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domingo, 17 de maio de 2015

Presidente do Burúndi reaparece em público após golpe frustrado

O presidente Pierre Nkurunziza fez hoje sua primeira aparição em público depois da fracassada tentativa de golpe da quarta-feira passada no Burúndi, um país pequeno e pobre do centro da África. Em breve declaração diante do palácio presidencial em Bujumbura, ele declarou que não teme as ameaças da milícia terrorista somaliana Al Chababe (A Juventude).

O Burúndi participa da força de paz da União Africana liderada pelo Quênia para apoiar o governo provisório da Somália. Em retaliação, a milícia jihadista já atacou várias vezes no Quênia. Em 2 de abril de 2015, massacrou 148 pessoas na universidade de Garissa. Mas agora acusou Nkurunziza de desviar as atenções da tentativa de golpe para o inimigo externo

Em 13 de maio, quando o presidente participava de uma reunião da Comunidade da África Oriental na vizinha Tanzânia para discutir a crise no Burúndi, o general Godefroid Niyombare anunciou sua destituição depois de semanas de violentos protestos de rua contra a tentativa de Nkurunziza de concorrer a um terceiro mandato presidencial, violando o limite imposto pela Constituição.

Sem conseguir entrar em seu país na quinta-feira, Nkurunziza voltou para a Tanzânia, enquanto seus partidários resistiam ao golpe no Burúndi. Ele regressou ao país na sexta-feira. Nos últimos dias, mais de 100 mil burundeses fugiram do país temendo um reinício da guerra civil entre a maioria hutu e a minoria tútsi, que acabou em 2005 com a eleição indireta de Nkurunziza, um hutu.

Pela primeira eleição ter sido indireta, o presidente alega poder concorrer a um segundo mandato pelo voto popular, o que lhe daria três mandatos consecutivos.

Ontem, 17 golpistas presos foram apresentados à Justiça, mas não seu líder, que está foragido, apesar de sua prisão ter sido anunciada.

O general Niyombare foi o primeiro hutu a comandar o Exército, historicamente dominado pela minoria tútsi, a partir de 2006. Impôs a promoção por mérito e não por etnicidade, uma contribuição importante para a pacificação depois da guerra civil de 1993-2005.

Em 2012, Niyombare passou a ser o chefe do serviço secreto e principal assessor de segurança do presidente. Tinha sido demitido em fevereiro da chefia do serviço secreto burundês por se opor a um terceiro mandato para o presidente.

Diante da rebelião, o governo do Burúndi admite adiar as eleições parlamentares, previstas para 26 de maio, e a eleição presidencial, marcada para 26 de junho. Um líder da oposição sem relação com os golpistas convocou a população a voltar a sair às ruas para impedir a reeleição de Nkurunziza.

A crise no Burúndi é mais uma tentativa de presidentes da África de alterar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato. Em Burkina Fasso, uma revolta popular derrubou Blaise Compaoré em outubro de 2014. Denis Sassou-Nguesso, do Congo; Joseph Kabila, da República Democrática do Congo; e Paul Kagame, de Ruanda; estão de olho em mais mandato.

Em Uganda Yoweri Museveni usou suas maiorias parlamentares para mudar a Constituição e acabar com a limitação do número de mandatos.

sábado, 16 de maio de 2015

Oposição civil convoca novos protestos no Burúndi

O líder de um grupo de oposição civil no Burúndi, Gordien Niyungeko, conclamou a população a sair às ruas e manter os protestos contra o presidente Pierre Nkurunziza, que acaba de sobreviver a uma tentativa de golpe militar. Todos os quatro generais golpistas estão presos.

A polícia chegou atirar nos manifestantes, acusados de cumplicidade com os rebeldes. Niyungeko alega não ter nada a ver com o golpe fracassado no pequeno e pobre país do centro da África.

A revolta popular começou há três semanas, quando o presidente anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato, violando o limite imposto pela Constituição. O Tribunal Constitucional o autorizou, sob o argumento de que sua primeira eleição, em 2005, foi indireta. Mas multidões tomaram as ruas.

Em 13 de maio de 2015, quarta-feira, o general Godefroid Niyombare anunciou o golpe, quando Nkurunziza estava na Tanzânia, onde discutiu a crise numa reunião dos países da Comunidade da África Oriental. Os golpistas tentaram impedi-lo de voltar ao país, mas enfrentaram feroz resistência das forças de segurança legalistas.

Na quinta-feira, o presidente reassumiu o poder. Niyombare foi o último líder golpista a ser preso. Pelo menos cinco pessoas morreram na tentativa de golpe.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

General golpista reconhece a derrota no Burúndi

O general Cyrille Ndayiukiye, vice-líder do movimento golpista, admitiu ontem à noite que a tentativa de derrubar o governo do Burúndi fracassou. Horas antes, o presidente Pierre Nkurunziza havia anunciado sua volta ao país no Twitter, enquanto militares leais reassumiam o controle dos meios de comunicação.

"Pessoalmente, reconheço que nosso movimento fracassou. Encontramos uma grande determinação dos militares para sustentar o sistema de poder", declarou Ndayirukiye à Agência France Presse (AFP), citada no sítio da rádio France Info. Os golpistas se renderam.

Na madrugada desta sexta-feira pela hora local, o líder golpista, Godefroid Niyombare, anunciou: "Decidimos nos render. Espero que não nos matem", ele disse antes de ser preso pelas forças legalistas.

A crise começou há três semanas, quando Nkurunziza anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato presidencial, violando a Constituição, o que deflagrou uma onda de protestos de rua. Quando o general Godefroid Niyombare anunciou o golpe há dois dias, uma multidão saiu às ruas para festejar.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Resultado do golpe militar no Burúndi ainda é incerto

Com combates nas ruas da capital, Bujumbura, durante o dia de hoje, a situação no pequeno e miserável Burúndi, um país do Centro da África, ainda é incerta. Pelo Twitter, o presidente Pierre Nkurunziza declarou estar de volta ao país e agradeceu ao Exército e a Polícia pela lealdade, mas isso não está confirmado.

O comandante em chefe das Forças Armadas, general Prime Niyongabo, declarou que o golpe militar fracassou e as forças leais ao presidente retomaram o controle da capital, noticiou o sítio turco World Bulletin.

Ao mesmo tempo, a Tanzânia revelou que Nkurunziza não tinha conseguido entrar no Burúndi depois de participar de uma reunião da Comunidade da África Oriental na capital tanzaniana, onde passou a noite, divulgou a revista digital queniana Africa Review.

Na capital, os principais combates foram travados pelo controle dos meios de comunicação. No início da tarde, a rádio estatal estava fora do ar, informou a edição digital do jornal egípcio Ahram, mas já teria sido retomada pelo governo.

Depois de semanas de violentos protestos de rua contra a tentativa do presidente de se candidatar a um terceiro mandato, violando o limite constitucional, o general Godefroid Niyombare anunciou o golpe militar.