Por volta de oito horas da noite de sábado, saí do Rodoanel, enchi o tanque e entrei na Régis Bittencourt (São Paulo-Curitiba), mais conhecida como Rodovia da Morte, onde mais de 1,7 mil pessoas morreram em acidente no ano passado. Há cinco anos, não passava por ali, onde um trecho permanece não duplicado.
Logo caiu uma tempestade que alagou parcialmente a pista e chegou a desestabilizar meu caro, que ameaçou rodopiar numa estrada cheia, com risco de acidente grave. Mas a uns 50km ao sul de São Paulo, tudo parou. Formou-se uma fila imensa de caminhões que andava lentamente e parava por períodos de até 15 minutos.
Sem ter o que fazer, os caminhoneiros e outros motoristas desligavam os motores à espera de que a fila se mexesse. Uns falavam pelo rádio; outros checavam os pneus. Era uma total resignação de quem está acostumado a uma das piores estradas do país, a mais importante ligação da capital econômica do Brasil com o Sul.
Foram três horas e meia de engarrafamento sem outro motivo aparente que o excesso de tráfego. Esta foi a explicação de um funcionário da concessionária que explora a via. Se há um acidente grave ou um ataque de criminosos como sugeriu um funcionário do pedágio, o suplício seria ainda maior
Então, me pergunto: como pode um país como o Brasil, caindo para sétima economia mundial, conviver com tanta incompetência, descaso e desamparo? Quando o governo vai atacar os gargalos de infraestrutura que estrangulam a competitividade da economia?
Sei que os motores de combustão interna estão em baixa em tempos de aquecimento global e tempestades bíblicas. Mas não havendo alternativa, não há desculpa para não duplicar a estrada mais importante do país, a BR-116, num de seus trechos mais críticos, a Serra do Cafezal.
Soube que a obra não sai por falta de autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), preocupados com preservar o que resta de verde no estado de São Paulo. Mas o órgão que não consegue preservar a Amazônia brasileira por causa das alianças governistas com os setores mais retrógrados da região e do agronegócio deveria se preocupar também em preservar vidas humanas que passam pela estrada mais importante do Brasil.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Diário de Viagem: Inferno na Dutra
Pelo espírito dos irmãos Jack Kerouac e Eduardo Bueno, resolvi voltar à estrada e vir de carro do Rio para Porto Alegre. Saí sábado, pouco depois do meio-dia, peguei a Linha Vermelha e, ao descer para a Rodovia Presidente Dutra (Rio-SP), fui obrigado a percorrer um longo trecho pela estrada marginal na Baixada Fluminense. Foram 5 a 10km sob um sol de 40 graus, enquanto a estrada ao lado estava vazia.
Os motores fervem, os motoristas são alvos fáceis de ladrões e a Polícia Rodoviária Federal e a Nova Dutra, não estão nem aí. Havia um estreitamento de pista à frente, mas ninguém foi capaz de abrir outro acesso à estrada principal.
Por que tanto descaso e tanta incompetência?
Há um ano, no mesmo local e nas mesmas circunstâncias, o motor ficou superaquecido e estourou uma mangueira que esvaziou o radiador. Não me dei conta porque o relógio mede a temperatura da água e não havia mais água, e fundiu o motor, dando-me um prejuízo de milhares de reais.
Ao entrar na Dutra, estava iniciando a ultrapassagem de um caminhão que, para deixar de uma kombi em marcha lenta, foi simplesmente jogado para cima de mim pelo motorista, que só depois olhou pelo espelho. Tive de frear bruscamente para o carro não ser espremido entre o caminhão e o guardrail.
Nasci de novo, ou quase morri, por absoluta irresponsabilidade de um motorista de caminhão. Havia testemunhas na estrada. Fiquei pensando. Se acontece um acidente desses numa estrada deserta, o cara mata, vai embora e fica por isso mesmo.
Os motores fervem, os motoristas são alvos fáceis de ladrões e a Polícia Rodoviária Federal e a Nova Dutra, não estão nem aí. Havia um estreitamento de pista à frente, mas ninguém foi capaz de abrir outro acesso à estrada principal.
Por que tanto descaso e tanta incompetência?
Há um ano, no mesmo local e nas mesmas circunstâncias, o motor ficou superaquecido e estourou uma mangueira que esvaziou o radiador. Não me dei conta porque o relógio mede a temperatura da água e não havia mais água, e fundiu o motor, dando-me um prejuízo de milhares de reais.
Ao entrar na Dutra, estava iniciando a ultrapassagem de um caminhão que, para deixar de uma kombi em marcha lenta, foi simplesmente jogado para cima de mim pelo motorista, que só depois olhou pelo espelho. Tive de frear bruscamente para o carro não ser espremido entre o caminhão e o guardrail.
Nasci de novo, ou quase morri, por absoluta irresponsabilidade de um motorista de caminhão. Havia testemunhas na estrada. Fiquei pensando. Se acontece um acidente desses numa estrada deserta, o cara mata, vai embora e fica por isso mesmo.
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