Desde o fim da guerra civil, em 1992, El Salvador tornou-se um dos países com os maiores índices de criminalidade e violência da América. A última vítima importante foi o ex-procurador-geral Manuel Córdoba Castellanos, morto a tiros por vários homens armados quando chegava em casa na quinta-feira à noite, num assassinato típico das gangues do crime organizado.
Córdoba Castellanos tinha 58 anos. Foi procurador-geral de 1996 a 1999. Não foi um caso de latrocínio. Nada foi roubado. Uma testemunha declarou que o assassino fugiu de motocicleta. Há três semanas, um de seus guarda-costas fora assassinado.
Para o diretor do Instituto de Direitos Humanos da Universidade Centro-Americana, Benjamín Cuellar, "Córdoba Castellanos foi o único procurador-geral do pós-guerra que fez grandes esforços para combater a impunidade. Lembremos que ele investigou os dois maiores desfalques ocorridos no setor bancário. Investigou assassinatos cometidos por policiais como os da menina Katia Mirante e do jovem Adriano Vilanova. Graças a seus esforços, o caso do assassinato de Mauricio García-Prieto por esquadrões da morte, está sendo examinado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos".
Durante a guerra civil (1980-1992), em 19 de abril de 1989, foi assassinado o procurador-geral José Roberto García Alvarado. Na época, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) reivindicou a autoria do atentado.
El Salvador vive um fenômeno recorrente depois de processos de paz. Com policiais e esquadrões da morte impunes, guerrilheiros que não conseguem se reintegrar à vida civil após longos períodos na clandestinidade e uma grande quantidade de armas em circulação, aumenta a violência criminal. O mesmo acontece na vizinha Guatemala e também na África do Sul.
O ex-procurador-geral foi a mais alta autoridade judiciária morta depois da guerra, acrescentou Cuellar, observando que "isto é um reflexo de que não houve reconciliação nacional e que reina a impunidade".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 14 de outubro de 2007
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