A Coreia do Norte é a principal suspeita pelo mega-ataque cibernético da sexta-feira passada, quando mais de 300 mil computadores de 150 países foram infectados pelo vírus Quero chorar e correram risco de ter todos seus dados apagados, revelaram hoje empresas de segurança dos Estados Unidos e da Rússia.
Os EUA estão convencidos de que algum agente ou funcionário terceirizado roubou de dentro da Agência de Segurança Nacional (NSA) os instrumentos de espionagem usados pelos piratas norte-coreanos. Eles usaram uma brecha na segurança descoberta pela NSA para criar a ferramenta usada na sexta-feira.
Para as empresas de segurança cibernética americana Symantec e russa Kapersky, alguns códigos usados para criar o vírus Quero chorar apareceram em programas desenvolvidos pelo grupo Lazarus. Foram usados para atacar a companhia cinematográfica Sony Pictures em novembro de 2014. Era um protesto contra o filme de ficção A Entrevista, em que havia uma conspiração para matar o ditador norte-coreano, Kim Jong Un.
"Este grupo é muito ativo desde 2002", observou um pesquisador da Kapersky. "Lazarus é uma fábrica de vírus que produz novas amostras graças a uma grande quantidade de fornecedores independentes."
Os piratas cibernéticos ganharam até agora apenas US$ 66 mil com pagamentos do resgate exigido para recuperar as máquinas. Eles pediram pagamento em bitcoins, uma moeda virtual que a maioria das pessoas não sabe como funciona.
A mesma quadrilha é suspeita pelo assalto cibernético ao Banco de Bangladesh, o banco central daquele país, em fevereiro de 2016. Na época, a Reserva Federal (Fed) de Nova York, a delegacia regional do banco central dos EUA em Nova York, onde o Banco de Bangladesh tinha uma conta, recebeu através da rede Swift pedidos de retirada de US$ 951 milhões.
Quando o Fed de Nova York descobriu, suspendeu as últimas 30 transações, num total de US$ 850 milhões. O prejuízo foi de US$ 101 milhões.
O diretor-geral da Orange Cyberdefense, empresa de segurança cibernética do grupo de telecomunicações francês Orange, Michel Van Den Berghe, adverte: "Vai haver um segundo ataque com variações dos vírus."
Para se defender, a recomendação dos especialistas é manter sempre atualizado o programa operacional. Os computadores atingidos trabalham com o sistema Windows, da Microsoft, que em março liberou uma atualização capaz de barrar a ação maligna do vírus Quero chorar. Quem atualizou não teve problemas.
O país mais afetado foi a Rússia, onde muita gente usa programas pirateados, que não recebem as últimas atualizações de segurança e foram presa fácil da ciberpirataria. Irritado, o presidente Vladimir Putin acusou os EUA de terem produzido o vírus dentro de seu aparelho de segurança.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador bitcoin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bitcoin. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 16 de maio de 2017
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Bundesbank adverte para o risco das bitcoins
O Bundesbank, o poderoso banco central da Alemanha, advertiu hoje para o risco de moedas virtuais como as bitcoins, que são altamente especulativas e não têm a menor garantia.
Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, Carl-Ludwig Thiele, diretor do Bundesbank, lembrou que "não há qualquer garantia estatal. Os investidores podem perder todo o seu dinheiro. O banco está advertindo enfaticamente sobre estes riscos".
Os comentários de Thiele seguem na linha do alerta feito pelo Banco Central Europeu a respeito dos enormes riscos especulativos das bitcoins. No mês passado, a China proibiu as casas de câmbio virtuais de aceitar dinheiro novo para a compra de bitcoins.
Sua crescente popularidade atraiu até grandes investidores interessados em novos negócios. Em novembro de 2013, quando a cotação disparou, o presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, admitiu os riscos mas falou que "também há áreas em que podem ser uma promessa de longo prazo".
Já em 2012 o BCE se preocupava com as moedas virtuais. Naquele ano, um estudo concluiu que elas não criariam um risco inflacionário se não houvesse uma grande emissão de moeda.
Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, Carl-Ludwig Thiele, diretor do Bundesbank, lembrou que "não há qualquer garantia estatal. Os investidores podem perder todo o seu dinheiro. O banco está advertindo enfaticamente sobre estes riscos".
Os comentários de Thiele seguem na linha do alerta feito pelo Banco Central Europeu a respeito dos enormes riscos especulativos das bitcoins. No mês passado, a China proibiu as casas de câmbio virtuais de aceitar dinheiro novo para a compra de bitcoins.
Sua crescente popularidade atraiu até grandes investidores interessados em novos negócios. Em novembro de 2013, quando a cotação disparou, o presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, admitiu os riscos mas falou que "também há áreas em que podem ser uma promessa de longo prazo".
Já em 2012 o BCE se preocupava com as moedas virtuais. Naquele ano, um estudo concluiu que elas não criariam um risco inflacionário se não houvesse uma grande emissão de moeda.
Assinar:
Postagens (Atom)