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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Pesquisadores descobrem como se formam os neurônios

Um mecanismo importante na formação das células nervosas durante a transformação do embrião em feto foi descoberta por uma equipe de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, de Portugal, liderada por Diogo Castro, em colaboração com o Instituto Científico Raffaele, da Itália, e do Instituto Karolinska, da Suécia.

A pesquisa revela como a ativação dos genes que transformam as células-tronco embrionárias em neurônios é coordenada com a supressão dos gens que mantêm o estado indiferenciado das células-mães - as células estaminais neuronais.

No embrião, as células estaminais dão origem aos diferentes tipos de células especializadas. O que determina a especialização é um conjunto de genes que está ativo em cada tipo de célula.

Ainda se sabe pouco sobre como se chega ao estado final da diferenciação. Entender este mecanismo é o objetivo do estudo. Os cientistas examinam o papel de moléculas reguladoras como fatores de transcrição na formação dos neurônios.

"Estas moléculas funcionam como maestros de uma orquestra, controlando a identidade das células ao indicar que gens estarão ativos em cada momento do desenvolvimento embrionário", explicou Francisca Vasconcelos, principal autora do relatório final da pesquisa.

Ao análisar os cérebros de embriões de ratos e de culturas de células estaminais neuronais, a equipe do IGC descobriu que o fator de transcrição MyT1 promove a formação de neurônios. A surpresa foi que o MyT1 desativa os gens que mantém o estado indiferenciado das células estaminais

O resultado do estudo será divulgado nesta semana na revista Cell Reports. É um passo importante para entender como o cérebro e o sistema nervoso se desenvolvem, abrindo novos caminhos para terapias regenerativas.

As células nervosas não se regeneram. Por isso, quem sofre acidentes ou nasce com problemas sofre com lesões permanentes. As terapias de células-tronco embrionárias são a grande esperança de que se possa criar um regenerar neurônios.

"Alterações na identidade da célula requerem não só a aquisição de novas características e funções, mas também a supressão daquelas que caracterizavam o estado imaturo inicial", declarou o coordenador da pesquisa, Diogo Castro. "Nós descobrimos que MyT1 interliga os dois eventos, revelando como esses processos são sincronizados de modo a que ocorram de forma ordenada."

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Estudo do GPS do cérebro dá Nobel de Medicina a três cientistas

A descoberta das células nervosas que formam o mecanismo de orientação espacial do cérebro rendeu hoje o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia ao britânico-americano John O'Keefe e ao casal norueguês Edvard Moser e May Britt Moser, anunciou em Estocolmo, na Suécia, o Instituto Karolinska.

Seus estudos, acrescentou a Assembleia do Nobel, ajudaram a explicar como o cérebro cria "um mapa do espaço ao redor e como conseguimos encontrar o caminho em ambientes complexos", como funciona o GPS interno do cérebro.

"A grande surpresa foi que o hipocampo é um sistema espacial", lembrou O'Keefe, professor do University College de Londres em entrevista na manhã de hoje na capital britânica, ao recordar o trabalho que lhe valeu o prêmio. Seus estudos pioneiros, de 1971, inspiraram o casal Moser, da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega.

Em 2005, quando faziam experiências com cobaias, Edvard e May-Britt Moser observaram que os neurônios de uma parte do córtex cerebral era ativada quando os animais passavam em determinados locais. Essas células criavam uma mapa espacial que permite à cobaia se orientar no ambiente ao redor.

"Antes da descoberta das células de localização, não tínhamos qualquer noção sobre como o cérebro constroi mapas e computa esta informação a nível celular", declarou Juleen Zierath, professora de fisiologia clínica do Instituto Karolinska e presidente da Assembleia do Nobel.

A descoberta ajudou a explicar problemas decorrentes de certas doenças. Pacientes com o mal de Alzheimer se perdem com frequência e não conseguem reconhecer onde estão.

O prêmio de US$ 1,1 milhão será dividido: metade para O'Keefe, metade para o casal.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Células-tronco revertem lesão cerebral congênita

Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém conseguiram reverter defeitos genéticos congênitos e ambientais em cobaias, substituindo as células cerebrais defeituosas por células-tronco.

O trabalho da equipe chefiada pelo prof. Joseph Yanai no Hospital Universitário Hadassah foi apresentado na Conferência de Telavive sobre Células-Tronco, no início do ano. Deve ser reapresentado e publicado na 7ª Conferência Anual da Sociedade Internacional sobre Pesquisas com Células-Tronco, a ser realizada em Barcelona em 2009.

Além de Yanai, o prof. Tamir Ben-Hur, diretor do Departamento de Neurologia da Universidade Hebraica e o prof. Ted Slotkin, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, lideram as pesquisas. Eles observam que os defeitos dos bebês são mais difíceis de rastrear por causa das muitas substâncias teratogênicas, capazes de causar anormalidades.

Na experiência, os pesquisadores conseguiram resolver esse problema usando células-tronco embrionárias nervosas. Elas migraram dentro do cérebro em busca da deficiência e se diferenciaram nas células nervosas (neurônios) necessárias para reparar o mal.

As células-tronco embrionárias se transformam para criar todas as células do corpo. Neste caso, Yanai e sua equipe foram capazes de evitar os danos em cobaias expostas a organofosforados (agrotóxicos) e heroína. Para isso, células-tronco foram transplantadas para o cérebro das cobaias recém-nascidas. A recuperação foi de quase 100%.

Como a terapia com células-tronco funcionou mesmo quando a maioria das células implantadas morreram, os cientistas descobriram que, antes de morrer, as células-tronco induzem o cérebro a produzir as células-tronco necessárias para reparar o dano.

Essa descoberta, considerada um grande avanço nas pesquisas com células-tronco, foi relatada numa das principais revistas da especialidade, Molecular Psychiatry.