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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Construção de uma memória luso-brasileira

O Centro de Relações Internacionais da Escola de Ciências Sociais (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas convida para palestra da professora Isabel Corrêa da Silva com o tema Diplomata João Camelo Lampreia: construção de uma memória luso-brasileira, com comentários do embaixador e ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, a ser realizada em 10 de outubro, às 15h, na sede da FGV-RJ, na Praia de Botafogo 190.
Isabel Corrêa da Silva é doutora em História pela Universidade de Lisboa, onde também é pesquisadora de pós-doutorado, vinculada ao Instituto de Ciências Sociais. Isabel integra, desde 2008, o Grupo de Estudos Políticos e Relações Internacionais do Centro de História da Cultura, da Universidade Nova de Lisboa, faz parte do Grupo de Estudos Relações Portugal-Brasil do Instituto de Defesa Nacional e pesquisadora do Observatório Político. Ela publica nas áreas da História Contemporânea de Portugal e das relações Luso-Brasileiras.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Atrito com EUA é inevitável, observa ex-chanceler

Na medida em que o Brasil cresce e tenta se afirmar como um ator global, o atrito com os Estados Unidos é inevitável, declarou ontem o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia. Pelo tamanho e a diversidade de interesses dos dois países, sempre vai haver disputas políticas e comerciais.

"Olhando para trás, sempre tivemos problemas comerciais com os EUA, desde a industrialização, com café solúvel nos anos 60, calçados, têxteis e aço no fim dos anos 70, no fim dos 80 e nos 90 com suco de laranja, depois de uma grande geada na Flórida, e com os aviões da Embraer", recordou Lampreia, ao participar da mesa redonda Relações Brasil-EUA: Olhando para o Futuro, realizada pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) em parceria com o Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami.

Os conflitos, na sua opinião, nunca foram totalmente comerciais. Hoje, "a situação é a mesma, com produtos diferentes, milho, algodão, açúcar e outros produtos agrícolas. No açúcar, a couraça protecionista vem desde o início do embargo a Cuba. Tem quase 50 anos".

Sua previsão: "Esse tipo de desentendimento não vai cessar. Se nos tornarmos competitivos, haverá novos conflitos. São conflitos naturais de interesses."

A situação era muito pior, recordou o embaixador Lampreia, antes da criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995, quando os EUA não tinham aderido a nenhum mecanismo de solução de controvérsias. Os americanos aplicavam retaliações unilaterais com base na Seção 301, uma emenda à Lei de Comércio dos EUA.

"Do lado político", acrescentou o ex-chanceler do governo Fernando Henrique Cardoso, "o Brasil nunca vai pertencer a mecanismos como a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Nunca será aliado ou parceiro fixo dos EUA. O Brasil é muito grande e tem outro nível de desenvolvimento".

Isso não precisa levar a atritos permanentes, a uma militância diplomática antiamericana, concluiu. "O Brasil precisa de uma relação equilibrada. Pode haver conflitos relativos à segurança internacional. O Brasil não assinou o protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. Se houver clareza de que o Brasil tem espaço próprio e está num processo de afirmação nacional, podemos ter uma boa relação. Os EUA estão aprendendo a conviver com a diversidade. Precisam de amigos".

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"Política externa de Lula foi amoral", diz pesquisadora da Universidade de Miami

Ao privilegiar interesses e não valores e princípios, "a politica externa de Lula foi amoral", afirmou hoje a professora Susan Purcell, diretora do Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, durante uma mesa redonda sobre as relações Brasil-EUA realizada em conjunto com o Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).

No mesmo encontro, o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia comentou não acreditar que o Brasil e os EUA possam ter uma relação sem conflitos, dado o tamanho e a diversidade de interesses dos dois países. Ele também não vê razão para os problemas irem muito além das fricções econômicas.

"Dilma Rousseff não tinha experiência prévia, mas demonstra um graude de independência surpreendente", observa a professora Susan Purcell. "É mais pragmática, menos ideológica".

Susan Purcell acredita que "o pragmatismo da política externa de Dilma vai depender do crescimento econômico. Enquanto a esquerda se beneficiar deste crescimento, a política externa será menos ideológica. Se o crescimento diminuir, vai aumentar a pressão do PT por maior intervenção estatal na economia e uma política externa mais ideológica", o que seria "menos atraente" para as relações bilaterais.

A pesquisadora compara com o presidente Barack Obama, que na sua opinião foi mais ideológico nos primeiros dois anos de governo, quando tinha maioria na Câmara e no Senado e conseguiu aprovar a reforma da saúde.

Como a oposição reconquistou a maioria na Câmara nas eleições de 2010, "Obama precisa de algum apoio republicano." Purcell acredita na reeleição do presidente americano, "se o desemprego não atrapalhar".

Ela lembra que os presidentes "Lula e George W. Bush tinham boa relação pessoal, mas a guerra do Iraque complicou a situação. O Brasil não estava interessado na Área de Livre Comércio das Américas, preferiu o comércio Sul-Sul, embora no comércio com os EUA o Brasil exporte mais produtos manufaturados".

Para Susan Purcell, "os EUA veem a política externa brasileira neste governo como menos provocativa e ideológica. Por sua própria história como mulher que foi presa e torturada, ela não aceita certas posições do Irã. Lula tinha uma política externa amoral. Por isso, se dava bem com ditadores".

Obama está mais à esquerda no espectro político americano. Tem uma visão multilateralista. Em princípio, tem mais afinidade com as posições brasileiras. Para se contrapor a Bush, começou melhorando as relações com ditadores, dando menos importância à democracia.

Os atritos, prossegue Purcell, vieram na questão de Honduras, onde inicialmente os EUA aderiram ao consenso latino-americano contra o golpe, mas depois reconheceram com alguns aliados a eleição de Porfirio Lobo, na questão das sete bases colombianas que serão usadas por militares americanos e especialmente na intermediação que o Brasil tentou fazer em relação ao programa nuclear do Irã.

"Dilma enfrentou a China mais do que Lula: disse que os chineses precisam comprar mais e investir mais no Brasil", analisou a diretora da Universidade de Miami.

Como Jeffrey Schott, do Instituto Peterson para a Economia Internacional, Susan Purcell entende que o Brasil perde oportunidades: "O volume de comércio dos EUA com a América Latina é de US$ 500 bilhões anuais, US$ 350 bilhões só entre EUA e México."