Ao não condenar também o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), não participar das negociações de cessar-fogo com Israel e ignorar outros conflitos mais mortíferos no Oriente Médio, o Brasil usa dois pesos e duas medidas e joga para a plateia no conflito israelo-palestino. Isso ajuda a entender a reação agressiva, grosseira, deselegante e antidiplomática do Ministério de Exterior israelense ao chamar o país de "irrelevante" e "anão diplomático".
Em entrevista a O Globo de hoje, observo que raramente o Brasil faz uma condenação tão explícita a outro país. Diante do silêncio perante mais de 170 mil mortes na Síria, apesar do evidente uso de força desproporcional pelas Forças de Defesa de Israel, a estridência na questão palestina revela um desequilíbrio ou falta de critérios uniformes de avaliação de crises internacionais. Como do ponto de visto democrático, toda vida tem o mesmo valor, o número de mortos é que diz qual é o pior conflito.
Também não se justifica a acusação de genocídio feita pelo assessor especial de relações internacionais do governo Dilma Rousseff. Por mais que se possa criticar o massacre do povo palestino, não há comparação possível com o Holocausto e isso atinge diretamente o aspecto mais sensível da memória coletiva do povo judeu.
Certamente o Brasil não foi considerado um anão diplomático por Israel quando o então ex-chanceler Osvaldo Aranha proferiu, como presidente da primeira reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, o voto de minerva para a criação do Estado de Israel, em 1947.
Em 2010, o Brasil reconheceu a independência da Palestina com base nas fronteiras anteriores à guerra de 1967. Faria mais para transformá-la em realidade se participasse construtivamente das negociações de paz.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador anão diplomática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anão diplomática. Mostrar todas as postagens
sábado, 26 de julho de 2014
Assinar:
Comentários (Atom)