segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Janeiro

CAVALEIROS DO TEMPLO

    Em 1128, durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo ou Ordem dos Templários, como um "exército de Deus".

A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, uma série de expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.

De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.

Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.

Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.

Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.

As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.

ÉMILE ZOLA ACUSA

    Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Como as provas eram suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu Acuso:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general De Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L'Éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que eu me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.

O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

COSTA CONCORDIA NAUFRAGA

    Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.

Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.

Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"

O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.

UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS

    Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.

Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.

A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que preside a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.

Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.

Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renuncia quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).

domingo, 12 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Janeiro

 LOBO DO MAR

    Em 1876, nasce na miséria em São Francisco da Califórnia John Griffith Chaney, ativista, operário, marinheiro, jornalista e escritor mais conhecido como Jack London.

"Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro – e, é claro, o leme que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. 

"Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil, foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos – e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. 

"Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globetrotter, um palestrante incendiário, um 'líder' popular – e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre." (Eduardo Bueno)

GUERRA ANGLO-ZULU

    Em 1879, começa a Guerra Anglo-Zulu, um conflito de seis meses decisivo para consolidar a hegemonia britânica sobre o que hoje é a África do Sul.

Na segunda metade do século 19, o Império Britânico se interessa pelas terras da Zululândia, para onde os bôeres, camponeses de origem holandesa, avançam na Longa Jornada (1835-46). Os britânicos pensam em usar mão de obra zulu nas minas de diamantes.

Desde que se torna rei dos zulus, em 1872, Cetshwayo decide resistir ao imperialismo. Para isso, forma um exército de 40 a 60 mil homens.

Em dezembro de 1878, o alto comissário (embaixador) britânico para a África do Sul dá um ultimato impossível de cumprir: exige que os zulus desmantelem sua força militar em 30 dias e paguem reparações por supostos insultos.

Como é óbvio, Cetshwayo não aceita. Em janeiro, as forças britânicas invadem a Zululândia sob o comando de Frederic Thesiger, 2º Barão de Chelmsford, que deixa um terço de suas tropas num acampamento desprotegido atacado pelos zulus em 22 de janeiro. Em Isandlwana, eles matam 800 britânicos e tomam mil fuzis e munição. É a única derrota de um exército moderno, com armas de fogo, para um exército que luta com lanças e escudos

Outra força, sob o comando de Dabulamanzi kaMpande, irmão de Cetshwayo, investe contra os britânicos em Rorke's Drift, onde os britânicos, avisados pelos sobreviventes de Isandlwana, estão preparados. Em 12 horas de batalha, cerca de 120 soldados britânicos matam mais de 500 guerreiros zulus.

A notícia da derrota em Isadlwana, uma das maiores humilhações do Império Britânico no século 19, chega a Londres em 11 de fevereiro e acaba com qualquer chance de Cetshwayo negociar a paz. Londres declara guerra total. 

Um exército sob o comando do general Evelyn Wood sofre uma derrota inicial em 28 de março em Hoblane, mas conquista uma vitória decisiva na Batalha de Kambula no dia seguinte. Em 2 de abril, uma coluna britânica liderada por Chelmsford inflige uma grande derrota aos zulus em Gingindlovu, onde mais de mil zulus são mortos.

Chelmsford avança em direção a Ulundi, onde em 4 de julho conquista a vitória definitiva sobre Cetshwayo, que é capturado em agosto. O Império Britânico controla a Zululândia e consolida seu domínio pela África do Sul ao vencer a Guerra dos Bôeres (1899-1902).

RETALIAÇÃO MACIÇA

    Em 1954, durante a Guerra Fria com a União Soviética, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, anuncia que os Estados Unidos vão responder a agressão comunista com "a força de uma retaliação maciça", que se torna a ideia central da doutrina de segurança nacional do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

Os EUA fabricam a bomba durante a Segunda Guerra Mundial e a jogam em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, para acabar com a guerra. 

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba nuclear. 

Os EUA investem então na bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Ela é testada pela primeira vez em 1º de novembro de 1952. A URSS testa a sua em 12 de agosto de 1953, equilibrando a corrida armamentista.

Então, os EUA decidem advertir que um ataque com armas nucleares será respondido com "retaliação maciça".

IMPACTO PROFUNDO

    Em 2005, os Estados Unidos lançam a nave espacial Deep Impact, que dispara um artefato com 370 quilos de massa contra o núcleo do cometa Tempel 1 para estudar a estrutura do corpo celeste.

O bólido se choca com o cometa em 4 de julho e abre uma cratera. Ao contrário do esperado, as fotografias mostram mais poeira do que gelo. Uma nuvem de poeira dificulta a visualização da cratera. Três missões anteriores haviam observado cometa. Esta foi a primeira a realizar um impacto para obter material e descobrir de que é feito o núcleo dos cometas.

TERREMOTO DE PORTO PRÍNCIPE

    Em 2010, a terra treme pouco depois das cinco horas da tarde, num abalo de 7 graus na escala aberta de Richter sentido em Cuba e na Venezuela, com epicentro a 25 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O abalo é perto da superfície, a 19 km de profundidade, o que aumenta o poder de destruição, matando cerca de 200 mil pessoas.

A ilha de Hispaniola, que o Haiti divide com a República Dominicana, está sujeita a terremotos violentos, registrados em 1751, 1770, 1846 e 1946. Porto Príncipe fica em cima da falha geológica onde as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe se encontram.

Cerca de 300 mil construções são arrasadas, estradas destruídas, assim como os cabos de linhas de transmissão de energia e telecomunicações, o porto, o aeroporto, todos os hospitais e três instalações da organização não governamental Médicos sem Fronteiras.

sábado, 11 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Janeiro

 NASCE ALEXANDER HAMILTON

    Em 1755 ou 1757, nasce em Névis, nas Antilhas Britânicas, Alexander Hamilton, estadista, político, acadêmico, comandante militar, economista e banqueiro, um dos fundadores dos EUA e o primeiro secretário do Tesouro (1789-95).

Hamilton entra para o King's College, hoje Universidade de Colúmbia, em 1773. Defende publicamente a Festa do Chá de Boston, quando colonos invadem o porto da cidade, em 16 de dezembro de 1773, e jogam no mar uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais em protesto contra os aumentos de impostos pagos ao Império Britânico.

Nos dois anos seguintes, Hamilton escreve panfletos apócrifos contra a importação, o consumo e a exportação de produtos britânicos.

Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), Hamilton é capitão da artilharia de Nova York. Ele organiza uma companhia. Na Batalha de Trenton, impede as forças britânicas sob o comando de Lorde Cornwallis cruzem o Rio Raritan e ataquem o exército de George Washington.

Em fevereiro de 1777, Washington, comandante do Exército Continental, o convida para ser ajudante de ordens com a patente de coronel. Ele cumpre várias missões. Fluente em francês, vira oficial de ligação com os generais e almirantes franceses que apoiam a rebelião.

Depois da guerra, Hamilton é um dos delegados da Convenção Constitucional, que redige a Constituição dos EUA em 1787. É um dos principais autores dos Artigos Federalistas. Defende um governo central forte.

No Relatório sobre um Banco Nacional, em 14 de novembro de 1790, ele defende a criação do Banco dos Estados Unidos, no modelo do Banco da Inglaterra para fortalecer a aliança entre o Estado e o setor empresarial.

É adepto das ideias de Adam Smith, o pai de ciência econômica, que chama de economia política, e do liberalismo econômico, e autor do clássico A Riqueza das Nações, mas discorda de Smith por ser a favor da intervenção estatal na economia.

Hamilton é contra partidos políticos. Defende um governo de homens ilustrados, mas funda o Partido Federalista, que se opõe ao Partido Republicano, criado por Thomas Jefferson e James Madison, outros pais da pátria. Detesta a Revolução Francesa e suas ideias igualitárias. É um dos principais autores do Discurso de Despedida de Washington, em 1796.

Em 1804, ele barra a candidatura de Aaron Burr a governador de Nova York, que o desafia para um duelo. Hamilton é baleado no duelo, em 11 de julho de 1804 e morre no dia seguinte.

PRIMEIRO VOO HAVAÍ-CALIFÓRNIA

    Em 1935, a pioneira da aviação Amelia Earhart faz o primeiro voo solo entre o Havaí e a Califórnia, uma distância maior do que entre os Estados Unidos e a Europa.

Amelia nasce em 24 de julho de 1897 em Atchison, no estado do Kansas, filho de um advogado de estrada de ferro e de uma mãe de família. Desde pequena, revela espírito aventureiro.

Sua primeira experiência com um avião, em 1920, a leva a fazer aulas de pilotagem. Em junho de 1928, ela atravessa o Oceano Atlântico pela primeira vez como passageira, num voo de 20 horas e 40 minutos.

Em 20 e 21 de maio de 1932, ela se torna a primeira mulher a cruzar o Atlântico pilotando. Leva seu Lockheed Vega de Harbour Grace, na Terra Nova, no Canadá, para Londonderry, na Irlanda do Norte, no tempo recorde de 14h56min.

Num voo ainda mais longo, de 3.875 quilômetros, Amelia sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro de 1935 e leva 17h07min para pousar em Oakland, na Califórnia, no dia seguinte.

O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, Amelia Earhart e o copiloto Fred Noonan decolam de Miami para uma viagem de 47 mil quilômetros. Depois de várias paradas para descansar e reabastecer, eles chegam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho depois de percorrer 35 mil km.

Em 2 de julho, eles partem para a Ilha Howland, um pequeno atol de difícil localização com os instrumentos da época a 4,2 mil km de distância. Há navios dos EUA dando apoio à navegação. Num último contato pelo rádio, ela diz que o avião está ficando sem combustível.

Earhart e Noon caem a 160km do destino. Uma intensa operação de busca é realizada na região até 19 de julho. Os dois são dados por desaparecidos no mar. Uma ossada encontrada em 1940 na ilha de Nikumaroro, no Oceano Pacífico, que fica a 3 mil km a sudoeste do Havaí, pode ser de Amelia Earhart.

FUMAR DÁ CÂNCER

    Em 1964, o clínico geral dos Estados Unidos, Luther Terry, divulga um relatório bombástico com a conclusão de que fumar causa câncer. 

A notícia sai no sábado para amenizar o impacto sobre a bolsa de valores. 

Desde os anos 1930, os médicos constatam um aumento no câncer de pulmão e o tabaco é suspeito. Os primeiros estudos científicos são publicados no Reino Unido no fim dos anos 1940. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II. 

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Janeiro

 DAGUERREOTIPIA

    Em 1839, o francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre anuncia a invenção da daguerreotipia, a primeira forma de fotografia, em apresentação na Academia de Ciências da França, em Paris.

Daguerre nasce em 18 de novembro de 1787 em Carmeilles. Físico e pintor, é considerado o pai da fotografia. Antes, trabalha como agente do imposto de renda e pintor de cenários para ópera. 

En 1822, ele abre em Paris uma exposição chamada Diorama de imagens com vários efeitos induzidos pela variação da iluminação. Inaugura outra no Regent's Park, em Londres, incendiada em 1839.

Quando Niépce sabe das experiências de Daguerre, os dois se associam e trabalham juntos até a morte de Niépce, em 1833. Daguerre continua suas experiências e descobre que uma placa de sais de prata expostos à luz dentro de uma câmara escura registram uma imagem latente que pode ser revelada com fumaça de mercúrio e fixadas permanentemente com cloreto de sódio, o sal comum.

Embora as primeiras fotos da natureza sejam feitas por Nicéphore Niépce em 1826-27, a qualidade era ruim e exigia oito horas de exposição. A fotografia de Daguerre exiige apenas 20 a 30 minutos.

NASCE JOAN BAEZ

    Em 1941, nasce na Staten Island, em Nova York, a cantora e ativista política Joan Baez, um ícone da música popular desde os anos 1960.

Filha de um físico e pesquisador de origem mexicana, Joan Baez viaja pelos Estados Unidos com o pai. Estuda música e lança seu primeiro álbum, Joan Baez, com o violão acompanhando sua linda voz soprano.

Joan Baez forma uma dupla com Bob Dylan e ajuda a impulsionar o início da carreira do grande poeta do rock and roll, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2016, com quem teve uma relação amorosa de 1961 a 1965. 

Os dois cantam a tocam juntos na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, quando o líder do movimento pelos direitos civis dos negros, o reverendo Martin Luther King Jr., faz seu discurso mais importante, I Have a Dream.: "Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro pequenos filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pela nobreza de seu caráter." 

É uma das grandes ativistas da luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e se apresenta no histórico Festival de Woodstock.


JOBS APRESENTA iPHONE

    Em 2007, o diretor-presidente da Apple, Steve Jobs, apresenta o iPhone, um telefone celular com tela sensível, um iPod, câmera e navegador de Internet, entre outras capacidades, iniciando uma revolução nas telecomunicações. 

Quando as vendas começam, em 29 de junho, milhares de consumidores fazem fila diante das lojas da Apple nos Estados Unidos. Até novembro, são vendidos 1,4 milhão. No fim de 2007, o iPhone começa a ser vendido na Europa e, em 2008, na Ásia.

Em julho de 2008, a Apple abre a App Store, sua loja digital para baixar aplicativos que transformam seu telefone celular num poderoso computador de mão. Hoje, a maioria das pessoas tem um aparelho desses e organiza boa parte da vida através dele. Vivemos no mundo que Steve Jobs criou.

Durante os primeiros cinco anos, até 2012, a Apple vende mais de 200 milhões de iPhones. Isto é decisivo para que se torne a maior empresa privada do mundo, a primeira a atingir um valor de mercado de US$ 3 trilhões.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Janeiro

 PLANO DE PAZ DE WILSON

    Em 1918, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, apresenta no Discurso Objetivos da Guerra e Termos da Paz um plano de 14 pontos para depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

1. Convenções abertas de paz, abertamente alcançadas, após as quais não haverá entendimentos internacionais privados de qualquer tipo, mas a diplomacia deve proceder sempre com franqueza e aberta à opinião pública.

2. Total liberdade de navegação nos mares fora de águas territoriais, tanto na paz quanto na guerra, exceto quando os mares possam estar fechados no todo ou em parte por ação internacional para implementar convenções internacionais.

3. A remoção, tanto quanto possível, de todas as barreiras econômicas e o estabelecimento de condições de igualdade entre todas as nações que consistam com a paz e se associem para sua manutenção.

4. Garantias adequadas dadas e tomadas de que os armamentos nacionais serão reduzidas ao ponto mais baixo consistente com a segurança interna.

5. Um ajuste livre, de mente aberta, e absolutamente imparcial de todas as reivindicações coloniais, com base numa estrita observância do princípio de que, ao determinar todas estas questões de soberania, os interesses das populações em causa devem ter igual peso às reivindicações equitativas do governo cujo título deva ser determinado.

6. A retirada de todo o território russo e a resolução de todas as questões que afetam a Rússia garantirão a melhor e a mais livre cooperação das outras nações do mundo para obter para ela uma oportunidade desimpedida e sem obstáculos para determinação independente dela o seu próprio desenvolvimento político e política nacional, e assegurar-lhe uma recepção sincera na sociedade das nações livres sob instituições de sua escolha; e, mais do que um acolhimento, assistência também de todos os tipos que ela possa precisar e desejar. O tratamento concedido à Rússia por suas nações irmãs nos próximos meses será o teste ácido de sua boa vontade, de sua compreensão de suas necessidades como distintas de seus próprios interesses e de sua simpatia inteligente e altruísta.

7. A Bélgica, o mundo inteiro concordará, deve ser esvaziada e restaurada, sem qualquer tentativa de limitar a soberania de que ela goza em comum com todas as outras nações livres. Nenhum outro ato servirá, pois isso servirá para restaurar a confiança entre as nações nas leis que elas mesmas estabeleceram e determinaram para o governo de suas relações umas com as outras. Sem este ato de cura, toda a estrutura e validade do direito internacional será para sempre prejudicada.

8. Todo o território francês deve ser libertado e as porções invadidas restauradas, e o mal feito à França pela Prússia em 1871 na questão da Alsácia-Lorena, que perturbou a paz no mundo por quase 50 anos, para que a paz seja novamente assegurada no interesse de todos.

9. O reajuste das fronteiras da Itália deve ser efetuado ao longo de linhas de nacionalidade claramente reconhecíveis.

10. Aos povos da Áustria-Hungria, cujo lugar entre as nações deve ser salvaguardado e assegurado, deve ser concedida a oportunidade mais livre de desenvolvimento autônomo.

11. A Romênia, a Sérvia e Montenegro devem ser evacuadas; os territórios ocupados devem ser restauraudos; a Sérvia deve ter acesso livre e seguro ao mar; e as relações entre os Estados balcânicos determinadas por um conselho amistoso ao longo das linhas historicamente estabelecidas de lealdade e nacionalidade; e garantias internacionais de independência política e econômica e de integridade territorial dos vários Estados balcânicos.

12. As porções turcas do atual Império Otomano devem ter assegurados uma soberania segura, mas as outras nacionalidades que estão agora sob domínio turco devem ter asseguradas uma segurança indubitável da vida e uma oportunidade completamente inabalável de desenvolvimento autônomo, e o estreito de Dardanelos devem ser permanentemente aberto como uma passagem livre para os navios e o comércio de todas as nações sob garantias internacionais.

13. Um Estado polonês independente deve ser erigido e deve incluir os territórios habitados por todas as populações indiscutivelmente polonesas, às quais deve ser garantido acesso livre e seguro ao mar, e cuja independência política e econômica e integridade territorial devem ser garantidas por pacto internacional.

14. Uma associação geral de nações deve ser formada sob convenções específicas com o objetivo de proporcionar garantias mútuas de independência política e integridade territorial a grandes e pequenos países.

Em 4 de outubro, o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, príncipe Maximiliano de Baden, envia nota através da Suíça ao presidente Wilson pedindo um armistício e a abertura de negociações de paz com base no Plano de 14 Pontos de Wilson. Mais tarde, a Alemanha se declara traída pelos termos mais duros impostos pelo Tratado de Versalhes, de 1919.

Wilson convence os norte-americanos, historicamente isolacionistas, a intervir numa guerra na Europa sob o argumento de que era "a guerra para acabar com todas as guerras". O Tratado de Versalhes é "a paz para acabar com todas as pazes".

O Senado dos EUA, que tem o papel constitucional de aprovar os acordos internacionais, não ratifica a Convenção da Liga das Nações. A primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial nasce fraca, sem o país que se torna o mais poderoso do mundo. Não consegue impedir a invasão da Manchúria, em 1931, e do resto da China pelo Japão, em 1937; da Etiópia pela Itália, em 1935; a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha, em 1938 e 1939; e a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 26 de junho de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), 50 países assinam a Carta das Nações Unidas. A Liga das Nações deixa de existir em 20 de abril de 1946.

NASCIMENTO DE ELVIS PRESLY

    Em 1935, nasce Elvis Aaron Presley, em Tupelo, no Mississípi, no Sul dos Estados Unidos, o Rei do Rock e primeiro astro pop global.

O irmão gêmeo Jesse morre no parto. Depois do ensino médio, consegue um emprego como motorista de caminhão.

Aos 19 anos, entra num estúdio e paga US$ 4 para gravar algumas músicas para presentear a mãe. O dono do estúdio, Sam Philips, gosta da voz e convida Elvis para ensaiar com músicos locais. Ao ouvir a gravação da canção de rhythm & blues That's All Right, decide lançar um compacto na sua gravadora Sun Records.

O disco chega ao primeiro lugar nas paradas de sucesso locais e lança Elvis, o cantor solo que mais vendeu discos até hoje no mundo. Em 1955, a Sun Records vende o contrato com Elvis para a RCA, uma das gravadoras mais importantes dos Estados Unidos pelo preço recorde de US$ 40 mil.

Em setembro de 1956, Elvis aparece no programa de televisão Ed Sullivan Show, mas as câmeras só o mostram da cintura. Seu requebrado de dança de origem africana é considerado sensual demais para os padrões moralistas da época.

De 1956 a 1958, ele estrela quatro filmes. Em 1958, para desespero dos fãs, é convocado para servir ao Exército dos EUA na Alemanha Ocidental durante a Guerra Fria. Seu empresário, coronel Tom Parker, guarda cinco compactos a serem lançados durante o ano do serviço militar. Todos vendem mais de um milhão de cópias.

Após deixar o Exército, Elvis muda seu estilo do rock para baladas românticas que embalam os melosos filmes de Hollywood que ele estrela. 

Nos anos 1960, o rock sofre uma revolução com bandas inglesas como os Beatles, os Rolling Stones, The Who, Pink Floyd e Led Zeppelin, entre outras. Acomodado e conformado, Elvis deixa de ser um ídolo da juventude. John Lennon diz que ele morreu quando serviu o Exército.

Nos anos 1970, Elvis entra em declínio físico e mental. Divorcia-se da mulher, Priscilla. Deprimido, se vicia em álcool e drogas de farmácia. Engorda com comida de má qualidade e se torna obeso. Em 16 de agosto de 1977, é encontrado inconsciente na Mansão de Graceland, onde está enterrado, que vira uma grande atração turística.

FIDEL ENTRA EM HAVANA

    Em 1959, uma semana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória dos rebeldes, o comandante Fidel Castro chega a Havana consolidando o triunfo do Movimento 26 de Julho, data do assalto ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953, no primeiro salvo da Revolução Cubana.


Fidel Castro Ruz nasce em Birán, em Cuba, em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro rico, adere a ideias anti-imperialistas quando estuda direito na Universidade de Havana.

Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, Fidel lidera a primeira rebelião em Cuba com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. É preso e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, diz: "A história me absolverá."

Anistiados em 1955, Fidel e Raúl fogem para o México. Depois de comprar o velho iate Granma, partem de Veracruz, no México, em 2 de dezembro de 1956 com 81 revolucionários, entre eles Camilo Cienfuegos e o médico argentino Ernesto Che Guevara, e chegam em Cuba em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Che Guevara. A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias.

Os rebeldes entram em Havana em 1º de janeiro de 1959. Fidel chega uma semana dias depois.

PRISÃO DE EL CHAPO

    Em 2016, o criminoso mexicano Joaquín Guzmán, mais conhecido como El Chapo, poderoso chefão do Cartel de Sinaloa, uma máfia do tráfico de drogas, é preso em Los Mochis, no México, depois de fugir da cadeia seis meses antes.

No ano seguinte, ele é extraditado para os Estados Unidos, onde é denunciado por vários crimes, inclusive tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e conspiração para cometer homicídios. Em fevereiro de 2019, é considerado culpado de todos os crimes. Cinco meses depois, é sentenciado a prisão perpétua.