quinta-feira, 4 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que trouxe grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. Perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901).

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que ficou paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação dos coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra britânica.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento desmoraliza o governo trabalhista e abre caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judaico, em 29 de novembro de 1947. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, o novo país é invadido pelos países árabes, dando início a uma guerra até agora sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e de seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupou a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando havia uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo para expulsar os iraquianos do Kuwait.

Como as negociações não avançam, a cada reunião os dois lados davam declarações acusatórias, e os palestinos não faziam nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da Yasser Arafat, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decidiu fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso em 4 de novembro de 1995 e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu, causam uma estagnação do processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, sempre usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar um fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. 

O Likud volta com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada neste ano pela formação do governo mais extremista da história de Israel.

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