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segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 12 de Dezembro

RADIODIFUSÃO TRANSATLÂNTICA

    Em 1901, o físico italiano Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio ou rádio, faz a primeira transmissão transatlântica, desafiando os que consideram impossível.

Por causa da curvatura da Terra, os críticos imaginam que as ondas de rádio seriam captadas a no máximo 300 quilômetros de distância, talvez menos.

Marconi envia uma mensagem simples, um sinal do Código Morse por uma distância de mais de 3,6 mil km, de Poldhu, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, para a Terra Nova, no Canadá.

MONA LISA RECUPERADA

    Em 1913, dois anos após ser roubada do Museu do Louvre, em Paris, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, talvez o quadro mais famoso da história da arte, é recuperada num quarto de hotel do garçon italiano Vincenzo Peruggia, em Florença.

Peruggia trabalha no Louvre e participa do roubo com um grupo de cúmplices fantasiados de zeladores do museu na manhã de 21 de agosto de 1911. Condenado na Itália, fica apenas um ano e dois meses na prisão.

Da Vinci, um dos maiores pintores do Renascimento, completou a Mona Lisa em 1504. O quadro traz uma mulher de sorriso enigmático, ao mesmo tempo absorta e fascinante.

INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA

    Em 1963, sob a liderança de Jomo Kenyatta, o Quênia declara independência do Reino Unido.

Na década anterior, a violenta repressão ao Levante dos Mau-Mau abala a colônia britânica, com massacres de civis, internação de centenas de milhares de quenianos em campos de concentração e suspensão dos direitos civis em algumas cidades.

CADERNO DE DA VINCI

    Em 1980, o magnata do petróleo norte-americano Armand Hammer paga US$ 5,126 bilhões por um caderno com desenhos de Leonardo da Vinci, um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos.

O manuscrito, de cerca de 1508, foi um de 30 livros parecidos que Da Vinci cria ao longo da vida. Tem 72 páginas com cerca de 300 notas e desenhos, todos relacionados à água e como ela se move.

O pintor Giuseppe Ghezzi descobre o caderno em 1690 junto a papéis de Guglielmo della Porto, um escultor milanês do século 16 que estudou a obra de Da Vinci. Em 1717, Thomas Coke, 1º Duque de Leicester, compra o manuscrito para a coleção de arte da família.

Mais de dois séculos depois, o caderno é colocado a venda na casa de leilões Christie's de Londres pelo atual Lorde Coke, obrigado a vender para pagar o imposto sobre herança de propriedades e da magnífica coleção de arte da família.

O leilão dura pouco mais de dois minutos. É o maior preço pago por um manuscrito até aquela época. Uma Bíblia de Johannes Gutenberg saiu por US$ 2 milhões em 1978.

Quando Hammer morre, deixa o Caderno de Da Vinci e outras obras para o Museu de Arte e Centro Cultural Armand Hammer na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Anos depois, o manuscrito é colocado a venda com a explicação de que a UCLA precisa pagar custos judiciais de uma ação de uma sobrinha de Hammer que alega ter sido lesada.

Em 11 de novembro de 1994, o bilionário Bill Gates paga US$ 30,8 milhões, novo recorde para um manuscrito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Média diária de mortes por covid-19 no Brasil é a maior em seis meses

Mais 1.099 mortes e 58.691 casos novos da doença do coronavírus de 2018 foram notificados hoje no Brasil. O total de mortes chegou a 222.775 e o de casos confirmados a 9.119.477. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu para 1.068. Com alta de 12% em duas semanas, é a maior desde 27 de julho, quando estava em 1.069. As mortes estão em alta em 10 estados e no Distrito Federal.

Sob pressão do governo do estado de São Paulo, o Ministério da Saúde comprou a compra de mais 54 milhões de doses da vacina chinesa CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantã.

Com 156.579, o México ultrapassou a Índia. É o terceiro país em número absoluto de mortes, depois dos Estados Unidos e do Brasil. Os EUA somam quase 26 milhões de casos confirmados e 436.799 mortes.

A Alemanha e a França proibiram a entrada de viajantes vindos do Brasil para evitar o ingresso da nova mutação do vírus identificada em Manaus.

Mais de 97,5 milhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora em cerca de 70 países, sendo 1,915 milhão no Brasil. A vacina de Johnson & Johnson apresentou 66% de eficácia. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

EUA chegam a 250 mil mortes por covid-19

Com mais 1.707 mortes hoje, o maior número desde maio, os Estados Unidos ultrapassaram as 250 mil mortes pela doença do coronavírus de 2019. O número de hospitalizações por covid-19 bateu novo recorde, 76.830. O Brasil já está na segunda onda, adverte um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP). 

Nesta quarta-feira, o Brasil registrou 754 mortes e 38,4 mil casos novos, elevando o total para 5,947 milhões de casos confirmados e 167.497 óbitos. A média diária de contágios dos últimos sete dias subiu 68% em duas semanas e a de mortes 49% para 584.

A contaminação começa a cair na Europa, mas o número de internações e de mortes está em alta. Na Itália, houve mais 753 mortes em 24 horas, um recorde para a segunda onda. O contágio cai 32% na França. O laboratório Pfizer deve pedir em duas a aprovação de sua vacina pelo órgão regular americano. E o multibilionário Bill Gates faz previsões para o mundo pós-pandemia. Meu comentário:


terça-feira, 5 de março de 2013

Mundo tem 1.426 bilionários e Eike é maior perdedor

Cerca de 200 pessoas se tornaram bilionárias em 2012, aumentando a lista dos superricos divulgada ontem pela revista americana Forbes, que agora tem 1.426. Ao todo, eles têm US$ 5,4 trilhões.

Pelo quarto ano seguido, o magnata mexicano das telecomunicações Carlos Slim ficou em primeiro lugar, com US$ 73 bilhões, US$ 4 bilhões a mais do que no ano passado. Desde a privatização da telefonia no México, ele praticamente monopoliza tanto as linhas fixas quanto as contas de celulares.

O segundo é o americano Bill Gates, fundador da Microsoft, com US$ 67 bilhões, US$ 6 bilhões a mais do que em 2012.

Amancio Ortega, dono das lojas de roupas Zara, foi o que mais enriqueceu, ganhando US$ 19,5 bilhões num ano para chegar a US$ 57 bilhões. Ele aparece pela primeira vez em terceiro lugar. Passou à frente do megainvestidor americano Warren Buffett, que ganhou US$ 9,5 bilhões em 2012 e tem agora US$ 53,5 bilhões.

O maior perdedor foi o brasileiro Eike Batista, que caiu de 7º para 100º lugar. Apesar de suas empresas terem recebido US$ 10 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nos últimos anos, sua fortuna caiu em US$ 19,4 bilhões. Eike perdeu em média US$ 50 milhões por dia.

Agora, o brasileiro mais rico é Jorge Paulo Lemann, diretor da maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch International Beverages (AB InBev). Com US$ 17,8 bilhões, é o 33º. O segundo brasileiro é o banqueiro Joseph Safra, 46º colocado, com US$ 15,9 bilhões. Antônio Ermírio de Morais é o 74º mais rico da lista e terceiro do Brasil, com uma fortuna de US$ 12,7 bilhões. Dirce Camargo, da construtora Camargo Correia, é a 87ª, com US$ 11,5 bilhões.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Nosso desafio democrático é a educação

Hoje fui citado na coluna de Merval Pereira, no jornal O Globo, lembrando o sociólogo canadense Marshall McLuhan para argumentar que "a luta de classes não faz sentido num mundo de informação instantânea, em que nerds podem ficar bilionários do nada criando empresas de informática", com foi o caso de Bill Gates, da Apple, do Yahoo e do Google.

Não nego que existam conflitos de classes, mas não são eles que movem a História, ao contrário do que supunha Karl Marx. São revoluções tecnológicas e não as propostas de viés marxista, antiamericanas, antiliberais e anticapitalistas defendidas pela chamada esquerda revolucionária.

Para não parecer que sou apenas mais um neoliberal, cito o professor Leslie Bethell, maior especialista em Brasil do Reino Unido, diretor do Centro de Estudos Brasileiros de Oxford, ameaçado de fechar pelo desinteresse das empresas brasileiras em mantê-lo. Na sua opinião, a democracia no Brasil começa efetivamente com a Constituição de 1988, que introduziu o voto para os analfabetos.

A democracia é um processo lento, evolutivo, de formação de consensos.

Hoje temos um programa, o Bolsa-Família, que atende diretamente à parcela mais pobre da população e que garantiu a reeleição de Lula, com votação expressiva, sobretudo no Nordeste. Ou seja, a democracia liberal funciona, ao contrário do que sugeriu na conferência da Academia da Latinidade em Lima, no Peru o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ao defender a "democracia plebiscitária", o modelo chavista, com o argumento de que o poder do grande capital corrompe o resultado das urnas.

Todo o mundo vota com a mão no bolso, aqui e em qualquer outro país. O povo brasileiro não é bobo. Sabe votar e vota em quem lhe ofereceu a oportunidade de uma vida melhor.

O grande desafio da América Latina é fazer a democracia liberal funcionar para todos, antes de fazer experiências que ameaçam trazer de volta o passado caudilhista e confrontacionista tão a gosto de uma esquerda atrasada que ainda acredita em luta armada e luta de classes.

Nosso próximo desafio é emancipar esse povo, livrando-o da necessidade do Bolsa-Família. Isso só se dá através de uma educação de qualidade, libertadora, que ensine as pessoas a pensarem com suas próprias cabeças.

Há exemplos abundantes na Ásia. Na China e na Córéia do Sul, pais pobres e atrasados, muitos deles camponeses rudes, vêem seus filhos bem-educados ascenderem socialmente e enriquecerem.

Quando estive na China em 1988, me chamou a atenção, numa loja de uma companhia aérea americana, o fato de que um senhora chinesa muito humilde ficava sentada quietinha, enquanto o filho de menos de dez anos conversava com a atendente e voltava pra consultar a mãe. O menino falava inglês e conseguia fazer a ponte entre a vanguarda representada por uma companhia aérea estrangeira e sua mãe atrasada e semi-analfabeta.

Na Revolução Cultural, os intelectuais eram mandados para o campo para serem reeducados como bons camponeses. Deveriam ter feito exatamente o contrário. Há uma falta de mão-de-obra qualificada na China na geração em que as universidades foram fechadas pelo radicalismo que obrigava os chineses a parar no sinal verde e avançar no vermelho.

Aqui, o grande entrave ao desenvolvimento é o baixo nível de educação do trabalhador brasileiro. Como professor universitário, fico abismado com o nível de alguns alunos, com a baixa capacidade de abstração, incapacidade de lidar com números e desconhecimento de História.

Ontem e hoje, perguntei o que houve de importante em 9, 10 e 11 de novembro. Quando falei em 1989, uma aluna lembrou-se a queda do Muro de Berlim em 9/9/1989. Mas apesar das matérias jornalísticas, ninguém lembrou-se do golpe do Estado Novo (10/11/1937) e do fim da Primeira Guerra Mundial (11/11/1918).

A mesma menina que lembrou-se do muro pensava que a Primeira Guerra Mundial tinha acabado em 1917. Aí, perguntei o que havia acontecido em 1917 com as duas potências que dominaram a História da Humanidade na segunda metade do século 20. Queria chamar a atenção para a Primeira Guerra como o conflito que moldou a História do Século 20. Branco total: ninguém citou a Revolução Russa e muito menos a entrada dos EUA na guerra.

Vejo muito discurso sobre educação e votei no senador Cristovam Buarque no primeiro turno como um voto na educação. Mas não vejo medidas concretas para fazermos uma revolução na educação. Com o petróleo de Tupi, é o que falta para elevar o Brasil à condição de grande potência.

Até quando vamos ficar ouvindo discursos vazios que não se traduzem em políticas?

Vejo um sério risco de que a tentação populista eternize o Bolsa-Família como fábrica de votos. Equivale a manter o povo sob cabresto. Não era essa a proposta original do PT. Mas até o imposto sindical parte do partido defende agora.

A bolsa-família é muito importante porque todos têm direito de comer numa sociedade civilizada. O professor Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, maior especialista em combate à fome e à miséria, diz que não há fome em massa em países democráticos: nenhum governo eleito resiste à imagem de uma criança morta no colo de uma mãe de peito murcho - sinal de que a democracia liberal funciona.

Para que funcione melhor, precisamos de cidadãos bem-educados, capazes de lutar por seus direitos e de ganhar dinheiro com seu próprio trabalho. Enquanto eu ganhar por mês, como professor, com dois diplomas de pós-graduação em relações internacionais na London School of Economics, menos do que minha faxineira, fica difícil ter esperança. Felizmente, tenho outras fontes de renda.