terça-feira, 14 de março de 2006

Política econômica de Kirchner produz distorções microeconômicas

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, intervém ativamente na economia na busca de melhorar a competitividade, estimular o crescimento econômico e a geração de empregos. Em 2005, o país cresceu a uma taxa recorde de 9,3% com uma inflação acima de dois dígitos. Ao afastar o ministro da Economia, Roberto Lavagna, que renegociara a dívida argentina com deságio, depois das eleições legislativas de outubro, Kirchner indicou claramente que assumiria o controle total da economia tendo em vista sua reeleição em 2007. Mas seu intervencionismo provoca distorções microeconômicas que prejudicam a eficiente alocação de recursos, observa o economista Miguel Angel Broda.

A política macroeconômica da Argentina no governo Néstor Kirchner se apóia em três pilares fundamentais, constata Broda:
• uma política monetária subordinada a uma política cambial destinada a manter o peso depreciado e a acumular reservas;
• uma política fiscal de forte crescimento do gasto público com objetivos políticos num contexto de alto superávit fiscal com 20% dos impostos provenientes da arrecadação de impostos que distorcem as atividades econômicas; e
• uma forte intervenção estatal na economia que maximiza os objetivos de curto prazo e minimiza os de longo prazo.

O primeiro pilar pressupõe que uma moeda subvalorizada aumenta as exportações, contribui para o crescimento e a geração de empregos. Para sustentar o dólar em torno de 3 pesos, o Estado participa ativamente do mercado de câmbio por meio de uma “flutuação suja”. O Banco Central da República Argentina emite moeda para comprar o excesso de dólares e o Tesouro faz o mesmo com o superávit fiscal.

Esta política de forte compra de divisas pelo setor público visa a manter o dólar alto e estável, manter juros baixos para estimular o investimento e o consumo, e controlar a oferta de dinheiro e a taxa de inflação.

Com o crescente intervencionismo estatal, há preços fixados de maneira discricionária, subsídios para congelar preços e uso da política comercial para combater a inflação, de 12,3% em 2005. Isto gera uma série de distorções microeconômicas invisíveis a princípio mas que produz efeitos negativos sérios sobre a alocação de recursos eficiente.

Para Broda, se houver uma queda da demanda por dinheiro, que está em nível recorde, será difícil manter o peso apreciado junto com uma política monetária que funcione como âncora antiinflacionária. O economista entende que o Banco Central deve melhorar o rendimento dos depósitos em pesos.

Hoje a Argentina mantém uma política monetária expansiva. Mas se a heterodoxia kirchnerista quer manter o peso subvalorizado e estável num contexto de inflação alta, precisa aumentar as taxas de juros, segundo Broda hoje as mais negativas do mundo o que contraria os objetivos de Kirchner na luta pela reeleição em 2007.

Bush pede paciência no Iraque mas ameaça Irã

Diante de uma queda de popularidade que só o deixa acima de Richard Nixon durante o escândalo de Watergate, o atual presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, pediu ao povo americano paciência em relação ao Iraque ao mesmo tempo em que ameaçou o Irã, que acusa de desenvolver armas nucleares. Se o apoio a Bush caiu para 34% a 37%, dependendo da pesquisa, sobretudo por causa dos problemas da invasão do Iraque, a perspectiva de outra guerra não vai reduzir sua crescente impopularidade. Pior ainda está o vice-presidente Dick Cheney. Só 18% aprovam sua atuação.

Hoje, 60% dos americanos desaprovam o desempenho de Bush. Há dois anos, 79% acreditavam em vitória no Iraque; na semana passada, somente 22%, enquanto 41% a consideravam improvável. A maioria dos americanos e, mais grave ainda, a maioria dos soldados americanos quer a retirada imediata das tropas dos EUA do Iraque.

Bush sabe que será julgado pelo resultado da intervenção no Iraque. Ele defendeu a invasão lançada há três anos: “Gostaria de lhes dizer que a violência está acabando e que o caminho à frente será suave”, disse o presidente ao vivo na televisão na segunda-feira, 13 de março, quando houve pelo menos 70 mortes violentas em Bagdá.

“Haverá mais dias de combate e mais dias de luta, e veremos mais imagens de caos e carnificina nos próximos dias e meses”, acrescentou, fugindo do tom otimista. Há 10 meses, o vice Dick Cheney dissera que “a insurgência está nos seus últimos suspiros”.

O presidente admitiu que o maior problema é a violência sectária entre xiitas e sunitas, e pediu a formação de um governo de unidade nacional. Usou duas vezes a expressão guerra civil para afirmar que este é o objetivo dos inimigos da democratização do Iraque. Citou o ataque à Mesquita Dourada de Samarra, em 22 de fevereiro, como “uma clara tentativa de deflagrar uma guerra civil”. E anunciou uma transição, prometendo que até o final do ano as forças de segurança iraquianas assumiram o controle da maioria do território do país.

Para justificar a invasão e a manutenção das tropas americanas no Iraque, mesmo falando da vitória, o presidente dos EUA analisou as conseqüências de uma derrota: “O inimigo emergirá do Iraque fortalecido ou derrotado. Há muito em jogo. Ao ajudar o Iraque a construir uma democracia, ganhamos um aliado na guerra contra o terror. Ao ajudar o Iraque a construir uma democracia, damos inspirações aos reformistas em todo o Oriente Médio. Ao ajudar o Iraque a construir uma democracia, levamos esperança a uma região problemática, e isto torna os EUA mais seguros em longo prazo”.

É o mesmo discurso dos neoconservadores usado no primeiro governo Bush para justificar a guerra. Não convence mais nem a direita republicana mais pragmática e menos ideológica.

Os americanos não estão vivendo sob a Síndrome do Iraque e o fantasma de uma Síndrome do Irã é ainda mais assustador, dado o radicalismo do regime fundamentalista iraniano, capaz de mobilizar terroristas como retaliação contra qualquer ação armada.

Empreendedorismo da mulher impulsiona desenvolvimento econômico e social

O aumento da participação feminina na atividade empresarial favorece o desenvolvimento econômico e o progresso social. A conclusão é de um relatório sobre o empreendorismo da mulher, publicado pelo Monitor Global do Empreendedorismo, com base em pesquisas em 35 países, inclusive o Brasil.

A participação feminina é maior nos países de renda média e nas classes médias, onde a mulher sente necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar. Mas também é menor a sobrevivência das empresas lideradas por mulheres nestes países. Quase metade das empresárias não concluiu o segundo grau.

Como dois terços dos analfabetos do mundo são mulheres (600 milhões), o que não deve se alterar significativamente nos próximos 20 anos, o desnível educacional também ajuda a explicar a disparidade entre os sexo no mundo dos negócios. Se a diferença entre novas empresas de homens e de mulheres é de 25,6%, a distância sobe para 59,1% para empresas estabelecidas.

É claro que o país e o contexto social são determinantes no sucesso empresarial das mulheres. O papel das instituições e das políticas públicas é decisivo. Há uma correlação direta entre renda familiar e nível educacional. Famílias com maior renda tem maior tendência a criar empresas.

Na maioria dos casos, a mulher empresária tem entre 25 e 44 anos, espera forte concorrência e já trabalhou como empregada, tendo acesso a recursos, idéias e capital que a levam a criar seu próprio negócio, muitas vezes orientado para o consumo final, especialmente no setor de serviços.

Uma das questões é se o empreendedorismo surge da necessidade ou da percepção de que há boas oportunidades. De modo geral, predominam as oportunidades mas, no Brasil, a divisão foi quase meio a meio. Homens e mulheres empresários tendem a ser mais autoconfiantes e conhecer outros empresários. Isto lhes ajuda a identificar melhor as oportunidades de negócios.

Das mulheres que criaram empresas por necessidade em países de renda média, 43% expressaram medo da falência. Assim como o risco, a expectativa de crescimento é bem maior nos países de renda média do que nos ricos. Começando de baixo, tem mais chance de se modernizar e incorporar novas tecnologias.

No Brasil, 15% dos homens e 11% das mulheres participam de novos empreendimentos. Pouco mais de 13% dos homens e 7% das mulheres são donos de empresas estabelecidas. Somando os índices, 28% dos brasileiros e 18% das brasileiras são empresários. A sobrevivência das empresas masculinas é maior.

A Venezuela (23,8%) e a Tailândia (19,3%) apresentaram os mais altos índices de empreendedorismo feminino em novos negócios, acima do masculino, em contraste com o Japão (2,1%) e a Holanda (1,2%), que mostram as taxas mais baixas. Isto indica que em países ricos e estáveis há menor estímulo para as mulheres entrarem na atividade empresarial.

China quer reduzir crescimento e combater problemas sociais

Depois de meia década com taxas de crescimento espetaculares em torno de 10% que fizeram da China a quarta economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha, o regime comunista chinês fixou em 7,5% a meta de crescimento anual até 2010. As maiores preocupações são aumentar a eficiência e combater os problemas sociais. Se o desenvolvimento acelerado tirou da miséria 400 milhões de chineses, 150 milhões ainda vivem abaixo da linha de pobreza absoluta e as disparidades sociais aumentaram. Um novo plano foi anunciado recentemente para combater a pobreza no campo.

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou o 11º plano qüinqüenal, aprovado por 97% dos 2.891 deputados do Congresso Nacional do Povo. Entre outros objetivos, o governo chinês quer mais eficiência energética e menos poluição. Hoje, das 10 cidades mais poluídas do mundo, sete ficam na China.

Como a China é hoje o terceiro maior exportador mundial e grande consumidora de petróleo, minério de ferro, carvão e cobre, uma desaceleração da economia chinesa terá impacto sobre o mundo inteiro.

“É uma grande mudança de política econômica, do desenvolvimento urbano e de investimento pesado em projetos bilionários para investimentos no campo e em ciência e tecnologia para promover o desenvolvimento sustentável”, declarou Li Chongan, presidente da Comissão de Justiça do parlamento chinês.

O ministro previu expansão de 8% este ano, abaixo das estimativas internacionais. A taxa de crescimento oficial no ano passado foi de 9,9%, com forte aumento do setor de serviços. Em 2005, o produto interno bruto chinês foi de US$ 2,2 trilhões e a renda média por habitante de US$ 1,7 mil, em termos nominais. Pelo critério de paridade do poder de compra, a economia chinesa seria a segunda do mundo, com PIB de US$ 5 a 6 trilhões.

Este crescimento acelerado aumentou as desigualdades sociais. Para o economista Andy Xie, da filial do banco de investimentos Morgan Stanley em Hong Kong, o governo precisa estimular o consumo interno para combater as disparidades sociais e evitar conflitos comerciais.

Os problemas sociais estarão no centro das discussões ideológicas da atual sessão do parlamento chinês. A velha guarda comunista vai insistir no resgate dos princípios do maoísmo, desafiando os reformistas que consideram com razão que o desenvolvimento capitalista é irreversível e a única maneira de manter o PC chinês no poder. O mercado vencerá.
China quer reduzir crescimento e combater problemas sociais

Depois de meia década com taxas de crescimento espetaculares em torno de 10% que tornou a China a quarta economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha, o regime comunista chinês fixou em 7,5% a meta de crescimento anual até 2010. As maiores preocupações são aumentar a eficiência e combater os problemas sociais. Se o desenvolvimento acelerado tirou da miséria 400 milhões de chineses, 150 milhões ainda vivem abaixo da linha de pobreza absoluta. Um novo plano foi anunciado recentemente para combater a pobreza no campo.

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou o 11º plano qüinqüenal, aprovado por 97% dos 2.891 deputados do Congresso Nacional do Povo. Entre outros objetivos, o governo chinês quer mais eficiência energética e menos poluição. Hoje, das 10 cidades mais poluídas do mundo, sete ficam na China.

Como a China é hoje o terceiro maior exportador mundial e grande consumidora de petróleo, minério de ferro, carvão e cobre, uma desaceleração da economia chinesa terá impacto sobre o mundo inteiro.

“É uma grande mudança de política econômica, do desenvolvimento urbano e de investimento pesado em projetos bilionários para investimentos no campo e em ciência e tecnologia para promover o desenvolvimento sustentável”, declarou Li Chongan, presidente da Comissão de Justiça do parlamento chinês.

O ministro previu expansão de 8% este ano, abaixo das estimativas internacionais. A taxa de crescimento oficial no ano passado foi de 9,9%, com forte aumento do setor de serviços. Em 2005, o produto interno bruto chinês foi de US$ 2,2 trilhões e a renda média por habitante de US$ 1,7 mil, em termos nominais. Pelo critério de paridade do poder de compra, a economia chinesa seria a segunda do mundo, com PIB de US$ 5 a 6 trilhões.

Este crescimento acelerado aumentou as desigualdades sociais. Para o economista Andy Xie, da filial do banco de investimentos Morgan Stanley em Hong Kong, o governo precisa estimular o consumo interno para combater as disparidades sociais, evitar conflitos comerciais e um aumento do protecionismo.

Os problemas sociais estão no centro das discussões ideológicas da atual sessão do parlamento chinês. A velha guarda comunista vai insistir no resgate dos princípios do maoísmo, desafiando os reformistas que consideram com razão que o desenvolvimento capitalista é irreversível e a única maneira de manter o PC chinês no poder. O mercado vencerá.

Nova onda protecionismo contra a globalização

Em nome da segurança nacional, o Congresso dos Estados Unidos rejeita uma empresa árabe para administrar seis importantes portos americanos. A França cria medidas para impedir tentativas de compra hostil mesmo dentro do mercado único europeu. No mundo inteiro, erguem-se barreiras e adotam-se salvaguardas contra as importações da China e a ascensão da Índia já começa a assustar.

Há uma nova onda de protecionismo, sobretudo na Europa e nos EUA. A rejeição da Dubai Ports World, em nome do risco de terrorismo associado aos árabes nos EUA desde 11 de setembro de 2001, chegou a ser qualificada de racista. E o chamado “patriotismo econômico”, expressão usada pelo primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, pode reduzir ainda mais a competitividade européia, adverte Dominique Moisi, do Instituto de Relações Internacionais da França, em artigo para o Financial Times, principal jornal europeu de economia e negócios.

O ministro das Finanças da França, Thierry Breton, defendeu a fusão das empresas Gaz de France e Suez sob o argumento de que faz sentido criar gigantes “num mundo onde combustíveis fósseis são cada vez mais raros e só o tamanho importa”. Mas se a lógica do mercado deve prevalecer, contra-argumenta Moisi, também fazem sentido as ofertas da italiana Enel pela Suez e da siderúrgica Mittal pela Arcelor. Como criar uma “Europa da energia” e ao mesmo tempo proteger as “jóias da família”?

Moisi aponta três fatores para explicar o neoprotecionismo francês, que tenta proteger o pais da própria União Européia, minando o mercado único europeu.

Primeiro, o que os ingleses chamam de “rede de velhos amigos”. A maioria dos executivos franceses estudou nas mesmas escolas de elite, começou suas carreiras no serviço e assim sabe articular suas estratégias com as mais altas autoridades da nação.

Segundo, para a maioria da elite francesa, resistir a indianos ou italianos é fazer a coisa certa, sintoma do complexo de superioridade francês. “Na França, o papel central do Estado na economia não é visto como anacronismo mas como uma aplicação da lei da vantagem comparativa de Adam Smith. A França tem um Estado forte, comparao com a maioria dos países europeus, então por que não usar o Estado a serviço dos interesses econômicos?”, pondera o analista internacional.

Terceiro, numa manobra oportunista, o governo francês aproveitou a tentativa de compra hostil da Suez pela Enel para privatizar a GdF. O sindicato protestou porque tanto faz ser demitido por uma empresa nacional ou européia. Mas a lógica é do patriotismo econômico, observa Moisi: “Em outras palavras, podem ser feitos sacrifícios em nome da França mas não mais da Europa”.

O articulista alerta que esta atitude contribui para “desmontar” a construção da Europa unida, principal instrumento da França para aumentar seu poder de barganha no mundo globalizad. Por sua oposição tenaz à invasão do Iraque pelos EUA e sua resistência contra a onda liberal trazida pela globalização, a França é hoje mais popular entre os países em desenvolvimento do que na Europa, onde está se isolando, se não se auto-isolando.

O problema é que a globalização avança, impulsionada pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transporte, e pela lógica inexorável do mercado. Enquanto a Ásia cresce em ritmo acelerado, aproveitando as oportunidades que a economia internacional oferece, aumenta o risco de decadência do Ocidente.

Saddam não acreditava na invasão americana

O ditador Saddam Hussein (1979-2003) estava convencido de que o Iraque não seria invadido. Mesmo que fosse, acreditava que ele e seu regime sobreviveriam. Contava com a proteção da França e da Rússia. Sua maior preocupação era com a ameaça interna de um golpe de Estado. As conclusões são de um relatório secreto do Departamento da Defesa dos Estados Unidos revelados na edição de maio/junho da revista Foreign Affairs.

Com a queda de Bagdá, abriu-se um dos regimes mais secretos e repressivos da História recente. O Comando Conjunto das Forças dos EUA aproveitou para fazer um amplo estudo do máquina do Estado e do comportamento do regime iraquiano, valendo-se dos depoimentos de centenas de líderes políticos e militares presos na guerra e de centenas de milhares de documentos oficiais.

No relatório Ilusões de Saddam: a visão interna, Kevin Woods, James Lacey e Williamson Murray, alegam que, “ignorante de história militar, logística e tecnologia, Saddam vivia isolado numa bolha devido à atmosfera de medo que criou em suas burocracias civil e militar”.

O Iraque não tinha armas de destruição em massa mas Saddam cultivava uma ambigüidade em relação ao assunto para atemorizar os países-vizinhos e alimentar sua ambição de liderar o mundo árabe. Em uma reunião do Conselho Revolucionário Iraquiano, teria alegado que, se admitisse que não tinha armas químicas ou biológicas, o país ficaria sujeito a um ataque israelense.

“Saddam tentava convencer uma audiência de que não tinha [armas de destruição em massa], enquanto simultaneamente tentava convencer outra audiência de que tinha”, escrevem os autores.

No final de 2002, Saddam decidiu cooperar integralmente com os inspetores de armas das Nações Unidas. Mas os EUA já estavam determinados a derrubá-lo.

Para o ex-vice-presidente e ex-ministro do Exterior iraquiano Tarik Aziz, Saddam confiava na parceria econômica com duas potências do Conselho de Segurança da ONU: “A França e a Rússia tinham garantido milhões de dólares em contratos de comércio e de serviços no Iraque. Por isso adotariam uma postura pró-Iraque e usariam o veto na ONU para mostrar que ainda tinham poder.”

A maior preocupação de Saddam sempre foi com sua própria sobrevivência política dentro do Iraque. Todo o regime estava organizado para impedir o surgimento de centro alternativos de poder capazes de ameaçá-lo. Ele criou uma série de organizações militares e paramilitares para se proteger, e infiltrou-as com lacaios e apadrinhados. Isto o manteve no poder mas suas forças foram incapazes de enfrentar um inimigo externo.

Antes da guerra, os estrategistas americanos acreditavam que a eficiência e a capacidade de luta das forças de defesa do Iraque aumentavam à medida que elas se aproximavam do círculo mais próximo do ditador. A Guarda Republicana seria a elite das Forças Armadas do Iraque e a Guarda Republicana Especial, a elite da elite. Para isso, seu comandante deveria ser altamente competente.

Mas Saddam nomeou o general Barzan Abdel Ghafur. Depois da guerra, diversos ex-colegas ridicularizaram suas credencias para o cargo. Um general observou que ele tinha todas as características que Saddam mais presa: “Era primo de Saddam e tinha outras duas qualidades que o tornavam o homem ideal para o cargo. Primeiro, não tinha inteligência suficiente para ser uma ameaça ao regime e, segundo, não tinha coragem suficiente para participar de conspirações de outros.”

Sem inteligência nem coragem, não era o general para comandar uma tropa de elite.

O relatório sustenta que Saddam não preparou a atual insurgência contra a ordem imposta pela invasão americana. Mas dispersou equipamento militar, armas e munições no país para uso no futuro e os rebeldes se beneficiam disso. Haveria um plano para resistir à invasão, não uma estratégia de guerrilhas para combater a nova ordem.

Até o final de março de 2003, cercado de áulicos que temiam dizer a verdade, “Saddam aparentemente ainda acreditava que a guerra ia de acordo com o que esperava. Se não estava ganhando, também não estava perdendo ou pelo menos pensava assim. Os americanos podem ter achado graça nas óbvias manipulações do porta-voz oficial iraquiano. Mas os documentos indicam que Saddam e seu círculo íntimo acreditavam em cada palavra de sua máquina de propaganda.”

Em 30 de março, prossegue o relatório, “a principal secretaria de Saddam pediu ao ministro do Exterior que dissesse aos governos da França e da Rússia que o Iraque só aceitaria uma ‘retirada incondicional’ das forças americanos porque ‘o Iraque agora está ganhando... e os EUA afundaram na lama da derrota”.

A centenas de quilômetros de Bagdá, os tanques americanos preparavam-se para a ofensiva final. Saddam caiu em 9 de abril de 2003. Foi preso em 13 de dezembro do mesmo ano. Atualmente responde a processo pelo massacre de 143 pessoas na cidade predominantemente xiita de Dujail, onde foi alvo de uma tentativa de assassinato em 8 de julho de 1982.

Tesouro dos EUA avalia risco de derivativos e fundos de hedge

O governo dos Estados Unidos está examinando o crescimento rápido de instrumentos financeiros sofisticados como derivativos e fundos de hedge para ver que riscos acarretam para o mercado e as instituições financeiras.

“Nós, do Tesouro, dada a explosão nos tipos e usos de derivativos, e nas instituições que os usam, queremos garantir que a magnitude do risco e a exposição sejam medidas apropriadamente”, declarou o subsecretário Randal Quarles em texto preparado para uma palestra no Instituto de Banqueiros Internacionais. Uma preocupação é descobrir se os investidores e participantes do mercado tem informações adequadas sobre estes instrumentos financeiros.

Em plena crise da Ásia e da Rússia, em 23 de setembro de 1998, o fundo de hedge Long Term Capital Management quebrou. O Federal Reserve Board, banco central americano, organizou um grupo de instituições financeiras que deram US$ 3,5 bilhão para segurar o LTCM, que estava alavancado 250 vezes. Com um capital de US$ 4,8 bilhões, tinha uma carteira de investimentos de US$ 200 bilhões e derivativos no valor de US$ 1,25 trilhão.

Agora, em 2006, o Tesouro dos EUA vai se concentrar na implementação do 2º Acordo da Basiléia sobre regulamentação das operações bancárias internacionais e no fortalecimento da supervisão das empresas que financiam a casa própria. Há o temor de que haja uma bolha especulativa prestes a explodir nas grandes cidades americanas. Mas é uma crise que não chega ao interior.

“Nossas agências reguladoras estão comprometidas com o processo da Basiléia e estão procendendo tão rapidamente quanto possível na implementação do segundo acordo mas, mais importante, é ter certeza de que esteja sendo implementado corretamente”, observou o subsecretário do Tesouro. A regulamentação tenta evitar que um tipo de banco tenha vantagem sobre outro.

Palestinos querem governo de união nacional

Uma ampla maioria de palestinos (87,7%) é a favor da formação de um governo de união nacional. Mas só pouco mais da metade (54,7%) quer que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), partido fundamentalista que venceu as eleições de 25 de janeiro, reconheça Israel e condiciona este reconhecimento à retirada israelense dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. A televisão israelense revelou que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahomoud Abbas, encontrou-se secretamente com o ex-primeiro-ministro Shimon Peres, com o apoio do primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert.

Cerca de 75% dos 1.361 entrevistados na pesquisa realizada pela Universidade An-Najar, de Nablus, na Cisjordânia, são contra a formação de um governo só do Hamas, que obteve maioria absoluta no parlamento (74 das 132 cadeiras). Quase 35% não acreditam que o Hamas deva respeitar os acordos firmados com Israel por governos palestinos anteriores.

Quanto às prioridades para o novo governo, 83% citaram a necessidade de libertar os palestinos presos por israel, enquanto 81,4% consideraram outra tarefa importante garantir a segurança pública nos territórios palestinos. A expectativa é otimista: 78% esperam que o novo governo combata a corrupção endêmica e 65,% que a situação econômica melhore. Cerca de 72% confiam em que o novo governo respeitará os direitos humanos e 68% que haverá liberdade de expressão.

HAMAS NEGOCIA COM OLP
O Hamas está negociando com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) mas os dois grupos se enfrentaram na abertura do Conselho Nacional Palestino, quando os fundamentalistas retiraram os poderes do presidente aprovados no final de legislatura anterior, depois das eleições. Abbas deu mais duas semanas para o Hamas formar o governo, até 28 de março, por coincidência a data das eleições em Israel.

Na cidade de Gaza, o líder da bancada parlamentar do Hamas, Mahmud al-Zahar, recebeu Majed Abu Shammaleh, da Fatah, principal partido da OLP, e representantes dos grupos de esquerda Frente Democrática de Libertação da Palestina, Frente Popular de Libertação da Palestina e Partido Popular Palestino. O primeiro-ministro designado pelo Hamas, Ismail Haniyya, também participou do encontro.

Os Estados Unidos estariam pressionando a Fatah a não formar governo com o Hamas, se os fundamentalistas não renunciarem à luta armada e não reconhecerem Israel, como exige o Quarteto (EUA, Rússia, União Européia e Nações Unidas) que tenta negociar a paz no Oriente Médio. Mas o negociador palestino Said Erekat minimizou o peso das pressões americanas.

Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense apresentou aos EUA seu plano para uma retirada unilateral de parted a Cisjordânia até 2010, se não houver progresso nas negociações de paz com um governo palestino sob a liderança do Hamas, O líder da oposição direita, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, declarou que as eleições de 28 de março serão um plebiscito sobre sobre o futuro de Israel e a presença israelense na Cisjordânia.

UE CONDICIONA AJUDA
A UE liberou uma ajuda de 120 milhões de euros (US$ 143 milhões) para o governo interino palestino e reiterou que não dará dinheiro para um governo do Hamas, que considera um grupo terrorista. Como Israel nega a transferir para o Hamas os US$ 50 milhões de guerra que arrecada com impostos pagos pelos palestinos, a ANP enfrenta uma crise financeira.

Sem querer ceder às pressões do Ocidente, o Hamas procura ajuda entre os países árabes e muçulmanos. Uma delegação liderada pelo líder máximo do movimento, Khaled Mechal, foi recebido por clérigos radicais na Arábia Saudita, onde tinha encontro marcado com o líder da Organização da Conferência Islâmica.

A cada ano, os sauditas doam US$ 500 milhões aos palestinos, sendo US$ 150 milhões de fontes privadas. O ministro do Exterior saudita, Saud al-Faiçal, rejeitou a pressão da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, para isolar o Hamas.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Empresas britânicas lucram quase US$ 2 bilhões no Iraque

Desde a invasão do Iraque, há dois, 61 companhias britânicas ganharam cerca de 1,1 bilhão de libras (US$ 1,9 bilhão). A organização não-governamental Corporate Watch, que monitora a atividade de empresas privadas, estima que o total possa ser cinco maior porque muitas firmas não querem revelar que estão participando da invasão anglo-americana e muito menos fazendo fortunas com a guerra.

Entre as empresas britânicas que mais ganharam dinheiro no Iraque, estão a Amec, contratada por 500 milhões de libras para restaurar sistemas elétricos e fazer manutenção de usinas e linhas de transmissão; a firma de segurança privada Aegis, que ganhou 246 milhões de libras num contrato com o Departamento da Defesa dos Estados Unidos; e a Eryns, que levou 86 milhões para proteger campos de petróleo.

Um instituto de pesquisas e consultoria econômica, Adam Smith International, criado nos anos Thatcher, promove a privatização como modelo para organizar a futura economia iraquiana, com consequências de longo prazo, criticaa o relatório, observando que os lucros das empresas americanas são muito maiores.

Japão cresceu 2,7% em 2005

O crescimento do produto interno bruto do Japão, segunda maior economia do mundo, no último trimestre do ano passado foi de 1,3%, abaixo da estimativa inicial de 1,4%. Esta taxa de crescimento projetada anualmente dá 5,4%, bem acima do 1,6% registrado nos Estados Unidos, maior economia do mundo. Para o ano todo de 2005, o índice ficou em 2,7%, mais do que o Brasil com 2,3%.

Foi o quarto trimestre consecutivo de expansão da economia japonesa, mais uma indicação de que o Japão está superando a estagnação e a deflação que derrubaram as taxas de crescimento espetaculares dos anos 80 e levaram o país a uma crise que se arrastava desde os anos 90.

A Bolsa de Tóquio atingiu seu nível recorde de 38 mil pontos no final de 1989, quando só se falava no SuperJapão. Em 1991, estourou a bolha especulativa nos mercados imobiliário e financeiro. Desde então o Japão se debatia sem chegar a um consenso sobre como resgatar o dinamismo perdido. Relutou em fazer reformas liberalizantes, em parte porque os japoneses não querem viver numa sociedade no modelo americano.

O país volta a crescer em grande parte graças ao impulso dado pelo crescimento da China, inimiga histórica que se tornou a maior parceira comercial do Japão.
Mas depois de registrar um déficit comercial em janeiro, por causa do petróleo importado, o que não acontecia desde os anos 70, o saldo em conta corrente caiu 7,6% em janeiro.

Na semana passada, o Banco do Japão, o banco central japonês, indicou que a deflação acabou. O mercado espera agora o aumento da taxa básica de juros, que estava em torno de zero. A meta é conter a inflação em até 2%.

domingo, 12 de março de 2006

Irã rejeita proposta para enriquecer urânio na Rússia

O governo fundamentalista muçulmano do Irã descarta a proposta russa para enriquecer na Rússia o urânio necessário ao programa nuclear iraniano para fins pacíficos. Era a principal esperança de uma solução política para a crise criada pela suspeita de que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas. O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, criticou a postura iraniana durante as negociações.

Na quinta-feira passada, diante do fracasso do diálogo com o Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidiu enviar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, que pode adotar punições, desde sanções econômicas até o uso da força. A Rússia e a China relutam em adotar sanções, temendo que o Irã retalie usando o petróleo como arma política, o que perturbaria ainda mais o mercado internacional com impacto sobre toda a economia mundial.

“As circunstâncias mudaram”, declarou o porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Hamid Reza Assefi. “Temos de ver como agirão os cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança” (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha). Ele acrescentou que o pais não pretende abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear mas pode voltar a enriquecer urânio “em dois ou três dias”.

O governo iraniano ameaça abandonar o TNP se seu direito de desenvolver energia nuclear para fins pacífico não for respeitado.

sábado, 11 de março de 2006

Ditador que destruiu a Iugoslávia morre na prisão em Haia

O ex-ditador iugoslavo Slobodan Milosevic, chamado de Carniceiro dos Bálcãs, foi encontrado morto neste sábado em sua cela na prisão no Tribunal de Crimes de Guerra na Iugoslávia, que funciona na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia na Holanda, onde respondia a processo por crimes de guerra e contra a humanidade, inclusive genocídio.

Porta-vozes do tribunal disseram no domingo que ele teve um enfarto do miocárdio. Milosevic tinha 64 anos, sofria de hipertensão e problemas do coração. Um médico-legista disse ter encontrado traços de um antibiótico chamado rifampicina, capaz de neutralizar o efeito de outros remédios que ele tomava. A procuradora do tribunal, Carla Ponti, não descarta a possibilidade de suicídio mas seus advogados disseram que ele temia ser envenenado.

Em Moscou, sua viúva, Mira Markovic, acusou o tribunal de Haia pela morte do marido, que tinha pedido para fazer tratamento médico em Moscou. Como a Rússia era sua aliada, isto equivaleria a uma libertação. A família exigia a participação de especialistas russos na necrópsia. Já o Partido Socialista Sérvio denuncia assassinato e quer que Milosevic seja enterrado com honras de chefe de Estado. O presidente sérvio, Boris Tadic, autorizou o enterro em Belgrado mas sem honrarias.

Quando assumiu o controle do Partido Comunista da Iugoslávia, em 1987, Milosevic foi apontado como um novo marechal Josip Broz Tito, o líder dos partisans que lutaram contra a invasão nazista na Segunda Guerra Mundial e fundador da Iugoslávia pós-1945. Tito, um croata, conseguiu manter unida uma federação de seis repúblicas com um longo passado de conflitos sufocando os nacionalismos até sua morte, em 1980. Milosevic acabou sendo o anti-Tito.

DO STALINISMO AO NACIONALISMO
No final dos anos 80, com a abertura política no bloco soviético e o declínio da ideologia comunista, para manter o poder, Milosevic fez uma transição do stalinismo para o nacionalismo sérvio. Ao intervir num conflito na província do Kosovo, de maioria albanesa, em 1989, declarou que “nunca mais os sérvios deveriam ser humilhados em sua própria terra”.

Este verdadeiro grito de guerra foi a senha que liberou os ferozes nacionalismos iugoslavos adormecidos sob Tito. Milosevic foi eleito presidente da Sérvia pela Assembléia Nacional e reeleito pelo voto direto em dezembro de 1990.

Em março de 1991, uma onda de manifestações de massa contestou o resultado das eleições e o amplo domínio de Milosevic sobre a máquina do Estado e os meios de comunicação. Numa manobra para desviar a atenção dos problemas internos da Sérvia, ele incentivou uma rebelião da minoria sérvia na província croata de Krajina.

Como o Exército Federal da Iugoslávia era dominado pelos sérvios, foi uma luta desigual. Em 25 de junho de 1991, as repúblicas da Croácia e da Eslovênia declararam independência com base na Constituição de 1974, que garantia este direito pelo menos no papel. O Exército iugoslavo invadiu estas duas repúblicas.

A guerra foi especialmente violenta na Croácia. Mas como se tratava de um conflito interno, de uma guerra civil, a sociedade internacional não tinha o direito de intervir. O então presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, preocupado com a disputa da reeleição em 1992, deixou a crise a cargo dos europeus. Mas logo depois da reunião de cúpula européia que aprovou o Tratado de Maastricht, em dezembro de 1991, criando a União Européia e a política de segurança e externa comum, a Europa se dividiu quanto à Iugoslávia.

Aliada histórica da Croácia, a Alemanha reconheceu as independências da Croácia e da Eslovênia, enquanto França, Grã-Bretanha e EUA preferiam manter a unidade da Iugoslávia.

IMPLOSÃO DA BÓSNIA
Em março de 1992, um plebiscito aprovou a independência da Bósnia-Herzegovina, a mais dividida etnicamente das repúblicas iugoslavas, com populações sérvia, croata e muçulmana. Em abril, começou a mais violenta das guerras que dividiram a Iugoslávia, com massacres, tortura, violações sexuais em massa e campos de concentração que lembraram os horrores da Segunda Guerra Mundial.

Até 1995, calcula-se que 250 mil pessoas foram mortas e 5 milhões fugiram de suas casas. Sarajevo, a capital sérvia, onde houve o incidente que provocou o início da Primeira Guerra Mundial, em 28 de junho de 1914 (um estudante radical sérvio, Gravilo Princip, matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro Húngaro), foi cercada e duramente bombardeada pelos sérvios.

Inicialmente relutante em intervir num conflito europeu, o presidente americano Bill Clinton decidiu usar a Força Aérea da Organização do Tratato do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, para bombardear posições sérvias. Isto não impediu o assassinato coletivo de 8 mil homens em Srebrenica em julho de 1995, cidade que estava sob a proteção da ONU, no pior massacre cometido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

Em agosto do mesmo ano, o Exército da Croácia, treinado e armado sigilosamente pelos EUA, iniciou uma grande ofensiva e retomou a província de Krajina, derrubando o mito da invencibilidade sérvia. Cerca de 200 mil sérvios foram expulsos da região onde este povo estava desde sua derrota para os turcos do Império Otomano na Batalha do Kosovo, em 28 de junho de 1839. Por isso o tiro que iniciou a Primeira Guerra Mundial foi desferido em 28 de junho.

Os EUA levaram então os presidentes sérvio, Milosevic, bósnio, Alija Izetbegovic, e croata, Franjo Tudiman, para a cidade de Dayton, no estado de Ohio, e impuseram um acordo de paz. Na época, os americanos sabiam que precisavam de Milosevic.

GUERRA DO KOSOVO
O conflito deslocou-se então para a província do Kosovo, de maioria albanesa e muçulmana. Esta província tem um significado especial na mitologia sérvia por causa da batalha de 28 de junho de 1389, uma derrota que eles festejam até hoje.

Um movimento democrático liderado por Ibrahim Rugova tentava resgatar os direitos da maioria albanesa, suprimidos por Milosevic desde 1989. Sem sucesso diante da repressão iugoslava, surgiu um movimento guerrilheiro, o Exército de Libertação do Kosovo.

Milosevic iniciou então, em 1998, uma campanha de ‘purificação étnica’ que levou a uma intervenção militar da OTAN. De 24 de março a 10 de junho de 1999, sem autorização das Nações Unidas porque seria vetada pela Rússia, a OTAN bombardeou duramente a Sérvia e o Kosovo, e os sérvios aceleraram o processo de expulsão dos albaneses.

Durante a guerra, em 27 de maio de 1999, Milosevic foi denunciado ao Tribunal de Crimes de Guerra da Iugoslávia por 66 crimes de guerra e crimes contra a humanidade, inclusive genocídio.

A QUEDA
Sua queda veio com uma revolução popular que tomou as ruas de Belgrado em 5 de outubro de 2000, depois de fraude na eleição presidencial. No dia seguinte, Milosevic renunciou, assumindo o presidente realmente eleito, Vojislav Kostanica. Preso pelo novo regime em 31 de março de 2001, em 28 de junho do mesmo ano ele foi entregue pelo então primeiro-ministro sérvio, Zoran Djindjic, ao tribunal de Haia.

Djinjic pagaria com sua vida. Foi assassinado em 12 de março de 2003, supostamente por mafiosos ligados ao antigo regime. Como a Sérvia foi alvo de um boicote econômico e militar desde o início dos anos 90, floresceu sob Milosevic uma máfia que se beneficiava do embargo. A Sérvia enfrentou a mais longa hiperinflação da história e ficou destroçada e desmoralizada internacionalmente.

Em Haia, inicialmente Milosevic negou-se a reconhecer a legitimidade do Tribunal. Advogado, preferiu fazer sua própria defesa. Participando ativamente do processo, questionou testemunhas e brigou com os juízes, usando o julgamento como uma tribuna para atacar seus inimigos na Sérvia.

Milosevic morre antes da conclusão do processo. É quase certo que seria condenado à prisão perpétua, já que o Tribunal de Haia não aplica a pena de morte.

Até hoje a Sérvia não apagou sua imagem de pais-pária. Da antiga federação iugoslava, restou uma frágil união entre a Sérvia e Montenegro. Os responsáveis pelo massacre de Srebrenica, o líder político Radovan Karadzic e o general Ratko Mladic, continuam soltos sob a proteção seus aliados sérvios. A UE exige que eles sejam entregues ao tribunal de Haia para iniciar negociações para a adesão da Sérvia à comunidade européia, onde até o momento só foi admitida uma ex-república iugoslava, a Eslovênia.

Agora, as autoridades sérvias temem que os funerais de Milosevic sejam convertido numa ampla mobilização de seus aliados, dos ultranacionalistas sérvios e das máfias que se beneficiaram de sua ditadura, abalando a frágil estabilidade do mais conturbado país na história recente da Europa. Ele poderia se tornar em mais um símbolo da autovitimização sérvia

Michelle Bachelet assume presidência do Chile

Primeira mulher eleita presidente na América do Sul, Michelle Bachelet assumiu neste sábado a presidência do Chile, diante de representantes de 120 países, para um mandato de quatro anos.

Médica, separada, mãe solteira e socialista, sua eleição em segundo turno em 15 de janeiro passado foi vista como um grande avanço num pais considerado machista. Presa política e exilada durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90), ela foi ministra da Defesa e da Saúde no governo Ricardo Lagos, ajudando a promover a reconciliação entre militares e civis.

No governo, Bachelet deve manter a linha pragmática e realista adotada pelo Partido Socialista desde que formou a Concertación com o Partido Democrata-Cristão e outras 14 agremiações políticas para derrubar Pinochet. Em 1988, esta ampla coalizão venceu um plebiscito contra o general. Em 1989, o democrata-cristão Patrício Aylwin venceu o candidato da ditadura e, em 1990, acabava o regime militar, acusado por mais de 3 mil mortes e desaparecimento de pessoas.

Sob Pinochet, a ferro e fogo, o Chile realizou uma série de reformas econômicas liberalizantes que estimularam o crescimento do país. Os governos civis que o seguiram mantiveram a política macroeconômica, investindo em políticas sociais para minimizar os efeitos perversos do neoliberalismo à Pinochet.

Hoje o Chile tem a maior renda média por habitante da América Latina, de cerca de US$ 10 mil. Ainda é uma sociedade desigual mas o índice de pobreza caiu para 14%. Bachelet deve manter a linha pragmática do socialismo chileno, identificando-se mais com as políticas dos presidentes Lula e Tabaré Vasquez, do Uruguai, do que com o neopopulismo do líder venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales. Mas espera-se que dê maior ênfase a políticas sociais, sobretudo de promoção da mulher.

Amazon.com quer vender download de filmes

A empresa de vendas via Internet Amazon.com está negociando com produtoras de cinema como a Paramount, Warner e Universal Pictures para oferecer filmes baixados via computador, que poderiam ser gravados em DVD pelos consumidores. O plano é seguir o exemplo do sistema de venda de músicas iTunes, da Apple, hoje o maior distribuidor online da produção dos estúdios de cinema.

No momento, por US$ 1,99, é possível comprar episódios da série Lost mas não filmes de longa-metragem.

"Do ponto-de-vista estratégico, é preciso entender que a mídia física será superada pela descarga digital", observou Josh Bernoff, analista da Forrester Research, uma empresa americana de pesquisa de mercado.

Em 2005, a venda de mídias físicas (livros, CDs e DVDs) representou 70% dos negócios da Amazon.com. Seu presidente, Jeff Besos, comentou que o universo digital é de grade importância para a companhia. Mas seu objetivo maior é servir o consumidor, oferecendo-lhe o que ele quiser comprar, seja digital ou não.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Pragmatismo marca viagem de Lula a Londres

A visita de Estado do presidente Luiz Ignacio Lula da Silva ao Reino Unido mostrou um triunfo do pragmatismo sobre a retórica latino-americanista e antiamericana na política externa brasileira.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, é o maior aliado do presidente dos Estados Unidos, George Bush. Isto não impediu que Blair e Lula buscassem pontos de interesse comum dos dois países, como a retomada das negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio, a reforma das Nações Unidas com uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança, o combate à fome, à pobreza absoluta e ao aquecimento da Terra. Tudo isto foi claramente expresso num artigo conjunto publicado simultaneamente nos jornais Folha de S. Paulo e The Times, de Londres.

Uma visita de Estado tem um caráter mais formal e protocolar. De modo geral, nada fugiu da rotina. Mas a visita do presidente Lula teve bastante cobertura dos meios de comunicação britânicos, mais do que a visita de Estado do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 1997, onde ele apareceu nos jornais ingleses em fotos ao lado de Pelé sem ser identificado.

Houve um certo constrangimento quando Blair pediu desculpas pelo assassinato pela polícia britânica do imigrante illegal brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com terroristas, em 22 de julho. Na verdade, ele manteve a política de atirar para matar e apóia a posição da polícia nas investigações. Mas isto não prejudicou a visita.

O simples fato do Brasil ser distinguido com duas visitas de Estado em 10 anos já indica uma elevação do status internacional do país. Só dois países são convidados a cada ano. Isto significa que o Brasil, agora sob Lula, é cada vez mais tratado com igualdade e respeito pelos países ricos e nos foros internacionais.

O Brasil só não merece mais atenção porque o crescimento econômico brasileiro é pálido diante de economias emergentes como a China e a Índia, como deixou escapar o príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth II, em mais uma gafe da família real britânica. Mas é visto como potência econômica emergente.

Lula não inventou uma nova política externa. Construiu a sua em cima de um longo e competente trabalho do Itamarati. Mas deu-lhe renovada força política ao reafirmar a independência e a soberania nacionais diante das grandes potências, e defender a adoção de políticas globais de combate à fome e à miséria, argumentando que a justiça social é o único caminho seguro para a paz. Faltou, na minha opinião, uma iniciativa para resolver o problema do genocídio em Darfur, no Sudão, para evitar que esta pregação por um programa Fome Zero mundial saia do discurso.

TERCEIRA VIA
Blair é o principal aliado de Bush e tinha grande identificação com Fernando Henrique. Lula não gosta de ser comparado à chamada Terceira Via, uma espécie de ideologia do neotrabalhismo de Blair criada pelo sociólogo ingles Anthony Giddens, da London School of Economics, amigo pessoal de Fernando Henrique. A idéia é criar um caminho alternativo entre o neoliberalismo e a social-democracia tradicional baseada na intervenção estatal na economia.

Para o ex-embaixador Brasil nos EUA e no Reino Unidos Rubens Barbosa, hoje diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias de São Paulo, “a terceira via é uma combinação de ortodoxia econômica com investimentos sociais”. A meta é manter uma economia saudável e estável para aumentar a capacidade de investimento do Estado em areas onde o setor privado não tem interesse, especialmente em infra-estrutura, saúde e educação.

Neste sentido, os governos Lula e Blair se parecem, por mais que o Partido dos Trabalhadores rejeite esta comparação em nome de um purismo ideológico. Mas a postura de Lula em Londres foi extremamente pragmática, na linha preferida pelo ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, em contraste com posições mais ideológicas, radicais e antiamericanas associadas ao secretário-geral do Itamarati, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, e o assessor de relações internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia.

O Brasil e a Grã-Bretanha criaram uma comissão de alto nível para revisar as relações bilaterais. Também decidiram unir esforços para a retomada das negociações de liberalização commercial da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), embora o chanceler Celso Amorim já admita que será difícil chegar a um anteprojeto do acordo final até 30 de abril.

A Grã-Bretanha deu apoio à aspiração do Brasil de ser membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas como representante da América Latina. Como os EUA, que têm direito de veto, até o momento só concordam com a entrada de seu aliado Japão, a reforma do CS está paralisada. Mas é importante o apoio de outro membro permanente.

Londres apóia a adesão da Alemanha, do Brasil, da Índia e do Japão, que considera o limite para que o órgão supremo do sistema ONU não fique muito amplo e diluído, o que traria um risco de paralisia.

Lula e Blair também concordaram quanto à necessidade de impulsionar o desenvolvimento da África para combater a miséria do continente mais pobre do mundo e também de tomar medidas decisivas para atacar o aquecimento da Terra.

NEGÓCIOS BILIONÁRIOS
Com a crise permanente do Oriente Médio, o preço do petróleo em US$ 60 por barril e o risco de novos choques de oferta, cresce o interesse internacional pelo programa nacional de álcool do Brasil, recentemente citado por Bush como alternativa energética.

Na parte de negócios, a mineradora Rio Tinto, concorrente da Vale do Rio Doce manifestou a intenção de retomar um projeto de US$ 2,5 bilhões no polo siderúrgico de Corumbá-MS, parado há anos porque a lei brasileira proíbe exploração mineral de fronteiras por estrangeiros, entrave legal que o governo brasileiro prometeu eliminar.

Outro gigante, a companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, está negociando um investimento de US$ 300 milhões com a Fundação Osvaldo Cruz para a fabricação de vacinas.

Em suma, a visita de Lula a Londres revela uma política externa madura, pragmática e realista, sem a contaminação ideológica sempre presente nas relações interamericanas. O foco central está na OMC, onde o Brasil espera extrair concessões em agricultura que dificilmente conseguirá nas negociações com os EUA para criar a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que estão estagnadas, ou entre a União Européia e o Mercosul.

Nos dois casos, o protecionismo agrícola dos países ricos fala mais alto. É uma carta a ser usada numa instituição multilateral como a OMC. A Grã-Bretanha apóia o Brasil porque adota uma política econômica liberal e é contra os subsídios agrícolas europeus, que beneficiam sobretudo França e Alemanha mas também Espanha, Grécia e Polônia, o que torna difícil qualquer concessão significativa para um bloco de menor peso econômico como o Mercosul.

RISCO DE ISOLAMENTO
O maior problema da política externa de Lula no momento está justamente no projeto de integração regional da América do Sul. Há uma séria crise no Mercosul. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, está mais interessado em crescimento econômico e na sua reeleição em 2007 do que na Comunidade Sul-Americana de Nações, sonho maior de Lula. Prefere aprofundar o Mercosul a ampliá-lo para incluir os países andinos.Argentina e Uruguai estão brigando por causa de um projeto uruguaio de construir fábricas de celulose junto ao Rio Uruguai. Paraguai e Uruguai podem fechar acordos comerciais com os EUA. E a entrada da Venezuela de Hugo Chávez ameaça a institucionalização do Mercosul, fundamental para que o bloco avance.

Diante do fracasso da ALCA, os EUA estão fechando acordos de comércio bilaterais que ameaçam isolar Brasil, Argentina e Venezuela. Além do Acordo de Livre Comércio da América do Norte com o México, que entrou em vigor em 1994, Washington fez o Acordo de Livre Comércio da América Central. Acaba de fechar um acordo com a Colômbia. Peru e Uruguai já manifestaram interesse em negociar acordos com os americanos. E até o Paraguai, que está realizando manobras militares com a presença de tropas americanas, pode não só abrigar uma nova base militar Americana na região como partir daí para um acordo de livre comércio.

Brasil, Argentina e Venezuela, o eixo de América do Sul, ficariam isolados. Os três países anunciaram a construção de um gasoduto de US$ 30 bilhões para integrar a região. É um projeto político acalentado por Chávez cuja relação custo-benefício é considerada antieconômica pelos analistas. Atravessaria a Amazônia, exigindo a construção de estradas que acelerariam ainda mais a destruição da maior floresta tropical do planeta.

EUA desativam prisão-símbolo da tortura no Iraque

Dentro de três meses, os Estados Unidos vão transferir os 4.537 presos para uma cadeia em construção em Bagdá e devolver ao governo iraquiano a prisão de Abu Ghraib, mal afamada desde a ditadura de Saddam Hussein (1979-2003).

A prisão de segurança máxima de Abu Ghraib, nos arredores da capital iraquiana, tornou-se o símbolo da tortura e dos abusos cometidos por soldados americanos na invasão do Iraque. Em abril de 2004, foram divulgadas fotos de americanos torturando seus prisioneiros com o uso de cães, máscaras e fios elétricos, deixando-os nus e colocando-os em posições humilhantes, muitas sugerindo atos sexuais.

Foi a maior desmoralização para os americanos, minando sua credibilidade junto ao povo iraquiano, que passou a se questionar se esta era a democracia que os EUA prometeram implantar no país depois da queda de Saddam Hussein, em abril de 2003.

A prisão foi construída em 1960. Durante a ditadura de Saddam, ficou famosa como centro de torturas e de execuções sumárias. Estima-se que só no ano de 1984 4 mil prisioneiros foram executados em Abu Ghraib.

Quando as imagens da tortura cometida por americanos foram reveladas, o governo George Walker Bush atribuiu os maus tratos a soldados renegados. Mas como houve tortura na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, e em outras prisões militares americanas no Afeganistão e no Iraque, grupos de defesa dos direitos humanos concluíram que havia uma autorização superior do Departamento da Defesa e da própria Casa Branca para usar métodos violentos de interrogação contra suspeitos de terrorismo. O governo americano nega mas as provas são evidentes.

Morre ministro britânico envolvido num dos maiores escândalos políticos do século passado

Depois de quatro décadas na obscuridade e na desgraça, John Profumo morreu em 9 de março aos 91 anos.

Ele era ministro da Guerra do governo conservador de Harold Macmillan em 1963, durante a Guerra Fria, e mentiu ao Parlamento Britânico sobre suas relações com Christine Keller, uma prostituta ligada a um espião soviético. Quando ela revelou que também tinha um caso com Eugene Ivanov, um oficial do serviço secreto da União Soviética que era adido naval em Londres, o escândalo tornou-se insuportável.

Profumo foi demitido em 4 de junho de 1963, depois de admitir que enganara a Câmara dos Comuns. Desde então, levava uma vida discreta, dedicada a instituições beneficentes.

O escândalo derrubou o governo Macmillan, conduzindo os trabalhistas à vitória em 1964, sob a liderança de Harold Wilson, que dominou a política britânica até 1976.

Primeiro-ministro italiano enfrenta urnas em meio a processo por corrupçao

A quatro semanas das eleições na Itália, dois procuradores de Milão denunciaram o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o marido de uma ministra britânica por corrupção. Eles rejeitaram um pedido de mais tempo feito pela defesa e enviaram à Justiça um processo de 15 mil páginas. O juiz tem agora 30 dias para decidir se aceita ou não a denúncia.

Berlusconi acusou-os de interferir no processo eleitoral. A oposição liderada pelo ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Européia Romano Prodi tem vários pontos de vantagem sobre Berlusconi nas pesquisas para as eleições de 9 de abril.

Os procuradores Fabio de Pasquale e Alfredo Robledo suspeitam que o primeiro-ministro pagou US$ 600 mil como suborno para que o advogado David Mills, marido da ministra da Cultura britânica Tessa Jowell, desse falso testemunho em processos contra Berlusconi nos anos 90. O casal anunciou a separação no fim de semana passado para tentar salvar a carreira política de Tessa Jowell.

Em julho de 2004, Mills confessou ter recebido o dinheiro de “presente” do líder da direita italiana, que é também o homem mais rico da Itália. Depois, mudou sua versão, responsabilizando um empresário napolitano.

Berlusconi foi condenado corrupção diversas vezes, livrando-se em apelações ou por decurso de prazo, com base no estatuto de limitações, aprovado por sua iniciativa. O Financial Times, de Londres, principal jornal econômico-financeiro europeu, observa que os dois acusados podem ser beneficiados pelo estatudo, o que tornaria a denúncia em mais uma cena do teatro político-eleitoral italiano.

EUA criam 243 mil novos empregos

Os Estados Unidos criaram 243 mil novos empregos não-agrícolas em fevereiro, acima das expectativas do mercado, o maior número em três meses. Apesar disso, o índice de desemprego registrou ligeira alta, de 4,7% para 4,8% da população economicamente ativa.

Agora os analistas tentam prever como o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, vai reagir a este aquecimento da economia.

O pagamento médio por hora de trabalho cresceu 0,3% e os salários calculados anualmente 3,5%, o maior índice desde setembro de 2001. Para os economistas, não houve aumento do poder de barganha dos trabalhadores, o que conteria as pressões inflacionárias. A inflação americana está em torno de 4% ao ano por causa da alta nos preços do petróleo.

A expectativa do mercado é que o Fed aumente a taxa básica de juros dos EUA em 0,25 ponto percentual no final deste mês, deixando-a em 4,75%, e para 5% em maio.