Depois de praticamente tomarem a capital, do Iêmen, os rebeldes hutis, representantes da minoria xiita zaidita, não derrubaram o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, mas exigem a indicação de um vice-presidente de seu grupo, informou hoje a televisão árabe Al Jazira. O primeiro-ministro Khaled Banah teria deixado o palácio presidencial e ido para um "local seguro".
Os líderes hutis exigem ainda que 10 mil membros de sua milícia sejam integrados às Forças Armadas e outros 10 mil à Polícia. "Se estas exigências não forem atendidas", advertiu o porta-voz huti Mahdi al-Muchat, "uma primeira declaração está pronta."
Neste caso, os rebeldes tomariam o poder, derrubando um governo aliado dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo. Com o colapso do Estado no Iêmen, a rede Al Caeda na Península Arábica se instalou lá para fugir da repressão na Arábia Saudita. Pelo menos um dos terroristas que atacaram há duas semanas o jornal satírico francês Charlie Hebdo, Saïd Kouachi, foi treinado lá.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
domingo, 21 de setembro de 2014
Governo e rebeldes fazem acordo no Iêmen
Depois de dias de luta e da demissão do primeiro-ministro Mohamed Bassindua, o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi e os rebeldes xiitas do grupo huti assinaram um acordo de paz para pôr fim à guerra civil no país, anunciou a televisão árabe Al Jazira.
Durante os combates, os rebeldes xiitas apoiados pelo Irã e a milícia fundamentalista libanesa Hesbolá (Partido de Deus) tomaram vários prédios públicos, inclusive uma emissora de rádio na capital, Saná, e um grande quartel ao norte da cidade.
Assim, a guerra civil no Iêmen se insere no conflito maior entre sunitas e xiitas no Oriente Médio, a exemplo do que acontece na Síria e no Iraque. Foi neste clima de intolerância e violência que surgiu o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), uma dissidência da rede terrorista Al Caeda que proclamou um Califado em junho e acaba de conquistar várias aldeias curdas do Norte de Síria.
Nos últimos dias, mais de 45 mil curdos sírios pediram refúgio na Turquia. A fronteira turca com a Síria agora é com o Califado. O acordo de paz no Iêmen é apenas uma tênue esperança.
Durante os combates, os rebeldes xiitas apoiados pelo Irã e a milícia fundamentalista libanesa Hesbolá (Partido de Deus) tomaram vários prédios públicos, inclusive uma emissora de rádio na capital, Saná, e um grande quartel ao norte da cidade.
Assim, a guerra civil no Iêmen se insere no conflito maior entre sunitas e xiitas no Oriente Médio, a exemplo do que acontece na Síria e no Iraque. Foi neste clima de intolerância e violência que surgiu o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), uma dissidência da rede terrorista Al Caeda que proclamou um Califado em junho e acaba de conquistar várias aldeias curdas do Norte de Síria.
Nos últimos dias, mais de 45 mil curdos sírios pediram refúgio na Turquia. A fronteira turca com a Síria agora é com o Califado. O acordo de paz no Iêmen é apenas uma tênue esperança.
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