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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Manuscritos de Timbuktu foram salvos em lombo de burro

Os manuscritos medievais da cidade histórica de Timbuktu revelam um Islã moderado, tolerante e aberto culturalmente. Por isso mesmo, ficaram em perigo quando extremistas muçulmanos tomaram o Norte do Máli, em abril de 2012, e começaram a destruir mesquitas e monumentos do sufismo, uma corrente muçulmana a que os salafistas se opõem.

Não foi a primeira vez. Sempre que estrangeiros invadiram Timbuktu, como os marroquinos no século 16 e o império francês no século 19, os moradores da cidade esconderam os documentos históricos em cavernas e salas secretas, ou os levaram para outro lugar.

Por mais de 60 anos, a família Haidara escondeu os manuscritos de Timbuktu do colonialismo francês em grandes baús metálicos e poços profundos. Só depois da independência do Mali, em 1960, eles voltaram a ser expostos publicamente.

No ano passado, teve de repetir a operação. Haidara comprou centenas de baús metálicos. Em maio, dezenas de milhares de páginas de documentos tinham sido removidos das bibliotecas de Timbuktu para lugares seguros na própria cidade.

A seguir, ele fugiu para Bamako, a capital do Mali, que não caiu em mãos dos extremistas muçulmanos. De lá, foi a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em busca de financiamento de um centro islâmico.

Haidara também pediu ajuda aos governos da Alemanha e da Holanda, e a representantes da Fundação Ford que encontrou em Lagos, na Nigéria. Ganhou US$ 425 mil do governo holandês e US$ 236 mil da fundação americana.

"É claro que os manuscritos estavam em perigo", reconhece Joseph Gitari, alto funcionário da Fundação Ford em Lagos, em entrevista ao Washington Post, que contou a história. "A narrativa dos manuscritos, seu foco em ciência, cultura e direito contradiz a posição ideológica dos grupos que tomaram o Norte do Mali."

Aí veio o momento Indiana Jones da retirada dos documentos. Numa noite de agosto de 2012, uma caravana de dez burros de Hassine Traoré salvou os manuscritos. A chuva fina ajudou. Os jihadistas preferiram ficar em casa e não em postos de controle nas estradas. Foram seis viagens de ida e volta até Bamako para transportar 45 mil páginas de valor histórico inestimável.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Jihadistas cometem crimes contra cultura no Máli

Em mais um crime contra o patrimônio cultural da humanidade, depois dos Budas de Damiã, no Afeganistão, agora os fundamentalistas muçulmanos destruíram sete dos 16 mausoléus sufistas da cidade histórica de Timbuktu, no Norte do Máli, dominado há meses por rebeldes tuaregues e jihadistas da linha ideológica da rede terrorista Al Caeda, informa o jornal francês Courrier International.

Os Budas de Damiã eram duas estátuas monumentais esculpidas na rocha no vale de Damiã, no centro do Afeganistão, no século 6 depois de Cristo. Ficavam à beira do Caminho da Seda, a principal rota do comércio internacional da época.

Por ordem do mulá Mohamed Omar, líder da milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que os declarou "ídolos", foram destruídos em março de 2001, meses antes da queda de seu regime de características medievais.

Timbuktu ficava na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara no movimentado comércio que havia entre o Oriente Médio e a região do Golfo da Guiné, no Oeste da África, durante a Idade Média, antes da chegada do colonialismo europeu à África.

Entre os séculos 13 e 16, Timbuktu floresceu com o comércio de ouro, sal, marfim e escravos. Daquela época, são os principais monumentos históricos da cidade, que incluem algumas das bibliotecas mais importantes do mundo na época, com mais de 700 mil manuscritos. Seus lugares sagrados foram importantes para o início da islamização da África. Além do estilo original, suas mesquitas e mausoléus usam técnicas de construção únicas e características de seu tempo.

Depois de um golpe militar na capital do Máli, Bamako, no Sudeste do país, em 1º de abril de 2012, os rebeldes tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawade, tomaram Timbuktu com o apoio dos islamitas.

Em 30 de junho de 2012, jihadistas do grupo armado Ansar Dine (Defensores da Religião) atacaram os mausoléus de Timbuktu, alegando que o sufismo, uma corrente do islamismo, é na verdade uma forma de paganismo por causa de suas danças e cânticos. Isso é proibido pelo salafismo, wahabismo e deobandismo, correntes integristas que surgiram em oposição ao sufismo.