Com base numa perícia encomendada pela família, a juíza federal argentina Sandra Arroyo Salgado afirmou hoje que seu ex-marido, o promotor Alberto Nisman, "foi vítima de homicídio, sem sombra de dúvida". Em entrevista em San Ysidro, onde trabalha, a juíza acrescentou que esta versão "tem respaldo de rigor científico" que "descarta com contundência as hipóteses de acidente ou suicídio", noticiou o jornal Clarín.
Em resposta, a promotora encarregada do caso, Viviana Fein, declarou que ainda não tomou uma posição: "Nada me permite afirmar hoje de maneira categórica se foi homicídio ou suicídio", citou o jornal La Nación.
Nisman foi encontrado morto em seu apartamento no aristocrático bairro de Porto Madero, em Buenos Aires, na noite de domingo, 18 de janeiro de 2015, horas antes de uma audiência na Comissão de Legislação Penal da Câmara de Deputados da Argentina.
O promotor esclareceria aos deputados os indícios da denúncia contra a presidente Cristina Kirchner, assessores e aliados, acusados de fazer um acordo secreto com o Irã para acobertar a participação de sete iranianos e um libanês no pior atentado terrorista da história argentina. O ataque contra a Associação Mutual Israelita Argentina, em 18 de julho de 1994, deixou 85 mortos e quase 300 feridos.
No primeiro momento, a presidente Cristina Kirchner sugeriu que foi suicídio, ao perguntar em redes sociais: "O que faz alguém querer tirar a própria vida?" Na quinta-feira após a morte, mudou a versão para homicídio, insinuando que Nisman teria sido morto pelos mesmos agentes secretos que teriam lhe passado afirmações falsas para incriminá-la.
Em seguida, Cristina extinguiu a Secretaria de Inteligência do Estado (Side), sem dar tempo às autoridades competentes de fazer as devidas investigações. O agente secreto apontado como suspeito pelo governo, Antonio Jaime Stiuso, que estava no serviço secreto desde 1972, tendo passado pela guerra suja da última ditadura militar (1976-83), fugiu da Argentina.
Desde então, a investigação oficial da promotora Viviana Fein se encaminharia, de acordo com a imprensa independente argentina, para a hipótese de suicídio. A fim de contestar esta versão, a juíza Arroyo Salgado contratou uma perícia privada realizada pelo legista Osvaldo Roffo, o médico Julio Ravioli, o criminalista Daniel Salcedo, o psiquiatra Ricardo Risso e o especialista em informática Gustavo Presman.
A perícia paralela chegou a pelo menos três conclusões diferentes da oficial. "Não houve espasmo cadavérico, o que quer dizer que houve agonia", declarou a juíza, o que seria comprovado por "uma copiosa hemorragia externa". Nisman agonizou antes de morrer.
O corpo foi movido de lugar. "A posição em que foi encontrado o corpo não foi a da morte", disse Sandra Salgado, sem esclarecer se a movimentação foi necessária para abrir a porta do banheiro onde o cadáver foi encontrado.
A hora da morte também estaria errada. Enquanto a inquérito oficial aponta o domingo como dia do assassinato, Salgado Arroyo acredita que a morte ocorreu cerca de 36 horas antes do início da autópsia, realizada às 8h de 19 de fevereiro. Portanto, Nisman teria morrido no sábado à noite.
O tiro fatal partiu mesmo de uma pistola Bersa calibre 22, como está no inquérito oficial, mas não havia vestígios de pólvora nas mãos do promotor, como teria de haver se ele mesmo tivesse disparado e insunuou no primeiro momento o sítio oficial Infojus. E Nisman não estava havia bebido, enfatizou sua ex-mulher: "Não se demonstrou a presença de álcool nas vísceras, no sangue ou na urina."
Na Câmara dos Deputados, o ex-vice-presidente Julio Cobos e o ex-ministro da Economia Martín Lousteau criticaram as manobras oficiais do kirchnerismo para manchar a imagem do promotor morto. Em nota, Cobos declarou que "o Poder Executivo deve colaborar com a investigação da morte do promotor Nisman."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 5 de março de 2015
Perícia encomendada pela família conclui que Nisman foi assassinado
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Bélgica pede proteção a jornalista na Argentina
A embaixada da Bélgica em Buenos Aires pediu ao governo da Argentina que garanta a segurança da jornalista belgo-espanhola Teresita Dussart, correspondente do jornal La Libre Belgique. Ela foi hostilizada nos meios de comunicação governistas por causa da cobertura da morte do promotor especial Alberto Nisman, encarregado de investigar o pior atentado terrorista da história do país, noticiou o jornal Clarín.
Em seu blog, Dussart revelou que um dos seguranças de Nisman, Rubén Benítez, esteve no apartamento do promotor em 17 de janeiro de 2015, véspera da morte. Nisman teria pedido que Benítez lhe comprasse uma pistola de 22 mm na segunda-feira. Apareceu morto no domingo por um único tiro de uma pistola de 22 mm.
Depois da publicação, a correspondente passou a ser chamada de "espiã" e "mercenária" a serviço dos serviços secretos dos Estados Unidos (CIA) e de Israel (Mossad), as mesmas ofensas usadas contra os críticos do governo Cristina Kirchner.
Esses serviços secretos são acusados pelo kirchnerismo de forjar o inquérito presidido por Nisman que concluiu pela responsabilidade da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e do Irã no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina que matou 85 pessoas e feriu outras 300 em 18 de julho de 1994, em Buenos Aires.
No dia seguinte à sua morte, Nisman iria apresentar suas conclusões e provas à Comissão de Legislação Penal da Câmara dos Deputados da Argentina.
Sob o título "outro personagem insólito entra em cena", o jornal kirchnerista Página 12 vinculou Dussart à Krool & Geos, "uma empresa de segurança internacional com atividades em 50 países", a "CIA de Wall St." Juan José Salinas a chamou de "uma dessas agentes de algum (ou vários) dos serviços secretos estrangeiros que colonizaram a Secretaria de Inteligência, estão furiosos e dispostos a tudo" porque a presidente extinguiu o órgão, responsabilizando "agentes renegados" pela morte de Nisman antes da conclusão do inquérito.
Sentindo-se ameaçada, Dussart recorreu às embaixadas da Bélgica e da Espanha, e foi acolhida na belga.
Em seu blog, Dussart revelou que um dos seguranças de Nisman, Rubén Benítez, esteve no apartamento do promotor em 17 de janeiro de 2015, véspera da morte. Nisman teria pedido que Benítez lhe comprasse uma pistola de 22 mm na segunda-feira. Apareceu morto no domingo por um único tiro de uma pistola de 22 mm.
Depois da publicação, a correspondente passou a ser chamada de "espiã" e "mercenária" a serviço dos serviços secretos dos Estados Unidos (CIA) e de Israel (Mossad), as mesmas ofensas usadas contra os críticos do governo Cristina Kirchner.
Esses serviços secretos são acusados pelo kirchnerismo de forjar o inquérito presidido por Nisman que concluiu pela responsabilidade da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e do Irã no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina que matou 85 pessoas e feriu outras 300 em 18 de julho de 1994, em Buenos Aires.
No dia seguinte à sua morte, Nisman iria apresentar suas conclusões e provas à Comissão de Legislação Penal da Câmara dos Deputados da Argentina.
Sob o título "outro personagem insólito entra em cena", o jornal kirchnerista Página 12 vinculou Dussart à Krool & Geos, "uma empresa de segurança internacional com atividades em 50 países", a "CIA de Wall St." Juan José Salinas a chamou de "uma dessas agentes de algum (ou vários) dos serviços secretos estrangeiros que colonizaram a Secretaria de Inteligência, estão furiosos e dispostos a tudo" porque a presidente extinguiu o órgão, responsabilizando "agentes renegados" pela morte de Nisman antes da conclusão do inquérito.
Sentindo-se ameaçada, Dussart recorreu às embaixadas da Bélgica e da Espanha, e foi acolhida na belga.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Jornalista que revelou morte do promotor foge da Argentina
Primeiro a noticiar a morte do procurador Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner por acobertar o pior atentado terrorista da história argentina, sentindo-se ameaçado, o jornalista judeu Damian Pachter fugiu da Argentina para Israel, de onde revela os detalhes em coluna no jornal liberal israelense Haaretz.
Pachter soube da morte de Nisman quando estava escrevendo uma reportagem sobre a denúncia do promotor contra a presidente, o ministro do Exterior, Héctor Timerman, que é judeu, ativistas sociais favoráveis ao Irã e o deputado Andrés Larroque, líder do movimento La Cámpora, da juventude kirchnerista.
Todos são acusados de conspirar com a ditadura teocrática do Irã para retirar os mandados de prisão contra membros do regime fundamentalista iraniano acusados pelo atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em que 85 pessoas morreram e outras 300 saíram feridas, em 18 de julho de 1994, em Buenos Aires.
Por confiar na fonte, o jornalista publicou a notícia imediatamente no Twitter, à 1h08 de 19 de janeiro de 2014: "Encontraram o promotor Nisman no banheiro de sua casa em Porto Madero sobre um charco de sangue. Não respirava. Os médicos estão lá."
O furo de reportagem logo foi retuitado. Pachter tinha 420 seguidores. Hoje, tem mais de 10 mil. Os elogios e as ameaças começaram.
Ao mesmo tempo, o governo argentino montava sua versão da morte do promotor. Primeiro, Cristina sugeriu a possibilidade de suicídio, que começou a cair quando não foram encontrados vestígios de pólvora na mão direita de Nisman.
Na sexta-feira, quando trabalhava na redação jornal Buenos Aires Herald, um colega da rádio e televisão estatal britânica BBC lhe chamou a atenção. A agência oficial de notícias argentina publicara nova reportagem sobre a morte de Nisman citando um Twitter de Damian Pachter. O detalhe é que ele nunca escreveu o texto que lhe foi atribuído.
Depois de ficar furioso e pensar em reagir e responder, ele se acalmou, examinou a questão racionalmente e tomou aquilo por uma ameaça. Falou com outro amigo e marcou um encontro no terminal central de ônibus de Buenos Aires, no Retiro. O amigo advertiu: "Você tem de sair da cidade".
O jornalista tomou um ônibus e viajou horas para encontrar o amigo em lugar ignorado. O amigo prometeu chegar em 20 minutos. Levou duas horas. Nesse meio tempo, Pachter esperou sentado numa lanchonete de posto de gasolina, onde apareceu uma figura de calça jeans, óculos escuros e jaqueta de couro, uniforme informal dos temidos agentes secretos da polícia argentina.
Quando o amigo chegou, tirou uma foto de Damian Pachter com o homem sinistro ao fundo. Ele foi embora minutos depois. O jornalista guarda a foto como prova.
A pior coisa foi voltar até a estação do Retiro, um lugar muito perigoso à noite, na sensação do repórter, ambiente ideal para um assassinato e disfarçado de latrocínio. De volta a Buenos Aires, Pachter foi logo para o aeroporto, depois de pedir a amigos que comprassem passagens aéreas para Montevidéu e de lá para Madri e Telavive.
Mesmo depois de deixar o país, o governo Cristina Kirchner publicou informações falsas a seu respeito. O Twitter da Casa Rosada divulgou detalhes da passagem aérea comprada pelo jornalista para afirmar que ele não fugiu e pretende voltar à Argentina em 2 de fevereiro. A reserva está marcada para dezembro.
"Não tenha a menor ideia de quando vou voltar à Argentina; não sei se quero", desabafou Pachter. "O que sei é que o país onde nasci não é aquele lugar feliz sobre o qual meus avós judeus costumavam me contar histórias."
Pachter soube da morte de Nisman quando estava escrevendo uma reportagem sobre a denúncia do promotor contra a presidente, o ministro do Exterior, Héctor Timerman, que é judeu, ativistas sociais favoráveis ao Irã e o deputado Andrés Larroque, líder do movimento La Cámpora, da juventude kirchnerista.
Todos são acusados de conspirar com a ditadura teocrática do Irã para retirar os mandados de prisão contra membros do regime fundamentalista iraniano acusados pelo atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em que 85 pessoas morreram e outras 300 saíram feridas, em 18 de julho de 1994, em Buenos Aires.
Por confiar na fonte, o jornalista publicou a notícia imediatamente no Twitter, à 1h08 de 19 de janeiro de 2014: "Encontraram o promotor Nisman no banheiro de sua casa em Porto Madero sobre um charco de sangue. Não respirava. Os médicos estão lá."
O furo de reportagem logo foi retuitado. Pachter tinha 420 seguidores. Hoje, tem mais de 10 mil. Os elogios e as ameaças começaram.
Ao mesmo tempo, o governo argentino montava sua versão da morte do promotor. Primeiro, Cristina sugeriu a possibilidade de suicídio, que começou a cair quando não foram encontrados vestígios de pólvora na mão direita de Nisman.
Na sexta-feira, quando trabalhava na redação jornal Buenos Aires Herald, um colega da rádio e televisão estatal britânica BBC lhe chamou a atenção. A agência oficial de notícias argentina publicara nova reportagem sobre a morte de Nisman citando um Twitter de Damian Pachter. O detalhe é que ele nunca escreveu o texto que lhe foi atribuído.
Depois de ficar furioso e pensar em reagir e responder, ele se acalmou, examinou a questão racionalmente e tomou aquilo por uma ameaça. Falou com outro amigo e marcou um encontro no terminal central de ônibus de Buenos Aires, no Retiro. O amigo advertiu: "Você tem de sair da cidade".
O jornalista tomou um ônibus e viajou horas para encontrar o amigo em lugar ignorado. O amigo prometeu chegar em 20 minutos. Levou duas horas. Nesse meio tempo, Pachter esperou sentado numa lanchonete de posto de gasolina, onde apareceu uma figura de calça jeans, óculos escuros e jaqueta de couro, uniforme informal dos temidos agentes secretos da polícia argentina.
Quando o amigo chegou, tirou uma foto de Damian Pachter com o homem sinistro ao fundo. Ele foi embora minutos depois. O jornalista guarda a foto como prova.
A pior coisa foi voltar até a estação do Retiro, um lugar muito perigoso à noite, na sensação do repórter, ambiente ideal para um assassinato e disfarçado de latrocínio. De volta a Buenos Aires, Pachter foi logo para o aeroporto, depois de pedir a amigos que comprassem passagens aéreas para Montevidéu e de lá para Madri e Telavive.
Mesmo depois de deixar o país, o governo Cristina Kirchner publicou informações falsas a seu respeito. O Twitter da Casa Rosada divulgou detalhes da passagem aérea comprada pelo jornalista para afirmar que ele não fugiu e pretende voltar à Argentina em 2 de fevereiro. A reserva está marcada para dezembro.
"Não tenha a menor ideia de quando vou voltar à Argentina; não sei se quero", desabafou Pachter. "O que sei é que o país onde nasci não é aquele lugar feliz sobre o qual meus avós judeus costumavam me contar histórias."
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Deputado peronista critica defesa de Cristina pelo partido
O deputado peronista Felipe Solá criticou hoje duramente o documento do Partido Justicialista para defender a presidente Cristina Kirchner da denúncia de acobertar os responsáveis pelo maior terrorista da história da Argentina. O texto acusa juízes, promotores e meios de comunicação de participar de uma conspiração para atingir o governo com a morte do promotor encarregado do caso, Alberto Nisman.
"Foi um documento para a presidente, não para o povo", desabafou Solá, citado pelo jornal argentino Clarín.
Em entrevista à Rádio Mitre na manhã de hoje, o deputado contou como o partido adotou sua posição oficial: "Não houve nenhuma discussão. Chegou Zannini com um papel e disse: é isto que vocês têm de dizer." Carlos Alberto Zannini é secretário jurídico e técnico da Presidência da Argentina.
O partido foi surpreendido, ontem de manhã, pela mudança total na posição de Cristina Kirchner, da versão inicial de suicídio para um assassinato feito sob encomenda para incriminá-la.
Solá também acusou o governo de criar um clima pesado antes da data marcada para Nisman apresentar suas provas à Câmara dos Deputados, a segunda-feira passada.
O promotor denunciou um conluio entre os governos da Argentina e do Irã para acobertar os responsáveis pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que matou 85 pessoas em 18 de julho de 1994, em troca da melhoria das relações econômicas entre os dois países. No domingo, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Porto Madero, em Buenos Aires.
Outro problema levantado pelo deputado foi a presença do ministro da Segurança, Sergio Berni, o ministro da justiça argentino, no local do crime antes da perícia: "Não sabemos de nenhuma ação do Poder Executivo em relação a Berni. Há um crime grave na Argentina e o primeiro a chegar à cena do crime é uma figura política de um governo que seria acusado no dia seguinte."
Em ressonância com a Casa Rosada, ontem os presidenciáveis peronistas Daniel Scioli, Julián Domínguez e Sergio Uribarri acusaram os meios de comunicação "concentrados", referência aos jornais Clarín e La Nación, agentes secretos, juízes e promotores "golpistas" pela denúncia contra a presidente.
Hoje de manhã, o secretário-geral da Presidência, Anibal Fernández, insistiu na tese de que alguém escreveu a denúncia para Nisman: o promotor "não poderia ter escrito aquela burrice".
Mais gravações telefônicas autorizadas pela Justiça que faziam parte da denúncia foram reveladas hoje no programa de rádio do jornalista Jorge Lanata. Em novembro de 2012, o líder do movimento social dos piqueteiros, Luis D'Elia, aconselhou Alejandro Yussuf Khalil, identificado por Nisman como "agente iraniano", a não participar de uma marcha de apoio à independência da Palestina para não chamar a atenção.
Dois meses depois, em 27 de janeiro de 2013, Argentina e Irã assinaram um memorando de entendimento para uma comissão bilateral mista revisar o caso do atentado à AMIA e, na prática, inocentar os iranianos acusados suspendendo os mandados de prisão enviados à Interpol (Polícia Internacional). Por ironia ou não, é o dia da libertação do campo de concentração de Auschwitz, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Neste clima de alta comoção, as associações israelitas não vão participar da cerimônia do Dia do Holocausto marcada para a próxima terça-feira, 70º aniversário da libertação de Auschwitz, no Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina.
"Foi um documento para a presidente, não para o povo", desabafou Solá, citado pelo jornal argentino Clarín.
Em entrevista à Rádio Mitre na manhã de hoje, o deputado contou como o partido adotou sua posição oficial: "Não houve nenhuma discussão. Chegou Zannini com um papel e disse: é isto que vocês têm de dizer." Carlos Alberto Zannini é secretário jurídico e técnico da Presidência da Argentina.
O partido foi surpreendido, ontem de manhã, pela mudança total na posição de Cristina Kirchner, da versão inicial de suicídio para um assassinato feito sob encomenda para incriminá-la.
Solá também acusou o governo de criar um clima pesado antes da data marcada para Nisman apresentar suas provas à Câmara dos Deputados, a segunda-feira passada.
O promotor denunciou um conluio entre os governos da Argentina e do Irã para acobertar os responsáveis pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que matou 85 pessoas em 18 de julho de 1994, em troca da melhoria das relações econômicas entre os dois países. No domingo, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Porto Madero, em Buenos Aires.
Outro problema levantado pelo deputado foi a presença do ministro da Segurança, Sergio Berni, o ministro da justiça argentino, no local do crime antes da perícia: "Não sabemos de nenhuma ação do Poder Executivo em relação a Berni. Há um crime grave na Argentina e o primeiro a chegar à cena do crime é uma figura política de um governo que seria acusado no dia seguinte."
Em ressonância com a Casa Rosada, ontem os presidenciáveis peronistas Daniel Scioli, Julián Domínguez e Sergio Uribarri acusaram os meios de comunicação "concentrados", referência aos jornais Clarín e La Nación, agentes secretos, juízes e promotores "golpistas" pela denúncia contra a presidente.
Hoje de manhã, o secretário-geral da Presidência, Anibal Fernández, insistiu na tese de que alguém escreveu a denúncia para Nisman: o promotor "não poderia ter escrito aquela burrice".
Mais gravações telefônicas autorizadas pela Justiça que faziam parte da denúncia foram reveladas hoje no programa de rádio do jornalista Jorge Lanata. Em novembro de 2012, o líder do movimento social dos piqueteiros, Luis D'Elia, aconselhou Alejandro Yussuf Khalil, identificado por Nisman como "agente iraniano", a não participar de uma marcha de apoio à independência da Palestina para não chamar a atenção.
Dois meses depois, em 27 de janeiro de 2013, Argentina e Irã assinaram um memorando de entendimento para uma comissão bilateral mista revisar o caso do atentado à AMIA e, na prática, inocentar os iranianos acusados suspendendo os mandados de prisão enviados à Interpol (Polícia Internacional). Por ironia ou não, é o dia da libertação do campo de concentração de Auschwitz, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Neste clima de alta comoção, as associações israelitas não vão participar da cerimônia do Dia do Holocausto marcada para a próxima terça-feira, 70º aniversário da libertação de Auschwitz, no Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Perícia não acha pólvora na mão do promotor morto na Argentina
A perícia da polícia da Argentina não descobriu sinais de pólvora nem dos gases produzidos pela detonação de uma arma de fogo na mão direita do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no domingo em seu apartamento em Buenos, admitiu hoje a promotora encarregada do caso, Viviana Fein, citado pelo jornal Clarín.
"Eram muito poucas as partículas detectadas no local", admitiu a promotora, sem excluir a hipótese de suicídio, que eximiria de culpa o governo argentino, por se tratar de uma pequena pistola de 22 milímetros. A arma não era dele, acrescentou a promotora. Ela também trabalha com a hipótese de "suicídio induzido" por causa das pressões a que o morto estava submetido.
Na segunda-feira, Nisman apresentaria ao Congresso a conclusão de um inquérito em que acusa a presidente Cristina Kirchner de acobertar iranianos denunciados por um atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), uma associação cultural judaica, que matou 85 pessoas em Buenos Aires, em 1994.
Nisman foi morto com apenas um tiro, disparado da arma encontrada ao lado do cadáver. Ele estava sob proteção policial, mas, no momento da morte, estava sozinho.
Sua família descarta a hipótese de suicídio e cita como evidência uma lista de compras a serem feitas ontem por sua empregada, declarou Jorge Kirszenbaum, ex-presidente de outra associação israelita. Seria um indício de que o promotor "não tinha a menor intenção de se suicidar".
"Eram muito poucas as partículas detectadas no local", admitiu a promotora, sem excluir a hipótese de suicídio, que eximiria de culpa o governo argentino, por se tratar de uma pequena pistola de 22 milímetros. A arma não era dele, acrescentou a promotora. Ela também trabalha com a hipótese de "suicídio induzido" por causa das pressões a que o morto estava submetido.
Na segunda-feira, Nisman apresentaria ao Congresso a conclusão de um inquérito em que acusa a presidente Cristina Kirchner de acobertar iranianos denunciados por um atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), uma associação cultural judaica, que matou 85 pessoas em Buenos Aires, em 1994.
Nisman foi morto com apenas um tiro, disparado da arma encontrada ao lado do cadáver. Ele estava sob proteção policial, mas, no momento da morte, estava sozinho.
Sua família descarta a hipótese de suicídio e cita como evidência uma lista de compras a serem feitas ontem por sua empregada, declarou Jorge Kirszenbaum, ex-presidente de outra associação israelita. Seria um indício de que o promotor "não tinha a menor intenção de se suicidar".
Marchas e panelaços pressionam governo argentino por morte de promotor
Com cartazes de "Eu sou Nisman", milhares de pessoas protestaram hoje à noite com marchas e panelaços contra a morte do promotor de Justiça Alberto Nisman. Houve manifestações na Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, diante da residência oficial da Presidência em Olivos, em vários bairros da capital e no interior, em Córdoba, Mendoza e outras grandes cidades da Argentina, informa o jornal Clarín.
Na semana passada, Nisman acusou a presidente Cristina Kirchner e o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, de encobrir o caso sobre o atentado que matou 85 pessoas em 1994 na AMIA, uma associação cultural israelita de Buenos Aires para acobertar o Irã. No domingo, horas antes de apresentar as provas, foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Porto Madero, em Buenos Aires.
A polícia declarou que inicialmente está tratando do caso como suicídio, mas a multidão nas ruas não acredita nessa versão.
O inquérito oficial sobre o atentado terrorista apontou a responsabilidade da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, a serviço do regime teocrático iraniano. Seria uma vingança porque o então presidente Carlos Menem, um muçulmano convertido ao catolicismo, pedira dinheiro a países árabes durante a campanha eleitoral e, no poder, fazia o jogo dos Estados Unidos e de Israel.
A operação teria sido conduzida por terroristas infiltrados através da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, na Foz do Iguaçu, concluiu Nisman.
Várias autoridades iranianas foram denunciadas, inclusive o então presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, até hoje um importante líder do regime dos aiatolás, e o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana e ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi.
Com a aproximação entre os governos argentinos do casal Kirchner e a Venezuela, o falecido presidente Hugo Chávez, aliado do Irã por ter petróleo e ser antiamericano, tentou melhorar as relações entre Argentina e Irã. Os maiores obstáculos eram os atentados contra a Embaixada de Israel, em 1992, e contra a AMIA, em 1994.
O governo Cristina Kirchner chegou a criar uma comissão bilateral com o Irã. Daí partem as denúncias de acobertamento.
Na semana passada, Nisman acusou a presidente Cristina Kirchner e o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, de encobrir o caso sobre o atentado que matou 85 pessoas em 1994 na AMIA, uma associação cultural israelita de Buenos Aires para acobertar o Irã. No domingo, horas antes de apresentar as provas, foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Porto Madero, em Buenos Aires.
A polícia declarou que inicialmente está tratando do caso como suicídio, mas a multidão nas ruas não acredita nessa versão.
O inquérito oficial sobre o atentado terrorista apontou a responsabilidade da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, a serviço do regime teocrático iraniano. Seria uma vingança porque o então presidente Carlos Menem, um muçulmano convertido ao catolicismo, pedira dinheiro a países árabes durante a campanha eleitoral e, no poder, fazia o jogo dos Estados Unidos e de Israel.
A operação teria sido conduzida por terroristas infiltrados através da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, na Foz do Iguaçu, concluiu Nisman.
Várias autoridades iranianas foram denunciadas, inclusive o então presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, até hoje um importante líder do regime dos aiatolás, e o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana e ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi.
Com a aproximação entre os governos argentinos do casal Kirchner e a Venezuela, o falecido presidente Hugo Chávez, aliado do Irã por ter petróleo e ser antiamericano, tentou melhorar as relações entre Argentina e Irã. Os maiores obstáculos eram os atentados contra a Embaixada de Israel, em 1992, e contra a AMIA, em 1994.
O governo Cristina Kirchner chegou a criar uma comissão bilateral com o Irã. Daí partem as denúncias de acobertamento.
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