Estado e chefe de governo e se torna o Führer. Sob intimidação, quase 90% votam para dar poderes absolutos a Hitler.

BRITÂNICO DESCOBRE RADIAÇÃO SOLAR

    Em 1942, o físico britânico James Stanley Hey nota uma estranha interferência ao operar radares do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Primeiro, acredita que são os alemães, mas depois percebe que começam ao amanhecer e param no pôr do Sol. Acidentalmente, descobre a radiação solar.

Astrônomos do Observatório Real confirmam que uma mancha solar está em atividade na superfície do Sol. Hey sabe que manchas solares são fontes de grande atividade magnética e que produzem ondas de radiação. Surge um novo campo de estudos, a astronomia das radiações solares.

A radiação solar interfere nos sistemas de satélites artificiais que cercam a Terra.

ATOLEIRO DO VIETNÃ

    Em 1968, durante o telejornal em horário nobre, o jornalista Walter Cronkite, considerado "o homem mais confiável dos Estados Unidos", abandona o tom imparcial em que apresenta as notícias para prever que a Guerra do Vietnã deve se prolongar com um impasse no campo de batalha. Seu comentário de que é uma luta invencível é decisivo na virada da opinião pública norte-americana contra a guerra.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a descolonização da África e da Ásia por movimentos de libertação nacional, os EUA, superpotência dominante do mundo capitalista, herdam como zonas de influência econômica dos antigos Impérios Britânico e Francês.

O Vietnã, declara independência quando o Império do Japão, que o ocupa durante a guerra, se rende, em 2 de setembro de 1945. A França, potência colonial da Indochina Francesa, resiste. Começa a Guerra da Indochina (1946-54), que termina com a derrota da França para os guerrilheiros comunistas do Viet Minh, sob a liderança de Ho Chi Minh, na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954.

Nas negociações de paz, em Genebra, na Suíça, o país é dividido em Vietnã do Norte, comunista, e Vietnã do Sul, capitalista, apoiado pelo Ocidente na Guerra Fria. Para reunificar o país, são previstas eleições em 1955. Diante da expectativa de vitória de Ho Chi Minh, os EUA suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina, Guerra do Vietnã ou Guerra da Resistência Antiamericana, como é chamada lá. Os EUA inicialmente, no governo Dwight Eisenhower (1953-61), mandam assessores militares. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há 2.800 assessores militares norte-americanos no Vietnã e alguns entram em combate.

O governo Lyndon Johnson forja o Incidente do Golfo de Tonkin para pôr os EUA na guerra. Em 2 de agosto de 1964, dois contratorpedeiros norte-americanos que estão no golfo enviam mensagem de rádio dizendo que foram atacados por forças do Vietnã do Norte. Johnson aproveita a história mentirosa para pedir autorização do Congresso para ir à guerra.

Os EUA não perdem a Guerra do Vietnã no campo de batalha. Perdem a batalha política na frente interna. A Ofensiva do Tet, no Ano Novo Lunar, a partir de 30 de janeiro de 1968, é um momento decisivo na guerra. É um ataque em três fases do Exército Popular do Vietnã do Norte e dos guerrilheiros do Vietcong contra as forças dos EUA e do Vietnã do Sul. Vai até 23 de setembro e revela a capacidade dos norte-vietnamitas e vietcongues de fazer ataques profundos no Vietnã do Sul.

Cronkite fala sob o impacto da Ofensiva do Tet.

FIM DA TEMPESTADE DO DESERTO

    Em 1991, o presidente George Herbert Walker Bush anuncia vitória na Guerra do Golfo e um cessar-fogo definitivo à meia noite pela hora de Washington, manhã do dia seguinte no Iraque e no Kuwait, onde a guerra é travada.


O ditador Saddam Hussein tem amplo apoio, dos Estados Unidos, da União Soviética e dos países árabes, na Guerra Irã-Iraque (1980-88) contra a Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, mas não consegue vencer e sai da guerra com graves prejuízos econômicos.

Saddam então chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, acusando-os de roubar petróleo de campos de petróleo em comum. Sem sucesso, em 2 de agosto de 1990, o Iraque invade o Kuwait. Saddam declara que o Kuwait é a 19ª província do Iraque.

Por medo de que o ditador iraquiano vá em frente e tome a Arábia Saudita, o que lhe daria 40% das reservas mundiais de petróleo, o presidente Bush manda soldados dos EUA para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ao mesmo tempo, exige a retirada incondicional dos iraquianos e a restauração do governo do Kuwait.

Os EUA formar uma ampla aliança de mais de 30 países e nove resoluções no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A última autoriza o uso da força. É a primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) que um país soberano invade outro e declara que o vizinho menor não tem o direito de existir.

Como Saddam não recua, os EUA vão à guerra em 17 de janeiro de 1991, na Operação Tempestade no Deserto. A guerra começa um intenso bombardeio aéreo, inclusive com as chamadas bombas inteligentes. São mais de 100 mil ataques com 88.500 toneladas de bombas.

 A invasão terrestre começa em 24 de fevereiro. Em 100 horas, 41 divisões do Exército do Iraque são aniquiladas e o resto se rende ou foge, tocando fogo nos campos de petróleo do kuwaitiano, usando uma arma ambiental na retirada. 

O comandante militar norte-americano, general Norman Schwarzkopf, quer marchar até Bagdá e depor Saddam Hussein, mas o presidente da França, François Mitterrand, é contra porque não está no mandato conferido pelo Conselho de Segurança da ONU. A guerra é para expulsar os iraquianos e restaurar o governo do Kuwait. Bush opta por não romper a coalizão e anuncia o fim da guerra.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Fevereiro

 NASCE VICTOR HUGO

    Em 1802, nasce em Besançon, na França, o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista pelos direitos humanos Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa.

Victor é o terceiro filho do major Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, que seria general de Napoleão Bonaparte, e de mãe monarquista. A lealdade do pai a sucessivos governos franceses o leva a viajar pela Europa numa vida caótica.

Com a queda de Napoleão, em 1815, Victor Hugo fica alguns anos em Paris, onde se forma em direito. Antes de se formar, em 1816, decide ser escritor. Já tem cadernos com poemas, traduções, especialmente de Virgílio, e uma peça de teatro.

A mãe o aconselha a criar uma revista, Conservateur Littéraire, onde Victor Hugo publica uma aclamada crítica ao poeta francês Alphonse de Lamartine. Em 1822, ele lança seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas.

Suas obras mais conhecidas são Notre-Dame de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862). 

FUGA DE NAPOLEÃO

    Em 1815, o imperador Napoleão Bonaparte foge do exílio na Ilha de Elba, para onde vai em 1814 depois de ser forçado a abdicar, retoma o poder ao voltar para Paris e governa a França pelo período conhecido como os Cem Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815, por uma aliança de Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia sob o comando do Duque de Wellington. Cai em 22 de junho.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte chega ao posto com 24 anos porque a Revolução Francesa de 1789 acaba com a aristocracia e os generais do Exército da França precisavam ter quatro gerações de nobreza. 

Em 1798, ele faz a campanha do Egito. Nas palavras do escritor russo Leon Tolstoy, em Guerra e Paz, sobre a fracassada campanha da Rússia, "resolveu matar africanos e matou tantos que quando voltou foi nomeado chefe de governo".

Num golpe em 9 de novembro de 1799, Napoleão torna-se primeiro cônsul da França e acaba na prática com a Revolução Francesa. Começa a era das guerras napoleônicas.

Depois da derrota do Grande Exército, de 600 mil homens, na campanha da Rússia, em 1812, Napoleão perde a Batalha de Leipzig em 19 de outubro 1813 para uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido e Suécia. Em 1814, os aliados invadem Paris. Napoleão é forçado a abdicar em 6 de abril e enviado para o exílio em Elba, onde chega em 4 de maio.

NASCE FATS DOMINO

    Em 1928, nasce em Nova Orleans, nos Estados Unidos, o cantor, compositor e pianista Fats Domino, um astro do rhythm and blues e do jazz, e um dos primeiros roqueiros. Vende 65 milhões de discos.

Filho de uma família musical, Antoine Dominique Domino aprende com o cunhado, o guitarrista Harrison Verrett. Ele começa a tocar em clubes na adolescência. Em 1949, é descoberto por Dave Bartholomew, um compositor, produtor musical e líder de banda, destaque da música de Nova Orleans, que se torna o arranjador de Domino.

Sua primeira gravação, Fat Man (1950), é o primeiro de uma série de sucessos que inclui Ain't That a Shame (1955), Blueberry Hill (1956), I'm Walkin' (1957) e Walking to New Orleans (1960). Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1986.

ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER

    Em 1993, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda explodem um caminhão-bomba no estacionamento da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.

Os terroristas usam como explosivo 606 quilos de nitrato de ureia. O plano é abalar os alicerces da Torre Norte para fazê-la cair sobre a Torre Sul derrubando as duas.

Quatro extremistas são condenados pelo atentado em março de 1994: Mahmud Abouhalima, Nidal Ayyad, Ahmed Ajaj e Muhammad Salameh. Em novembro de 1997, mais dois são condenados: Ramzi Yousef, considerado o idealizador do ataque, e Eyad Ismoil, o motorista do caminhão.

O dinheiro veio do tio de Yousef, Khaled Cheikh Mohammed, acusado de ser o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas do World Trade Center, o maior atentado terrorista da história, em que 2.977 pessoas morreram, 2.606 em Nova York.

VIDAS PRETAS IMPORTAM

    Em 2012, o adolescente negro desarmado Trayvon Martin, de 17 anos, é morto num condomínio em Sanford, na Flórida, pelo vigilante voluntário George Zimmerman, que alega legítima defesa e é absolvido.

A expressão "vidas pretas importam", que vira lema universal da luta contra o racismo e a violência policial, é usado pela primeira vez pela ativista Alicia Garza em 13 de julho de 2013 ao comentar a absolvição de Zimmerman.   

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Rússia fracassa em quatro anos de invasão da Ucrânia

Quatro anos depois da invasão da Ucrânia, a Rússia, considerada a segunda maior superpotência militar do planeta, não conquistou seus objetivos políticos. O ditador Vladimir Putin depende do presidente Donald Trump para obter na mesa de negociações o que não conseguiu no campo de batalha. É uma guerra que mudou o mundo. Trouxe de volta o risco nuclear com a chantagem atômica de Putin para pressionar o Ocidente a não apoiar a Ucrânia. Os dividendos da paz do fim da Guerra Fria acabaram.
É o pior conflito armado na Europa depois da Segundo Guerra Mundial e a mais longa guerra no continente em séculos. O total de mortos, feridos e desaparecidos é estimado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington em 1,8 milhão de militares (1,2 milhão russos e 600 mil ucranianos) com pelo menos 325 mil soldados russos e 140 mil soldados ucranianos mortos. As Nações Unidas estimam que pelo menos 15 mil civis ucranianos foram mortos, mas se acredita que o verdadeiro número seja muito maior, da ordem de dezenas de milhares.

Além disso, 9,6 milhões de ucranianos fugiram do país ou foram deslocados internamente. A Ucrânia perdeu até agora 20% de seu território  25% de sua economia e cerca de 20% de sua população. Quando a União Soviética acabou, em 1991, a Ucrânia tinha cerca de 50 milhões de habitantes. No começo desta guerra, era 44 milhões. Hoje a população é estimada em 35 milhões.

O presidente Volodymyr Zelensky declarou ontem que Putin não atingiu seus objetivos: "Defendemos nossa independência. Não perdemos nosso Estado. Preservamos a Ucrânia e vamos fazer de tudo para garantir a paz e a justiça."

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admitiu que a Rússia "não atingiu plenamente seus objetivos ainda, tanto que a operação militar continua."

Como Putin se nega a fazer qualquer concessão e Zelensky exige garantias de segurança e se nega a ceder territórios, as negociações não avançam. Trump, que sonha em ganhar o Prêmio Nobel da Paz, precisa entender que para acabar com a guerra é necessário conter o agressor e não a vítima.

Hoje na História do Mundo: 25 de Fevereiro

PAPA EXCOMUNGA ELIZABETH I

    Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.

Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.

Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.

Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.

Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.

Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.

Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.

Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.

A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I. 

É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.

Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.

NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON

    Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.

O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como TaxmanWhile My Guitar Gently WeepsHere Comes the Sun Something, a segunda música mais regravada dos Beatles, depois de Yesterday.

Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.

Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.

DENUNCIA DO STALINISMO

    Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.

Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.

Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero". 

"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético." 

Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamento, tirando-lhes a dignidade humana". 

Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater". 

Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade. 

Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos". 

Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais. 

Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados. 

O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente. 

 Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956. 

Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".

CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1964, aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado. É o início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.

Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1. 

Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.

Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.

Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.

Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratadas como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."

Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.

Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.

Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.

QUEDA DE FERDINAND MARCOS

    Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoia sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.

Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.

Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.

Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.

Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da ostentação e da corrupção.

A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.

Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes com a Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.

Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.

Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.

VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO

    Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.

Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.

Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.

Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financia os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.

Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.

Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Trump tenta convencer norte-americanos de que a economia vai bem

Num momento de grande impopularidade, com a aprovação de apenas 36%, a menor de seu segundo governo, o presidente Donald Trump fez hoje o Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, tentando convencer a nação de que vai tudo bem. Repete o erro de Joe Biden, ao ignorar as dificuldades econômicas da maioria da população.

Foi o mais longo Discurso sobre o Estado da União da história: uma hora e 47 minutos de insultos, mentiras, falsidades e autocongratulação com escassa relação com a verdade e uma postura mussolinesca de cabeça para trás e queixo empinado. 

"Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca", gabou-se Trump.

Como de costume, afirmou que recebeu o país em péssimas condições de Joe Biden e fez a maior reviravolta em apenas um ano. Mente que a inflação era a maior da história, que o país estava invadido por imigrantes ilegais e com dificuldade para recrutar militares.

"Agora, temos a fronteira mais segura da história dos EUA", afirmou, acrescentando que nos últimos 12 meses não entrou nenhum imigrante ilegal no país. "A entrada de fentanil caiu 56% e o índice de homicídios caiu como nunca, desde que meu pai nasceu. O governo Biden e seus aliados no Congresso nos legou a pior inflação da história", o que é mentira.

Em seguida, declarou que o país está recebendo investimentos de US$ 18 bilhões, o que ninguém acredita. "Recebemos de nossa nova aliada Venezuela 8 milhões de barris". Acrescentou que a produção dos EUA aumentou em 600 mil barris diários porque ele cumpriu a promessa de mandar "perfurar, perfurar e perfurar" novos poços de petróleo.

"Acabamos com [as políticas de] DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA", um sinal evidente de seu racismo e desprezo pelas minorias. Antes de Trump começar a falar, o deputado federal pelo Texas Al Green foi expulso do plenário por apresentar um cartaz com as palavras: "Negros não são macacos", uma referência ao vídeo divulgado pela Casa Branca em que o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, eram retratados como macacos.

"Estamos ganhando como nunca", falou ao convocar o time de hóquei sobre o gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. O time feminino de hóquei também ganhou ouro, mas se recusou a participar do evento de hoje no Congresso alegando problema de agenda.

Trump acusou os democratas de votar contra seu corte de impostos para ricos e grandes empresas como se beneficiasse o cidadão comum. Também criticou a Suprema Corte por ter derrubado o tarifaço de sua guerra comercial. Mentiu mais uma vez ao dizer que são os estrangeiros que pagam pelas tarifas de exportação. A delegacia do banco central em Nova York estimou que 90% das tarifas são pagas por consumidores e empresas norte-americanas.

O presidente culpou os democratas pelo alto custo de vida, um dos grandes problemas deste governo: "Os preços estão desabando. O preço dos ovos caiu 60%. Mesmo a carne, que estava muito cara, está caindo. A energia caiu a números que ninguém acredita." 

Ele responsabilizou o programa de saúde do governo Barack Obama de enriquecer as empresas de seguro-saúde. Mais uma falsidade. Até hoje, Trump não apresentou uma proposta para a saúde. Também alegou que está baixando os preços dos medicamentos como nunca. "Os outros presidentes prometeram, falaram, mas não agiram. Hoje, pagamos os menores preços do mundo por medicamentos." Falso. Falou em quedas de 400%, 500% e 600%, mas 100% seriam suficientes para zerar os preços.

Em mais um desafio à Constituição, citou a possibilidade de exercer um terceiro mandato.

Não há nenhum indício de fraude em massa em eleições nos EUA, mas Trump insiste que "a fraude é desenfreada em nossa eleições... Eles querem trapacear. Eles têm trapaceado. E suas políticas são tão ruins que a única maneira de serem eleitos é trapaceando e vamos acabar com isso." Mais um insulto à oposição.

Até hoje, Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020. Seus advogados e aliados fizeram 61 reclamações à Justiça. Em todos os casos, os juízes não viram elementos suficientes para abrir um processo.

Ele pede que todos os eleitores provem que não são imigrantes ilegais. Um estudo de seu Departamento de Segurança Interna, entre 49,5 milhões de eleitores, foram identificados cerca de 10 mil casos para maior investigação, 0,02% to total. Trump prepara maneiras de interferir nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado.

A seguir, inventou que um estado tentou mudar o sexo de uma menina na plateia. "Os democratas estavam destruindo nosso país, mas os paramos em cima da hora."

Trump se vangloriou de reduzir a violência nos EUA com sua política anti-imigrantes: "Deportamos imigrantes ilegais criminosos em número recorde", disse Trump. Na verdade, a maioria das pessoas detidas por agentes de imigração não têm condenação criminal. Seu governo deportou muito menos do que o governo Obama, com a diferença de que o democrata deportou criminosos.

Para defender a atuação de sua política de imigração fascistoide, apresenta família que perderam parentes em crimes cometidos por imigrantes. Mas a realidade é que imigrantes cometem muito menos crimes proporcionalmente do que cidadãos norte-americanos.

Quando Trump defendia sua política anti-imigração, a deputada federal por Minnesota Ilhan Omar, de origem somaliana, disparou: "Você matou norte-americanos", numa referência às mortes de Renne Good e Alex Pretti, baleados pela polícia de imigração em Mineápolis em janeiro.

O presidente se congratulou por acabar com oito guerras. Não acabou com nenhuma. No máximo, intermediou um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão sem resolver os problemas históricos entre os dois países.

Às vésperas de um possível bombardeio ao Irã, Trump acusou o regime dos aiatolás de terrorismo e de ter matado 32 mil iranianos na onda de protestos recentes. Insistiu na mentira de que erradicou o programa nuclear do Irã. Declarou que o Irã nunca poderá ter armas nucleares nem mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA no Oriente Médio.

"Minha preferência é resolver o problema diplomaticamente. Mas não se enganem, o maior patrocinador de terrorismo jamais poderá ter armas nucleares", ameaçou, ao defender sua estratégia de "paz através da força". Não revelou qual o objetivo de um possível ataque: acabar com o programa nuclear? Derrubar o regime? Proteger os manifestantes?

Ao falar dos "aliados e amigos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), citou o compromisso assumido de que cada país gaste 5% do produtos interno bruto com defesa a partir de 2035, o que exigiu para não retirar as forças dos EUA da Europa. Também se vangloriou de não mandar mais dinheiro para a Ucrânia: "Tudo o que estamos enviando para a Ucrânia fazemos através da OTAN e eles nos pagam." Os europeus compram armas e munições dos EUA.

Não esqueceu de falar do Hemisfério Ocidental, nome que usa para se referir à América, dizendo que garantiu a segurança e acabou com o tráfico de drogas através do mar. Em seu tom hiperbólico, chamou a captura e o sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro para levá-lo para julgamento nos EUA uma das operações militares mais espetaculares da história.

"Estamos trabalhando com a nova presidente Delcy Rodríguez para gerar ganhos extraordinários para os dois países". O futuro da Venezuela é incerto. Por enquanto, Trump conchava com o regime em troca de petróleo.

Em outro momento, convoca a primeira-dama Melanie Trump para condecorar um aviador que teria enfrentado aviões da União Soviética durante a Guerra da Coreia (1950-53).

A resposta democrata foi feita pela governadora da Virgínia, Abigail Spanberger. Ela declarou que Trump não se preocupa com a segurança e a situação econômica do cidadão comum, que nunca se viu tanta corrupção. Citou o enriquecimento de um presidente e sua família, inclusive com criptomoedas e outros negócios suspeitos, e o escândalo sexual de Jeffrey Epstein. 

A governadora lembrou sua eleição e outras que o Partido Republicano perdeu desde a posse de Trump e afirmou que o Partido Democrata vai ganhar as eleições intermediárias de 3 de novembro porque "nós trabalhamos para o povo."