sábado, 7 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Março

 DINASTIA DOS ROMANOV

    Em 1613, Miguel Romanov se torna czar da Rússia. É o primeiro da Dinastia Romanov, que governa a Rússia por três séculos, até a Revolução de Fevereiro de 1917.

Filho de Fiódor Nikitich Romanov, Miguel é parente do último czar da Dinastia Rurik, Fiódor I (1584-98). Seu avô Nikita Romanov era tio materno de Fiódor. Quando a Assembleia da Terra se reúne para escolher um novo czar depois de um período problemático, de caos, desordem interna, invasão estrangeira e troca de líderes, elege Miguel Romanov.

Quando seu pai, que é obrigado a se tornar um monge, fica livre, se torna patriarca da Igreja Ortodoxa e conselheiro do governo do filho. Até sua morte, em 1633, domina o governo Miguel Romanov. Amplia o contato econômico, diplomático e cultural com a Europa Ocidental. Usa a Assembleia da Terra como órgão consultivo. Reforma a estrutura dos governos locais para aumentar a autoridade do goveno central. E fortalece a instituição da servidão.

NASCE MAURICE RAVEL

    En 1875, nasce em Cibouri, na França, o compositor Maurice Ravel,  conhecido por seu perfeccionismo de forma e estilo.

Filho de pai suíço e mãe basca, Joseph Maurice Ravel é de uma família que cultiva a cultura e as artes. Ele mostra interesse pela música aos 7 anos. Aos 14 anos, em 1889, entra para o Conservatório de Paris, onde fica até 1905, época em que compõe algumas de suas grandes obras. É um raro compositor que revela maturidade desde a juventude. 

Ravel é influenciado pelos compositores Claude Debussy, Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Liszt e Johann Strauss. Sua obra mais famosa, o Bolero de Ravel, é a música francesa mais tocada no mundo. A composição é encomendada pela bailarina Ida Rubinstein. Estreia na Ópera de Paris em 1928.

PATENTE DO TELEFONE

    Em 1876, o inventor escocês naturalizado norte-americano Alexander Graham Bell recebe a patente do telefone. 

Graham Bell pede o registro da patente do telefone em 14 de fevereiro. Ele não gosta da nova tecnologia. Não tem um aparelho instalado em seu escritório.

Dentro dos próximos 20 anos, o telefone é aperfeiçoado até se transformar num instrumento fundamental à vida moderna. Com a invenção do transístor, em 1947, e a miniaturização dos circuitos, hoje temos telefones inteligentes que são computadores de mão, cada vez mais indispensáveis, embora possam ser substituídos em breve por instrumentos de realidade virtual.

BEATLEMANIA

    Em 1964, o voo 101 da companhia aérea PanAm chega ao Aeroporto John Kennedy, em Nova York, vindo de Londres com The Beatles a bordo, no início da primeira excursão aos Estados Unidos da banda, recebida por 3 mil fãs enlouquecidos, no começo da Beatlemania.

Dois dias depois, os Beatles se apresentam no programa Ed Sullivan Show para uma audiência de 73 milhões de telespectadores na televisão dos EUA. Imediatamente, foram contratados para mais dois programas.

Os Beatles fazem um show no Coliseum, em Washington, em 11 de fevereiro, e dois no Carnagie Hall, em Nova York, onde a polícia tem de isolar a área por causa da histeria das fãs, antes de voltar a Londres em 22 de fevereiro.


DOMINGO SANGRENTO EM SELMA

    Em 1965, a policia do estado do Alabama ataca com cassetetes e gás lacrimogênio uma marcha pacífica de 650 manifestantes pelos direitos civis dos negros que tentava atravessar uma ponte em Selma rumo a Montgomery, a capital do estado. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.
A primeira marcha é liderada por James Bevel, diretor de ação direta da Conferência da Liderança Cristã Sulista, na luta pelo direito de voto dos negros e em protesto contra a morte do ativista Jimmie Lee Jackson.

A caminhada de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos Estados Unidos. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia os ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. 

A segunda marcha acontece em 9 de março. Sob a liderança do reverendo Martin Luther King Jr., o grande herói da luta pacífica do movimento negro nos EUA, 2 mil manifestantes marcham pela mesma ponte. Quando manifestantes e a polícia ficam frente a frente, a polícia abre caminho para os manifestantes, mas Luther King os guia de volta para a igreja.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei do Direito de Voto é aprovada cinco meses depois.

A terceira marcha começa em 16 de março sob a proteção de 2 mil soldados do Exército dos EUA, 1,9 mil da Guarda Nacional do Alabama e agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal do país. 

Os manifestantes caminham 16 quilômetros pela estrada conhecida no Alabama como Rodovia Jefferson Davis, o nome do presidente dos Estados Confederados da América, que tentam se separar da União na Guerra da Secessão (1861-65) para manter a escravidão.

Sob a liderança do Dr. King e do futuro deputados John Lewis, entre outros líderes do movimento negro, 25 mil pessoas chegam a Montgomery em 24 de março e ao Capitólio do Alabama no dia seguinte. A manifestação leva à aprovação do Lei dos Direitos de Voto. A rota é imortalizada com a Trilha de Selma a Montgomery pelo Direito de Voto, uma das trilhas históricas nacionais dos EUA.

Em 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, numa preparação para o lançamento de sua candidatura à reeleição em 2024, abortado pelo seu fracasso no debate com o então ex-presidente Donald Trump.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Março

NASCE MICHELANGELO

    Em 1475, nasce em Caprese, na República de Florença, o genial Michelangelo Buonarotti, um dos artistas plásticos mais importantes da história, que exerceu uma influência sem paralelo na escultura, na pintura e na arquitetura.

Michelangelo di Lodovico Buonarotti Simoni faz seu trabalho artístico por mais de 70 anos entre Florença e Roma, onde vivem seus grandes mecenas, a família Medici, que domina a política florentina, e os papas da Igreja Católica.

Entre suas obras mais importantes, estão as esculturas Baco, David, Pietà e Moisés, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

QUEDA DO ÁLAMO

    Em 1836, depois de 13 dias de combates intermitentes, a Batalha do Álamo chega ao fim com a vitória do Exército do México sobre os revolucionários que lutam pela independência do Texas, num momento crucial da Revolução Texana.

Treze dias antes, em 23 de fevereiro, o ditador do México, general Antonio López de Santa Anna, manda cercar a Missão do Álamo, perto de onde hoje fica a cidade de Santo Antônio, ocupado pelos rebeldes desde dezembro de 1835. Mais de mil soldados mexicanos cercam o Álamo.

Apesar da inferioridade numérica de 5 para 1, os comandantes James Bowie e William Travis decidem resistir. Entre os voluntários que defendem o Álamo, há médicos, fazendeiros e o deputado Davy Crockett, que lutou pela milícia do Tennessee.

Na madrugada de 6 de março, os mexicanos rompem a muralha e penetram no Álamo. Nenhum dos defensores texanos sobrevive. 

A crueldade alimenta o desejo de vingança. Colonos e aventureiros de outras regiões dos EUA se juntam ao exército texano, que vence o mexicano na Batalha de São Jacinto, em 21 de abril de 1836, marco da vitória da Revolução Texana, embora até 1840 a Marinha dos EUA continue fazendo operações na costa mexicana. Em 1845, o Texas entra para a União.

Pouco depois, com a Guerra Hispano-Americana (1846-48), os EUA conquistam ao todo 41% do território mexicano.

LA TRAVIATA

    Em 1853, a ópera La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi, estreia no teatro La Fenice, em Veneza.

La Traviata (A Transviada) é uma ópera em quatro atos baseada no livro A Dama das Camélias, do escritor francês Alexandre Dumas Filho.

Numa festa na casa da cortesã Violetta Valéry, Violetta, prometida ao Barão Douphol, é apresentada pelo seu amigo Gastone de Letorières a Alfredo Germont. Gastone conta que já conhecia Violetta há algum tempo e a amava em segredo. Alfredo faz um brinde a Violetta e declara o seu amor.

Violetta responde a Alfredo que é uma mulher mundana, não sabe amar e que só poderia lhe oferecer a amizade. Aconselha Alfredo deveria procurar outra mulher.

Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar em uma casa de campo, nos arredores de Paris

Giorgio Germont, pai de Alfredo, visita Violetta e suplica que abandone Alfredo para sempre. Giorgio fala de sua família e afirma que ver Alfredo envolvido com uma mulher mundana destruiria a sua reputação.

Contrariada, Violetta atende às súplicas de Giorgio e envia uma carta a Alfredo. Violetta parte para uma festa na casa da sua amiga Flora Bervoix e Alfredo lê a carta. Desconfiado de que Violetta possa tê-lo traído, Alfredo vai até a casa de Flora para se vingar.

Alfredo chega a festa e logo em seguida chega Violetta Valery acompanhada pelo Barão Duphol. Alfredo começa a jogar com o Barão e ganha. Quando o jantar é servido, Violetta e Alfredo ficam a sós no salão e Alfredo a força a confessar a verdade. 

Violetta mente e diz amar o barão. Furioso, Alfredo convoca todos para o salão, atira na cara de Violetta todo o dinheiro ganho no jogo e desafia Douphol para um duelo. Violetta desmaia, Alfredo é reprimido por todos e a festa termina.

Doente, empobrecida e tuberculosa, Violetta recebe cartas de vários amigos. Uma, em especial, lhe chama a atenção. É de Giorgio Germont, arrependido por ter colocado Violetta contra Alfredo.

Giorgio e Alfredo visitam Violetta, e reconciliam-se. Violetta e Alfredo começam a fazer planos de vida para depois da recuperação de Violetta, mas ela está muito debilitada. Entrega a Alfredo um retrato seu a ser entregue à próxima mulher por quem ele se apaixonar. Violetta sente os espasmos da dor cessarem, mas em seguida morre.

TABELA PERIÓDICA

    Em 1869, durante reunião da Sociedade Química da Rússia, o químico russo Dimitri Mendeleiev apresenta a primeira tabela periódica.

A tabela periódica é uma organização dos elementos químicos pelo número atômico (número de prótons no núcleo) e a estrutura eletrônica, com características comuns aos que estão na mesma coluna. Ao apresentar a tabela, Mendeleiev prevê as características de elementos ainda não descobertos com base em sua posição.

BAYER PATENTEIA ASPIRINA

    Em 1899, a companhia alemã Bayer registra a patente da aspirina, talvez o medicamento mais usado hoje no mundo, o ácido acetilsalicílico, extraído da casca do salgueiro e usado desde Hipócrates, o Pai da Medicina, na Grécia Antiga, para combater a dor e a febre.

O cientista responsável é Felix Hoffmann. Parte do trabalho é feita por um químico judeu, Arthur Eichengrun, que desaparece da história na era nazista (1933-45).

A aspirina é distribuída em pó com a recomendação de tomar um grama por dia. Em 1915, passa a ser oferecida em drágeas.

SARCÓFAGO DO FARAÓ MENINO

    Em 1924, o governo do Egito abre o sarcófago de Tutancâmon, o Faraó Menino, que governa o país de 1332-23 antes de Cristo e morre aos 18 anos.

A tumba de Tutancâmon é a mais preservada do Vale dos Reis porque nunca foi saqueada por ladrões. Em 4 de novembro de 1922, o arqueólogo britânico Howard Carter descobre a entrada do túmulo. Ele espera a vinda do financiador da expedição, Lorde Carnarvon. Ambos abrem a tumba em 26 de novembro e descobrem um tesouro.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Março

 MASSACRE DE BOSTON

    Em 1770, uma massa de 300 a 400 colonos norte-americanos se reúne diante da Alfândega, em Boston, na Colônia da Baía de Massachusetts, para provocar os soldados britânicos que protegem o prédio, em protesto contra a ocupação da cidade por tropas do Império Britânico enviadas em 1768 para aplicar as novas leis de impostos do Parlamento Britânico, onde os colonos não têm representação.

Diante da manifestação ruidosa de centenas de pessoas, o capitão britânico Thomas Preston manda nove soldados saírem de baioneta calada para proteger a Alfândega. Os colonos jogam bolas de neve, paus e pedras nos britânicos. Quando atingem o soldado Hugh Montgomery, ele dispara seu fuzil. Outros soldados atiram em seguida.

Cinco colonos – Crispus Attucks, James Caldwell, Patrick Carr, Samuel Gray e Samuel Maverick – morrem. São os primeiros mártires da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Guerra da Independência dos EUA começa em 19 de abril de 1775 com a Batalha de Lexington, perto de Boston. Em março de 1776, as forças britânicas deixam Boston depois de oito anos de ocupação, quando o general George Washington instala canhões e fortificações nas Colinas de Dorchester.

Por retomar a cidade sem derramamento de sangue, Washington, comandante do Exército Continental, recebe a primeira medalha de ouro do Congresso Continental.

A independência é proclamada em 4 de julho de 1776. A guerra termina na Batalha de Yorktown, de 28 de setembro a 19 de outubro de 1781, quando o general Charles Cornwallis se rende a Washington, comandante de uma força franco-norte-americana. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

CORTINA DE FERRO

    Em 1946, o ex-primeiro-ministro Winston Churchill, um dos líderes dos aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-45), faz um discurso no Westminster College, em Fulton, no Missouri. Diante do presidente Harry Truman, critica a União Soviética e adverte que, "de Stettin, no Báltico, a Triestre, no Adriático, uma cortina de ferro cai sobre o continente", uma referência aos regimes comunistas implantados nos países da Europa Oriental ocupados pelo Exército Vermelho no fim da guerra.

É o início da Guerra Fria, a confrontação estratégica, política, econômica, cultural, tecnológica e militar entre Estados Unidos e União Soviética que domina a política internacional na segunda metade do século 20.

Churchill tenta consolidar a "relação especial" com os EUA como as grandes potências anglo-saxãs, mas evidentemente o Reino Unido é o parceiro menor. O ex-primeiro-ministro, derrotado nas eleições de 1945, quer manter o engajamento dos EUA com a Europa.

A expressão "cortina de ferro" entra no vocabulário da Guerra Fria. Em Moscou, o ditador soviético Josef Stalin, aliado na Segunda Guerra Mundial, denuncia o discurso como "belicista" e a faz referência ao "mundo que fala inglês" de imperialista e racista. 

MORTE DE STALIN

    Em 1953, o ditador soviético Josef Stalin morre de um ataque cardíaco fulminante depois de três décadas de tirania em que se estima que 20 milhões de pessoas tenham sido mortas em perseguições, mas o Exército Vermelho é a principal força na vitória sobre a Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em que morrem 27 milhões de soviéticos.

Josef Vissarianovich Dzugachvili nasce em Gori, na Geórgia, em 18 de dezembro de 1878. Quando jovem, entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo, onde edita o jornal do partido,o Pravda (Verdade) e levanta fundos para a facção de Vladimir Lenin (bolchevique) com roubos e sequestros.

Preso várias vezes pelo regime czarista, ele entra para o Politburo do partido depois da Revolução Comunista, em outubro (novembro pelo calendário atual) de 1917. No fim da guerra civil que se segue à revolução, em 1922, como comissário das nacionalidades, Stalin funda com Lenin a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

No mesmo ano, vira secretário-geral do Partido Comunista, de que se aproveita, depois da morte de Lenin, em 1924, para dominar a máquina burocrática na disputa pelo poder com Leon Trotsky, uma luta que vai definir o futuro da URSS. 

Vitorioso, Stalin impõe um regime de terror, com processos forjados e expurgo de dirigentes suspeitos de traição ao líder, coletiviza a agricultura, o que causa a morte de milhões de pessoas, e aposta na indústria pesada para preparar o Exército Vermelho para a guerra contra a Alemanha Nazista, que considera inevitável.

Pouco antes do início da guerra, em 23 de agosto de 1939, a Alemanha e a URSS assinam um pacto de não agressão e dividem a Polônia, mas em 22 de junho de 1941 Hitler invade a Rússia. Mais de 80% das tropas alemãs são derrotadas na frente oriental. Cerca de 27 milhões de soviéticos morrem na Grande Guerra Patriótica. Depois da vitória na Batalha de Stalingrado, uma das mais importantes da história, em 2 de fevereiro de 1943, o Exército Vermelho inicia a marcha rumo a Berlim, que conquista em 8 de maio de 1945. Pelo menos 1,8 milhão de pessoas morrem em Stalingrado.

No fim da guerra, os soviéticos ocupam os países da Europa Oriental que formam o Bloco Soviético, uma zona de proteção para a URSS cujos países hoje fazem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. É o início da Guerra Fria entre o Ocidente capitalista e a URSS comunista.

Em 24 de junho de 1948, Stalin ordena o Bloqueio de Berlim Ocidental, um enclave dentro da Alemanha Oriental, em protesto contra a decisão dos EUA, da França e do Reino Unido de unificar economicamente suas partes na divisão da Alemanha.Na prática, formam a Alemanha Ocidental. 

Os EUA e aliados reagem ao Bloqueio de Berlim com a maior ponte aérea da história e a criação da OTAN, em 4 de abril de 1949. Neste mesmo ano, em 29 de agosto, a URSS explode sua primeira bomba atômica, acabando com o monopólio dos EUA. É o começo da corrida armamentista nuclear.

Depois de sua morte, o novo líder, Nikita Kruschev, denuncia os crimes do stalinismo no 20º Congresso do PC, em 25 de fevereiro de 1956, e inicia a desestalinização, que só é realmente efetiva com a abertura democrática promovida por Mikhail Gorbachev, último líder da URSS, a partir de março de 1985.

FOTO DO CHE

    Em 1960, o repórter fotográfico Alberto Díaz Gutiérrez, mais conhecido como Alberto Korda, tira uma das fotos mais reproduzidas da história, a imagem icônica de Ernesto Rafael Che Guevara de la Serna, o Guerrilheiro Heróico, símbolo da rebeldia juvenil dos anos 1960.

Che aparece rapidamente no funeral em Havana de um trabalhador morto numa explosão num porto que o governo Fidel Castro atribui aos Estados Unidos. Não fica mais de cinco minutos no palanque e se junta à multidão.

Korda tira duas fotos de Guevara, bem sério, com ar grave, olhando para cima, com a boina característica, uma tradição argentina, e a longa cabeleira.

O jornal La Revolución não publica a foto. Durante anos, é apenas um dos trabalhos favoritos do autor, que dá o nome de Guerrilheiro Heroico. Em 1967, a revista francesa Paris Match a usa numa reportagem sobre a guerrilha na América Latina.

Quando o Che morre, em 9 de outubro de 1967, executado por soldado boliviano em La Higuera, ao tentar levar a revolução para a Bolívia, Cuba realiza um funeral solene e uma enorme reprodução da foto aparece na fachada do Ministério do Interior.

É a canonização do Che. Em 1968, nas revoluções dos estudantes, Guevara está nas paredes dos centros acadêmicos e alojamentos estudantes por meio mundo. Até hoje, circula nas camisetas dos jovens e nem só de jovens esquerdistas.

MORTE DE CHÁVEZ

    Em 2013, depois de uma batalha contra o câncer, morre o caudilho Hugo Chávez, que presidia a Venezuela desde 1999.

Filho de professores primários, Hugo Rafael Chávez Frias nasce em Sabaneta, na Venezuela, em 28 de julho de 1954. Aos 17 anos, entra para a academia militar e faz carreira até se tornar coronel com uma visão nacionalista.

Sua guinada para a política começa com o Caracaço. Em 27 de janeiro de 1989, há uma revolta popular com uma explosão de violência e saques em protesto contra a política de austeridade econômica imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo Carlos Andrés Pérez. A manifestação sofre uma repressão violenta. Pelo menos 277 pessoas morrem, 2 mil de acordo com estimativas não oficiais.

Revoltado ao ver o Exército matando venezuelanos nas ruas de Caracas, Chávez começa a articular o golpe em que tenta derrubar Andrés Pérez em 4 de fevereiro de 1992. Antes de ser preso, Chávez faz um pronunciamento na televisão, pede desculpas à população e lança sua carreira política.

Andrés Pérez é afastado por corrupção em 1993. Seu sucessor, Rafael Caldera, anistia Chávez em 1994. Ele passa a se dedicar integralmente à política com um discurso em defesa dos pobres.

Com a crise econômica asiática de 1997, os preços do petróleo caem para cerca de US$ 10. A Rússia quebra em agosto de 1998 e a Venezuela sofre um forte abalo. Em 6 de dezembro de 1998, Chávez é eleito presidente com 56% dos votos.

Logo, convoca um plebiscito sobre a necessidade de uma nova Constituição e vence. Na Assembleia Nacional Constituinte eleita em julho de 1999, o Polo Patriótico, de Chávez, elege 120 dos 131 constituintes. Eles redigem a Constituição Bolivarista da Venezuela, que aumenta os poderes do Executivo, extingue o Senado, reconhece os direitos linguísticos e culturais dos povos indígenas, amplia a intervenção do Estado na economia e cria o referendo revogatório para deseleger políticos que desagradem ao eleitorado.

Sob a nova Constituição, são realizadas eleições parlamentares e presidencial em 30 de julho de 2000. Chávez se reelege e conquista maioria na Assembleia Nacional, que aprova em novembro a Lei Habilitante. Ela dá poderes especiais ao presidente para governar por decretos-leis em matérias como reforma agrária, pesca e petróleo.

Em fevereiro de 2002, Chávez demite a diretoria da companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), que entra em greve paralisando as operações da metade de seus 14,8 mil poços. Aumenta a revolta contra Chávez, inclusive nas Forças Armadas.

Quando uma marcha se dirige à PdVSA, em 11 de abril, é desviada para o Palácio de Miraflores, onde há uma manifestação a favor do governo, há um conflito. A Polícia Metropolitana, contrária a Chávez, dispara tiros. Dezesseis pessoas morrem e mais de cem saem feridas. Militares pedem a renúncia de Chávez.

Em 12 de abril, o comandante das Forças Armadas, general Lucas Rincón, anuncia a renúncia de Chávez e sua substituição pelo presidente da federação empresarial Fedecámaras, Pedro Carmona, que perde apoio ao dissolver a Assembleia Nacional.

Soldados leais contra-atacam e tomam o palácio. Chávez é resgatado da prisão pelo general Raúl Baduel, que morreu numa cadeia do ditador Nicolás Maduro, sucessor do caudilho. Por volta da meia-noite, o presidente avisa: "Não renunciei ao poder legítimo que o povo me deu". O golpe, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e pelo primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, fracassa.

Mais uma vez, como em 1992, Chávez perde militarmente, mas ganha politicamente. A partir daí, sob a inspiração do ditador cubano, Fidel Castro, começa a guinada para o que chama de "socialismo do século 21". A greve da PdVSA vai até 2003.

Uma coleta de assinaturas iniciada em novembro de 2003 leva à convocação de um referendo revogatório realizado em 15 de agosto de 2004, com vitória de Chávez com 58,25% dos votos. O resultado é considerado legítimo por observadores internacionais.

Reeleito mais uma vez em 2006, com 62,9% dos votos, o caudilho promete aprofundar a "revolução bolivarista". Em 2 de dezembro de 2007, ele sofre sua primeira derrota eleitoral ao perder um referendo para reformar a Constituição e permitir a reeleição sem limites. Não desiste e seu desejo é aprovado em 2009.

O câncer é diagnosticado em 2011. Chávez poderia ter vindo se tratar no Brasil. O regime venezuelano queria controlar um andar inteiro e a portaria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Como isto não é aceito, vai para Cuba, que tem uma medicina popular eficiente com cuidados básicos de saúde, mas não tem os recursos de alta tecnologia de um bom hospital brasileiro.

Ele é reeleito em 7 de outubro 2012 com 55% dos votos. Doente, não vai à cerimônia de posse na Assembleia Nacional em 10 de janeiro e morre dois meses depois, no mesmo dia de Josef Stalin. O sucessor, Nicolás Maduro, teria sido escolhido por indicação de Fidel. Sem o carisma e a popularidade de Chávez, Maduro transforma o regime autoritário numa ditadura que leva cerca de 7 milhões de pessoas a fugir da Venezuela.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Março

LIBERDADE RELIGIOSA

    Em 1681, o quaker William Penn recebe uma carta com autorização do rei Carlos II, da Inglaterra, para criar uma comunidade em terras não ocupadas da colônia da Pensilvânia, em pagamento por uma dívida do rei com o almirante Sir William Penn, pai do quaker.

O plano é criar um refúgio seguro grupos religiosos perseguidos, inclusive os quakers, com plena liberdade religiosa. Seu primo William Markham vai antes e estabelece os limites do que seria a cidade da Filadélfia.

Penn chega em 1682 e convoca uma Assembleia Geral para criar a estrutura do governo e a Grande Lei da comunidade, com garantias de liberdade de consciência e de religião. O tratamento amistoso cria laços de amizade com os índios.

A Comunidade da Pensilvânia tem uma grande expansão no próximo século, o que leva a conflitos com a França, que reinvidica o vale do Rio Ohio. Muitas batalhas da Guerra dos Sete Anos (1756-63) e da guerra indígena que a precede são travadas na Pensilvânia.

Em 1753, o Império Britânico tem 13 colônias que vão até os Montes Apalaches. Do outro lado, há uma possessão francesa chamada Louisiana que vai da Foz do Mississípi, em Nova Orleans, e segue pela Bacia do Missouri-Mississípi até a região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá.

No fim da Guerra dos Sete Anos, o Império Britânico toma a maior parte das possessões britânicas no Canadá e na Índia. A guerra é uma das causas da independência dos EUA, em 1776, e da Revolução Francesa de 1789. A Louisiana, com 1,7 milhão de quilômetros quadrados, é vendida por Napoleão Bonaparte em 1803 por US$ 15 milhões. 

POSSE DE LINCOLN

    Em 1861, Abraham Lincoln assume a Presidência dos Estados Unidos com uma mensagem de paz aos sete estados confederados do Sul (Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississípi e Texas) que haviam deixado a União em 4 de fevereiro, depois de sua eleição, em novembro de 1860, por serem contra a abolição da escravatura, e adverte que vai aplicar as leis federais para impedir a secessão.


Para manter a União, Lincoln rejeita a separação dos Estados Confederados da América. Com cerca de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão (1861-65) é a pior guerra da história dos EUA. Lincoln é assassinado em 15 de abril, seis dias depois do fim da guerra, no início de seu segundo mandato.

NASCE A MAMA AFRIKA

    Em 1932, nasce em Prospect, perto de Joanesburgo, na África do Sul, a cantora, compositora e atriz Miriam Makeba, conhecida como Mama Afrika, uma das músicas africanas mais importantes do século 20.
Filha de mãe suázi e pai xhosa, Zenzile Miriam Makeba cresce na segregada Cidade de Sofia, na Grande Joanesburgo. Quando criança, começa a cantar no coral da escola. Em 1954, se torna cantora profissional. Em 1958, o regime segregacionsta do apartheid impõe uma lei que proíbe artistas negros de se apresentar em cidades.

O produtor e diretor de cinema norte-americano Lionel Rogosin a descobre e a convida cantar duas no filme Come Back, Africa (1959), um documentário sobre o apartheid. Isso chama a atenção do músico e produtor norte-americano Harry Belafonte. 

Em 1959, Makeba vai morar nos Estados Unidos, onde canta músicas nas línguas xhosa e zulu, inclusive canções de protesto contra o regime segragacionista do apartheid. Em 1960, o governo da minoria branca cancela seu passaporte e a proíbe de entrar na África do Sul.

Miriam Makeba se casa em 1964 com o trumpetista Hugh Masekela. O casamento dura apenas dois anos. Em 1965, ela ganha um Prêmio Grammy com Belafonte. Seu casamento em 1968 com o pantera-negra Stokely Carmichael, que defende a violência na luta contra o racismo, prejudica sua carreira nos EUA. Em 1967, ela grava seu maior sucesso, Pata Pata, que significa "toque toque" em xhosa.

Carmichael se afasta dos Panteras Negras e o casal se muda para a Guiné em 1969. Eles se separam em 1979. Quando o líder negro Nelson Mandela sai da prisão, em 1990, incentiva Makeba a voltar para a África do Sul. Depois de 31 anos, ela se apresenta no país em 1991 e continua a carreira até morrer de ataque cardíaco em Castel Volturno, perto de Nápoles, na Itália, em 10 de novembro de 2008.


POSSE DE FRANKLIN ROOSEVELT

    Em 1933, em plena Grande Depressão, Franklin Delano Roosevelt, toma posse como presidente dos Estados Unidos, diz que "a única coisa de que devemos ter medo é do medo" e anuncia o New Deal, um novo pacto social com o aumento de gastos e das ações do governo federal para gerar empregos e promover o bem-estar social.


Roosevelt é reeleito três vezes, em 1936, 1940 e 1944. Não só tira o país da Grande Depressão como lidera os aliados na luta contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-45) depois do ataque do Japão a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e desenvolve a bomba atômica.

FACE DO NEW DEAL

    Em 1933, a socióloga Frances Perkins toma posse como secretária do Trabalho do governo Franklin Roosevelt (1933-45). A primeira mulher indicada para um cargo de ministra nos Estados Unidos se torna a face do New Deal, o novo pacto social lançado por FDR para combater a Grande Depressão (1929-39), e fica no cargo até o fim do governo.

Como aliada e amiga da primeira-dama, Eleanor Roosevelt, Frances Perkins ajuda a levar o movimento trabalhista para a coalizão do New Deal. É decisiva na criação do Corpo Civil de Conservação, a Agência Federal do Trabalho e a Administração da Recuperação Nacional.

Com a Lei de Seguridade Social, de 1935, Perkins cria a Previdência Social nos EUA, o seguro-desemprego e a aposentadoria. Também é importante na aprovação das leis do trabalho, inclusive na prevenção de acidentes de trabalho e no combate ao trabalho infantil.

A Lei dos Padrões Justos de Trabalho introduz o salário mínimo, o pagamento de horas extras e a jornada semanal de trabalho de 40 horas nos EUA.

terça-feira, 3 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Março

ABERTA ÓPERA DE PARIS

    Em 1671, a Ópera de Paris é inaugurada com a apresentação de Pomone, do compositor Robert Cambert, com texto do poeta Pierre Perrin.

A Ópera é criada em 1669 como Academia Real de Música com base numa patente outorgada por Luís XIV, o Rei Sol. Em 1672, há uma fusão com a Academia Real de Dança.

Com a Revolução Francesa de 1789, a Ópera passa a apresentar peças revolucionárias. De 1875 a 1990, a Ópera funciona no Teatro Nacional da Ópera, o Palácio Garnier, um prédio histórico no centro de Paris. Desde então, está na Ópera da Bastilha.

EMANCIPAÇÃO DOS SERVOS

    Em 1861, depois da derrota na Guerra da Crimeia (1853-56), o czar reformista Alexandre II proclama o Manifesto de Emancipação e liberta todos os servos.

A servidão tem origem no século 12 e se torna a relação dominante entre os camponeses e a aristocracia rural na Rússia no século 17. No rigoroso inverno, grande parte das terras é coberta de neve e gelo. O solo congelado não permite o cultivo. A servidão é uma maneira de prender os trabalhadores rurais para que não abandonem a terra.

A derrota na guerra muda a opinião pública na Rússia. A percepção é que sem reformar a estrutura social arcaica a Rússia não estará ao nível das potências ocidentais (França e Reino Unido) que a vencem em aliança com o Império Otomano (turco).

O czar anuncia a intenção da acabar com a servidão em discurso à nobreza em abril de 1856. No ano seguinte, pede a comitês provinciais que apresentem propostas. No fim de 1859, esses comitês fazem suas sugestões. O Conselho de Estado finaliza o projeto em janeiro de 1861 e o encaminha a Alexandre II.

O édito final tenta equilibrar os interesses de liberais, conservadores, burocratas e da aristocracia rural. Ninguém fica muito satisfeito, especialmente os camponeses. Eles conseguem a liberdade e recebem promessas de que vão ganhar terras, mas o processo é lento, burocrático e caro.

Durante o processo, os camponeses continuam servindo aos senhores enquanto é feito um inventário dos bens, calculado o tamanho e o preço do lote, que legalmente pertence aos senhores. Os camponeses tomam empréstimos do governo a serem pagos em 49 anos. Em 1881, 85% têm sua própria terra. 

PAZ DE BREST-LITOVSK

    Em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Segundo Tratado de Brest-Litovsk acaba com as hostilidades entre a Rússia Soviética e os Poderes Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Império Otomano).

A guerra começa em 28 de julho de 1914, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia um mês depois do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, pelo estudante radical sérvio Gabrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia.

A Alemanha apoia a Áustria, com que tinha um acordo defensivo, a Tríplice Aliança, que incluía também a Itália. A Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia) entra na guerra ao lado da Sérvia.

O líder comunista russo Vladimir Lenin passa a guerra no exílio na neutra Suíça fazendo campanha contra a guerra em que, na sua visão, soldados das classes baixas se metam num conflito de interesse das burguesias nacionais. Lenin repudia a adesão à guerra de partidos social-democratas como o da Alemanha.

Quando a Revolução de Fevereiro derruba o czar Nicolau II e a monarquia na Rússia, a Alemanha autoriza Lenin a atravessar o país para voltar à Rússia. Logo, ele lança as Teses de Abril, em que repudia a guerra e a república parlamentar, defende a revolução proletária, todo o poder aos sovietes (assembleias populares) e a criação de uma nova internacional dos trabalhadores que exclua os sociais-democratas.

A Revolução Bolchevique (Comunista) toma o poder na Revolução de Outubro, na noite de 24 para 25 de outubro, 6 e 7 de novembro pelo calendário gregoriano, adotado depois da revolução. Em 8 de novembro, o governo soviético pede negociações de paz à Alemanha. A Rússia perde 4 milhões de pessoas na guerra. Um armistício é firmado em 15 de dezembro. As negociações de paz começam em 22 de dezembro.

A Alemanha tem todo o interesse na paz com a Rússia para concentrar o esforço de guerra na frente ocidental, onde leva vantagem até os Estados Unidos entrarem na guerra. O líder comunista Leon Trotsky, comissário de relações exteriores do novo regime, lidera a delegação bolchevique.

É uma "paz vergonhosa", admite Lenin. A Rússia abre mão do controle sobre a Finlândia, a Polônia, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), a Bielorrússia, a Ucrânia, os distritos turcos de Ardaham e Kars, e a região georgiana de Batumi. Perde um milhão de quilômetros quadrados e 56 milhões de habitantes.

Com a revolução que derruba a monarquia alemã em 9 de novembro de 1918 e a rendição da Alemanha em 11 de novembro, no fim da guerra, a Finlândia, a Estônia, a Letônia, a Lituânia, a Polônia conseguem a independência. Na guerra civil que se segue à Revolução Comunista na Rússia, os bolcheviques assumem o controle da Bielorrússia e Ucrânia, que se tornam repúblicas da União Soviética, fundada em 1922. 

BANDEIRA SALPICADA DE ESTRELAS

    Em 1931, o poema The Star-Spangled Banner (Bandeira Salpicada de Estrela), escrito por Francis Scott Key depois de assistir ao ataque ao Forte McHenry em Maryland, em 1814, durante a Guerra de 1812 contra o Império Britânico, é adotado oficialmente como Hino Nacional dos Estados Unidos.

A partir de 1889, a música passa a ser tocada pela Marinha dos EUA nas cerimônias de hasteamento e descida da bandeira. Em 1916, o presidente Woodrow Wilson a proclama hino das Forças Armadas. Em 1931, passa a ser o hino nacional dos EUA.

RACISMO E VIOLÊNCIA POLICIAL

    Em 1991, a polícia de Los Angeles espanca o negro Rodney King, um condenado por roubo que está em liberdade condicional, depois de uma perseguição de 13 quilômetros de carro e helicóptero porque ele dirigia em velocidade excessiva. A cena é gravada em vídeo.

Os policiais mandam King e dois amigos deitar no chão. Os amigos obedecem, mas ele fica de quatro. Quando os agentes tentam forçá-lo, King resiste e leva dois tiros de armas de choque, que disparam dardos com potência de 50 mil volts.

Neste momento, da varanda de seu apartamento do outro lado da rua, George Holliday começa a gravar. O vídeo de um minuto e 29 segundos torna King num personagem da história dos Estados Unidos. Ele levanta e corre em direção ao policial Laurence Powell, que o ataca com um cassetete.

Rodney King cai e entre 18 e 51 segundos do vídeo, leva cacetadas de Powell e de Timothy Wind. Aos 55 segundos, Powell desfere um golpe que faz King rolar e ficar de bruços. Dez segundos depois, o terceiro agente, Ted Briseno, pisa do alto das costas da vítima.

Dois segundos depois, Powell e Wind voltam a dar cacetadas, e Wind chuta o pescoço de King quatro vezes. Aos 89 segundos, depois de 56 cacetadas, ele põe as mãos nas costas e é algemado. O sargento Stacey Koon, o oficial responsável, não fez nada para impedir a agressão.

Uma ambulância o leva para o hospital com uma perna quebrada, várias fraturas no rosto, hematomas e contusões. Sem saber que haviam sido filmados, os policiais declaram em relatório que não usaram muita força e que o preso sofreu apenas cortes e lesões "de menor natureza".

Quando os policiais são absolvidos por um júri popular em Simi Valley, no condado de Ventura, há uma explosão de violência. Em dias, 60 pessoas são mortas e 2 mil saem feridas. Os danos à propriedade chegam a US$ 1 bilhão, nos distúrbios mais destrutivos do século 20 nos EUA.

Em 1º de maio, o presidente George W. Bush manda tropas federais e policiais especializados na contenção de distúrbios para controlar a situação.

Os policiais são processados de novo pela Justiça Federal por violar os direitos de King ao empregar força irrazoável. Koon e Powell são condenados a dois anos e meio de prisão. Na Justiça Civil, King recebe US$ 3,8 milhões em ação contra o Departamento de Polícia de Los Angeles.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Março

 VASCO DA GAMA EM MOÇAMBIQUE

    Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega à ilha de Moçambique, na costa oriental da África, na primeira viagem marítima de europeus à Índia.

Ao cruzar o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, a frota de Vasco da Gama entra em mares nunca antes navegados por europeus. Os portugueses avançam lentamente ao longo da costa da Zululândia. O objetivo é encontrar cidades ou povoações onde possam se reabastecer de água e saber qual a distância para a Índia, talvez até conseguir um piloto que os guiasse até o destino.

Depois de uma tempestade, a frota explora a costa do que hoje é Moçambique até chegar à ilha do mesmo nome. Logo, percebem que é um lugar diferente dos que vêm encontrando, com uma cultura muçulmana, um povo que entende árabe, veste roupas coloridas de linho e algodão, usa touca e é formado por mercadores.

Há desconfiança mútua. O sultão local promete ajudar, mas dá informações erradas e não fornece um piloto. A frota tem problemas também em Mombaça, hoje parte do Quênia. Só em Melinde consegue um piloto que os guia até a Índia.

Depois de 20 mil quilômetros de viagem, os portugueses chegam em Calicute em 20 de maio de 1498.

INDEPENDÊNCIA DO MARROCOS

    Em 1956, o Marrocos, um país que ao longo da história é colonizado por Portugal, Espanha e França, declara independência da França. O rei Muhammad V forma o governo do novo país.

A expansão árabe no fim do século 7 toma o Norte da África, a região do Magrebe. Em 1415, Portugal conquista Ceuta, marco inicial do Império Português. Nos próximos séculos, o país vive sob dominação europeia.

Com a Revolução Industrial na Europa, a colonização da África se aprofunda. Em 1830, a França mostra interesse no Marrocos para proteger sua fronteira na Argélia. O Tratado de Fez, de 1912, transforma o Marrocos num protetorado francês. A Espanha mantém seu protetorado.

Pela proximidade com a Europa, o Marrocos se envolve na Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Guerra civil Espanhola (1936-39) e na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Depois da Segunda Guerra Mundial, com base na Carta do Atlântico, assinada em 1941 pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, o povo marroquino pede a volta do rei Mohammad V.

Como enfrenta a Guerra da Independência da Argélia (1954-62), a França decide ceder. Em 1955, aceita a independência do Marrocos.

RECORDE DE PONTOS NO BASQUETE

    Em 1962, Wilt Chamberlain estabelece um recorde de 200 pontos num jogo de basquete, não superado até hoje.

O Philadelphia Warriors, de Chamberlain, hoje Golden State Warriors, vence o New York Knicks por 169-147. Ele é o primeiro jogador a marcar mais de 4 mil pontos numa temporada e também detém até hoje o recorde de rebotes na carreira.

CHINA x URSS

    Em 1969, de manhã, cerca de 30 soldados da República Popular da China andam sobre as águas congeladas do Rio Ussúri e enfrentam 70 guardas de fronteira da União Soviética perto de uma ilha reivindicada pelos chineses. A escaramuça termina com dezenas de mortos e feridos, confirmando o cisma entre as duas grandes potências comunistas, que continuaria até o fim da Guerra Fria.

Pelo Tratado de Beijim de 1860, a fronteira ficava na margem chinesa do rio, e não no meio. A disputa da ilha de Zhenbao ou Damansky, próxima da margem chinesa, deflagra o conflito fronteiriço sino-soviético, seis meses de uma guerra não declarada. 

Pelos dados oficiais dos regimes, 58 soldados da URSS e 72 da China morreram. Os soviéticos afirmam que mataram cerca de 800 chineses.

Os Estados Unidos aproveitam o conflito sino-soviético para se reaproximar da China e fazer a détente com a URSS, com viagens do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon a Beijim e Moscou. A China vira uma virtual aliada não sócia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no fim da Guerra Fria.

A demarcação da fronteira só é realizada depois do fim de URSS, em 1991, como resultado de vários acordos. O último, assinado em 14 de outubro de 2003, dá centenas de ilhas nos rios fronteiriços à China, inclusive Zhenbao.