Sem apresentar qualquer prova, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a responsabilidade pelo ataque em que oito pessoas foram mortas e 12 feridas numa ciclovia do Sul da Ilha de Manhattan, em Nova York, descrevendo o usbeque Sayfullo Saipov como um "soldado do califado" em seu jornal semanal Al-Naba, noticiou a agência de notícias Reuters.
O Estado Islâmico costuma assumir a glória por todo ataque terrorista contra alvos ocidentais. Até mesmo o atirador que matou 58 pessoas em Las Vegas, sem qualquer antecedente de contato com extremistas muçulmanos, foi apresentado como um militante jihadista. A milícia deve achar que serve a seus propósitos de propaganda.
Foi o pior atentado terrorista em Nova York desde o ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Saipov tinha mais de mil vídeos e imagens de propaganda do Estado Islâmico em seu celular e deixou uma nota dizendo que "o EI vai viver para sempre". Mas tudo indica que foi apenas inspirado pelo grupo e que se radicalizou via Internet depois de chegar aos Estados Unidos, em 2010.
Saipov conseguiu o direito de residência nos EUA através de uma loteria de vistos de imigração aberta a países com pouca migração para os EUA. Depois de ter sido sorteado, as autoridades americanas investigaram sua vida pregressa com o apoio do governo do Usbequistão, de onde ele veio.
O terrorista não apresentava nenhum sinal de radicalização. Não era grande frequentador de mesquitas nem vivia citando o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. Nos EUA, inicialmente foi para o estado de Ohio, onde há uma grande comunidade de imigrantes usbeques. Depois se mudou para a Flórida e agora morava em Paterson, no estado de Nova Jérsei, vizinho de Nova York.
De acordo com a denúncia, Saipov declarou no interrogatório policial ter se inspirado vendo vídeos de propaganda do EI no seu telefone. Ele disse estar se sentindo bem com a realização do atentado e pediu permissão para colocar uma bandeira da milícia terrorista no seu quarto no Hospital Bellevue, onde se recupera do tiro que o imobilizou na hora de prisão.
O presidente Donald Trump o chamou de "animal degenerado" e pediu a pena de morte para o terrorista. Como ela não existe na legislação do estado de Nova York, Saipov teria de ser condenado pela lei federal.
Trump chegou a a ameaçar mandar Saipov para o centro de detenção ilegal instalado em 2002 na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, para lhes negar os direitos garantidos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra. Também quer o fim do programa de loteria de vistos de imigração.
Nos últimos dias, o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, localizou outro usbeque, Mukhammadzoir Kadirov, de 32 anos, suspeito de ser colaborar de Saipov, que telefonou para ele imediatamente antes do ataque.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 3 de novembro de 2017
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
Terrorista da ciclovia se radicalizou nos EUA, diz governador de NY
O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, afirmou hoje que o usbeque Sayfullo Saipov era ligado à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas se tornou extremista nos Estados Unidos.
Desde que foi revelado que o terrorista que matou oito pessoas ontem em Nova York era um imigrante do Usbequistão, o presidente Donald Trump responsabilizou uma loteria de imigração que permitiu sua entrada, prometendo aumentar o rigor na análise dos pedidos de asilo.
"É um covarde depravado associado ao Estado Islâmico que se radicalizou nos EUA", declarou o governador. "Foi depois da chegada aos EUA que começou a se informar sobre o EI e o Islã radical."
As autoridades acreditam que Saipov preparou o atentado durante semanas e que tinha ligações com o grupo terrorista porque deixou uma nota dizendo que "o Estado Islâmico vai durar para sempre", destacou o subchefe de polícia da cidade de Nova York, John Miller.
"Ele fez isso em nome do EI", assegurou Miller. "Parece ter seguido exatamente as instruções que o EI pôs nas redes sociais com instruções a seus seguidores sobre como realizar estes ataques."
Ontem, Trump foi rápido ao querer faturar politicamente em cima da tragédia: "Acabo de ordenar ao Departamento de Segurança Interna o reforço do programa de análise rigorosa" dos candidatos à imigração. "Ser politicamente correto é bom, mas não neste caso", citou o jornal The Washington Post.
Hoje, o presidente acusou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, eleito por Nova York, de ser um dos responsáveis pela loteria da imigração, em que os candidatos são sorteados, introduzida em 1990 no governo republicano de George Bush (1989-93) com apoio bipartidário.
"O terrorista entrou no nosso país através do Programa de Loteria para Diversidade de Vistos, uma beleza de Chuck Schumer. Quero baseado no mérito", escreveu Trump no Twitter, citado pelo jornal The New York Times.
Schumer reagiu imediatamente: "O presidente Trump, em vez de politizar e dividir os EUA, o que ele sempre parece fazer em momentos de tragédia nacional, deveria estar focando na solução real - financiar o antiterrorismo -, que ele propôs cortar no seu último orçamento. Estou convocando o presidente a rescindir imediatamente os cortes propostos neste financiamento vital antiterrorismo."
Há poucos minutos, o presidente culpou o "politicamente correto" de nos paralisar e pediu uma Justiça mais dura e mais rápida. Ele pediu ao Congresso que acabe com o programa de loteria de vistos de imigração e sugeriu que Saipov deveria ser enviado para o centro de detenção ilegal instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
No início da guerra contra o terrorismo, em 2002, o governo George W. Bush mandou presos para Guantânamo para lhes negar os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra. O presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão, mas nunca teve apoio político para isso.
O Usbequistão não está na lista de países muçulmanos cujos cidadãos Trump quer impedir de entrar nos EUA.
Desde que foi revelado que o terrorista que matou oito pessoas ontem em Nova York era um imigrante do Usbequistão, o presidente Donald Trump responsabilizou uma loteria de imigração que permitiu sua entrada, prometendo aumentar o rigor na análise dos pedidos de asilo.
"É um covarde depravado associado ao Estado Islâmico que se radicalizou nos EUA", declarou o governador. "Foi depois da chegada aos EUA que começou a se informar sobre o EI e o Islã radical."
As autoridades acreditam que Saipov preparou o atentado durante semanas e que tinha ligações com o grupo terrorista porque deixou uma nota dizendo que "o Estado Islâmico vai durar para sempre", destacou o subchefe de polícia da cidade de Nova York, John Miller.
"Ele fez isso em nome do EI", assegurou Miller. "Parece ter seguido exatamente as instruções que o EI pôs nas redes sociais com instruções a seus seguidores sobre como realizar estes ataques."
Ontem, Trump foi rápido ao querer faturar politicamente em cima da tragédia: "Acabo de ordenar ao Departamento de Segurança Interna o reforço do programa de análise rigorosa" dos candidatos à imigração. "Ser politicamente correto é bom, mas não neste caso", citou o jornal The Washington Post.
Hoje, o presidente acusou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, eleito por Nova York, de ser um dos responsáveis pela loteria da imigração, em que os candidatos são sorteados, introduzida em 1990 no governo republicano de George Bush (1989-93) com apoio bipartidário.
"O terrorista entrou no nosso país através do Programa de Loteria para Diversidade de Vistos, uma beleza de Chuck Schumer. Quero baseado no mérito", escreveu Trump no Twitter, citado pelo jornal The New York Times.
Schumer reagiu imediatamente: "O presidente Trump, em vez de politizar e dividir os EUA, o que ele sempre parece fazer em momentos de tragédia nacional, deveria estar focando na solução real - financiar o antiterrorismo -, que ele propôs cortar no seu último orçamento. Estou convocando o presidente a rescindir imediatamente os cortes propostos neste financiamento vital antiterrorismo."
Há poucos minutos, o presidente culpou o "politicamente correto" de nos paralisar e pediu uma Justiça mais dura e mais rápida. Ele pediu ao Congresso que acabe com o programa de loteria de vistos de imigração e sugeriu que Saipov deveria ser enviado para o centro de detenção ilegal instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
No início da guerra contra o terrorismo, em 2002, o governo George W. Bush mandou presos para Guantânamo para lhes negar os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra. O presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão, mas nunca teve apoio político para isso.
O Usbequistão não está na lista de países muçulmanos cujos cidadãos Trump quer impedir de entrar nos EUA.
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