O ex-vice-primeiro-ministro e líder da oposição Boris Nemtsov foi enterrado hoje em Moscou enquanto manifestantes gritavam: "Rússia sem Putin".
Nemtsov tinha 55 anos. Foi assassinado na sexta-feira à noite num atentado terrorista a cerca de 50 metros das muralhas do Kremlin, quando se preparava para um grande comício de protesto marcado para o domingo passado em que iria denunciar o presidente Vladimir Putin pela intervenção militar russa na Ucrânia.
Seu corpo foi velado no Centro Sakharov, batizado em homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sakharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz por sua defesa dos direitos humanos na extinta União Soviética. O enterro foi no cemiterio Troyekurovskoy, na capital russa.
Vários altos funcionários da Polônia e da Letônia que pretendiam assistir ao funeral foram impedidos de entrar na Rússia. O presidente do Senado polonês, Bogdan Borusewicz, não pode entrar por causa das sanções da União Europeia à Rússia. Já a deputada letã do Parlamento Europeu Sandra Kalniete foi barrrada no Aeroporto Cheremetievo, em Moscou, sem qualquer explicação.
"Como sempre adotei uma linguagem clara e explícita sobre o papal da Rússia na Ucrânia, suspeitava que isso pudesse acontecer", declarou a eurodeputada.
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, considerou "uma grande afronta". Prometeu protestar "nos termais mais duros e exigir uma explicação oficial".
"Foi um ataque a Boris Nemtsov, a todos nós, à sociedade russa, à possibilidade de cada pessoa ter suas próprias ideias", afirmou no enterro o oposicionista Guenadi Gudkov, amigo pessoal do líder assassinado.
A única testemunha, sua namorada, a modelo ucraniana Anna Duritskaya, declarou não ter visto o assassinado, que atacou pelas costas. Com medo de ser enquadrada, ela foi para Kiev, a capital da Ucrânia.
O mais popular dos líderes da oposição, Alexei Navalny, preso por 15 dias para não poder participar da manifestação do domingo passado, não teve autorização para sair da cadeia e homenagear Nemtsov.
O Kremlin nega qualquer responsabilidade pelo atentado. Mas, ao proibir o acesso de líderes russos e estrangeiros no enterro, deixa claro que Nemtsov era um inimigo político.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 3 de março de 2015
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Kadafi foi enterrado ao amanhecer
O ex-ditador da Líbia Muamar Kadafi, seu filho Mutassim, que chefiava a segurança interna, e seu ministro da Defesa, Abu Bakr Younes, foram enterrados hoje numa cerimônia assistida por poucas pessoas, informou o conselho militar rebelde da cidade de Missurata.
Desde sua morte, há cinco dias, os corpos estavam numa câmara frigorífica no mercado público da cidade, onde ficaram em exibição para que o povo líbio tivesse a certeza de que o ditador está realmente morto.
Eles foram capturados vivos e ao que tudo indica foram executados sumariamente em seguida. O Conselho Nacional de Transição prometeu investigar as mortes, mas será difícil, admite o jornal The Washington Post.
Desde sua morte, há cinco dias, os corpos estavam numa câmara frigorífica no mercado público da cidade, onde ficaram em exibição para que o povo líbio tivesse a certeza de que o ditador está realmente morto.
Eles foram capturados vivos e ao que tudo indica foram executados sumariamente em seguida. O Conselho Nacional de Transição prometeu investigar as mortes, mas será difícil, admite o jornal The Washington Post.
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