O Sudão do Sul, país mais jovem do mundo, deveria festejar ontem cinco anos de independência do Sudão, pondo fim à mais longa guerra civil da África. Mas com 272 mortes desde quinta-feira, o Sudão do Sul reinicia sua própria guerra civil.
Os partidários do vice-presidente Riek Machar acusam forças leais ao presidente Salva Kiir Mayardit por ataques contra suas posições na capital.
As duas facções entraram em guerra em 15 de dezembro de 2013, quando Kiir mandou desarmar todas as etnias da Guarda Presidencial e rearmou apenas sua tribo dinka. Machar denunciou a discriminação da etnia nuer, que também se rearmou a foi à luta.
Desde então, o total de mortos no Sudão do Sul é estimado entre 50 e 300 mil, contando também as mortes por fome ou doenças causadas pela guerra. Em agosto de 2015, as duas partes assinaram um acordo de paz. Machar reassumiu a vice-presidência em maio de 2016, mas o conflito voltou a explodir agora.
A Primeira Guerra Civil Sudanesa, entre o Norte majoritariamente islâmico e o Sul cristão e animista, foi de 1955 a 1972. A Segunda Guerra Civil Sudanesa durou de 1983 a 2005 e terminou com um acordo de paz que previa a realização de um plebiscito sobre a independência, realizado de 9 a 15 de janeiro de 2011, com 98,83% dos votos a favor.
Além do conflito histórico entre Norte e Sul, que terminou com a independência do Sudão do Sul, o Sudão foi palco do genocídio de Darfur, uma província do Oeste do país, onde milícias leais ao governo islamita de Cartum massacraram povos não muçulmanos, matando mais de 300 mil pessoas pela estimativa das Nações Unidas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Presidente do Sudão do Sul adia assinatura de acordo de paz
Apesar das pressões internacionais, o presidente do país mais novo do mundo, o Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, pediu tempo para assinar um acordo de paz com os rebeldes liderados por seu ex-vice-presidente Riek Machar, informou a agência de notícias Reuters.
O governo pediu mais 15 dias para examinar os termos do acordo. As divisões internas nos dois lados prolongaram a guerra civil do Sudão do Sul, que surgiu da divisão do Sudão, em 2011, depois da mais longa guerra civil da história da África independente.
A guerra civil começou em 15 de dezembro de 2013, quando o vice-presidente Machar, Pagan Amum e Rebecca Nyandeng boicotaram uma reunião do Conselho de Libertação Nacional e passaram para a oposição.
Salva Kiir mandou desarmar os soldados de todas as etnias do Movimento Popular de Libertação do Sudão e em seguida rearmou os do povo dinka, enquanto os nuêres se rearmaram por conta própria. Quando os soldados dinkas atacaram civis do povo nuer, a guerra civil estava deflagrada.
Desde então, milhares de pessoas morreram em combate, de fome e de doenças provocadas pela guerra civil. Kiir está sob a ameaça de sanções internacionais se não assinar logo o acordo de paz.
O governo pediu mais 15 dias para examinar os termos do acordo. As divisões internas nos dois lados prolongaram a guerra civil do Sudão do Sul, que surgiu da divisão do Sudão, em 2011, depois da mais longa guerra civil da história da África independente.
A guerra civil começou em 15 de dezembro de 2013, quando o vice-presidente Machar, Pagan Amum e Rebecca Nyandeng boicotaram uma reunião do Conselho de Libertação Nacional e passaram para a oposição.
Salva Kiir mandou desarmar os soldados de todas as etnias do Movimento Popular de Libertação do Sudão e em seguida rearmou os do povo dinka, enquanto os nuêres se rearmaram por conta própria. Quando os soldados dinkas atacaram civis do povo nuer, a guerra civil estava deflagrada.
Desde então, milhares de pessoas morreram em combate, de fome e de doenças provocadas pela guerra civil. Kiir está sob a ameaça de sanções internacionais se não assinar logo o acordo de paz.
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