Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1681, o quaker William Penn recebe uma carta com autorização do rei Carlos II, da Inglaterra, para criar uma comunidade em terras não ocupadas da colônia da Pensilvânia, em pagamento por uma dívida do rei com o almirante Sir William Penn, pai do quaker.
O plano é criar um refúgio seguro grupos religiosos perseguidos, inclusive os quakers, com plena liberdade religiosa. Seu primo William Markham vai antes e estabelece os limites do que seria a cidade da Filadélfia.
Penn chega em 1682 e convoca uma Assembleia Geral para criar a estrutura do governo e a Grande Lei da comunidade, com garantias de liberdade de consciência e de religião. O tratamento amistoso cria laços de amizade com os índios.
A Comunidade da Pensilvânia tem uma grande expansão no próximo século, o que leva a conflitos com a França, que reinvidica o vale do Rio Ohio. Muitas batalhas da Guerra dos Sete Anos (1756-63) e da guerra indígena que a precede são travadas na Pensilvânia.
Em 1753, o Império Britânico tem 13 colônias que vão até os Montes Apalaches. Do outro lado, há uma possessão francesa chamada Louisiana que vai da Foz do Mississípi, em Nova Orleans, e segue pela Bacia do Missouri-Mississípi até a região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá.
No fim da Guerra dos Sete Anos, o Império Britânico toma a maior parte das possessões britânicas no Canadá e na Índia. A guerra é uma das causas da independência dos EUA, em 1776, e da Revolução Francesa de 1789. A Louisiana, com 1,7 milhão de quilômetros quadrados, é vendida por Napoleão Bonaparte em 1803 por US$ 15 milhões.
POSSE DE LINCOLN
Em 1861, Abraham Lincoln assume a Presidência dos Estados Unidos com uma mensagem de paz aos sete estados confederados do Sul (Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississípi e Texas) que haviam deixado a União em 4 de fevereiro, depois de sua eleição, em novembro de 1860, por serem contra a abolição da escravatura, e adverte que vai aplicar as leis federais para impedir a secessão.
Para manter a União, Lincoln rejeita a separação dos Estados Confederados da América. Com cerca de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão (1861-65) é a pior guerra da história dos EUA. Lincoln é assassinado em 15 de abril, seis dias depois do fim da guerra, no início de seu segundo mandato.
NASCE A MAMA AFRIKA
Em 1932, nasce em Prospect, perto de Joanesburgo, na África do Sul, a cantora, compositora e atriz Miriam Makeba, conhecida como Mama Afrika, uma das músicas africanas mais importantes do século 20.
Filha de mãe suázi e pai xhosa, Zenzile Miriam Makeba cresce na segregada Cidade de Sofia, na Grande Joanesburgo. Quando criança, começa a cantar no coral da escola. Em 1954, se torna cantora profissional. Em 1958, o regime segregacionsta do apartheid impõe uma lei que proíbe artistas negros de se apresentar em cidades.
O produtor e diretor de cinema norte-americano Lionel Rogosin a descobre e a convida cantar duas no filme Come Back, Africa (1959), um documentário sobre o apartheid. Isso chama a atenção do músico e produtor norte-americano Harry Belafonte.
Em 1959, Makeba vai morar nos Estados Unidos, onde canta músicas nas línguas xhosa e zulu, inclusive canções de protesto contra o regime segragacionista do apartheid. Em 1960, o governo da minoria branca cancela seu passaporte e a proíbe de entrar na África do Sul.
Miriam Makeba se casa em 1964 com o trumpetista Hugh Masekela. O casamento dura apenas dois anos. Em 1965, ela ganha um Prêmio Grammy com Belafonte. Seu casamento em 1968 com o pantera-negra Stokely Carmichael, que defende a violência na luta contra o racismo, prejudica sua carreira nos EUA. Em 1967, ela grava seu maior sucesso, Pata Pata, que significa "toque toque" em xhosa.
Carmichael se afasta dos Panteras Negras e o casal se muda para a Guiné em 1969. Eles se separam em 1979. Quando o líder negro Nelson Mandela sai da prisão, em 1990, incentiva Makeba a voltar para a África do Sul. Depois de 31 anos, ela se apresenta no país em 1991 e continua a carreira até morrer de ataque cardíaco em Castel Volturno, perto de Nápoles, na Itália, em 10 de novembro de 2008.
POSSE DE FRANKLIN ROOSEVELT
Em 1933, em plena Grande Depressão, Franklin Delano Roosevelt, toma posse como presidente dos Estados Unidos, diz que "a única coisa de que devemos ter medo é do medo" e anuncia o New Deal, um novo pacto social com o aumento de gastos e das ações do governo federal para gerar empregos e promover o bem-estar social.
Roosevelt é reeleito três vezes, em 1936, 1940 e 1944. Não só tira o país da Grande Depressão como lidera os aliados na luta contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-45) depois do ataque do Japão a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e desenvolve a bomba atômica.
FACE DO NEW DEAL
Em 1933, a socióloga Frances Perkins toma posse como secretária do Trabalho do governo Franklin Roosevelt (1933-45). A primeira mulher indicada para um cargo de ministra nos Estados Unidos se torna a face do New Deal, o novo pacto social lançado por FDR para combater a Grande Depressão (1929-39), e fica no cargo até o fim do governo.
Como aliada e amiga da primeira-dama, Eleanor Roosevelt, Frances Perkins ajuda a levar o movimento trabalhista para a coalizão do New Deal. É decisiva na criação do Corpo Civil de Conservação, a Agência Federal do Trabalho e a Administração da Recuperação Nacional.
Com a Lei de Seguridade Social, de 1935, Perkins cria a Previdência Social nos EUA, o seguro-desemprego e a aposentadoria. Também é importante na aprovação das leis do trabalho, inclusive na prevenção de acidentes de trabalho e no combate ao trabalho infantil.
A Lei dos Padrões Justos de Trabalho introduz o salário mínimo, o pagamento de horas extras e a jornada semanal de trabalho de 40 horas nos EUA.
LONDRES - Aos 72 anos, Hugh Masekela entrou dançando de mansinho, mas logo mandou a plateia se levantar no segundo e último show que fez domingo e segunda-feira no Hackney Empire, em Londres, em homenagem à cantora Miriam Makeba. Ele a descreveu como Mamma Africa, uma heroína na luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul e pela libertação dos povos de todo o continente.
Diante de uma plateia cheia de sul-africanos, Masekela não demorou em usar a ironia: "Já vi que tem muita gente aqui que fugiu da polícia", lembrando os 300 anos de ditadura da minoria branca sobre a maioria negra.
Em 1961, o regime proibiu os negros de tomar bebibas alcoólicas, lembrou Masekela: "Beber se tornou um ato de resistência. O que pode ser melhor do que enrolar a língua ao responder a um policial que lhe pede documentos. Quase toda casa de família virou uma birosca clandestina. Quem fornecia o produto ilegal era a própria polícia."
Logo, ele começou a gritar "Kawleza", pedindo à plateia que repetisse, e cantou a música engajada de Miriam Makeba, que morreu em 2008 aos 76 anos depois de uma longa perseguição .
Masekela cantou com sua voz rouca, mas ainda poderosa, tocou trumpete e outros instrumentos de sopro. Estava acompanhado jovens músicos sul-africanos e de um percussionista de Serra Leoa. Chamou os cantores Vusi Mahlesela, Thandiswa e Lira para cantar Meet me on the river.
Para Thandiswa, Miriam Makeba foi a figura feminina que lhe serviu de modelo, dando-lhe uma esperança de sucesso em meio ao regime racista sul-africano.
Mais jovem, Lira contou que, quando criança, não tinha noção do que era o apartheid: "Fugir da polícia para uma criança era uma brincadeira. Foi a música de Miriam Makeba que me revelou que muita gente morreu para conquistar a liberdade que eu tenho hoje e que em muitos países é algo natural".
Lira cantou a tragédia sul-africana em Soweto Blues.
O maior sucesso de Makeba, Pata Pata, levantou definitivamente a plateia de suas cadeiras e botou todo o mundo para dançar até o fim do show, que terminou com uma homenagem a Nelson Mandela e mais uma série de músicas de bis. Foi uma noite memorável. A plateia queria mais e mais.
A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como Mama África, morreu hoje aos 76 anos. Ela teve um ataque cardíaco depois de um show em Caserta, na Itália.
Miriam Makeba nasceu em 1932 na periferia de Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul, e começou a fazer sucesso nos anos 50. Sua música mais conhecida foi Pata Pata, ouvida no mundo inteiro nos anos 60.
Em 1963, quando tentava voltar para casa, ela descobriu que o regime segregacionista da minoria branca sul-africana lhe cassara o passaporte. Miriam Makeba foi obrigada a viver no exterior. Não pôde entrar na África do Sul nem para o enterro da mãe, mais uma crueldade cometida pelo regime do apartheid.
No exílio, morou nos Estados Unidos, na França, na Bélgica e na Guiné. Foi casada com o ativista negro radical Stokely Carmichael, líder dos Panteras Negras, e com o trumpetista de jazz sul-africano Hugh Masekela.
Depois que Nelson Mandela foi libertado, em 1991, negociou a democratização da África do Sul e a transição para um regime da maioria negra, ele convidou Miriam Makeba para voltar ao país. Só então ela pôde se sentar no túmulo da mãe e dizer algumas palavras de despedida.
Mas continuou viajando pelo mundo e fazendo o que mais gostava de fazer, cantar, até o fim de uma vida que fez História.