O Fundo Monetário Internacional advertiu hoje que, se os líderes da Europa não resolverem logo e decisivamente a crise das dívidas públicas na Zona do Euro, há um sério risco de uma nova recessão mundial em 2012.
Entre outras providências, o FMI defende um corte nas taxas básicas de juros do Banco Central da Europa e medidas extraordinárias para garantir a oferta de dinheiro a longo prazo.
Em Bruxelas, a vacilante chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, sempre receosa em usar dinheiro público por causa da rejeição do contribuinte alemão, declarou hoje ser a favor da recapitalização dos bancos. O megaespeculador George Soros já disse que eles deveriam ser subordinados temporariamente ao BCE como garantia contra o colapso do sistema financeiro.
A Grécia, a Irlanda e Portugal receberam empréstimos de emergência do FMI e da União Europeia, mas o plano de ajuda aos gregos se revelou insuficiente. O risco agora é de contágio de grandes economias, como a Itália e a Espanha.
Com a expectativa de um calote grego nas próximas semanas, se o país não receber uma parcela de 8 bilhões de euros de ajuda, os bancos europeus estão fragilizados. Ontem, os governos da França e da Bélgica foram obrigados a socorrer o banco Dexia, que já tinha recebido 8,5 bilhões de euros em 2008.
A situação foi comparada à quebra do banco Bear Stearns, socorrido em março de 2008, seis meses antes do colapso do Lehman Brothers, que deflagrou o pior momento da crise financeira internacional. Mais uma vez, o risco é que os bancos parem de receber empréstimo por dúvidas sobre sua capacidade de pagar.
Hoje as bolsas de valores da Europa fecharam em alta, na esperança de que serão tomadas medidas para capitalizar os bancos e evitar uma nova paralisação do sistema de crédito interbancário, como ocorreu há três anos. Por enquanto, é apenas uma esperança, já que os líderes europeus não chegaram a um acordo sobre o que fazer.
O FMI pediu pressa.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
14 de setembro foi muito pior do que 11 de setembro
NOVA YORK - Os dados sobre o aumento da pobreza divulgados ontem pelo Censo dos Estados Unidos confirmam que a primeira década do século 21 foi uma década perdida pelo país e que 14 de setembro de 2008 teve um impacto muito mais duradouro sobre o país e o mundo do que 11 de setembro de 2001.
Há exatamente três anos, as autoridades econômicas americanas decidiram não usar dinheiro público para salvar o banco de investimentos Lehman Brothers, na época o quarto maior do país. Tentaram articular um grupos de bancos privados para resolver o problema, sem sucesso
Na abertura do pregão de 15 de setembro de 2008, os preços das ações desabaram nos mercados financeiros do mundo inteiro.
Os investidores temiam o colapso de uma série de empresas financeiras, e os especuladores começaram a atacar as que teriam mais dificuldades para se sustentar. A bola da vez era a AIG, a maior seguradora do mundo, com um rombo muito maior do que o Lehman Brothers.
A AIG foi considerada grande demais para falir. No fim das contas, o governo dos EUA teve de socorrer a seguradora com US$ 182 bilhões para evitar que seguros, fundos de pensão e as mais variadas operações financeiras ficassem sem cobertura.
Com os balanços das empresas financeiras carregados de papéis podres, ninguém sabia qual era o rombo exato nas contas do outros. O resultado foi um colapso do mercado de crédito.
O dinheiro é uma espécie de sangue da economia. Circula por uma rede financeira onde os bancos centrais estão no topo. Eles emprestam dinheiro aos grandes bancos, que irrigam o sistema. Assim, o mercado interbancário ficou paralisado.
Durante uma crise, se uma empresa financeira tem dinheiro em caixa não vai emprestar a quem não sabe se vai pagar. Como ninguém tinha mais garantia, os governos foram obrigados a intervir para assegurar que os empréstimos seriam honrados: se os bancos privados não pagassem, os bancos centrais garantiriam os negócios.
Essa intervenção maciça levou ao inchaço das dívidas públicas dos países ricos, hoje o maior problema da economia internacional, alarmada hoje pelo risco de que a Grécia dê um calote em títulos com vencimento em outubro.
Ontem, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o crédito de dois importantes bancos franceses, Société Générale e Crédit Agricole. Todo o sistema financeiro da Zona do Euro está sob suspeita, e a Alemanha, maior economia da Europa, reluta em bancar países menos disciplinados, os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
A dívida pública da Itália chegou a 1,9 trilhão de euros, mais do que toda a riqueza que o país produz num ano menos as importações. Um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) já admite que a Espanha e a Itália vão precisar de ajuda externa.
Ontem, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o crédito de dois importantes bancos franceses, Société Générale e Crédit Agricole. Todo o sistema financeiro da Zona do Euro está sob suspeita, e a Alemanha, maior economia da Europa, reluta em bancar países menos disciplinados, os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
A dívida pública da Itália chegou a 1,9 trilhão de euros, mais do que toda a riqueza que o país produz num ano menos as importações. Um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) já admite que a Espanha e a Itália vão precisar de ajuda externa.
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Falta de reforma financeira trará nova crise
A reforma da regulamentação do sistema financeiro internacional perdeu a força depois do auge da crise de 2008-9, quando os países mais ricos do mundo, reunidos no Grupo dos Vinte (G-20) fizeram grandes promessas que não avançaram, advertiu ontem a economista Ngaire Woods, diretora da Escola de Governo Blavatnik, da Universidade de Oxford. Desse jeito, uma nova crise é inevitável.
Na palestra Governança Global Depois da Crise: caminhando como sonâmbulos para a próxima crise, realizada na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, Woods defendeu regras básicas, não muito ambiciosas por causa da soberania nacional, mas mais eficazes. Ela citou o futuro presidente do Banco Central da Europa, o italiano Mario Draghi, para dizer que é necessária uma cooperação internacional mais estrita e mais efetiva.
"O problema é o que falta: mais informação, mais regras, mais fiscalização, mais instituições?", pergunta a professora, jurista e economista. "Para alguns, é necessário mais governança global. Mas isso é muito mais difícil do que regulamentar a nível nacional. Exige consenso e ação coletiva."
Com a Grande Recessão nos países ricos, o G-20, que incorpora as grandes economias emergentes, se tornou o principal fórum de negociação da reforma do sistema financeiro internacional. A retomada do crescimento trouxe de volta as profundas diferenças de posições entre vários desses países.
Para Woods, os três grandes temas de negociação são:
1. Mais informação e transparência para que os governos e organizações internacionais possam saber o que está acontecendo.
2. Mais e melhores padrões: é o que está sendo negociado pelo Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, o 3º Acordo da Basileia. Foi produzido por entidades governamentais, mas não é de cumprimento obrigatório, ressalva a professora. Os governos não delegaram sua autoridade.
3. Coordenação macroeconômica: as sondagens do Fundo Monetário Internacional seriam fortalecidas, obrigatórias e publicadas. Nenhum país vai querer aparecer na lista da vergonha. Mas há também uma suspeição dos países em desenvolvimento em relação às sondagens do FMI.
A acadêmica observou que "o comércio internacional é governado por tratados internacionais, mas não as finanças. Se houve o mesmo tipo de regras, seria muito mais fácil para a globalização funcionar. Hoje temos um modelo colcha de retalhos de regulamentações nacionais. Um banco internacional precisa de uma regulamentação global, não de 52".
O Comitê de Supervisão Bancária foi criado depois da falência de um banco alemão, em 1974. Mas as regras do 1º Acordo da Basileia só foram feitas depois da crise das dívidas do México, do Brasil e de parte da América Latina, em 1982, e "seu cumprimento não era obrigatório", ressalva Woods.
Em 1991, a falência do Banco de Crédito e Comércio Internacional (BCCI) foi a primeira de um banco transnacional, com operações em vários países. Em 1995, foi a vez do Barings, um pequeno banco de investimentos de Londres, "por causa da falta de comunicação entre as bolsas de valores".
Antes de 2008, ainda houve crises na Ásia, em 1997, e o colapso do fundo de investimentos Long-Term Capital Management (LCTM), nos EUA, em 1998.
"Quando a crise acontece, torna visível o custo da má regulamentação", raciocina. "O público paga a conta, e aí vem as promessas dos novos reguladores de que nunca mais vai acontecer. Mas como transformar um imperativo político num processo técnico?"
Na visão de Woods, a abordagem deve ser dupla: informação e regulamentação. "Quem vai ler os relatórios e conferir se as regras foram cumpridas? Isso dificilmente vai levar a uma fiscalização rigorosa."
A questão aqui é "quem vai aplicar as regras? Quem tem mais informação é setor financeiro. Teria de alertar o governo para que aplicasse as normas".
Ela não acredita em padrões adotados voluntariamente: "Costumam ser pouco ambiciosos e superestimar sua capacidade de fiscalização. Mas os governos nacionais vão aceitar padrões rígidos?"
Para a professora de Oxford, "a instituição internacional reguladora precisa de transparência e acesso claro a dados não apenas do setor financeiro, mas da indústria, de pesquisadores e acadêmicos. É preciso delegar autoridade para criar e aplicar as regras, e não excluir nenhum país de fora do G-20".
"O Conselho de Estabilidade Financeira precisa ter regras claras e ser universal", acrescentou. "As reuniões do Comitê da Basileia são consideradas informação reservada. Telefonei para lá e não me disseram nada. Liguei para um amigo no mercado financeiro e ele sabia o dia, a hora e o tema. Quando olho para a arquitetura do sistema, é difícil imaginá-lo fiscalizando rigorosamente."
Na palestra Governança Global Depois da Crise: caminhando como sonâmbulos para a próxima crise, realizada na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, Woods defendeu regras básicas, não muito ambiciosas por causa da soberania nacional, mas mais eficazes. Ela citou o futuro presidente do Banco Central da Europa, o italiano Mario Draghi, para dizer que é necessária uma cooperação internacional mais estrita e mais efetiva.
"O problema é o que falta: mais informação, mais regras, mais fiscalização, mais instituições?", pergunta a professora, jurista e economista. "Para alguns, é necessário mais governança global. Mas isso é muito mais difícil do que regulamentar a nível nacional. Exige consenso e ação coletiva."
Com a Grande Recessão nos países ricos, o G-20, que incorpora as grandes economias emergentes, se tornou o principal fórum de negociação da reforma do sistema financeiro internacional. A retomada do crescimento trouxe de volta as profundas diferenças de posições entre vários desses países.
Para Woods, os três grandes temas de negociação são:
1. Mais informação e transparência para que os governos e organizações internacionais possam saber o que está acontecendo.
2. Mais e melhores padrões: é o que está sendo negociado pelo Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, o 3º Acordo da Basileia. Foi produzido por entidades governamentais, mas não é de cumprimento obrigatório, ressalva a professora. Os governos não delegaram sua autoridade.
3. Coordenação macroeconômica: as sondagens do Fundo Monetário Internacional seriam fortalecidas, obrigatórias e publicadas. Nenhum país vai querer aparecer na lista da vergonha. Mas há também uma suspeição dos países em desenvolvimento em relação às sondagens do FMI.
A acadêmica observou que "o comércio internacional é governado por tratados internacionais, mas não as finanças. Se houve o mesmo tipo de regras, seria muito mais fácil para a globalização funcionar. Hoje temos um modelo colcha de retalhos de regulamentações nacionais. Um banco internacional precisa de uma regulamentação global, não de 52".
O Comitê de Supervisão Bancária foi criado depois da falência de um banco alemão, em 1974. Mas as regras do 1º Acordo da Basileia só foram feitas depois da crise das dívidas do México, do Brasil e de parte da América Latina, em 1982, e "seu cumprimento não era obrigatório", ressalva Woods.
Em 1991, a falência do Banco de Crédito e Comércio Internacional (BCCI) foi a primeira de um banco transnacional, com operações em vários países. Em 1995, foi a vez do Barings, um pequeno banco de investimentos de Londres, "por causa da falta de comunicação entre as bolsas de valores".
Antes de 2008, ainda houve crises na Ásia, em 1997, e o colapso do fundo de investimentos Long-Term Capital Management (LCTM), nos EUA, em 1998.
"Quando a crise acontece, torna visível o custo da má regulamentação", raciocina. "O público paga a conta, e aí vem as promessas dos novos reguladores de que nunca mais vai acontecer. Mas como transformar um imperativo político num processo técnico?"
Na visão de Woods, a abordagem deve ser dupla: informação e regulamentação. "Quem vai ler os relatórios e conferir se as regras foram cumpridas? Isso dificilmente vai levar a uma fiscalização rigorosa."
A questão aqui é "quem vai aplicar as regras? Quem tem mais informação é setor financeiro. Teria de alertar o governo para que aplicasse as normas".
Ela não acredita em padrões adotados voluntariamente: "Costumam ser pouco ambiciosos e superestimar sua capacidade de fiscalização. Mas os governos nacionais vão aceitar padrões rígidos?"
Para a professora de Oxford, "a instituição internacional reguladora precisa de transparência e acesso claro a dados não apenas do setor financeiro, mas da indústria, de pesquisadores e acadêmicos. É preciso delegar autoridade para criar e aplicar as regras, e não excluir nenhum país de fora do G-20".
"O Conselho de Estabilidade Financeira precisa ter regras claras e ser universal", acrescentou. "As reuniões do Comitê da Basileia são consideradas informação reservada. Telefonei para lá e não me disseram nada. Liguei para um amigo no mercado financeiro e ele sabia o dia, a hora e o tema. Quando olho para a arquitetura do sistema, é difícil imaginá-lo fiscalizando rigorosamente."
sábado, 5 de setembro de 2009
G-20 chega a acordo sobre regulação bancária
Os ministros das Finanças do Grupo dos Vinte (os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) chegaram hoje a um acordo de princípios sobre a reforma da regulamentação do sistema financeiro internacional.
As novas medidas para evitar crises como a atual incluem um aumento das reservas de capital dos bancos e regras para o pagamento de bônus de executivos do setor financeiro, mas não incluem um teto para remuneração individual.
As novas medidas para evitar crises como a atual incluem um aumento das reservas de capital dos bancos e regras para o pagamento de bônus de executivos do setor financeiro, mas não incluem um teto para remuneração individual.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Brown faz proposta para regulação financeira
Em discurso numa reunião do Partido Trabalhista britânico na Escócia, o primeiro-ministro Gordon Brown apresentou uma proposta de quatro pontos para reformar o sistema financeiro internacional:
• fim da autonomia dos paraísos fiscais, que devem ser regulamentados;
• fim da cultura de bonificação de executivos por ganhos de curto prazo;
• monitorar todo o sistema e cada empresa do setor financeiro; e
• criar uma estrutura global para coordenar a supervisão do sistema financeiro.
• fim da autonomia dos paraísos fiscais, que devem ser regulamentados;
• fim da cultura de bonificação de executivos por ganhos de curto prazo;
• monitorar todo o sistema e cada empresa do setor financeiro; e
• criar uma estrutura global para coordenar a supervisão do sistema financeiro.
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