O líder da bancada da União Cívica Radical, segundo maior partido político da Argentina, está pressionando a presidente Cristina Kirchner a negociar com os produtores rurais uma redução no imposto sobre as exportações de grãos. Ele ameaçou retirar sua bancada, se o governo mantiver sua produção inflexível.
Apesar do frio do inverno argentino, as duas partes armaram acampamentos diante do Palácio do Congresso, em Buenos Aires, para pressionar deputados e senadores.
Os ruralistas exigem o fim da escala móvel introduzida em 11 de março de 2008, que aumenta a alíquota do imposto toda vez que o preço do produto sobe no mercado internacional.
Na segunda-feira, finalmente, Cristina recebeu os líderes das quatro entidades rurais que organizaram quatro greves nos últimos cento e poucos dias para pagar menos imposto, especialmente sobre as exportações de soja. Mas a presidente argentina se negou a reduzir o imposto, alegando que a questão agora está com o Congresso.
Para não ceder diante dos produtores e reafirmar sua posição de presidente legitimamente eleita de todos os argentinos, negando legitimidade ao movimento dos ruralistas, Cristina Kirchner decidiu, na semana passada, enviar um projeto ao Congresso para transformar o imposto em lei. Parte do dinheiro será usado para financiar um programa de redistribuição de renda, como ela prometeu em seus vários discursos durante a crise.
Quando Cristina enviou o projeto ao Congresso, o gesto foi interpretado como um recuo. Realmente foi. Mas foi um recuo tático. Na essência, ela não cede em nada às reivindicações dos fazendeiros e agricultores.
Hoje, por exemplo, o ex-presidente Néstor Kirchner, que agora preside o Partido Justicialista, se reuniu com líderes sindicais na sede da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a grande central sindical argentina, para articular o apoio à sua mulher.
A História ensina que movimentos contra aumentos de impostos já derrubaram reis, presidentes e primeiros-ministros. Só costumam terminar quando o imposto é revogado.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 24 de junho de 2008
sábado, 29 de março de 2008
Produtores rurais suspendem greve na Argentina
Depois de um discurso conciliador da presidente Cristina Kirchner, as quatro entidades de produtores rurais da Argentina decidiram, na sexta-feira, 28 de março de 2008, suspender a greve e o bloqueio de estradas, que duraram 16 dias.
A presidente prometeu diálogo, se a paralisação fosse suspensa. Os ruralistas protestam contra o imposto sobre exportações de grãos, adotado para conter o crescimento nos preços internos dos alimentos, puxada pela inflação mundial nos preços dos produtos primários.
A presidente prometeu diálogo, se a paralisação fosse suspensa. Os ruralistas protestam contra o imposto sobre exportações de grãos, adotado para conter o crescimento nos preços internos dos alimentos, puxada pela inflação mundial nos preços dos produtos primários.
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