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domingo, 17 de março de 2019

Acidentes com Boeing 737 MAX 8 têm "semelhanças claras"

Os dados da caixa-preta do avião da Ethiopian Airlines que caiu há uma semana matando as 157 pessoas a bordo mostram "semelhanças claras" com os do acidente com o mesmo modelo da Boeing que caiu no Mar de Java, na Indonésia, em outubro do ano passado, matando 189 pessoas, revelou hoje o ministro dos Transportes da Etiópia.

"Foram notadas semelhanças claras entre o voo 302 da Ethiopian Airlines e o voo 610 da companhia indonésia Lion Air que serão objeto de mais exames durante a investigação", declarou o ministro Dagmawit Moges.

A constatação aumenta a pressão sobre a Boeing. O Boeing 737 é um dos aviões mais bem-sucedidos da história da aviação. Havia mais de 300 737 MAX 800 em operação, de um total de cerca de 5 mil encomendados.

Os dois acidentes fatais com o novo modelo indicam que os pilotos tiveram problemas com o computador de bordo e não conseguiram assumir o controle sobre o aparelho pouco depois da decolagem, um dos momentos mais críticos da aviação porque a aeronave ainda não ganhou altitude que permita fazer manobras.

Um mecanismo para impedir a paralisação dos motores faria o avião baixar o nariz para ganhar velocidade causando o impacto com o solo ou, no caso da Indonésia, com o mar.

Os dados iniciais sobre o voo da Ethiopian Airlines indicam que o Boeing 737 MAX 8 fez um voo errático. Subiu, desceu e subiu de novo, a uma velocidade excessiva para a decolagem. O piloto era experiente. Tinha mais de 8 ml horas de voo.

Nesta era em que cada vez as máquinas fazem o trabalho do homem, a dificuldade em superar o computador mostra os problemas da inteligência artificial. A Boeing insiste que o avião é seguro, mas admitiu fazer mudanças no programa do computador.

Hoje, em Adis Abeba, a capital da Etiópia, de onde o voo saiu, houve uma série de enterros simbólicos com caixões vazios. A maioria das vítimas foi totalmente incinerada pelo incêndio causado pelo acidente. A identificação dos restos mortais podem levar cinco a seis meses.

segunda-feira, 11 de março de 2019

China proíbe temporariamente voos do Boeing 737 MAX 8

A Administração da Aviação Civil da China ordenou a todas as companhias aéreas que suspendam temporariamente os voos do Boeing 737 MAX 8, depois do segundo acidente com aviões novos deste modelo em menos de cinco meses, a partir das 18h desta segunda-feira pela hora de Beijim (7h em Brasília). A Etiópia e a Indonésia tomaram a mesma medida.

Todos os 157 passageiros e tripulantes do voo ET-302 (Adis Abeba-Nairóbi) da Ethiopian Airlines morreram hoje. O acidente aconteceu pouco depois da decolagem.

Em 29 de outubro de 2018, todas as 189 pessoas a bordo do voo JT-610, da companhia indonésia Lion Air, com o mesmo tipo de avião, tiveram o mesmo destino trágico: um acidente sem sobreviventes.

Em nota, o órgão regulador chinês explico as razões da proibição: os aviões eram novos e os problemas aconteceram logo na decolagem. A Air China recebeu seu primeiro Boeing 737 MAX 8 no fim de 2017, pouco que a aeronave entrou em operação. Hoje as companhias aéreas chinesas têm 96 aviões deste modelo.

As caixas-pretas do Boeing da Lion Air indicaram que a tripulação lutou contra o computador de bordo, que mandava baixar o nariz do avião e reduzir a altitude, até o acidente, quando entrou no mar perto da ilha de Java, na Indonésia, a 900 quilômetros por hora.

Há um novo sistema que não havia nas versões anteriores do 737 para prevenir paralisação dos motores da aeronave que seria responsável pelo problema. A tripulação precisa fazer treinamento para enfrentar este tipo de situação.

No Brasil, a Gol usa o Boeing 737 MAX 8. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) declarou ter exigido treinamento específico.