Em pronunciamento transmitido pela televisão, o ditador Nicolás Maduro confirmou que mandou matar o ex-policial e piloto de helicóptero Óscar Pérez, que em junho do ano passado atacou com granadas o Tribunal Supremo de Justiça e o Ministério do Interior da Venezuela.
"A oligarquia colombiana deve saber que qualquer grupo que armem e financiem para trazer o terrorismo à Venezuela terá o mesmo destino porque estamos dispostos a defender com a vida o direito à paz, à dignidade e à independência de nossa pátria", afirmou o ditador durante cerimônia de troca do comando da Guarda Nacional Bolivarista (GNB).
Durante o cerco ao local onde Pérez estava escondido, na periferia de Caracas, o ex-policial pediu clemência. Em vídeo dramático divulgado em redes sociais, ele declarou que os rebeldes estavam prontos a se entregar, mas as forças de segurança não aceitaram a rendição.
"Sim, os massacramos, qual é o problema?", disse Maduro.
O diretor para a América da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), José Miguel Vivanco, comparou ontem o regime chavista às ditaduras do general Augusto Pinochet no Chile (1973-90) e da Argentina (1976-83) em sua guerra suja contra a esquerda.
"Durante as ditaduras da Argentina e do Chile, apareciam frequentemente notícias sobre terroristas mortos em enfrentamentos. Muitas vezes se tratavam de justiçamentos. Dá a impressão de que o mesmo aconteceu ontem na Venezuela", escreveu Vivanco no Twitter, citado pelo jornal venezuelano El Nacional.
Quando o coronel Hugo Chávez tentou derrubar o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992, foi preso e processado, mas depois anistiado. Quando já era presidente e foi alvo de um golpe, em 11 de abril de 2002, foi poupado e voltou ao poder num contragolpe de oficiais leais.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Venezuela caça e executa piloto rebelde que atacou prédios públicos
A Força de Ação Especial (Faes) e a Guarda Nacional Bolivarista (GNB) cercaram na madrugada de ontem o local ontem estava o piloto rebelde, ator e ex-investigador do Corpo de Investigações Científicas, Penas e Criminais (CICPC) Óscar Pérez, que se declarou líder de uma aliança cívica, policial e militar contra a ditadura chavista. Sua morte foi confirmada no fim da tarde, informou o boletim Noticias de Venezuela.
Em 27 de junho de 2017, Pérez, conhecido como Rambo venezuelano, pegou um helicóptero e atacou com granadas o Tribunal Supremo de Justiça e o Ministério do Interior, em Caracas, em meio a uma onda de protestos da oposição em que 125 pessoas morreram. O ditador Nicolás Maduro descreveu a ação como um "ataque terrorista".
Durante o cerco de ontem, Pérez divulgou nas redes sociais um vídeo dramático dizendo que haviam se rendido e estavam prontos a se entregar, mas a ditadura chavista continuava atirando, com a nítida intenção de matá-lo.
"Querem nos matar. Não aceitam a rendição e continuam atirado", apelou o ex-policial. Sete rebeldes morreram. Cinco sobreviveram e foram presos.
O cadáver de Pérez chegou ao necrotério de Monte Bello às 18h30 pela hora local (20h30 em Brasília). Horas antes, a mãe dele acusou o governo nas redes sociais acusando a ditadura chavista de não aceitar a rendição dos rebeldes: "Vocês são responsáveis por qualquer coisa que aconteça", noticiou o jornal venezuelano El Nacional.
No Twitter, o segundo homem-forte da ditadura, Diosdado Cabello, acusou a oposição e a mídia de defender um terrorista, ignorando que existe um direito de sedição contra ditaduras. Quando o coronel Hugo Chávez liderou um golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992, foi preso, depois anistiado. Eleito presidente em 1998, criou o regime que se tornou uma ditadura escancarada depois de sua morte.
Em 27 de junho de 2017, Pérez, conhecido como Rambo venezuelano, pegou um helicóptero e atacou com granadas o Tribunal Supremo de Justiça e o Ministério do Interior, em Caracas, em meio a uma onda de protestos da oposição em que 125 pessoas morreram. O ditador Nicolás Maduro descreveu a ação como um "ataque terrorista".
Durante o cerco de ontem, Pérez divulgou nas redes sociais um vídeo dramático dizendo que haviam se rendido e estavam prontos a se entregar, mas a ditadura chavista continuava atirando, com a nítida intenção de matá-lo.
"Querem nos matar. Não aceitam a rendição e continuam atirado", apelou o ex-policial. Sete rebeldes morreram. Cinco sobreviveram e foram presos.
O cadáver de Pérez chegou ao necrotério de Monte Bello às 18h30 pela hora local (20h30 em Brasília). Horas antes, a mãe dele acusou o governo nas redes sociais acusando a ditadura chavista de não aceitar a rendição dos rebeldes: "Vocês são responsáveis por qualquer coisa que aconteça", noticiou o jornal venezuelano El Nacional.
No Twitter, o segundo homem-forte da ditadura, Diosdado Cabello, acusou a oposição e a mídia de defender um terrorista, ignorando que existe um direito de sedição contra ditaduras. Quando o coronel Hugo Chávez liderou um golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992, foi preso, depois anistiado. Eleito presidente em 1998, criou o regime que se tornou uma ditadura escancarada depois de sua morte.
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