Se a temperatura da Terra aumentar por causa do aquecimento da atmosfera, a maior parte da Floresta Amazônica está condenada a desaparecer, prevê o ecologista americano Daniel Nepstad, um dos maiores especialistas na região.
Em entrevista ao jornal argentino La Nación, Nepstad adverte para o risco de secas e grandes incêndios florestais na Amazônia.
Durante a seca de 2005, que atingiu o Oeste da região, no Brasil, Equador e Peru, 2,5 mil quilômetros de floresta foram incendiados.
Leia a íntegra da entrevista na edição online de La Nación.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Daniel Nepstad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Daniel Nepstad. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 23 de março de 2006
Adeus Amazônia?
Mais de 40% da maior floresta tropical do planeta e a metade da Floresta Amazônica brasileira podem desaparecer até 2050, se for mantido o ritmo atual de ocupação do solo. Não basta a criação pelo governo de áreas de preservação ambiental porque, na maioria dos casos, a lei não é cumprida.
A conclusão é de um estudo de Britaldo Silveira Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, e Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e do Centro de Pesquisas Woode Hole, nos Estados Unidos. Está sendo publicada hoje na mais prestigiada revista de divulgação científica, a britânica Nature.
Nas simulações feitas com um novo modelo computacional, se foram mantidas as atuais políticas públicas e atividades privadas, a floresta brasileira sofrerá uma redução drástica, de 5,4 milhões para 3,2 milhões de quilômetros quadrados. As causas são a expansão da fronteira agrícola, da exploração de madeira e da extração mineral.
O impacto ambiental de tremenda perda seria catastrófico, sobretudo para o aquecimento da Terra. A quantidade de mata perdida equivaleria a 32 milhões de toneladas de carbono ou quatro anos de emissões do mundo inteiro.
A alternativa é o que a pesquisa chama de “governança”. Ainda existe grande discussão em torno do conceito, que pode incluir certa ingerência internacional em nome da preservação de um “patrimônio da humanidade”.
Para Nepstad, é apenas a aplicação de políticas públicas, com respeito da reserva legal pelos agricultores, construção e pavimentação de novas rodovias com critérios ecológicos, e criação de novas unidades de conservação.
“Simplesmente implentando a lei ambiental seria possível evitar o desmatamento de 1 milhão de km2”, afirma Nepstad em entrevista à Folha de S. Paulo. “Todo o Protocolo de Quioto”, que visa a reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa, “prevê a redução de duas toneladas. Cumprindo a lei ambiental, evita a emissão de 17 bilhões. É uma oportunidade gigantesca para o Brasil”.
O pais poderia usar os serviços ambientais que sua natureza prodigiosa presta como instrumento de barganha em negociações internacionais. Mas para muita gente dentro do governo e na própria Amazônia, a floresta ainda é vista como símbolo de atraso e de subdesenvolvimento.
Se a sociedade internacional financiar a aplicação de políticas públicas em nome da governança global, certamente haverá ingerência. Isto provocará uma reação nacionalista, uma aliança de setores temerosos da internacionalização da Amazônia, hoje a maior ameaça ao pais na opinião da ala mais nacionalista das Forças Armadas, e das elites locais que se beneficiam com a ocupação da terra, a mineração e a exploração de madeira.
Em outro estudo, divulgado há quatro anos na revista Science, Nepstad alertava para o risco da queda da umidade relativa do ar na Amazônia. Como a camada fértil do solo é pequena, a floresta se auto-alimenta e se auto-regenera. Se a queda na umidade relativa do ar secar o mato baixo que cresce entre as árvores mais altas e frondosas, há sério risco de grandes queimadas.
Todo o ecossistema seria afetado.
A idéia aqui é que não basta preservar bolsões da Floresta Amazônica. Ela não manteria os níveis de precipitação e umidade relativa, tornando-se impossível preservá-la com sua exuberância atual.
Assinar:
Postagens (Atom)