Neste momento, nos jardins da Casa Branca, o presidente Barack Obama confirma que as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha chegaram a um acordo preliminar com o Irã para impedir a república islâmica de fabricar a bomba atômica. Os detalhes finais deve ser acertados até 30 de junho de 2015.
Não foram revelados maiores detalhes. O Irã deve congelar aspectos do seu programa nuclear por dez anos. Pode continuar enriquecendo urânio, mas promete diluir o urânio enriquecido acima do teor usado em centrais atômicas para geração de energia, algo em torno de 3% a 5%. Já tinha chegado a 20% para uso em reatores de pesquisas médicas. Para fazer a bomba, é preciso enriquecer urânio a 90%.
Obama afirmou que o Irã aceitou se submeter ao mais rigoroso regime de inspeções do mundo inteiro: "O Irã não vai enriquecer urânio na central de Fordo. O Irã não vai enriquecer urânio com suas centrífugas de última geração. Mesmo se violar o acordo, o Irã estará a um ano e meio da fabricação de uma bomba e as limitações vão durar 15 anos. As inspeções darão acesso a toda a infraestrutura de apoio ao programa nuclear. Se o Irã trapacear, o mundo vai ficar sabendo."
Como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear, acrescentou, "o Irã jamais será autorizado a ter armas nucleares". Se o acordo for cumprido, as sanções internacionais serão gradualmente retiradas, mas as sanções dos EUA pelo apoio do regime fundamentalista iraniano a grupos terroristas e interferência em outros países não serão levantadas.
O presidente dos EUA também deixou claro que um acordo preliminar não significa que vai haver um acordo definitivo, a ser negociado nos próximos três meses.
Só havia três opções, argumentou Obama: "Podemos controlar o programa nuclear iraniano com um acordo e inspeções rigorosas". Em segundo lugar, "podemos atacar e destruir as instalações nucleares do Irã, iniciando uma nova guerra no Oriente Médio. A terceira opção seria abandonar as negociações e reforçar o regime de sanções. O Irã retomaria o desenvolvimento de armas nucleares, haveria uma corrida armamentista nuclear na região e teríamos de ir à guerra."
Para Obama, um acordo é muito melhor do que uma nova guerra no Oriente Médio: "É de longe, a melhor opção. Se o Irã trapacear ou tentar trapacear, ficaremos sabendo e todas as opções que temos hoje estariam na mesa", inclusive o uso da força.
Ao povo iraniano, o presidente americano disse que este é o melhor acordo para que os próprios iranianos saibam o que acontece com seu programa nuclear. Ele prometeu telefonar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para comunicar detalhes do acordo e reiterar o compromisso dos EUA com a segurança de Israel.
Ao mesmo tempo, Obama acrescentou que as divergências políticas entre os EUA e o Irã continuam em questões como apoio a grupos que o governo americano considera terroristas e interferência em outros países do Oriente Médio como o Iêmen, onde o regime dos aiatolás apoio os rebeldes hutis que depuseram o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi.
Em defesa do acordo, Obama citou ex-presidentes dos EUA como John Kennedy, que em plena Guerra Fria declarou: "Não devemos negociar por causa do medo, mas não devemos ter medo de negociar." A seguir, lembrou as negociações de Richard Nixon e Ronald Reagan, dois expoentes da direita do Partido Republicano, com a extinta União Soviética.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador corrida nuclear. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corrida nuclear. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Assinar:
Postagens (Atom)