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quarta-feira, 1 de março de 2023

Candidato do governo é declarado vencedor na Nigéria

 O ex-governador estadual de Lagos, Bola Ahmed Tinubu, do Congresso de Todos os Progressistas (APC), partido do presidente Muhammadu Buhari, venceu a eleição presidencial de 25 de fevereiro, anunciaram hoje as autoridades eleitorais da Nigéria, o país mais rico e populoso da África. 

Os dois principais candidatos de oposição, Peter Obi, e o ex-vice-presidente Atiku Abubakar, rejeitaram o resultado e prometeram recorrer à Justiça, o que é comum em eleições africanas, para pedir a anulação do pleito e nova eleição. A lentidão na apuração suscitou dúvidas sobre o novo sistema eletrônico de votação.

Tinubu, um multimilionário de 70 anos, muçulmano do Sudoeste da Nigéria, recebeu 8,7 milhões de votos, 36% dos 24 milhões de votos, de acordo com o resultado oficial divulgado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente. Pela lei nigeriana, para vencer no primeiro turno, além da maioria relativa dos votos, um candidato precisa de ao menos 25% em mais de dois terços dos 36 estados nigerianos. O vencedor atribuiu a vitória à divisão da oposição.

Na eleição mais disputada desde a redemocratização da Nigéria em 1999, Abubakar, de 76 anos, do Partido Popular Democrático (PDP), o principal da oposição, conquistou 6,9 milhões de votos (28,5%). Obi, de 61 anos, do Partido Trabalhista, a grande surpresa, era o favorito nas pesquisas. Teve 6,1 milhões de votos (25%).

A abstenção foi enorme, uma tendência nas eleições africanas. Num país de 220 milhões de habitantes com 87 milhões de eleitores inscritos, pouco mais de 24 milhões (28%) foram às urnas, a menor participação em eleições presidenciais nigerianas. 

O resultado surpreendeu por causa da impopularidade do presidente Buhari (1983-85). Mais de 60% dos nigerianos vivem na pobreza e o país enfrenta uma onda de violência com terrorismo de extremistas muçulmanos, sequestros para extorquir dinheiro, grupos rebeldes em regiões produtoras de petróleo e conflito entre agricultores e pastores de gado.

Apesar de ser o maior produtor de petróleo da África e 14º do mundo, a Nigéria sobre com escassez de combustíveis porque não refina. Como o governo resolveu trocar o dinheiro em circulação, há uma falta de papel-moeda que causou protestos violentos. 

A medida teria sido adotada para combater a compra de votos com dinheiro guardado fora do sistema financeiro. Na sexta-feira passada, a polícia anunciou a prisão de um deputado da oposição com cerca de US$ 500 mil em dinheiro vivo.

A Nigéria tem relações históricas e culturais com o Brasil. Os dois maiores povos nigerianos, hauçás e iorubás, inimigos históricos, se aliaram aqui na luta contra a escravidão. O candomblé, a religião dos orixás, vem da cultura iorubá.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Buhari é reeleito presidente da Nigéria

Depois do adiamento por uma semana e de confrontos que deixaram pelo menos 39 mortos, Muhammadu Buhari foi reeleito hoje presidente da Nigéria para um segundo mandato de quatro anos. A oposição denuncia fraude.

Pelos resultados oficiais, Buhari, de 77 anos, do Congresso de Todos os Progressistas (APC) teve 56% dos votos, contra 41% para o ex-vice-presidente Atiku Abubakar, de 72 anos, do Partido Democrático Popular (PDP), que está pedindo novas eleições em quatro dos 36 estados nigerianos.

Durante a votação, no sábado, 128 pessoas foram presas sob suspeita de crimes eleitorais como tentativa de roubar a urna, compra de votos e identidade falsa. O adiamento por uma semana prejudicou o comparecimento às urnas.

Só 33% dos 84 milhões de eleitores inscritos votaram. Um país com 90 milhões de jovens não se empolgou com uma eleição disputada por dois septuagenários. A abstenção foi maior na região de Biafra, onde só 18% participaram.

Em Lagos, a maior cidade nigeriana, só 20% dos eleitores inscritos votaram. No estado de Borno, onde o grupo terrorista Boko Haram é mais ativo, Buhari teve 90% dos votos.

O presidente reeleito é um general da reserva. Em 1984 e 1985, foi ditador. Esta foi a sexta eleição consecutiva desde a redemocratização da Nigéria, em 1999. Seu primeiro governo democrático foi afetado pela queda nos preços internacionais do petróleo.

A Nigéria é o país mais rico, mais populoso e o maior produtor de petróleo da África, mas cerca de 25% da força de trabalho está desempregada e a metade da população, que neste ano deve chegar a 200 milhões de habitantes, sobrevive com menos de US$ 2 por dia.

Uma das promessas do primeiro governo era derrotar a milícia extremista muçulmana Boko Haram, que se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Desde 2009, quando aderiu à luta armada, o grupo deflagrou uma guerra civil em que pelo menos 31 mil pessoas foram mortas.

No auge da revolta muçulmana no Nordeste do país, foram mais de 11,5 mil mortes. Houve avanços, mas a violência voltou a aumentar em 2018, com cerca de 2,7 mil mortes.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Boko Haram lança vários ataques contra eleição presidencial na Nigéria

O grupo terrorista Boko Haram, que se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, fez uma série de ataques no Nordeste da Nigéria para boicotar as eleições parlamentares e presidencial no mais rico e mais populoso país africano. Entre os alvos, estão o aeroporto de Maiduguri, capital do estado de Borno, um quartel do Exército e um campo de refugiados.

A eleição presidencial da Nigéria estava marcada para o sábado passado. Foi adiada por uma semana sob o pretexto de que havia sido impossível entregar o material de votação em todas as regiões do país.

Ao todo, 73 candidatos disputam a eleição presidencial, mas só dois são candidatos têm chances reais, o atual presidente e ex-ditador Muhammadu Buhari, do Congresso de Todos os Progressistas (APC), e o ex-vice-presidente Atiku Abubakar, do Partido Democrático Popular (PDP). O resultado oficial é esperado no dia 26 de fevereiro.

Desde 2009, o Boko Haram, que significa "repúdio à educação ocidental", aderiu à luta armada para impor a lei islâmica, inicialmente no Nordeste da Nigéria e depois em toda a África Ocidental. Nos últimos anos, a milícia se dividiu em duas facções.

Buhari foi eleito em 2015 com a promessa de acabar com a insurgência.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Candidato da oposição promete privatizar estatal do petróleo da Nigéria

O candidato da oposição à Presidência da Nigéria, Atiku Abubakar, reafirmou ontem a intenção da privatizar a Companhia Nacional de Petróleo Nigeriana (NNPC), noticiou a agência de notícias econômicas Bloomberg. Sua proposta é cortar os gastos públicos para estimular o investimento estrangeiro e a geração de empregos.

A corrupção sistêmica é uma praga da Nigéria e do rico setor de petróleo há décadas. A privatização pode provocar uma onda de protestos e greves dos trabalhadores de petróleo e gás, além de reiniciar a violência política na região do Delta do Rio Níger, onde grupos guerrilheiros lutam sob o pretexto de conseguir uma distribuição mais justa da renda do setor.

Na eleição presidencial de 16 de fevereiro, Abubakar, do Partido Democrático Popular (PDP), vai desafiar o presidente Muhammadu Buhari, do Congresso de Todos os Progressistas (APC). Desde a redemocratização do país, o PDP ganhou todas as eleições de 1999 a 2011, perdendo apenas em 2015. O presidente cumpre um mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição.

Maior produtora de petróleo da África, com cerca de 2 milhões de barris por dia, a Nigéria sofreu com a forte queda nos preços do petróleo desde junho de 2014, quando a cotação do barril estava em torno de US$ 110. Entrou em recessão em 2016, mas se recuperou e fechou o ano passado em alta de 2,1%. O petróleo é responsável por dois terços da arrecadação do governo.

Trigésima economia do mundo, a Nigéria superou a África do Sul em 2014 e se tornou a maior economia da África. Como tem população quase quatro vezes maior, que deve chegar a 200 milhões de habitantes em 2019, a renda média sul-africana é duas vezes maior.