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terça-feira, 24 de novembro de 2015

EUA declaram que acordo com Rússia não cobre avião abatido

Em entrevista na Casa Branca ao lado do presidente da França, François Hollande, o presidente Barack Obama declarou há pouco que a Turquia tem o direito de defender seu espaço aéreo, enquanto o Departamento da Defesa dos Estados Unidos afirmava que o acordo feito com a Rússia para evitar contatos entre as forças aéreas dos dois países na Síria não se aplica ao avião russo abatido hoje pela Turquia.

O Pentágono descreveu o abate do Sukhoi-24 russo como "um ato soberano de autodefesa da Turquia". Na versão turca, dois caças-bombardeiros F-16s,s de fabricação americana, teriam advertido os russos dez vezes em cinco minutos antes de atacar o avião.

Em Moscou, o Ministério da Defesa alegou que em nenhum momento o espaço aéreo turco foi invadido. O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, cancelou uma viagem que faria amanhã à Turquia.

Obama tenta desescalar a situação para evitar nova confrontação com a Rússia. Neste momento, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, realiza uma reunião de emergência em Bruxelas, na Bélgica.

A Turquia teria derrubado o avião russo porque ele estaria bombardeando rebeldes sírios apoiados pelo governo turco perto da cidade de Lataquia, o principal porto da Síria, numa região onde não há rebeldes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A Rússia intervém na guerra civil da Síria desde 30 de setembro a pretexto de combater o Estado Islâmico, mas a maioria dos ataques visa outros grupos rebeldes que Moscou acusa de terrorismo, reproduzindo o discurso de seu aliado, o ditador Bachar Assad.

Uma questão central que impede a cooperação militar entre a Rússia e a coalizão de 65 países liderada pelos EUA é o futuro de Assad. Em Washington, os presidentes Obama e Hollande reafirmaram hoje que o ditador precisa ser afastado dentro de um acordo de paz e reconciliação nacional. Esta é a posição da Europa, dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio, inclusive a Turquia.

Por um lado, a Rússia e o Irã insistem em que o regime de Assad é o governo legítimo da Síria. De outro, os EUA e aliados argumentam que o ditador iniciou a guerra civil ao mandar atirar para matar nos manifestantes que pediam a liberalização do regime durante a Primavera Árabe, a partir de 15 de março de 2011.

O abate do avião russo complica ainda mais a estratégia do presidente Hollande de articular uma aliança de grandes potências contra o Estado Islâmico.

Turquia abate avião de guerra russo na Síria

A Turquia derrubou hoje um avião de guerra da Rússia perto da fronteira com a Síria, acusando-o de violar repetidas vezes o espaço aéreo turco. A Rússia negou a invasão do espaço aéreo turco. 

O presidente Vladimir Putin descreveu o incidente como "uma punhalada pelas costas" e afirmou que haverá "sérias consequências", noticiou a televisão pública britânica BBC.

Os dois pilotos saltaram de paraquedas e foram mortos por rebeldes turcomenos, noticiou a agência Reuters citando o comando militar rebelde como fonte. Isso pode ser enquadrado como crime de guerra. A Turquia disse que eles podem estar vivos.

"Durante todo o tempo, o avião voou apenas no espaço aéreo turco", declarou em nota em Moscou o Ministério da Defesa da Rússia. O presidente Putin lamentou que a Turquia tenha recorrido à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, antes de comunicar o fato à Rússia.

A Turquia convocou uma reunião de emergência da OTAN. Putin alegou que na área havia voluntários russos que foram para a Síria lutar ao lado de terroristas e seriam ameaça à Rússia quando voltaram para casa.

O presidente da França, François Hollande, está hoje em Washington com o presidente Barack Obama, depois de se encontrar ontem em Paris com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Amanhã, recebe a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e quinta-feira vai a Moscou conversar com Putin, na tentativa de articular uma grande aliança de grandes potências contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A queda do avião russo mostra as limitações da cooperação militar entre a Rússia e as potências ocidentais e seus aliados no Oriente Médio porque os objetivos são diferentes.

A Turquia, país-membro da OTAN, exige a saída do ditador sírio, Bachar Assad, que a Rússia e o Irã querem manter no poder a qualquer preço.