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quinta-feira, 7 de março de 2019

Estatísticas da China exageram o tamanho da economia do país

O produto interno bruto da China é superestimado em 12% e o crescimento real nos últimos anos foi 2 pontos percentuais abaixo do oficial, indica uma pesquisa da Brookings Institution, um centro de pesquisas com sede em Washington, a capital dos Estados Unidos, citada pelo jornal inglês Financial Times.

Com o relatório divulgado ontem, aumenta a preocupação do mercado de que a desaceleração da segunda maior economia do mundo seja mais profunda e mais grave do que dizem as estatísticas oficiais.

No ano passado, a China cresceu oficialmente 6,6% a menor taxa desde 1990, quando estava sob sanções por causa do Massacre na Praça da Paz Celestial, em junho de 1989.

A pesquisa examina o período de 2008 a 2016 e não faz uma estimativa sobre o crescimento no ano passado. Mas a julgar pelo registrado em 2016, o PIB da China em 2018 ficaria US$ 1,6 trilhão abaixo do número oficial, de 90 trilhões de iuanes, ou US$ 13,58 bilhões, em pouco menos de US$ 12 trilhões.

Desde a era de Mao Tsé-tung, com o planejamento central do regime comunista, o governo chinês adota planos e metas. Com as reformas de Deng Xiaoping, a partir de 1978, houve uma ênfase no crescimento econômico.

Como o crescimento legitima o poder absoluto, o Partido Comunista avalia seus quadros com base no desempenho da economia das cidades e províncias. Os líderes municipais e regionais são recompensados pelo cumprimento das metas de crescimento e investimento. Assim, tendem a inflar os dados sobre a expansão da economia.

Durante anos, a soma dos PIBs das províncias superava o total do país. O próprio Escritório Nacional de Estatísticas admitiu que "alguns dados são falsificados". Em 2017, o governo central acusou três províncias do cinturão industrial do Nordeste da China de divulgar estatísticas mentirosas.

Os pesquisadores concluíram que antes da 2007 e 2008, as autoridades federais conseguiam corrigir os dados e obter um resultado final mais acusado. Depois da crise internacional, houve um relaxamento.

Em 2018, o órgão oficial de estatísticas prometeu para este ano um controle maior sobre os dados coletados pelas províncias para eliminar as distorções. Depois de décadas de alto crescimento, o governo chinês tenta conter a poluição e fechar empresas estatais deficitárias, o que no mínimo reduz a expansão. Quer um crescimento mais sadio e racional.

Desde 2005, o governo da China guarda os dados do imposto sobre valor agregado, o equivalente ao imposto sobre circulação de mercadorias e serviços do Brasil (ICMS), num sistema de computadores considerado resistente à fraude e à manipulação. Os economistas costumam cruzar os dados do crescimento com a arrecadação do ICMS para ter uma ideia mais real da expansão econômica chinesa.

Na abertura da reunião anual do Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro Li Keqiang fixou a meta de expansão para este ano numa faixa de 6% a 6,5%.

domingo, 29 de janeiro de 2012

França aumenta imposto sobre consumo

O presidente Nicolas Sarkozy anunciou neste domingo uma série de medidas para equilibrar as contas públicas da França. Elas incluem a criação de um imposto de 0,1% sobre todas as transações financeiras e um aumento de 1,6 ponto percentual na alíquota do imposto sobre valor agregado, o euivalente ao imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) cobrado no Brasil.

A alíquota do IVA sobe para 21,2%.

Com a arrecadação, Sarkozy pretende aliviar a carga de impostos sobre as folhas de pagamentos e estimular o empresariado francês a contratar mais empregados.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ex-ministros veem recessão na Argentina

Dois ex-ministros de Economia, Roberto Lavagna e Martín Lousteau, entendem que a economia da Argentina está em recessão, tendo em vista o que acontece com a produção, o consumo, o investimento e o emprego.

"Não se criam empregos, não há investimento, há fuga de capital", observa Lavagna. "Claramente, a Argentina está em recessão desde o princípio de 2008".

Como ministro dos presidentes Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner, depois do colapso da dolarização do peso de era Menem (1989-99) em 2001, Lavagna renegociou a dívida externa caloteada pela Argentina, conquistando grande prestígio.

O ex-ministro questionou as medidas tomadas pela presidente Cristina Kirchner para combater a crise: "Em vez de anunciar todos esses planozinhos, casas, casinhas, em que a burocracia vai atrasar tudo, seria melhor reduzir o IVA [Imposto sobre Valor Agregado, equivalente no Brasil ao ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] da cesta básica e oferecer empréstimos diretamente às pequenas e médias empresas."

Horas depois, foi a vez de Lousteau fazer sua análise sobre a economia argentina: "Quando você olha para o último trimestre do ano passado, a queda em relação ao anterior não foi inferior a 1%. Neste primeiro trimestre, também há uma queda e isto é recessão."

Lousteau foi ministro no início do governo Cristina Kirchner e foi uma espécie de bode expiatório no longo conflito entre a Casa Rosada ou o casal Kirchner e os produtores rurais argentinos, que durou mais de 100 dias no ano passado. Foi marcado por diversas paralisações da comercialização de produtos agropecuários, em protesto contra a sobretaxa imposta por decreto nas exportações de grãos.

Esse conflito continua, acirrado pela crise financeira internacional, deixa o governo argentino, chamuscado pelo calote de 2001-02, sem opções de financiamento externo nem interno.

Os ruralistas, por sua vez, estão ganhando muito menos com a queda dos preços dos produtos primários do que ganhavam quando o imposto foi introduzido e enfrentam a pior seca em 49 anos no pampa úmido argentino.