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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Argentina discute estatização da previdência

O governo e a oposição da Argentina não chegaram a um acordo sobre o projeto da presidente Cristina Kirchner para acabar com a previdência privada, estatizando os fundos de pensão, que têm hoje cerca de 100 bilhões de pesos, mais de US$ 30 bilhões.

Enquanto a presidente defende sua "decisão estratégica" argumentando que "a aposentadoria não pode ser um negócio", a ala oposicionista da União Cívica Radical admite que o governo crie uma previdência social que garanta uma pensão mínima para todo trabalhador argentino. Mas quer que o cidadão tenha a opção de investir num fundo de pensão para ter um complemento da aposentadoria.

A medida, anunciada na terça-feira, 21 de outubro de 2008, surpreendeu o mercado e os argentinos. O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu mais de 20% em dois dias e hoje teve uma pequena alta, de 2,43%.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Argentina estatiza a previdência privada

A presidente Cristina Kirchner enviou hoje ao Congresso da Argentina o projeto-de-lei para estatizar a previdência privada, que descrevou como uma "decisão estratégica", diante da ameaça das oscilações selvagens do mercado ao dinheiro depositado em fundos de pensão.

Em uma cerimônia em estilo peronista, sob uma tenda gigante, com grande presença de funcionários públicos, governadores, prefeitos e empresários kirchneristas, Cristina Kirchner acabou com o regime de capitalização criado sob outro governo peronista, de Carlos Menem (1989-99), e fez questão de deixar claro o contraste entre os dois.

"Esta é uma decisão estratégica" e "uma mudança de época", proclamou a presidente argentina, como quem diz que a era do neoliberalismo econômico e da especulação nos mercados financeiros acabou.

"Estamos adotando esta decisão em um contexto onde os principais países estão adotando uma política de proteção aos bancos", argumentou a presidente. "Nós estamos protegendo nossos trabalhadores e aposentados. Aquele discurso se derrubou estrepitosamente".

Cristina Kirchner comparou a estatização da previdência às das empresas Aguas Argentinas e Aerolíneas Argentinas. A nova entidade já tem nome: Sistema Previdenciário Integral Argentino.

Para a Coalizão Cívica, de oposição, é mais um saque do casal Kirchner nas finanças dos argentinos. A medida transfere para o controle do governo quase 100 bilhões de pesos argentinos, mais de US$ 30 bilhões.

Nestes tempos difíceis, seria uma maneira de reforçar o caixa de um governo que já não tinha crédito no mercado financeiro internacional antes da crise financeira global.