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terça-feira, 24 de abril de 2012

Irã e Rússia aperfeiçoam a fraude eleitoral

Nas ditaduras stalinistas, o governo costumava ganhar eleições com 99% dos votos. Atribui-se ao Camarada Stalin a frase: "Em eleições, o importante é o resultado, não a votação". No Iraque, Saddam Hussein chegou a 100%. Agora, a fraude é mais sofisticada para ganhar um verniz democrático.

"Em eleições fraudulentas, 65% é o novo 99%", argumenta Ali Ansari, professor de História do Irã na Universidade de Saint Andrew, em Edimburgo, na Escócia, comparando as eleições legislativas de 2 de março de 2012 no Irã com a eleição presidencial de 4 de março de 2012 na Rússia, na revista The World Today, publicada pelo Royal Institute of International Affairs, a Chatham House.

Ansari fez, em 2009, uma das mais completas análises dos dados da apuração da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad para concluir que houve fraude, como agora, com percentuais parecidos.

Ahmadinejad tinha enfrentado o segundo turno na sua primeira e surpreendente eleição para presidente, em 2005. Um de seus adversários, Mehdi Karroubi, teve votação expressiva em 2005 e menos de 1% em 2009.

A apuração foi rápida e centralizada. Não houve fiscalização urna a urna como nos regimes democráticos. E o percentual de votos dos candidatos basicamente não se altertou ao longa da apuração, numa homogeneidade suspeita.

Não há uma prova material do delito, admitiu Ansari em 2009, porque não houve investigação dentro do Irã. Mas com base nos dados disponíveis, Ansari apontou a fraude, que agora se repete nas eleições parlamentares. Elas deveriam servir para desanuviar o ambiente político, carregado desde que a fraude levou o Movimento Verde às ruas para um confronto violento com a milícia Bassij, braço paramilitar da Guarda Revolucionária.

Com a verdadeira oposição esmagada, resta hoje uma oposição consentida e o regime veta as candidaturas supostamente antirrevolucionárias de milhares de pessoas. Isso garante antecipadamente um resultado e uma representação parlamentar dentro das expectativas da ditadura teocrática dos aiatolás.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Chatham House desmonta farsa iraniana

Uma análise preliminar do resultado da eleição presidencial de 12 de junho feita pelo Royal Institute of International Affairs (RIIA), de Londres, a Chatham House, desmonta a fraude armada pelo regime fundamentalista do Irã.

Os autores alegam que a única maneira de apurar 46 milhões de votos em poucas horas seria fazer a contagem inicial nas seções de votação, deixando para a Comissão Eleitoral do Ministério do Interior apenas o trabalho de conferir as cédulas e fazer a totalização.

Pela primeira vez, a apuração foi totalmente centralizada. Além disso, a porcentagem de votos dos candidatos praticamente não variou durante a apuração.

Duas províncias registraram número de votantes superior ao total de eleitores inscritos. Em outras quatro províncias, o comparecimento teria sido superior a 90%.

O estudo tenta identificar de onde teriam vindo os votos para dar ao presidente fraudulentamente reeleito uma votação 13 milhões de votos superior à que obteve no segundo turno da eleição de 2005. Conclui que ele precisaria ter recebido votos de quem não votou em 2005, dos eleitores de seu arqui-inimigo político Ali Akbar Hachemi Rafsanjani e 44% dos votos dos reformistas.