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quinta-feira, 10 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 10 de Março

REVOLTA TIBETANA

    Em 1959, 300 mil tibetanos protestaram contra a ocupação chinesa e cercaram o palácio de verão do Dalai Lama, em Lhaça, com medo da prisão do líder político e espiritual do Tibete, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, dando início a uma rebelião de duas semanas.

As manifestações, a princípio pacíficas, levaram a choques com o Exército Popular de Libertação (EPL) da China e a combates violentos, com a morte de 2 mil soldados chineses e 85 mil tibetanos, números contestados. O Dalai Lama foge para o exílio na Índia.

Parte do Império Chinês desde o século 13, o Tibete se torna independente em 1912 com a queda da monarquia na China. Depois da vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, Mao Tsé-tung manda recapturar o Tibete.

Como o Tibete é o teto do mundo, com altitude média de 4,9 mil metros, e não há estradas, o Exército Popular de Libertação leva 11 meses para chegar lá, em outubro de 1950. No ano seguinte, é assinado um tratado que transforma o Tibete numa região autônoma da República Popular da China e deixa o governo regional a cargo do Dalai Lama.

A resistência cresce. Em dezembro de 1958,  EPL ameaça bombardear a capital tibetana. A revolta é deflagrada pelo temor de que Tenzin Gyatso seja preso e levado para Beijim, quando o EPL convida o Dalai Lama para visitar seu quartel-general em Lhaça e ir sozinho, sem guarda-costas ou qualquer escolta.

Então, os tibetanos cercam o Palácio Norbulinka, em 10 de março, para impedir que o Dalai Lama vá ao QG chinês. Em 17 de março, a artilharia do EPL ataca o palácio. O Dalai Lama foge para a Índia.

Dois dias depois, começa a batalha das ruas. Os chineses são muito mais, têm as melhores armas e treinamento militar. Em 21 de março, o EPL bombardeia o palácio e mata dezenas de milhares de tibetanos acampados do lado de fora. A guarda pessoal do Dalai Lama é executada e os principais mosteiros do lamaísmo, o budismo tibetano, são destruídos.

No Grande Salto para a Frente (1958-62), uma política fracassada de criar unidades industriais no campo, quando morrem 30 milhões de pessoas na China e entre 200 mil e 1 milhão no Tibete. Durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), mais de 6 mil mosteiros tibetanos são destruídos.

terça-feira, 9 de julho de 2013

China intensifica luta contra o Dalai Lama

Pelo menos nove tibetanos foram feridos no fim de semana quando a polícia da China disparou contra manifestantes que celebravam o aniversário de Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, exilado há 54 anos, na cidade de Daofu, na província de Sichuã.

A China deve intensificar sua luta contra indicou o Dalai Lama, o chefe da seção do Partido Comunista encarregada de minorias étnicas e religiosas, Yu Zhengsheng. Ele advertiu funcionários do regime numa área densamente povoada por tibetanos que as "atividades separatistas" do Dalai Lama não são parte da tradição budista e vão contra os interesses da China.

Diante da uma nova rebelião da minoria muçulmana uigur na província de Xinjiang, no Noroeste do país, acreditava-se que a China estaria adotando uma posição mais suave em relação ao Dalai Lama, que luta pacificamente por autonomia para o Tibete para preservar sua cultura.

O regime comunista chinês corre o risco de radicalizar ainda mais o movimento nacionalista tibetano, duramente reprimido em 2008, meses antes da Olimpíada de Beijim. Desde 2011, mais de cem monges se autoimolaram tocando fogo nas próprias roupas para protestar contra a ditadura chinesa.

O Tibete foi incorporado à China na era de Gengis Khan, no século 13, quando os dois países faziam parte do Império Mongol.

Com o colapso do Império Chinês e a proclamação da república por Sen Yat-Sen, o Tibete tornou-se independente de 1912 até ser retomado, em 1951, pelo regime comunista instaurado por Mao Tsé-tung depois da vitória da revolução, em 1949. Em 1959, diante da derrota de uma revolta contra a dominação chinesa, o Dalai Lama fugiu para o exílio na Índia.

Hoje o Tibete é oficialmente uma "região autônoma" da China, mas esta autonomia está só no papel. Na prática, o regime comunista adota políticas de assimilação cultural acusadas de destruir a cultura tibetana, além de incentivar a migração de chineses do grupo étnico han, majoritários na China, que conseguem os melhores empregos e negócios.

Como Tenzin Gyatso está velho e doente, o risco para a China é de radicalização do movimento nacionalista tibetano e da escolha de um Dalai Lama disposto a lutar pela independência total do Tibete. O regime comunista está manobrando para indicar seu próprio sucessor. Assim, haveria dois dalais lamas concorrentes.

O maior temor da ditadura comunista chinesa é que o movimento nacionalista tibetano reivindique toda a região conhecida como Grande Tibete, que reúne quatro províncias (Tibete, Gansu, Qinghai e Sichuã), num total de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 11,45% do território da China.

sábado, 30 de março de 2013

Mais um monge tibetano se suicida na China

Pelo menos 114 tibetanos se mataram com autoimolações desde 2009 em protesto contra as políticas de assimilação cultural impostas pela ditadura comunista da China. O último caso foi revelado na quinta-feira pela Rádio Ásia Livre, financiada pelo governo dos Estados Unidos.

Kunchok Tenzin, de 28 anos, tocou fogo nas suas roupas num cruzamento importante perto do mosteiro budista de Mori, na cidade de Luchu, na província de Gansu, que faz parte do chamado Grande Tibete, uma área de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 11,5% do território chinês. As autoridades de Beijim temem que toda essa área seja reivindicada por um Tibete independente.

Para evitar que o corpo fosse tomado pela polícia chinesa, os tibetanos o levaram rapidamente para o mosteiro, onde foi cremado em seguida. Na segunda-feira, Lhamo Kyab, um guarda florestal tibetano de 43 anos se matou na região supostamente autônoma do Tibete se jogando sobre uma fogueira.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dois monges tibetanos se imolam na China

Dois monges tibetanos tocaram fogo em suas roupas na segunda-feira, 26 de setembro de 2011, em protesto contra as políticas de assimilação do regime comunista da China, afirma hoje o jornal The New York Times, citando como fonte um grupo de defesa dos direitos do Tibete.

Os monges teriam sido hospitalizados.

Nesse mosteiro, em Kirti, numa área remota da província de Sichuã, houve quatro autoimolações nos últimos meses, incluindo as duas últimas.

Lobsang Kalsang e Lobsang Konchok tem entre 18 e 19 anos. O primeiro era irmão de Phuntsog, que se imolou em março, informou a organização não governamental Tibete Livre.

Sichuã faz parte do Grande Tibete, da grande área de influência tibetana, que vai muito além, é duas vezes maior do que é hoje reconhecido como Tibete, uma província da China, supostamente uma região autonoma, mas governada com dureza por Beijim.

Essas áreas tibetanas de fora do Tibete como Sichuã estão sujeitas a políticas muito mais fortes de assimilação cultural que atacam diretamente o lamaísmo como principal símbolo de resistência.

terça-feira, 25 de março de 2008

Anistia denuncia desaparecimento de monges

Quinze jovens monges tibetanos que iniciaram os protestos contra a dominação chinesa em 10 de março foram presos e espancados pela polícia, e estão desaparecidos. A denúncia foi feita ontem em Londres pela organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

Leia mais no jornal inglês The Independent.