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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Oposição da Venezuela convoca greve geral e marcha ao palácio

A Mesa da Unidade Democrática, a coalizão oposicionista da Venezuela, convocou uma greve geral para 28 de outubro e uma passeata de protesto até o Palácio de Miraflores em 3 de novembro, noticiou hoje o jornal venezuelano El Nacional.

As manifestações visam a pressionar o presidente Nicolás Maduro depois que o regime chavista bloqueou na prática a realização de um referendo revogatório sobre seu mandato.

Há meses, a oposição recolhia assinaturas para convocar a consulta popular. O Conselho Nacional Eleitoral e a Justiça, subservientes ao chavismo, suspenderam o processo alegando que havia assinaturas fraudulentas.

Quando a Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, denunciou um "golpe de Estado", a sessão foi invadida por militantes chavistas. Ontem, os deputados decidiram iniciar um "julgamento político e jurídico" do presidente.

Se a marcha até o palácio for proibida, há um sério risco de violência. Uma onda de protestos em 2014 deixou 43 mortos. O governo e a oposição se acusam mutuamente por esses crimes.

Um dos principais líderes oposicionista, Leopoldo López, está preso e condenado por incitar à violência em fevereiro de 2014. As organizações de defesa dos direitos humanos o consideram um preso político. A Venezuela tem mais de 70 presos políticos.

Na segunda-feira, os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, afirmaram que, "nestas condições, a Venezuela não pode fazer parte do Mercosul".

terça-feira, 3 de maio de 2016

Oposição reúne assinaturas para revogar mandato de Maduro

Numa manobra para evitar a tropa de choque do regime chavista, a oposição da Venezuela entregou ontem abaixo-assinados com 1,85 milhão de assinaturas para convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro. É mais de dez vezes o mínimo necessário nesta etapa do projeto.

A coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática precisou de menos de uma semana para coletar as assinaturas. Cerca de 70% dos venezuelanos querem a saída de Maduro. Os oposicionistas aproveitam o momento favorável criado pela vitória nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015, quando conquistaram a maioria pela primeira vez desde 1998.

Para evitar as gangues e os coletivos, as milícias chavistas, a oposição entregou os formulários com assinaturas num pequeno escritório do Conselho Nacional Eleitoral em Mariches, um bairro da periferia de Caracas. A sede central do CNE está sob cerco permanente dos aliados de Maduro.

No fim de semana, o presidente convocou seus partidários a "entrar num estado de rebelião permanente" se ele for afastado. Ele indicou Jorge Rodríguez, o prefeito governista da cidade de Libertador, na Grande Caracas, para chefiar uma comissão encarregada de fiscalizar "uma a uma" as assinaturas.

Pela lei, só o CNE pode conferir as assinaturas. O governo promete divulgar os nomes, números de identidade, cidade e estado onde vivem os signatários do pedido de convocação do referendo revogatório. A oposição teme perseguições contra os partidários do afastamento de Maduro.

Nesta etapa do processo, bastariam 195 mil assinaturas. Numa segunda fase, serão necessárias as assinaturas de 20% dos eleitores inscritos. Nas eleições parlamentares de dezembro, eram cerca de 19,5 milhões. O CNE tem agora cinco dias para verificar as assinaturas.

O referendo revogatório foi introduzido na Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 por uma Assembleia Nacional Constituinte convocada depois da primeira eleição de Hugo Chávez, em 1998. Com 59% dos votos, o próprio Chávez sobreviveu a uma tentativa de afastá-lo, em 2004.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Oposição vence com maioria absoluta na Venezuela

A Mesa da Unidade Democrática, a aliança oposicionista, conseguiu uma ampla vitória sobre o regime chavista nas eleições parlamentares de domingo e terá maioria absoluta na Assembleia Nacional da Venezuela. A oposição elegeu pelo menos 99 deputados e o governo 46. Falta definir o resultado de 19 das 167 cadeiras do parlamento unicameral.

"Ganhamos, Venezuela!", festejou o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, candidato derrotado nas duas últimas eleições presidenciais por Hugo Chávez, em 2012, e Nicolás Maduro, em 2013, nesta última por apenas 1,5%. Ele pediu humildade, maturidade e serenidade aos partidários da oposição, noticiou o jornal El Nacional.

Depois de reconhecer a derrota na televisão, o presidente Nicolás Maduro fez mais uma de suas bravatas no Twitter: "Forças revolucionárias estamos aqui de pé com nossa moral intacta."

É a primeira derrota eleitoral do chavismo desde a vitória de Hugo Chávez na eleição presidencial de 1998. Em 2007, Chávez perdeu um referendo constitucional que propunha, entre outras medidas, o fim dos limites para a reeleição presidencial e acabava com a autonomia do Banco Central.

Chávez obteria a reeleição em outro referendo, em 2009, e nunca respeitou a autonomia do BC.

Agora, com recessão de 10%, inflação subindo para 200% ao ano e desabastecimento generalizado, a vitória da oposição era dada como certa. Se conseguir 110 deputados, a oposição terá força para mudar a Constituição.

De um jeito ou de outro, é o início do fim do "socialismo do século 21". Qualquer negociação entre governo e oposição terá de incluir a libertação dos presos políticos e a mudança na política econômica desastrosa que transformou um dos maiores exportadores mundiais de petróleo num país falido.

Em seu discurso aceitando a derrota, Maduro declarou que "não foi uma vitória da oposição, é uma contrarrevolução". Sua sobrevivência política depende da melhoria da situação econômica. A retórica vazia da "guerra econômica" do "império" contra a Venezuela e da "burguesia parasitária" não ajuda a reconstruir um país que está na lona. A revolução chavista acabou.