Os dados da caixa-preta do avião da Ethiopian Airlines que caiu há uma semana matando as 157 pessoas a bordo mostram "semelhanças claras" com os do acidente com o mesmo modelo da Boeing que caiu no Mar de Java, na Indonésia, em outubro do ano passado, matando 189 pessoas, revelou hoje o ministro dos Transportes da Etiópia.
"Foram notadas semelhanças claras entre o voo 302 da Ethiopian Airlines e o voo 610 da companhia indonésia Lion Air que serão objeto de mais exames durante a investigação", declarou o ministro Dagmawit Moges.
A constatação aumenta a pressão sobre a Boeing. O Boeing 737 é um dos aviões mais bem-sucedidos da história da aviação. Havia mais de 300 737 MAX 800 em operação, de um total de cerca de 5 mil encomendados.
Os dois acidentes fatais com o novo modelo indicam que os pilotos tiveram problemas com o computador de bordo e não conseguiram assumir o controle sobre o aparelho pouco depois da decolagem, um dos momentos mais críticos da aviação porque a aeronave ainda não ganhou altitude que permita fazer manobras.
Um mecanismo para impedir a paralisação dos motores faria o avião baixar o nariz para ganhar velocidade causando o impacto com o solo ou, no caso da Indonésia, com o mar.
Os dados iniciais sobre o voo da Ethiopian Airlines indicam que o Boeing 737 MAX 8 fez um voo errático. Subiu, desceu e subiu de novo, a uma velocidade excessiva para a decolagem. O piloto era experiente. Tinha mais de 8 ml horas de voo.
Nesta era em que cada vez as máquinas fazem o trabalho do homem, a dificuldade em superar o computador mostra os problemas da inteligência artificial. A Boeing insiste que o avião é seguro, mas admitiu fazer mudanças no programa do computador.
Hoje, em Adis Abeba, a capital da Etiópia, de onde o voo saiu, houve uma série de enterros simbólicos com caixões vazios. A maioria das vítimas foi totalmente incinerada pelo incêndio causado pelo acidente. A identificação dos restos mortais podem levar cinco a seis meses.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 17 de março de 2019
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