O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, homem mais rico da Itália, foi condenado hoje a um ano de prisão pela publicação ilegal num jornal de sua família de transcrições de uma escuta telefônica clandestina sobre um escândalo bancário de 2005. Ele não será preso até o julgamento de todos os recursos.
Mais uma vez, Berlusconi se fez de vítima: "É impossível tolerar a perseguição judicial que já dura 20 anos e reemerge sempre nos momentos politicamente complexos da vida política do nosso país", declarou o magnata em nota. Seu irmão Paolo Berlusconi, diretor responsável pelo diário Il Giornale, foi sentenciado a dois anos de três no mesmo caso.
A Itália enfrenta mais uma crise política depois que as eleições de 24 e 25 de fevereiro de 2013 não tiveram um vencedor com maioria suficiente para formar um novo governo estável. Embora a coalizão de centro-esquerda tenha ganho na Câmara, o Senado ficou dividido.
O ex-primeiro-ministro também está sendo processado fraude, sonegação de impostos e por pagar para manter relações sexuais com uma prostituta menor de idade. A sentença neste caso é esperada em 18 de março, informa a agência Reuters.
A vítima da escuta ilegal Piero Fassino terá direito a uma indenização de 80 mil euros. O texto transcrito sugeria que ele teria exercido pressão indevida durante a tentativa de compra do banco Banca Nazionale del Lavoro pela seguradora Unipol.
Mais inacreditável é que 30% dos eleitores italianos continuem votando neste político arquicorrupto e totalmente desmoralizado. A Itália merece as múltiplas crises em que está afundada.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador escuta clandestina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escuta clandestina. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 7 de março de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Juiz quer fortalecer regulação da imprensa britânica
O modelo de autorregulamentação da imprensa do Reino Unido não funcionou. Deve ser fortalecido por uma lei que oficialize as atividades do órgão regulador, propôs hoje o juiz Brian Leveson depois de presidir a um longo inquérito focado principalmente no uso de escuta telefônica clandestina e ilegal para obter furos de reportagem.
Nos anos 90, depois de uma série de escândalos envolvendo celebridades e sobretudo a família real britânica, os jornais criaram a Comissão de Reclamações contra a Imprensa, formada por editores de jornais e presidida por um juiz superior aposentado. Mas esse modelo não foi capaz de evitar abusos.
Em julho do ano passado, o jornal dominical mais vendido na Inglaterra, News of the World, deixou de circular em meio a um escândalo de escuta telefônica clandestina de celebridadas, da família real e até de vítimas de crimes, o chamado Grampogate, revoltando a população.
Agora, o juiz propõe uma espécie de lei de imprensa, o que sempre foi repudiado pelas empresas do setor. Mas seria apenas sobre o funcionamento do órgão regulador, ou seja, só para ajudar a reparar erros cometidos pela imprensa e não para estabeleceer qualquer controle antes da publicação de notícias.
Para o juiz Leveson, o novo órgão regulador deve ter poder para exigir retratações e impor multas de até 1 milhão de libras, mais de R$ 3 milhões.
O primeiro-ministro conservador David Cameron, que teve assessores envolvidos no Grampogate, aceitou as recomendações do Relatório Leveson, mas manifestou ceticismo quanto à necessidade de uma lei aprovada pelo Parlamento Britânico. Seria a primeira, em mais de 300 anos de liberdade de imprensa na Inglaterra e no Reino Unido.
Nos anos 90, depois de uma série de escândalos envolvendo celebridades e sobretudo a família real britânica, os jornais criaram a Comissão de Reclamações contra a Imprensa, formada por editores de jornais e presidida por um juiz superior aposentado. Mas esse modelo não foi capaz de evitar abusos.
Em julho do ano passado, o jornal dominical mais vendido na Inglaterra, News of the World, deixou de circular em meio a um escândalo de escuta telefônica clandestina de celebridadas, da família real e até de vítimas de crimes, o chamado Grampogate, revoltando a população.
Agora, o juiz propõe uma espécie de lei de imprensa, o que sempre foi repudiado pelas empresas do setor. Mas seria apenas sobre o funcionamento do órgão regulador, ou seja, só para ajudar a reparar erros cometidos pela imprensa e não para estabeleceer qualquer controle antes da publicação de notícias.
Para o juiz Leveson, o novo órgão regulador deve ter poder para exigir retratações e impor multas de até 1 milhão de libras, mais de R$ 3 milhões.
O primeiro-ministro conservador David Cameron, que teve assessores envolvidos no Grampogate, aceitou as recomendações do Relatório Leveson, mas manifestou ceticismo quanto à necessidade de uma lei aprovada pelo Parlamento Britânico. Seria a primeira, em mais de 300 anos de liberdade de imprensa na Inglaterra e no Reino Unido.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Executivos de Murdoch são acusados de crimes
LONDRES - O ex-diretor de comunicações do primeiro-ministro David Cameron, Andy Coulson, e a ex-diretora-executiva da empresa News International Rebekah Brooks foram denunciados criminalmente hoje por autorizar a escuta clandestina do telefone celular de Milly Dowler, uma menina sequestrada e assassinada, quando editavam o jornal News of the World, fechado há um ano por causa do escândalo.
Como a polícia detectou movimentação na caixa postal, chegou a acreditar que Milly estivesse viva. A menina tinha apenas 13 anos, o que torna o caso mais revoltante.
É mais um duro golpe no estilo jornalístico do magnata australiano-americano Rupert Murdoch, um arquiconservador, dono da Fox News, que se apresenta nos Estados Unidos como porta-voz do conservadorismo e ignora o escândalo no Reino Unido.
"Esta empresa é contra o crime. Defende a sociedade e as vítimas de crimes", declarou Coulson ao sair do tribunal, pretextando inocência, mas a capacidade de julgamento do primeiro-ministro mais uma vez é colocada em dúvida. Afinal, Cameron contratou Coulson depois que o escândalo veio à tona.
Rebekah Brooks divulgou nota dizendo: "Não sou culpada dessas acusações. Não autorisei
Ao todo, depois de anos de investigações, oito suspeitos ligados foram acusados por pirataria telefônica contra, entre outros, o ex-beatle Paul McCartney e sua ex-mulher Heather Mills, a atriz Sienna Miller, o jogador de futebol Wayne Rooney e o ex-vice-primeiro-ministro John Prescott.
Como a polícia detectou movimentação na caixa postal, chegou a acreditar que Milly estivesse viva. A menina tinha apenas 13 anos, o que torna o caso mais revoltante.
É mais um duro golpe no estilo jornalístico do magnata australiano-americano Rupert Murdoch, um arquiconservador, dono da Fox News, que se apresenta nos Estados Unidos como porta-voz do conservadorismo e ignora o escândalo no Reino Unido.
"Esta empresa é contra o crime. Defende a sociedade e as vítimas de crimes", declarou Coulson ao sair do tribunal, pretextando inocência, mas a capacidade de julgamento do primeiro-ministro mais uma vez é colocada em dúvida. Afinal, Cameron contratou Coulson depois que o escândalo veio à tona.
Rebekah Brooks divulgou nota dizendo: "Não sou culpada dessas acusações. Não autorisei
Ao todo, depois de anos de investigações, oito suspeitos ligados foram acusados por pirataria telefônica contra, entre outros, o ex-beatle Paul McCartney e sua ex-mulher Heather Mills, a atriz Sienna Miller, o jogador de futebol Wayne Rooney e o ex-vice-primeiro-ministro John Prescott.
Marcadores:
Andy Coulson,
crime,
escuta clandestina,
Grampogate,
Murdoch,
News of the World,
Rebekah Brooks,
Reino Unido,
Sienna Miller
Assinar:
Postagens (Atom)