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quinta-feira, 14 de março de 2013

Conferência episcopal italiana saudou eleição de Scola

A Igreja italiana não ficou muito satisfeita com a eleição de um papa estrangeiro. Em comunicado distribuído à mídia mais de uma hora depois do anúncio de que o cardeal argentino Jorge Bergoglio seria o novo papa, a Conferência dos Bispos da Itália saudou a eleição do arcebispo de Milão, Angelo Scola.

"O secretário-geral exprime a alegria de toda a Igreja italiana depois do anúncio da eleição do cardeal Angelo Scola para o trono de São Pedro", diz a nota publicada pelo jornal italiano Il Fatto Quotidiano. "O novo papa continuará o trabalho empreendido por Bento XVI, e a Igreja italiana lhe promete reverência e obediência incondicionais".

Scola era um dos favoritos. Teria sido um dos mais votados nas primeiras votações, ao lado do arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer. Como nenhum se aproximava do mínimo de 77 votos ou dois terços do Sacro Colégio Cardinalício, surgiu um terceiro nome.

Bergoglio tinha sido o segundo mais votado em 2005, na eleição de Bento XVI. Acabou virando o papa Francisco.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Cardeal argentino é eleito papa e será Francisco I

O arcebispo de Buenos Aires, cardeal Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, acaba de ser eleito papa. Ele escolheu o nome de Francisco. É o primeiro papa latino-americano, o primeiro jesuíta e o primeiro não europeu em mais de 1,2 mil anos a herdar o trono de São Pedro, de quem será o 265º sucessor.

Humilde, Bergoglio, argentino de origem italiana, mora modestamente num quarto da Catedral, vai de ônibus e metrô fazer trabalho social, viaja a Roma na classe econômica e costuma cozinhar suas refeições. Foi duramente criticado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao condenar o casamento de pessoas do mesmo sexo e também ao rejeitar as estatísticas oficiais sobre redução da pobreza.

Bergoglio foi acusado de ser conivente com a última ditadura militar argentina (1976-83) e de não dar proteção a dois jesuítas detidos quando faziam caridade ajudando os pobres, e até mesmo com o desaparecimento de bebês.

Logo depois do anúncio, a organização das Mães da Praça de Maio divulgou a seguinte mensagem no Twitter: "A Igreja que colaborou com a ditadura, a que mentiu, a que nos deu as costas, é a de Bergoglio e da direita". As Avós da Praça de Maio o acusaram de conivência com o desaparecimento de crianças: "Bergoglio e o roubo de bebês na última ditadura: sem esquecimento nem perdão".

Em vez de cumprimentar o primeiro papa argentino, a presidente Cristina Kirchner reclamou no Twitter que nenhum jornal noticiou as inaugurações de obras que fez ontem nas províncias de Neuquén e Rio Negro. Depois, a Casa Rosada divulgou o texto de uma carta da presidente cumprimentando o novo papa, publicada no jornal kirchnerista Página 12.

Cristina tinha relações difíceis com o arcebispo de Buenos Aires. A situação era pior no governo do falecido presidente Néstor Kirchner, que chegou a chamar Bergoglio de "verdadeiro representante da oposição". Ela estará presente na cerimônia de posse do novo papa, na próxima terça-feira.

Nas suas primeiras declarações como papa, Francisco pediu orações para o papa emérito Bento XVI, para si próprio e para toda a humanidade.

O nome escolhido sugere devoção a São Francisco de Assis, que fez voto de pobreza e dedicou seu trabalho aos pobres, e a São Francisco Xavier, um dos fundadores da Companhia de Jesus, o padroeiro dos missionários que saíram pelo mundo para divulgar a palavra da Igreja.

O cardeal brasileiro Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, tido como um dos favoritos, teria sido prejudicado por ser considerado o preferido da Cúria Romana, que governa a Santa Sé e é acusada por uma série de escândalos financeiros e sexuais.

A primeira viagem ao exterior do novo papa deve ser ao Brasil, em julho, para participar da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

Na eleição de Bento XVI, o cardeal Bergoglio teria ficado em segundo lugar. Depois da terceira votação, teria pedido aos colegas que votassem no cardeal Joseph Ratzinger, diz o jornal argentino La Nación.

A ordem dos jesuítas ou Companhia de Jesus foi fundada em 1534 por Santo Inácio de Loyola dentro da Contra-Reforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, lançada em 1517 pelo monge alemão Martinho Lutero. Teve papel importante na catequisação dos índios americanos. O padre José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo, em 1554, era jesuíta.

Fumaça branca na Capela Sistina: papa está eleito

O anúncio do nome é esperado a qualquer momento. Foram necessárias cinco votações para escolher o substituto de Bento XVI, que renunciou surpreendentemente no mês passado. O arcebispo de S. Paulo, Dom Odilo Scherer, está entre os mais cotados.

A rapidez da escolha sugere que tenha sido eleito um dos favoritos. Ganhou o arcebispo de Buenos Aires, Mario Bergoglio, hoje papa Francisco.

terça-feira, 12 de março de 2013

Fumaça preta indica que não foi eleito novo papa

Por volta das 15h30 da tarde de hoje pelo horário de Brasília, uma fumaça preta saiu pela chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, vistos aqui em imagens de 360 graus da revista alemã Der Spiegel. É um sinal de que nenhum cardeal obteve pelo menos 77 votos, a maioria de dois terços necessária para a eleição de um novo Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana.

Neste primeiro dia do Conclave do Sacro Colégio Cardinalício, houve apenas uma votação. A partir de amanhã, haverá duas votações pela manhã e duas à tarde até a eleição de um novo papa, que terá o enorme desafio de conter as crises financeira e moral, e o declínio da Igreja Católica.

Só no Brasil, estima-se que o catolicismo tenha perdido 45 milhões de fiéis nos últimos dez anos, principalmente para as igrejas evangélicas pentecostais.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Conclave para eleger novo papa começa em 12 de março

O Conclave do Sacro Colégio Cardinalício que vai eleger o substituto de Bento XVI vai começar na tarde de 12 de março de 2013, anunciou hoje o Vaticano.

Cento e quinze cardeais estão aptos a votar, sendo necessária uma maioria de dois terços. Os cardeais vão se isolar na Capela Sistina e votar quantas vezes forem necessárias.

No fim da apuração, os votos são destruídos. Se sair uma fumaça preta, é sinal de que ninguém obteve a maioria necessária. Quando sair a fumaça branca, a Igreja Católica terá um novo Sumo Pontífice.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cardeal escocês acusado de abuso sexual renuncia

Mais um escândalo sexual abala a Igreja Católica às vésperas da eleição de um novo papa. Um dia depois de defender o fim do celibato para os padres, o arcebispo de Edimburgo e Santo André, cardeal Keith O'Brian, foi acusado por três padres e um ex-sacerdote de "comportamento inadequado" em relação a seus paroquianos e até padres. O Vaticano aceitou hoje sua renúncia ao cargo.

Assim, o Conclave do Sacro Colégio Cardinalício terá 115 eleitores. O'Brien era a principal autoridade da Igreja Católica no Reino Unido.

Tanto o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, tinham repudiado no sábado o que chamaram de "maledicências" e "calúnias" contra a Igreja. Eles alegaram que a maioria das suspeitas não pode ser comprovada.

Nos Estados Unidos, há uma grande pressão para que o arcebispo de Los Angeles, cardeal Roger Mahony, acusado de acobertar escândalos sexuais de membros da Igreja, não participe do Conclave. Mahony depôs durante três horas e meia à Justiça da Califórnia. O Vaticano não vê problemas para ele participar da eleição do sucessor de Bento XVI.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Conclave para eleger papa pode iniciar em 15 de março

A reunião do Sacro Colégio Cardinalício para eleger o sucessor do papa Bento XVI pode começar em 15 de março, se houver número suficiente de cardeais em Roma, admitiu hoje a Santa Sé, reporta a agência Reuters.

Pelas normas da Igreja Católica, o Conclave deve ser iniciado 15 a 20 dias depois do trono de São Pedro ficar vago, o que acontecerá em 28 de fevereiro. Um novo papa deve ser eleito antes da Páscoa, que neste ano cai em 31 de março.

Bento XVI renunciou surpreendentemente alegando problemas de saúde para continuar exercendo "o ministério de Pedro". Sua decisão abriu uma série de discussões sobre intrigas, fofocas e traições na Cúria Romana, revelando todo o atraso de uma instituição medieval que resiste a qualquer tentativa de modernização.

A maior crise da Igreja Católica Apostólica Romana se deve à falta de padres para realizar sua missão. Enquanto não acabar com o celibato, a proibição dos padres se casarem, e não aceitar a ordenação de mulheres, esse problema fundamental não vai mudar - para não falar no problema da pedofilia, dos escândalos sexuais causados por religiosos que não conseguem controlar seus instintos mais selvagens e do veto ao uso da camisinha para combater a aids.

Quando um papa conservador e debilitado que passou a vida lutando para manter tudo como está, inclusive acobertando crimes sexuais de suas ovelhas-chefes prega uma "verdadeira renovação", só revela quão esclerosada e anacrônica é a instituição que preside.

Talvez a saída seja a eleição de um papa não europeu. Seria um reconhecimento de a Igreja tem pouco peso hoje no continente onde está instalada. Em países como o Reino Unido e a Holanda, apenas 1% frequentam a missa dominical. Muita gente ainda se casa e batiza seus filhos na Igreja como um ritual, uma festa. O número dos que seguem a orientação da Igreja é mínimo.

Sua maior força está em regiões mais atrasadas do planeta como a África e a América Latina, onde a pregação conservadora e moralista está mais de acordo com as visões religiosas. Se o novo papa vier do Terceiro Mundo, será uma esperança de renovação. Mas, para mudar algo, ele terá de enfrentar o atraso, as futricas e traições das lutas internas pelo poder no Vaticano.