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sábado, 21 de maio de 2011

EUA tentam redefinir política para árabes

Apesar da surpresa com as revoluções do mundo árabe, os Estados Unidos precisam reorientar sua política para o Oriente Médio, adverte o professor americano Parag Khanna,  autor de O Segundo Mundo, o que o presidente Barack Obama tentou fazer com o discurso de anteontem.

Em visita ao Brasil para lançar seu segundo livro, Como Governar o Mundo, o pesquisador admitiu que o governo dos Estados Unidos, para quem trabalha, está "improvisando muito" diante das incertezas geradas pelo terremoto político no Norte da África e no Oriente Médio.

"É preciso redefinir a estabilidade: os filhos da puta não são mais suficientes. É preciso construir relações mais saudáveis", afirmou o professor, sem citar o presidente americano Franklin Roosevelt, que uma vez se referiu ao ditador da Nicarágua Anastasio Somoza García: "É um filho da puta, mas é o nosso filho da puta".

No seu primeiro livro, Khanna previu que o Egito estava maduro para uma revolução: "Como falar em reforma política [como falou George W. Bush] sem remover Hosni Mubarak? Até na Arábia Saudita há um novo partido defendendo a instauração de uma democracia constitucional."

Durante séculos, "os árabes culparam os otomanos, os europeus, os americanos e Israel pela sua própria miséria. Em 2011, não havia mais ninguém para culpar". Eles decidiram se levantar contra a tirania.

"Não acredito que esses países se transformem em democracias", observou Khanna, "pelo menos não a curto prazo. Transparência administrativa, um governo que preste contas de seus atos e o bem-estar social são mais importantes. Acho que terão mais liberdade de imprensa, um Judiciário mais independente e militares menos poderosos".

Ele teme a divisão da Líbia e aposta que, "na Síria, Bachar Assad vai sobreviver por mais algum tempo. As monarquias vão sobreviver".

Quanto ao futuro da influência dos EUA na região, o pesquisador lembra que "onde houver pequenos países com vizinhos bem maiores as grandes potências serão bem-vindas. Na Mongólia, espremida entre a China e a Rússia, existe a chamada política externa do terceiro vizinho: os EUA".

Khanna não acredita numa retirada total das forças americanas do Norte do Afeganistão: "Os EUA precisam de um aliado estável, combater os Talebã, proteger o comércio num novo Caminho da Seda [a famosa rota percorrida por Marco Polo] e vigiar a China. Não estou dizendo que é bom, é o que acho que vai acontecer".

Na sua opinião, o ideal é que Arábia Saudita, Egito, Irã, Israel e a Turquia, as potências regionais, chegassem  a um acordo para criar um mecanismo de segurança. Esse dia ainda está distante.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pesquisador teme guerra entre Irã e Arábia Saudita

Diante da instabilidade crônica do Iraque desde a invasão americana de 2003, há um sério risco de uma guerra entre a Arábia Saudita e o Irã provocada pelo conflito sectário entre sunitas e xiitas, afirmou ontem o cientista político Parag Khanna, em palestra promovida pela Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro.

"Tenho muito medo de uma guerra entre a Arábia Saudita e o Irã", admite o diretor da Iniciativa de Governança Global da Fundação Nova América, considerado pela revista Enquire uma das pessoas mais influentes do século 21. "O Iraque seria destruído pela terceira vez."

Khanna lembra que "os documentos do Departamento de Estado vazados pelo WikiLeaks mostram a Arábia Saudita e outras monarquias petroleiras fazendo pressão para os EUA atacarem o Irã. Há uma grande discórdia no Iraque entre sunitas, apoiados pelos sauditas, e xiitas, apoiados pelos iranianos, e os EUA estão se retirando. Uma guerra é mais provável do que a estabilização do Iraque".