BOSTON, EUA - A cantora argentina Mercedes Sosa, talvez o maior símbolo da canção de protesto na América Latina, recebeu a extrema-unção hoje em Buenos Aires.
Aos 74 anos, ela está obesa e sofre de problemas no fígado e nos rins. Foi hospitalizada em 18 de setembro e seu quadro se agravou hoje. Os médicos, amigos e o padre Luis Farinello, que lhe deu o sacramento, quase não tem mais esperança
Há três anos, vi Mercedes Sosa em Buenos Aires cantando com convidados num show emocionante, o último antes do fechamento do magnífico Teatro Colón, na capital argentina. Foi comovente ouvi-la Gracias a la Vida e outros sucessos, como este blogue em novembro de 2006.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
domingo, 17 de junho de 2007
Argentinos bloqueiam fronteira com Uruguai
Em mais uma batalha da chamada 'guerra das papeleiras', manifestantes argentinos bloqueiam hoje as três pontes que ligam o país ao Uruguai, em protesto contra a construção de uma fábrica de papel e celulose em Fray Bentos, do outro lado do Rio Uruguai. Eles denunciam a ameaça ao meio ambiente e a violação do Estatuto do Rio Uruguai.
O bloqueio deve ser repetido amanhã nas horas de maior fluxo de turistas, que deve ser grande porque segunda-feira é feriado na Argentina.
Há três pontes entre os dois países sobre o Rio Uruguai, ligando as cidades argentinas de Concordia, Colón e Gualeguaychú, respectivamente, com as uruguaias Salto, Paysandú e Fray Bentos. Em Colón e Concordia, os bloqueios são temporários, mas a fronteira de Gualeguaychú, diante da qual a empresa finlandesa Botnia está construindo a fábrica, está sendo bloqueada desde 20 de novembro.
O bloqueio deve ser repetido amanhã nas horas de maior fluxo de turistas, que deve ser grande porque segunda-feira é feriado na Argentina.
Há três pontes entre os dois países sobre o Rio Uruguai, ligando as cidades argentinas de Concordia, Colón e Gualeguaychú, respectivamente, com as uruguaias Salto, Paysandú e Fray Bentos. Em Colón e Concordia, os bloqueios são temporários, mas a fronteira de Gualeguaychú, diante da qual a empresa finlandesa Botnia está construindo a fábrica, está sendo bloqueada desde 20 de novembro.
sábado, 4 de novembro de 2006
Mercedes Sosa fecha Teatro Colón em Buenos Aires

BUENOS AIRES - Foi uma noite de gala para a grande dama da canção argentina e latino-americana. Com convidados especiais e orquestra, Mercedes Sosa fez em 1 de novembro o último espetáculo no Teatro Colón, o mais tradicional da Argentina, que ficará fechado para restauração e modernização tecnológica até a festa de seu centenário, em 25 de maio de 2008.
O Teatro Colón, que os argentinos gabam de ter uma das melhores acústicas do mundo, estava lotado e reluzente, com gente de pé pelos corredores da platéia, quando Mercedes Sosa entrou. Muito pesada, caminhou lentamente com a ajuda de um auxiliar de palco, dando um tempo para os carinhosos aplausos do público de mais de 4 mil pessoas.
Aos 71 anos, a tucumana Mercedes Sosa não tem o mesmo vigor mas sua poderosa ainda encanta. Ela sentou-se e começou com uma música da sua terra, Romance de la luna tucumana, de Atahualpa Yupanqui e Pedro Aznar, para calar fundo desde o primeiro canto. Em seguida, convidou Carmen Guzmán para cantar De Buenos Aires morena, de Héctor Negro e da própria Carmen, uma milonga em homenagem à capital argentina, e depois interpetou Melancolia, do cubano Silvio Rodríguez.
Uma interpretação impecável de Gracias a la Vida, de Violeta Parra, ao lado da mexicana convidada Guadalupe Pineda, linda num vestido vermelho com manto preto, foi para mim o momento mais emocionante da primeira parte e talvez de todo o espetáculo.
No intervalo, enquanto o público era convidado a tomar um champanhe, a orquestra permanente do Teatro Colón, afinava seus instrumentos para acompanhar Mercedes Sosa na segunda parte, sob a batuta do maestro Pedro Ignacio Calderón. Ela começou com La última palabra, de Ariel Ramírez, Como pájaros en el aire, de Peteco Carbajal, e Samba para no morir, de Norberto Ambrós, Héctor Rosales e Hamlet Lima Quintana.
Mais uma vez, um dos pontos altos foi a interpretação sutil, doce e suave de Guadalupe Pineda para Coincidir, de Alberto Escobar.
Outros destaques foram Um vestido y un amor, de Fito Páez, La tempranera, de León Benarós e Carlos Guastavino, e Vuelvo al sur, de Ástor Piazzola e Pino Solanas.
Para fechar uma grande noite, Mercedes Sosa escolheu La Celedonia Batista, de Teresa Parodi, acompanhada da própria Teresa. Mas o público não deixou. Queria mais. Enquanto a orquestra tocava Polleritas, o público, de pé, marcava o ritmo com palmas. Num grand finale, a grande dama da canção latino-americana levantou-se e dançou um pouco, deu "una bailadita" para dar um final sublime e apoteótico ao primeiro século do Teatro Colón, de Buenos Aires.
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