Uma juiza federal de Washington sentenciou hoje Paul Manafort, ex-chefe da campanha eleitoral de Donald Trump, a três anos e sete meses de prisão. Somada a outra pena a que ele já estava condenado, Manafort deve ficar sete anos e meio na cadeia, mas pode receber indulto presidencial.
Neste segundo processo, Manafort foi considerado culpado de conspirar contra o governo dos Estados Unidos, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça e não revelar atividades como lobista no exterior que lhe renderam dezenas de milhões de dólares.
"É difícil exagerar o número de mentiras e fraudes, e o montante de dinheiro envolvido", declarou a juíza Amy Berman Jackson ao proferir a sentença, citada pelo jornal The New York Times. "Não há dúvida de que o réu sabia muito bem o que estava fazendo.
Manafort terá um abatimento dos nove meses que já passou na cadeia. "Eu lamento o que fiz e todas as atividades que nos trouxeram aqui hoje", disse o ex-assessor de Trump antes de receber a sentença. "Sei que foi minha conduta que me trouxe aqui hoje. Por isso, tenho remorso."
No primeiro processo, um júri do estado da Virgínia condenou-o por oito crimes, cinco acusações de falsa declaração de renda, duas de fraude bancária e outra por não declarar contas bancárias no exterior. Estes crimes foram descobertos pelo inquérito do procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência indevida da Rússia nas eleições americanas de 2016 e um possível conluio com a candidatura de Trump.
O condenado fez um acordo de delação premiada com Mueller, anulado porque ele concordou em cooperar a investigação. O procurador especial deve concluir seu trabalho em semanas. A grande questão é se vai apontar crimes cometidos pelo presidente.
Minutos depois da segunda sentença condenatória, foi apresentada uma denúncia contra Manafort por fraude imobiliária na Justiça estadual de Nova York. Como não é um processo federal, o presidente não pode lhe dar indulto neste caso.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 13 de março de 2019
Ex-chefe da campanha de Trump está condenado a sete anos e meio
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Advogado e ex-assessor são condenados e complicam Trump
O advogado Michael Cohen, que há anos defendia Donald Trump em seus negócios privados, confessou ontem sua culpa em oito acusações de fraude bancária e fiscal e violação da lei eleitoral ao pagar duas mulheres para ficarem em silêncio sobre relações sexuais com o atual presidente que poderia prejudicá-lo na campanha. No mesmo dia, um júri popular considerou culpado Paul Manafort, que chegou a ser chefe da campanha de Trump.
Manafort foi condenado em razão dos serviços prestados a Viktor Yanukovich, presidente da Ucrânia aliado da Rússia depois por uma revolta popular em fevereiro de 2014, por fraudes fiscal e bancária ao não declarar o dinheiro ganho no exterior.
Sua sentença não foi decidida, mas aumenta o risco para Trump de que faça uma delação premiada e revele mais detalhes das relações da campanha presidencial com o Kremlin.
Cohen, que pode pegar uma pena de 4 a 5 anos de cadeia, já fez a delação. Ele admitiu ter pago US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels e US$ 150 mil à garota da Playboy Karen McDougal “a serviço de um candidato ao governo federal” e reconheceu ter feito isso para influenciar o resultado da eleição.
Pela lei eleitoral americana, o dinheiro teria de ser declarado como verba de campanha.
O presidente mais corrupto da história recente dos Estados Unidos está cada vez mais enrolado com a Justiça. Trump acusou Cohen de inventar sua narrativa para se livrar da prisão. Durante o Escândalo de Watergate, em 1974, Richard Nixon tornou-se o único presidente dos EUA denunciado criminalmente.
A praxe do Departamento da Justiça é que nenhum presidente seja denunciado no exercício do cargo. Ele pode ser processado depois de deixar a Casa Branca. Mas Trump pode ser alvo de um processo de impeachment, se o Partido Democrata reconquistar a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de novembro.
Pela Constituição dos EUA, basta a maioria absoluta da Câmara para denunciar o presidente por crime de responsabilidade e iniciar um julgamento político. Mas a condenação pelo Senado exige dois terços dos votos. Parte da bancada do Partido Republicano teria de se voltar contra o presidente e a revolta é limitada, especialmente porque o apoio a Trump é forte entre o eleitorado republicano.
Manafort foi condenado em razão dos serviços prestados a Viktor Yanukovich, presidente da Ucrânia aliado da Rússia depois por uma revolta popular em fevereiro de 2014, por fraudes fiscal e bancária ao não declarar o dinheiro ganho no exterior.
Sua sentença não foi decidida, mas aumenta o risco para Trump de que faça uma delação premiada e revele mais detalhes das relações da campanha presidencial com o Kremlin.
Cohen, que pode pegar uma pena de 4 a 5 anos de cadeia, já fez a delação. Ele admitiu ter pago US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels e US$ 150 mil à garota da Playboy Karen McDougal “a serviço de um candidato ao governo federal” e reconheceu ter feito isso para influenciar o resultado da eleição.
Pela lei eleitoral americana, o dinheiro teria de ser declarado como verba de campanha.
O presidente mais corrupto da história recente dos Estados Unidos está cada vez mais enrolado com a Justiça. Trump acusou Cohen de inventar sua narrativa para se livrar da prisão. Durante o Escândalo de Watergate, em 1974, Richard Nixon tornou-se o único presidente dos EUA denunciado criminalmente.
A praxe do Departamento da Justiça é que nenhum presidente seja denunciado no exercício do cargo. Ele pode ser processado depois de deixar a Casa Branca. Mas Trump pode ser alvo de um processo de impeachment, se o Partido Democrata reconquistar a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de novembro.
Pela Constituição dos EUA, basta a maioria absoluta da Câmara para denunciar o presidente por crime de responsabilidade e iniciar um julgamento político. Mas a condenação pelo Senado exige dois terços dos votos. Parte da bancada do Partido Republicano teria de se voltar contra o presidente e a revolta é limitada, especialmente porque o apoio a Trump é forte entre o eleitorado republicano.
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sexta-feira, 31 de março de 2017
Ex-assessor de Trump pede imunidade para depor sobre Rússia
O ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca Michael Flynn, primeira grande baixa do governo Donald Trump, se ofereceu a depor no inquérito do FBI (polícia federal) e na Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos sobre um possível conluio entre a campanha de Trump e a Rússia, em troca de imunidade, revelou ontem o jornal The Wall Street Journal.
Em nota, o advogado de Flynn declarou que as negociações para uma delação premiada estão em andamento. Um dos mais ferozes assessores da campanha de Trump, o general da reserva chegou a dizer a respeito das investigações sobre o correio eletrônico de Hillary Clinton que quem pede imunidade está reconhecendo a culpa.
Antimuçulmano, Flynn considera o islamismo uma "ideologia assassina" e "não uma religião". Além de defender aproximação com a Rússia a pretexto de combater o extremismo muçulmano e a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ele esteve com o embaixador russo em Washington. Discutiu o fim das sanções impostas à Rússia por causa da intervenção militar na Ucrânia e mentiu ao dizer ao vice-presidente Mike Pence não ter feito isso.
Quando a conversa, gravada pelo serviço secreto, veio a público, Trump demitiu Flynn por "quebra de confiança".
A suspeita é que a Rússia tenha feito uma série de ataques cibernéticos para revelar segredos comprometedores de adversários de Trump, que desde o início da campanha manifestou simpatia pelo homem-forte do Kremlin e prometeu melhorar as relações bilaterais. Os principais alvos teriam sido a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o Partido Democrata, mas os rivais republicanos de Trump também não teriam sido poupados.
Como observou ontem aqui no Rio de Janeiro o embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, em seminário no Palácio do Itamaraty sobre o futuro do bloco europeu depois da saída britânica, há problemas estruturais que impedem uma aproximação real entre Rússia e EUA. Putin trabalha para minar a democracia liberal e dividir o Ocidente.
Em nota, o advogado de Flynn declarou que as negociações para uma delação premiada estão em andamento. Um dos mais ferozes assessores da campanha de Trump, o general da reserva chegou a dizer a respeito das investigações sobre o correio eletrônico de Hillary Clinton que quem pede imunidade está reconhecendo a culpa.
Antimuçulmano, Flynn considera o islamismo uma "ideologia assassina" e "não uma religião". Além de defender aproximação com a Rússia a pretexto de combater o extremismo muçulmano e a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ele esteve com o embaixador russo em Washington. Discutiu o fim das sanções impostas à Rússia por causa da intervenção militar na Ucrânia e mentiu ao dizer ao vice-presidente Mike Pence não ter feito isso.
Quando a conversa, gravada pelo serviço secreto, veio a público, Trump demitiu Flynn por "quebra de confiança".
A suspeita é que a Rússia tenha feito uma série de ataques cibernéticos para revelar segredos comprometedores de adversários de Trump, que desde o início da campanha manifestou simpatia pelo homem-forte do Kremlin e prometeu melhorar as relações bilaterais. Os principais alvos teriam sido a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o Partido Democrata, mas os rivais republicanos de Trump também não teriam sido poupados.
Como observou ontem aqui no Rio de Janeiro o embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, em seminário no Palácio do Itamaraty sobre o futuro do bloco europeu depois da saída britânica, há problemas estruturais que impedem uma aproximação real entre Rússia e EUA. Putin trabalha para minar a democracia liberal e dividir o Ocidente.
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