quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria e a balança confiscadas pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e um total de seis desde então.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

EUA E CUBA REATAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

    Em 2014, depois de 53 anos, os Estados Unidos e Cuba anunciam o reatamento de relações diplomáticas.

Os EUA impõem um embargo econômico a Cuba, proibindo exportações, com a exceção de alimentos e medicamentos, em outubro fr 1960 por cauda da estatização da propriedades de norte-americanos pela revolução liderada por Fidel Castro e rompem com Cuba em 3 de janeiro de 1961, poucos dias antes do fim do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

No início do governo John Kennedy (1961-63), há a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, quando exilados cubanos tentam derrubar Fidel numa operação com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), numa articulação atribuída a Richard Nixon, vice-presidente de Eisenhower.

Em 3 de fevereiro de 1962, Kennedy amplia o embargo econômico a praticamente todo o comércio, o que persiste até hoje. O regime comunista culpa esse embargo pela crise econômica permanente.

No pior momento das relações bilaterais, a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba quase deflagra uma guerra nuclear. Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 dos EUA fotografa obras para a construção de silos para os mísseis da União Soviética, que lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, mas não desenvolve a tecnologia de mísseis intercontinentais como os EUA e fica atrás na corrida nuclear. Os mísseis em Cuba equilibrariam a balança. 

Dois dias depois, o presidente Kennedy recebe as fotos já analisadas pelos serviços de inteligência. Em 22 de outubro, decreta um bloqueio aeronaval a Cuba para impedir a chegada de novos mísseis e ameaça abordar navios soviéticos que tentem furar o cerco.

Quando os EUA se preparam para invadir Cuba, a URSS recua e concordar em retirar os mísseis em troca de um acordo tácito com para que os EUA não invadam Cuba. A Crise dos Mísseis acaba em 27 de outubro de 1962. Um telefone vermelho com uma linha direta para desarmar crises entre as superpotências é instalado na Casa Branca e no Kremlin.

Os EUA tentam matar Fidel mais de 600 vezes. O regime comunista cubano resiste com ajuda da URSS. Entra numa crise grave com o fim da URSS em 1991, o Período Especial, com racionamento rigoroso.

Em 23 de outubro de 1992, com a aprovação da Lei da Democracia em Cuba, mais conhecida como Lei Torricelli, o embargo passa a ser lei aprovada pelo Congresso dos EUA, o que significa que só o Congresso pode revogá-la. Endurece o embargo ao proibir filiais de empresas norte-americanas sediadas no exterior de comerciar com Cuba e impor restrições à ajuda humanitária. 

A Lei da Liberdade em Cuba e Solidariedade Democrática, mais conhecida como Lei Helms Burton. de 1996, torna o embargo ainda pior ao punir empresas que "trafiquem" com o que foi propriedade de norte-americanos e seus donos e executivos.

As negociações para o reatamento são intermediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco. As embaixadas são reabertas oficialmente em julho de 2015. Em março de 2016, o presidente Barack Obama faz uma visita histórica a Havana e se encontra com o ditador Raúl Castro.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

 LORDE PROTETOR

Em 1653, o militar e político Oliver Cromwell assume o poder no curto período republicano da história britânica como Lorde Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Governa como um ditador até a morte, em 3 de setembro de 1658, talvez envenenado.

Cromwell nasce em Huntingdon, na Inglaterra, em 25 de abril de 1599. É o único filho de Robert Crowmell e Elizabeth Steward. Por parte de pai, é descendente indireto de Thomas Cromwell, primeiro-ministro do rei Henrique VIII. Seu pai é latifundiário, juiz de paz e membro do Parlamento durante o reinado de Elizabeth I.

Calvinista convicto, acredita que é "o maior dos pecadores" até se considerar um "eleito de Deus". Nos seus 30 anos, vende suas terras e vira arrendatário de Henry Lawrence, que planeja emigrar para a Nova Inglaterra, mas desiste. Provavelmente, Cromwell iria junto.

Quando entra para a Câmara dos Comuns, ataca em 1628-29 os bispos de Carlos I. Protestante, não confia na hierarquia da Igreja Anglicana. Entende que todo cristão pode estabelecer contato direto com Deus através de orações e da Bíblia, sem necessidade de intermediários.

Reeleito em 1640 com o apoio de puritanos radicais do Condado de Cambridge, critica os aumentos de impostos e os monopólios da Coroa, mas sua principal oposição ao rei tem motivos religiosos. 

Em novembro de 1641, John Pym e aliados apresentam a Grande Remonstrância. É uma lista de mais de 200 demandas e reclamações, da censura aos bispos à corrupção do clero e à tirania e usurpação eclesiásticas. Exige o fim da imposição de impostos sem o consentimento do Parlamento. Repudia a promoção de reformas religiosas indesejadas, a injustiça dos tribunais e a não punição dos católicos.

A Grande Remonstrância é aprovada na Câmara dos Comuns em 22 de novembro de 1641 e não é enviada à Câmara dos Lordes antes de ser entregue ao rei, que a rejeita. Cromwell diz que, se não fosse aprovada pelos Comuns, deixaria a Inglaterra para sempre "no dia seguinte". Sua rejeição pelo rei é uma das causas da Revolução Puritana (1642-49) e da Guerra Civil Inglesa (1642-51) .

Durante a guerra civil, em 1643, Cromwell conquista reputação de ser um grande líder militar, capaz de organizar forças de combate. Nomeado coronel, organiza um regimento de cavalaria de primeira classe com uma disciplina rígida. Passa a ser conhecido como Velho Braços de Ferro.

Como um dos generais das forças protestantes do Parlamento, luta contra o rei Carlos I (1625-49), da Dinastia Stuart, católica e escocesa, decapitado em 30 de janeiro de 1649, e governa como um ditador absolutista até a morte. É sucedido pelo filho Ricardo, que não tem o mesmo carisma.

A monarquia é restaurada em 1660, quando o Parlamento convida o rei Carlos II (1660-85), filho mais velho de Carlos I, a voltar do exílio na França e ocupar o trono.

Em 1661, por ordem da Câmara dos Comuns, o cadáver de Cromwell é desenterrado, exumado e enforcado. O corpo é reenterrado sob a forca em Tyburn, hoje Marble Arch. A cabeça fica exposta publicamente no Palácio de Westminster até 1685.

Carlos II é sucedido pelo irmão Jaime II, derrotado pelo protestante holandês Guilherme de Orange na Revolução Gloriosa (1688-89), que o coroa como Guilherme II, estabelece a supremacia do Parlamento e aprova a Lei ou Carta de Direitos, sob a influência do filósofo John Locke, pai do liberalismo político.

A Carta de Direitos proíbe o rei de ascender ao trono, exercer o poder, criar impostos, aplicar a lei, impor multas excessivas, infligir punições cruéis e ilegais, e convocar e manter um exército permanente sem o consentimento do Parlamento. 

FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entra em três navios britânicos e joga no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA. O valor da carga de chá é de US$ 1,7 milhão pela cotação da época. Pela cotação de 2022, é estimado em US$ 18,6 milhões. 

O governo britânico está exaurido financeiramente pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não têm representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha o porto de Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obriga os colonos a alojar as tropas do rei George III. Está aceso o estopim da rebelião.

Na Guerra da Independência (1775-83), os colonos têm o apoio da França. Em 1783, no Tratado de Paris, o Reino Unido e a França reconhecem a independência dos EUA.

AFRICÂNERES MASSACRAM ZULUS

    Em 1838, sob o comando de Andries Pistorius, 464 voortrekkers (pioneiros em holandês) matam mais de 3 mil zulus na Batalha do Rio do Sangue, hoje parte da província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

A Grande Jornada é uma migração de colonos de origem holandesa (africâneres) da Colônia do Cabo para o interior do que hoje é a África do Sul iniciada em 1836. Leva à criação de várias repúblicas autônomas bôeres (do holandês boer, agricultor) como a República da África do Sul (Transvaal), o Estado Livre de Orange e a República de Natália.

Os voortrekkers, liderados por Piet Retief, migram para a Zululândia em 1837 e negociam um acordo com o rei Dingane para ocupar terras entre o Rio Tugela e Port Saint Johns. Em 6 de fevereiro de 1838, Dingane trai os pioneiros e mata a delegação, inclusive Retief, mas o tratado é encontrado entre seus restos mortais.

A Batalha do Rio do Sangue acontece porque o rei zulu Dingane desrespeita mais uma vez o acordo para conviver pacificamente com os voortrekkers. Com uma força muito maior numericamente, de 25 a 30 mil homens, o rei Dingane acredita que pode expulsar os pioneiros. Eles veem a vitória como um triunfo do cristianismo sobre a barbárie. O rio ganha este nome supostamente por ficar vermelho com o sangue zulu.

Em janeiro de 1840, com o apoio de Pistorius, o príncipe Mpande vence o rei Dingane na Batalha de Maqongpe e é coroado novo rei zulu. O Império Britânico conquista e anexa a República de Natália em 1843.

Na Guerra Anglo-Zulu, em 22 de janeiro de 1879, um exército de cerca de 20 mil africanos sem armas de fogo sob o comando de Ntshingwayo Khosa derrota uma força do Império Britânico de 1,8 mil homens na Batalha de Isandlwana. Depois de uma série de confrontos, os britânicos ganham a guerra na Batalha de Ulundi, derrotando o rei zulu Cetshwayo.

Em 1877, o Império Britânico anexa a República do Transvaal, onde há uma grande descoberta de ouro em 1886. A revolta dos colonos de origem holandesa causa a Guerra dos Bôeres (1899-1902), quando os britânicos consolidam o domínio sobre a região ao vencer o que chamam de "tribo branca da África", alegando que os bôeres haviam se tornado primitivos e inferiores, na visão imperialista, como os africanos negros.

INÍCIO DA BATALHA DE ARDENAS

    Em 1944, a Alemanha Nazista lança sua última grande ofensiva na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Começa numa floresta da região da Valônia, na Bélgica, a Batalha de Ardenas, que se estende para o Norte da França e Luxemburgo.


Depois da invasão da Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944, os aliados libertam a França, em agosto, e avançam rumo à Alemanha. Quase toda a cúpula militar alemã entende que deve concentrar suas tropas na frente oriental para deter a ofensiva do Exército Vermelho da União Soviética em direção a Berlim, menos o ditador Adolf Hitler.

Os objetivos dos nazistas são impedir que os aliados usem o porto de Antuérpia e dividir as linhas inimigas para tentar cercar e destruir quatro forças inimigas. Hitler, que assume o comando militar da Alemanha em dezembro de 1941, acredita que ainda pode forçar os aliados ocidentais a negociar a paz com as potências do Eixo. Assim, poderia se concentrar na guerra contra a URSS.

A Alemanha lança a Operação Vigília sobre o Vale do Rio Reno com um ataque de surpresa em 16 de dezembro, aproveitando o excesso de confiança dos aliados e a dificuldade de reconhecimento aéreo por causa do mau tempo no fim do outono.

Com o reforço do 3º Exército dos EUA, sob o comando do general George Patton, e uma enorme superioridade aérea, os aliados retomam Bastogne em 26 de dezembro de 1944. Em 3 de janeiro de 1945, começam a contraofensiva. A vitória vem em 28 de janeiro. Para os alemães, fica evidente que a derrota é inevitável. 

A União Soviética toma Berlim, em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa.

TALEBÃ DO PAQUISTÃO ATACAM ESCOLA

    Em 2014, a Milícia dos Estudantes (Talebã) do Paquistão ataca uma escola pública do Exército na cidade de Peshawar, matando 150 pessoas, sendo 134 crianças.

Sob a orientação do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes) nasce em 1994 no Afeganistão em reação à anarquia que toma conta do país depois do fim de 10 anos de invasão pela União Soviética, em 1989. As milícias extremistas muçulmanas que expulsam os soviéticos com o apoio dos Estados Unidos, da Arábia Saudita, da China e do Paquistão começam a brigar entre si.

A situação é tão caótica que inviabiliza as rotas de comércio entre Irã e Paquistão passando pelo Afeganistão. O serviço secreto militar do Paquistão cria a milícia extremista, formada por estudantes das madrassas, as escolas religiosas que só ensinam a língua árabe; os hádices, ditos do profeta Maomé; o Corão, o livro sagrado do islamismo; e a História do Islã. São os talebã, plural de taleb, estudante em árabe.

Sua ideologia mistura a tradição deobandista, o puritanismo wahabista (versão saudita do islamismo) e a cultura pastó, do povo que vive naquela região, que sempre ignorou a Linha Durand, traçada pelo Império Britânico em 1893 dividindo Afeganistão e Paquistão.

Dois anos depois da fundação, em 1996, os talebã tomam o poder em Cabul e impõe o integrismo muçulmano. Discriminam mulheres, proibidas de estudar e andar sem um parente masculino, obrigadas a sair na rua de burca, aquela roupa que cobre da cabeça aos pés e deixa seus olhos verem o mundo por um tecido rendado, homossexuais e homens que não se submetem ao rigoroso código de costumes do Ministério da Propagação da Virtude e Combate ao Vício, inspirado na polícia religiosa da Arábia Saudita.

Só a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão reconhecem o governo dos Talebã, que abriga a rede terrorista Al Caeda, fundada por Ayman al-Zawahiri e Ossama ben Laden em 1988 para, depois de combater a URSS, lutar contra os EUA.

Washington apoia veladamente o novo governo afegão e chega a dar dinheiro para o regime talebânico combater a produção de papoula e opioides. Em 1998, depois de atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, o presidente Bill Clinton manda bombardear os acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta do terror vem nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Pouco menos de um mês depois, os EUA invadem o Afeganistão, em três semanas derrubam o governo dos talebã. A maior parte da liderança d'al Caeda, inclusive Ben Laden, sobrevive à Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e foge para o Paquistão. Os EUA ocupam o Afeganistão durante 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável.

Os Talebã do Paquistão surgem como um braço dos Talebã do Afeganistão em 2007 em resposta a um ataque do Exército paquistanês contra Al Caeda em áreas tribais do país. No ano seguinte, o Paquistão declara a ilegalidade do grupo. Mais tarde, o acusa pelo atentado terrorista que mata a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder.

No ataque à escola, homens armados vestidos com uniformes da polícia de fronteiras entram no colégio, situado numa área de classe média, por volta das 10h00 e atiram indiscriminadamente para todos os lados. 

Em 2019, o grupo tem 3 e 4 mil milicianos. Quando os talebã retomam o poder no Afeganistão, em agosto de 2021, o Paquistão tem a expectativa de que vão ajudar a combater a milícia paquistanesa, mas os afegãos preferem mediar negociações.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Dezembro

 MORTE DE TOURO SENTADO

    Em 1890, a polícia mata numa reserva do estado de Dakota do Sul o cacique sioux Touro Sentado, um dos maiores símbolos da resistência indígena à colonização dos Estados Unidos por imigrantes europeus e seus descendentes.

Sua recusa em levar a tribo para uma reserva indígena leva à Batalha de Little Big Horn, em 25 de junho de 1876, quando sioux e cheienes liderados por Touro Sentado e Cavalo Doido derrotam o 7º Regimento de Cavalaria, comandado pelo general George Custer. É a última grande vitória dos índios nas Guerras Indígenas dos EUA.

EICHMANN CONDENADO

    Em 1961, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um oficial da SS, a milícia do Partido Nazista, encarregado da "solução final da questão judaica" no Holocausto, é condenado à morte em Telavive por um tribunal de crimes de guerra de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Em novembro de 1932, entra para a SS, encarregada de policiamento, inteligência e aplicação das políticas antissemitas. Ele sobe rapidamente na hierarquia.

Com a anexação da Áustria em 12 e 13 de março de 1938, Eichmann vai para Viena com a missão de livrar a cidade de judeus. Cria uma deportação. Em 1939, vai para a Tcheco-Eslováquia ocupada com a mesma missão e é indicado para a seção judaica do escritório central da SS, em Berlim.

Em 20 de janeiro de 1942, Eichmann participa da Conferência de Wannsee, em Berlim, que adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Cerca de 6 milhões, 60% dos judeus da Europa, são mortos até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Ele é capturado pelos Estados Unidos, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros e escapa do julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha. Com falsa identidade, viaja pela Europa e o Oriente Médio até chegar em 1950 à Argentina, onde se refugiam vários nazistas.

Em 1957, um procurador alemão informa Israel que Eichmann está na Argentina. O Mossad, serviço secreto de Israel, envia agentes que localizam o genocida em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Como Israel supõe que a Argentina não vai aceitar um pedido de extradição, decide sequestrar o carrasco nazista.

Israel aproveita o grande fluxo de turistas para a Argentina em 1960 para a festa dos 150 anos da revolução que leva à independência do país. Em 11 de maio, o Mossad prende Eichmann quando caminha para a casa depois de descer de um ônibus. A família o procura em hospitais, mas não avisa a polícia.

Em 20 de maio, drogado, Eichmann é embarcado num avião disfarçado como um aeronauta israelense que teria sofrido um trauma na cabeça num acidente. Três dias depois, o primeiro-ministro David Ben Gurion revela que Eichmann está sob custódia em Israel.

A Argentina exige a devolução, mas Israel argumenta que é um criminoso de guerra com crimes contra a humanidade. O primeiro julgamento televisionado da história começa em 11 de abril de 1961.

Eichmann é alvo de 15 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Em sua defesa, ele alega que apenas cumpria ordens, mas é condenado por todas as acusações em 15 de dezembro e enforcado perto de Telavive em 31 de maio de 1962.

REVOLUÇÃO ROMENA

    Em 1989, a polícia abre fogo contra uma grande manifestação de protesto na cidade de Timissoara, onde a maioria étnica é de húngaros, e deflagra a revolução que derruba a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu na Romênia.

Ceausescu é o ditador mais brutal dos regimes comunistas da Europa Oriental. No poder desde 1965,  ele retira a Romênia do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética. Condena das invasões de Tcheco-Eslováquia (1968) e do Afeganistão (1979).

Se adota uma política externa independente, internamente não tolera oposição ou qualquer dissenso. Para aumentar a taxa de natalidade, em 1966, proíbe o aborto e os anticoncepcionais. Em 1982, manda exportar grande parte das produções agrícola e industrial, o que causa escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, reduzindo o nível de vida da população. Ele também incentiva um culto da personalidade dele e de sua mulher, Elena.

Quando a polícia atira nos manifestantes em Timissoara, uma pessoa morre, mas um repórter da Agência de Notícias da Alemanha Oriental, que tinha feita sua revolução com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, reporta que 10 mil morreram.

Em 22 de dezembro, quando Ceausescu faz um comício em Bucareste, é vaiado pela multidão e os militares romenos aderem à rebelião. O ditador e sua mulher são presos. Depois de um julgamento sumário, são executados em 25 de dezembro.

REABERTA TORRE DE PISA

    Em 2001, a Torre Inclinada de Pisa, na Itália, é reaberta ao público depois de 11 anos de obras no valor de US$ 27 milhões para estabilizar a estrutura. Tem 56 metros de altura. É feita de mármore.

A construção da torre do sino começa em 1173 como terceira estrutura da catedral da cidade. Quando a obra está no terceiro dos oito andares, o solo começa a ceder, levando a uma inclinação da torre em 5,5 graus ou 4,5 metros. As obras conseguem reduzir a inclinação para menos de 4 graus.

FIM DA INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2011, o presidente Barack Obama, que sempre foi contra a invasão, retira as forças dos Estados Unidos e acaba com a guerra no Iraque.

A invasão do Iraque em 20 de março de 2003 é ordenada pelo presidente George Walker Bush sob o falso pretexto de que a ditadura de Saddam Hussein desenvolve armas de destruição em massa. O ditador cai em 9 de abril e Bush declara "missão cumprida" em 1º de maio de 2003.

Os EUA cometem vários erros, a começar pela invasão em si, inclusive a dissolução das forças de segurança do Iraque e de toda a máquina do Estado, dominada pelo partido Baath. Como o Iraque não resiste, as forças de Saddam vão para a clandestinidade com suas armas.

A alienação da minoria árabe sunita, que mandava no Iraque desde que o Império Otomano toma conta da região séculos atrás, provoca uma revolta contra o invasor, e a infiltração da rede terrorista Al Caeda agrava a situação, levando o presidente Bush a enviar um reforço de tropas em 2007.

Obama se elege em 2009 prometendo acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ao não conseguir apoio do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir a impunidade dos soldados dos EUA, Obama decide retirar as forças norte-americanas do Iraque.

No segundo governo Obama (2013-17), a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico, antiga Al Caeda no Iraque, depois Estado Islâmico do Iraque, Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Estado Islâmico, leva os militares dos EUA de volta ao Iraque em agosto de 2014.

Os EUA encerram suas missões de combate em 9 de dezembro de 2021, mas ainda mantém 2,5 mil soldados no Iraque. Suas bases militares são alvo de milícias apoiadas pelo Irã desde o início da atual guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

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domingo, 14 de dezembro de 2025

José Antonio Kast é eleito presidente do Chile

O candidato de extrema direita José Antonio Kast, do Partido Republicano, foi eleito presidente do Chile hoje em segundo turno. Com 83% das urnas apuradas, ele soma 58% dos votos válidos contra 42% para a comunista Jeannette Jara, que reconheceu a derrota. Trinta e cinco anos após a queda da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Ex-deputado e advogado, católico praticante, pai de 9 filhos, Kast conquista a Presidência aos 59 anos, na terceira tentativa. Sua campanha se concentrou na luta contra a criminalidade e a imigração ilegal, ligando uma à outra. Ele promete deportar 340 mil imigrantes ilegais, na maioria venezuelanos. É contra o casamento gay e contra o aborto mesmo em caso de estupro.

O Chile está longe de ser um dos países violentos da América Latina, mas o índice de homicídios mais do que dobrou na última década, de 2,3 para cada 100 mil habitantes em 2015 para 6,7 em 2022 e 6,3 em 2023. 

No Haiti, que vive em estado de anarquia, com gangues dominando 80% da capital, o índice sobe para 62. Depois, vem Equador (38,8), Venezuela (26,2), Colômbia (25,4), Honduras (25,3) e Brasil (21,2).

Jeannette Jara, de 51 anos, foi ministra do Trabalho do presidente Gabriel Boric, que entrega o poder em março. Na campanha, prometeu aumento do salário mínimo e a consolidação da previdência social. Quando os chilenos foram às ruas numa onda de protestos em 2019, as pensões miseráveis dos aposentados foram uma das causas. Foi o suficiente para vencer o primeiro turno, em 16 de novembro, por 27% a 24%. Mas sua derrota era prevista porque os candidatos de direita somaram 70% dos votos.

"A democracia se expressou alta e fortemente", Jara escreveu numa rede social ao reconhecer a derrota. Ela cumprimentou o presidente eleito e lhe desejou boa sorte.

Kast é admirador de Pinochet e diz que o ditador votaria nele, mas evitou falar no assunto durante esta campanha. Em 2021, uma reportagem revelou que o pai dele, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista, de Adolf Hitler.

Desde a primeira eleição do bilionário Sebastián Piñera, em 2009, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile. Então, a questão é se há uma nova onda de vitórias da direita e da extrema direita na América Latina – e a direita é favorito no ano que vem na Colômbia e no Peru – ou se é apenas uma rejeição ao governo do dia, seja ele qual for.

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Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

 NASCE A FÍSICA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. 

Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. 

Fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial e é substituída no pós-guerra pela Organização das Nações Unidas.

LONDON CALLING

    Em 1979, a banda de punk rock britânica The Clash lança seu álbum de maior sucesso, London Calling.

The Clash é considerada a segunda banda mais importante do movimento punk, atrás apenas dos Sex Pistols, mas musicalmente é muito superior. A formação clássica tem Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon.

Se os Sex Pistols são niilistas que querem destruir tudo, The Clash é uma banda militante marxista que quer fazer do rock and roll uma arma na luta de classes. No início, é considerado nos Estados Unidos um rock cru, duro, rústico e bruto. London Calling tem influências do reggae e do rhythm and blues. O primeiro compacto de sucesso do Clash nos EUA é Train in Vain (Stand by Me).

Em 1980, The Clash lança o álbum triplo Sandinista, uma homenagem à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derruba a ditadura de Anastasio Somoza e toma o poder na Nicarágua em 1979.

As tensões internas e as contradições entre o discurso revolucionário e o machismo do punk rock levam à saída de Mick Jones, que cria sua própria banda, Big Audio Dinamite. The Clash ainda lança mais um álbum, sem sucesso, e se dissolve em 1986.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia, em 16 de abril de 2007.

O presidente Barack Obama propõe mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado veta.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança é invenção. Jones é condenado a pagar US$ 1,5 bilhão em indenizações às famílias das vítimas.

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sábado, 13 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Dezembro

DRAKE PARTE PARA VOLTA AO MUNDO

    Em 1577, com 5 navios e 164 homens, o corsário inglês Sir Francis Drake zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para saquear colônias da Espanha na costa leste da América Latina e explorar o Oceano Pacífico. Termina por se tornar o primeiro comandante a completar a volta ao mundo porque o português Fernão de Magalhães morrera nas Filipinas, em 1521, sem concluir a primeira viagem de circunavegação da Terra, finalizada por Juan Sebastián Elcano.

Drake nasce por volta de 1540 em Tavistock. É o mais velho de 12 filhos. Aos 20 anos, é capitão de navio. Subcomandante da esquadra que derrota a Armada Invencível da Espanha em 1558, começa a trabalhar em 1368 como corsário (pirata real) para a rainha Elizabeth I.

Na circunavegação, atravessa o Estreito de Magalhães e ataca colônias espanholas ao longo da costa do Oceano Pacífico. O rei Felipe II, da Espanha, o acusa de pirataria e oferece 20 mil ducados (US$ 8,8 milhões pela cotação atual) por ele vivo ou morto.

Para reparar seu navio, o Golden Hind (Corça Dourada), ancora onde hoje é a Califórnia. Em junho de 1579, Drake reivindica a posse daquelas terras, que chama de Nova Albion, pela coroa da Inglaterra. É o primeiro a fazer isso em território hoje pertencente aos EUA.

Drake segue rumo ao Norte em busca de uma passagem para voltar à Europa. Sem encontrar, volta pelo Pacífico até chegar às Índias Orientais. Passa pelo Oceano Índico até chegar ao Atlântico. Em 26 de setembro de 1580, volta a Plymouth. No ano seguinte, é nomeado cavaleiro pela rainha.

Sua maior façanha talvez seja como subcomandante na vitória sobre a Invencível Armada da Espanha, uma tentativa do rei Felipe II de invadir a Inglaterra, em julho e agosto de 1588, sob o comando de Alonso de Gusmán y Sotomayor, 7º Duque de Medina Sidônia, um aristocrata sem experiência em combate.

Conta a lenda que Drake joga boliche no porto de Plymouth e diz que há tempo de sobra para terminar o jogo e derrotar os espanhóis. Espera a maré alta para lançar o ataque. Esta história não é confirmada.  

Drake persegue e captura no Canal da Mancha o navio Nuestra Señora del Rosario, que leva dinheiro para pagar o Exército espanhol baseado na região de Flandres, nos Países Baixos, que pertenciam à Espanha.


Na noite de 7 para 8 de julho, Drake e o comandante, Lorde Charles Howard, tocam fogo em navios e os enviam na direção da frota espanhola, que é obrigada a sair às pressas do porto de Calais, na França, é derrotada na Batalha de Gravelines e foge dando a volta pelo Norte da Escócia e a Irlanda, onde tempestades ajudam a completar a derrota. Dos 122 navios espanhóis que entram no Canal da Mancha, 87 voltam à Espanha.

Em 1589, ele recebe uma missão tripla: destruir a frota atlântica da Espanha, em reparos em La Coruña; ir a Lisboa fomentar uma revolta contra o Domínio Espanhol (desde 1580, Felipe II era rei da Espanha e de Portugal); e tomar os Açores para instalar uma base militar permanente.

A derrota em La Coruña custa as vidas de 12 mil homens e a perda de 20 navios. É a Contra-Armada. Drake é rebaixado a comandante da defesa da costa de Plymouth. Durante seis anos, não comanda nenhuma expedição naval.

Em 1595, Drake tenta tomar Las Palmas, nas Ilhas Canárias, cruza o Atlântico e ataca Porto Rico, onde perde a Batalha de São João. Tenta conquistar o porto do Panamá, onde partiam os galeões espanhóis carregados das riquezas do Peru, transportadas através do Istmo do Panamá em lombo de mula, e fracassa outra vez. Morre de desinteria em Colón, no Panamá, em 28 de janeiro de 1596.

ESTUPRO DE NANQUIM

    Em 1937, o Império do Japão invade a cidade de Nanquim, na época capital da República da China, e inicia um massacre de seis semanas em que pelo 150 mil "prisioneiros de guerra" e 50 mil civis são mortos, e 20 mil meninas e mulheres são violentadas sexualmente. Ao todo, estima-se que 300 mil chineses foram mortos no Estupro de Nanquim, uma atrocidade que até hoje marca as relações entre os dois países.

O Japão invade a região da Manchúria, no Nordeste da China, em 1931, rica em carvão, e ataca Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, em agosto de 1937. A cidade resiste até meados de novembro. 

Para quebrar a força moral do inimigo, em 1º de dezembro, o general japonês Iwane Matsui manda destruir Nanquim. 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Tribunal Militar Internacional de Crimes de Guerra de Tóquio estima que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas em Nanquim e condena Matsui à pena de morte.

DECRETADO O AI-5

    Em 1968, um dia depois que o Congresso nega autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, que havia exortado as mulheres a não dançarem com militares em 7 de setembro, o ditador Artur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional Nº 5, que abole o direito de habeas corpus, aumenta a tortura, os sequestros e assassinatos políticos, impõe a censura e transforma o Brasil numa ditadura militar fascista.

O AI-5 é um golpe dentro do golpe. É o período mais sombrio do regime militar instaurado em 1964, com a deposição do presidente João Goulart. A ditadura fecha o Congresso, passa a governar por decretos-leis, ignora a Justiça e se arroga o direito de demitir qualquer funcionário público.

É o mais violento dos 17 atos institucionais da ditadura. Imediatamente, 500 pessoas perdem os direitos políticos, 5 juízes, 4 senadores e 95 deputados são cassados.

Em 1973, a Guerra do Yom Kippur, entre Israel e países árabes, causa a primeira crise do petróleo, que acaba com o milagre econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, com sindicatos proibidos de defender os trabalhadores e de lutar por melhores salários.

No ano seguinte, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "abertura lenta, gradual e segura". Com a crise do petróleo, o governo perde o apoio da classe média e as eleições para o Senado em 16 dos 22 estados em 1974.

A censura prévia à grande imprensa acaba em 1977. O AI-5 é revogado em 31 de dezembro de 1978, depois de 10 anos de tirania.

GOLPE NA POLÔNIA

    Em 1981, o general Wojciech Jaruzelski, primeiro-secretário do Partido Operário Unificado Polonês (comunista) e primeiro-ministro da Polônia, decreta lei marcial e coloca na ilegalidade o sindicato livre Solidariedade, liderado por Lech Walesa, reconhecido pelo regime no ano anterior. Walesa é preso.


A lei marcial é suspensa em 1982 e Walesa é libertado. Três anos depois, Mikhail Gorbachev se torna secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika). Jaruzelski inicia reformas, mas é repudiado.

A Polônia é o primeiro país do Bloco Soviético a realizar eleições democráticas, em 4 e 18 de junho de 1989, mas o Solidariedade só é autorizado a disputar 35% das cadeiras. Conquista todas, menos uma, que fica com um candidato independente.

Como os comunistas mantém a maior parte das cadeiras, Jaruzelski é eleito presidente indiretamente em 19 de julho de 1989, mas é obrigado a ceder o poder em 22 de dezembro de 1990 a Walesa, primeiro presidente polonês eleito democraticamente.

GORE RECONHECE DERROTA

    Em 2000, depois de uma batalha judicial em torno da apuração dos votos da Flórida que chega à Suprema Corte, o vice-presidente Albert Gore Jr. reconhece a vitória de George Walker Bush na eleição presidencial, a primeira e única no século 20 em que o candidato vencedor no voto popular perde no Colégio Eleitoral.

Fortes suspeitas de fraude pesam sobre a eleição. No sistema político norte-americano, uma verdadeira federação, a eleição é organizada pelos estados. 

A Flórida, o estado decisivo, é governada por Jeb Bush, irmão do candidato republicano. A secretária de Estado da Flórida, encarregada da eleição, chefia a campanha de Bush.

Há o voto borboleta, em que a ordem dos candidatos na cédula confundem o eleitor, máquinas de perfurar cartões com a perfuração imperfeita. No fim, Bush vence por 537 votos na Flórida e perde por 543.895 no voto popular no país inteiro, mas ganha no Colégio Eleitoral por 271 a 266 por causa dos 25 votos eleitorais da Flórida.

O Tribunal de Justiça da Flórida manda recontar os votos. A Suprema Corte suspende a recontagem, o que leva o ministro John Paul Stevens a afirmar que, "embora talvez nunca saibamos com total certeza a identidade de quem venceu a eleição presidencial de 2020, a identidade do perdedor é perfeitamente clara. É a confiança no juiz como guardião do Estado de Direito."

Mesmo discordando da decisão da Suprema Corte, Gore aceita o resultado porque "o rancor bipartidário deve ser posto de lado". Quanta diferença para os dias de hoje, quando o ex-presidente Donald Trump se recusa a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020 e tenta dar um golpe de Estado para evitar a ratificação pelo Congresso da votação no Colégio Eleitoral. Até hoje, depois de voltar à Casa Branca, ainda insiste na mentira que houve fraude.

"Aceito o resultado final, que será ratificado na segunda-feira pelo Colégio Eleitoral", declarou Gore na televisão. "Nesta noite, por nossa unidade como povo e por nossa força como democracia, ofereço minha concessão."

SADDAM HUSSEIN PRESO

    Em 2003, oito meses depois de ser derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, o ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit é preso por forças norte-americanas.

Saddam nasce em Tikrit em 1937. Quando adolescente, vai para Bagdá, onde entra para o Partido Baath, um partido socialista árabe aliado da União Soviética na Guerra Fria, e participa de várias tentativas de golpe até instalar um primo no poder em 1968.

O ditador conquista o poder absoluto em 16 de julho de 1979, quando 14 pessoas são executadas publicamente em Bagdá. Em 22 de setembro de 1980, inicia uma guerra contra a República Islâmica do Irã.

Apesar do apoio dos Estados Unidos, da URSS e dos países árabes, a Guerra Irã-Iraque termina num impasse, em 20 de agosto de 1988, com um total de mortes estimado em até 1 milhão de pessoas.

Com a economia abalada pela guerra, Saddam pressiona as monarquias petroleiras árabes em busca de dinheiro. Sem sucesso, invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 e ameaça a Arábia Saudita.

Os EUA e aliados reagem e formam uma grande aliança de mais de 34 países, inclusive muçulmanos. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos são expulsos do Kuwait. Saddam não cai e massacra rebeldes curdos e xiitas que desafiam sua autoridade no fim da guerra, esperando apoio da aliança anti-Saddam. 

O Iraque é submetido a um rigoroso regime de sanções pelas Nações Unidas para acabar com os programas de desenvolvimento de armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quais o Iraque não teve qualquer participação, o presidente George W. Bush coloca o país num "eixo do mal", ao lado da Coreia do Norte e do Iraque no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002. 

Sob o falso pretexto de Saddam tinha armas de destruição em massa, os EUA e alguns aliados invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam o ditador em 9 de abril, gerando uma situação de caos e anarquia em que se infiltra a rede terrorista Al Caeda, responsável pelo 11 de setembro. Al Caeda no Iraque se transformaria no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo terrorista ainda mais feroz do que Al Caeda.

Preso, Saddam é condenado e executado em 30 de dezembro de 2006. As armas de destruição em massa jamais são encontradas.

GRETA PERSONALIDADE DO ANO

    Em 2019, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, é escolhida Personalidade do Ano da revista Time por sua luta contra o aquecimento global. É a primeira pessoa nascida no século 21 a receber a honraria.

Depois de convencer os pais a virarem veganos, reduzir sua pegada de carbono e evitar viagens aéreas, Greta promove greves de estudantes do ensino médio para pressionar as autoridades e os adultos. Logo, é convida a discursar em eventos e afirma: "Nossa casa está pegando fogo".

Em agosto de 2019, Greta atravessa o Oceano Atlântico num navio movido a energia solar e depõe no Congresso dos Estados Unidos com um discurso contundente: "Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Mesmo assim, sou uma das sortudas. Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa. E tudo o que vocês conseguem dizer é sobre dinheiro e o conto de fadas do crescimento econômico eterno. Como vocês ousam?"

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