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domingo, 9 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Agosto

GUERRA CIVIL ROMANA

    Em 48 antes de Cristo, o exército de Caio Júlio César derrota Cneu Pompeu, que tem o apoio da maioria do Senado, na Batalha de Farsalos, na região da Tessália, na Grécia.

Os dois fazem parte do primeiro triunvirato da República Romana, ao lado do milionário Marco Licínio Crasso, o homem mais rico da história da Roma. Quando Crasso morre numa guerra contra o Império Parta, em 53 AC, a aliança se dissolve.

Vitorioso nas Guerras da Gália, César desafia o Senado, cruza o Rubicão e enfrenta Pompeu. A Batalha de Farsalos é decisiva na Segunda Guerra Civil Romana (49-45 AC).

Na versão de César, suas forças perdem 30 centuriões, 200 legionários e um total de 1.200 homens, enquanto no exército de Pompeu morrem mais de 15 mil soldados. Entre 23 e 24 mil se rendem no dia seguinte.

Pompeu foge para o Egito onde é morto pelo faraó Ptolomeu XIII, que manda sua cabeça para César, talvez com o interesse de forjar uma aliança. César fica indignado com o tratamento dado a um general romano.

Em certo sentido, a Batalha de Farsalos marca o fim da República e o início do Império Romano. César se torna um ditador e é assassinado em março de 44 AC. Cai morto no Senado aos pés da estátua de Pompeu.

Sua morte deflagra uma nova guerra civil. Surge o Segundo Triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Vencidos os assassinos de César, Otávio e Marco Antônio entram em guerra. Vencedor depois da Batalha de Ácio, em 31 AC, Otávio César Augusto é proclamado imperador em 16 de janeiro de 27 AC.

VIDA NOS BOSQUES 

    Em 1854, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, um pioneiro da ecologia, publica um clássico da literatura norte-americana, Walden: a Vida nos Bosques, que vende 300 cópias num ano.


 
É um relato em primeira pessoa de sua vida à beira do Lago Walden, em Massachusetts, durante dois anos e dois meses, a partir de 1845. Explora suas visões da natureza, políticas e filosóficas.

Thoreau é contra a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA conquistam mais de um terço do território do México, e se nega a pagar impostos para evitar que seu dinheiro financie a guerra. É o pioneiro da desobediência civil e da resistência pacífica como formas de luta política.

Além de ser um pioneiro da luta pela preservação da natureza, suas ideias influenciam o escritor russo Leon Tolstói, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

QUARTA MEDALHA DE OURO

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens conquista sua quarta medalha de ouro na Olimpíada de Berlim, desta vez no revezamento 4x100, com novo recorde mundial (39,8 segundos) para a equipe dos Estados Unidos, demolindo o mito da superioridade da raça branca e ariana defendido pelo regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler.

Owens nasce no Alabama em 1913. No ensino médio, desponta como talento para o atletismo. Na Universidade Estadual de Ohio, em 25 de maio de 1935, bate os recordes mundiais dos 200 metros rasos, 200 metros com barreiras e salto em distância, e iguala o das 100 jardas.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) dá à Alemanha em 1931 a organização da Olimpíada de 1936, com sede em Berlim. Em 1933, os nazistas chegam ao poder e Hitler decide fazer dos Jogos Olímpicos um espetáculo da superioridade branca.

Owens e outros 311 atletas norte-americanos, inclusive 17 negros, representam os EUA e ajudam a derrubar a tese nazista da superioridade racial ariana (branca) e da Alemanha. 

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americano Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Na volta para casa, os negros norte-americanos continuam sendo discriminados por um regime de segregação racial.

BOMBA DE NAGASÁKI

     Em 1945, os Estados Unidos explodem a segunda bomba atômica, desta vez na cidade de Nagasáki, no Japão, matam pelo menos 40 mil pessoas na hora e outras 30 mil morrem até o fim do ano. O ataque leva à rendição incondicional do país e ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Naquela manhã de 9 de agosto, a União Soviética invade a Manchúria e a Ilha Sakalina, que estão sob controle do Japão. Stalin declara guerra ao Japão depois da bomba de Hiroxima.

Às 3h47, um bombardeiro B-29 decola de Tinian, nas Ilhas Marianas. A carga é Homem Gordo, uma bomba atômica de plutônio, semelhante à testada em 16 de julho em Alamogordo, no Novo México, mais poderosa do que a bomba de urânio jogada em Hiroxima.

O alvo é Kokura, onde o B-29 chega às 9h45, mas nuvens grossas e neblina cobrem a cidade, talvez com a ajuda do fogo de um ataque com bombas incendiárias a Yahata no dia anterior. Depois de sobrevoar Kokura três vezes, com o combustível perto do fim, sem conseguir ver o alvo, o grande arsenal da cidade, o major-aviador Charles Sweeney, decide ir para a segunda opção: Nagasáki.

Não é o alvo ideal. Hiroxima é uma cidade plana, onde a onda de choque se expande sem resistência. Nagasáki é uma cidade montanhosa dividida em dois vales com uma cadeia de colinas no meio. A capacidade de destruição da bomba é menor. O alvo é uma fábrica de armas da Mitsubishi.

Pouco antes das 11h, o B-29 chega a Nagasáki, que também está coberta de nuvens. Com pouco combustível, o piloto avisa à tripulação que só pode passar sobre a cidade uma vez. Diante de uma abertura entre as nuvens muito ao norte do alvo pretendido, o capitão Kermit Beahan dispara a bomba às 11h02.

Homem Gordo cai e explode a 500 metros do solo com a força equivalente a 21 mil toneladas de dinamite (21 quilotons). Cerca de 40% dos prédios de Nagasáki são arrasados, mas a área da sede do governo e a zona industrial do Sudeste da cidade sofrem poucos danos. Essa área é poupada por causa do relevo acidentado da cidade, em contraste com Hiroxima, que é uma cidade plana.

O bombardeiro sente as ondas de choque da bomba, mas consegue pousar com segurança na ilha de Okinawa, conquistada dois meses antes pelos EUA numa das batalhas mais sangrentas da guerra no Oceano Pacífico, com mais de 200 mil mortes.

As duríssimas batalhas de Iwo Jima e Okinawa levam o presidente Harry Truman a usar a bomba atômica porque o custo em vidas de uma invasão das quatro grandes ilhas do arquipélago japonês é estimado em um milhão de homens.

O Japão anuncia a rendição em 15 de agosto e se rende formalmente em 2 de setembro. Recupera sua independência política em 1952 sob uma Constituição pacifista imposta pelos EUA que impede o Japão de enviar forças militares ao exterior. Até hoje, há bases militares dos EUA no país, a maioria em Okinawa.

CULTO MACABRO NA CALIFÓRNIA

    Em 1969, membros de um culto macabro liderado por Charles Manson matam cinco pessoas na casa do cineasta Roman Polanski em Beverly Hills, na Califórnia, inclusive a atriz Sharon Tate, mulher de Polanski, que está grávida.

Dois dias depois, o grupo mata um diretor de supermercado e sua mulher na casa das vítimas. Os crimes bárbaros chocam os Estados Unidos e tornam Manson um dos criminosos mais odiados do país.

Manson nasce em Cincinnati, no estado de Ohio, em 1934, filho de mãe solteira. Passa grande parte da infância e da adolescência em reformatórios e o início da idade adulta na prisão. Quando é solto, em 1967, vai para a Califórnia, atrai uma turma de hippies e forma uma comuna onde orgias de sexo e drogas são frequentes. 

O guru cria seu próprio culto e chama o grupo de Família. Músico frustrado, Manson ataca a casa de Polanski porque lá morava um produtor musical que rejeitara seu trabalho. Manson não vai à casa do cineasta e não participa nem desses assassinatos nem nos do gerente de supermercado e esposa. É condenado como autor intelectual dos homicídios.

A polícia só desvenda o crime depois que um membro do culto é preso e conta vantagem na cadeia. Em 1971, Manson pega pena de morte, revogada para prisão perpétua em 1972, quando a Suprema Corte da Califórnia acaba com a pena de morte.

PRESIDENTE NÃO ELEITO

    Em 1974, Richard Nixon renuncia oficialmente, sob ameaça da impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e Gerald Ford se torna o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos Estados Unidos. 

Como presidente da Câmara, Ford vira vice-presidente meses antes, quando Spiro Agnew, eleito na chapa de Nixon, renuncia, em 10 de outubro de 1973 em meio a um escândalo de corrupção sem relação com Watergate. Fora denunciado por conspiração para cometer crimes, suborno, extorsão e fraude fiscal. Recebia propina desde quando era governador de Maryland e continuava como vice-presidente.

Nixon é o primeiro e único presidente dos EUA a renunciar, por causa do Escândalo de Watergate. Deixa a Casa Branca no dia da posse de Ford. Depois da posse, o novo presidente faz um pronunciamento na televisão: "Meus compatriotas americanos, nosso longo pesadelo nacional acabou."

Um mês depois, em 9 de setembro, Ford concede perdão total e incondicional a Nixon por quaisquer crimes cometidos enquanto presidente dos EUA.

JERRY GARCIA SE VAI

    Em 1995, Jerome John Garcia, mais conhecido como Jerry Garcia ou Capitão Barato, vocalista, guitarrista, compositor, letrista e líder da banda de rock californiana Grateful Dead, morre do coração dormindo aos 53 anos numa clínica para reabilitação de drogados em Forest Knolls, na Califórnia.

Ícone do rock ácido de São Francisco, Garcia cria a banda na comunidade hippie de Haight-Ashbury em plena era do amor e das flores no cabelo. O Grateful Dead forma uma legião de seguidores fanáticos, os dead heads, que afirmam que "não há nada como um concerto do Grateful Dead." 

Durante anos, é a banda que mais fatura nas turnês de verão nos EUA. Nos fins de ano, dá concertos grátis de 24 a 31 de dezembro em São Francisco. Vi um show espetacular de quatro horas em Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles.

Mas a vida louca cobra seu preço. Jerry Garcia, o Capitão Barato, o homem de mil viagens de ácido, tem problemas com o vício em heroína, No último show que eu vi, em 1982, muitos anos antes da morte, estava mal. Não queria estar ali.

                                              

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sábado, 1 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Agosto

REI DA FRANÇA ESFAQUEADO

    Em 1589, o rei Henrique III da França é esfaqueado pelo frei dominicano fanático Jacques Clément e morre no dia seguinte, depois de indicar Henrique de Navarra, o futuro Henrique IV, da Dinastia dos Bourbon, um protestante huguenote, como sucessor.

Quarto filho do rei Henrique II e da rainha Catarina de Medici, Alexandre Édouard nasce em 19 de setembro de 1551 no Palácio de Fontainebleau. No reinado do irmão Carlos IX, ele comanda o Exército Real da França na guerra contra os protestantes e vence as batalhas de Jarnac e Moncontour.

Quando ainda é o Duque de Anjou, ajuda a planejar o Massacre dos Huguenotes na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando cerca de 3 mil protestantes são mortos. A matança se espalha pela França. O total de mortos é estimado entre 10 e 30 mil.

Aos 21 anos, em 1573, é eleito rei da Polônia e grão-duque da Lituânia. Seu governo da Comunidade Polaco-Lituana vai até 1575. Em 1574, ele se torna rei da França como Henrique III. Seu reinado é marcado por quatro guerras religiosas. Ele enfrenta partidos políticos e religiosos apoiados por potências estrangeiros.

Henrique III se prepara para retomar Paris quando é esfaqueado. O assassino é morto na hora pela guarda real.  

HITLER ABRE OLIMPÍADA DE BERLIM

    Em 1936, diante de 100 mil espectadores e 5 mil atletas de 51 países, o ditador nazista Adolf Hitler participa da abertura da Olimpíada de Berlim.


 Ao entrar no Estádio Olímpico, Hitler é saudado pelo Hino da Alemanha Nazista, Deutschland über alles (Alemanha acima de tudo), lema copiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao acender a pira olímpica, a tocha, fabricada pela companhia metalúrgica Krupp, que produz armas para o regime nazista, Hitler dá início à olimpíada que consagraria a superioridade da raça ariana (branca) e da Alemanha. Mas o racismo perde.

O negro norte-americano Jesse Owens demole o mito da supremacia branca ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo. 

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-norte-americano Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Atletas negros ganham 14 das 56 medalhas dos Estados Unidos, mas isso não evita que sejam discriminados pelo sistema segregação racial vigente no país naquela época ao voltar para casa.

LANCHA DE KENNEDY TORPEDEADA

    Em 1943, um contratorpedeiro japonês atinge a lancha torpedeira PT-109, dos Estados Unidos, partindo-a ao meio. Dois marinheiros morrem e 11 sobrevivem, entre eles o futuro presidente John Kennedy.

Depois de cinco horas no mar, os sobreviventes chegam a uma ilha de coral. Kennedy volta a entrar no mar nadando para ver se consegue avisar navios ou aviões norte-americanos. As fortes correntes e um problema crônico nas costas dificultam seu retorno.

Mais tarde, os sobreviventes nadam até uma ilha próxima, acreditando ser Nauru, e mandam uma mensagem numa casca de coco. Kennedy é condecorado pela Marinha dos EUA.

O filme O Herói da PT-109 é lançado em 1963, ano do assassinato de JFK.

ATAQUE AO POSTO DE GASOLINA DE HITLER

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), 117 aviões bombardeiros B-24 decolam de uma base aérea aliada na Líbia para atacar os poços de petróleo e as refinarias de Ploiesti, na Romênia, conhecidos como o posto de gasolina de Hitler.


A Operação Maremoto fracassa ao não dar um golpe fatal nas instalações, que processam 8,5 milhões de toneladas de petróleo bruto por ano.

Os bombardeiros voam a baixa altitude para escapar dos radares alemães e o ataque deixa de ser uma surpresa quando um esquadrão aéreo se perde e precisa de orientação por rádio-comunicação para retomar a rota. O ataque acaba vindo do sul, onde a Alemanha concentra suas baterias antiaéreas.

A ação é caótica, trágica e custosa, com grandes perdas para os aliados: 310 aviadores mortos, 108 capturados e 78 detidos na Turquia. Os aliados alegam ter destruído 40% da capacidade produtiva do campo, mas os danos são logo reparados. Meses depois, as refinarias superam a produção anterior.

O posto de gasolina de Hitler continua funcionando até ser capturado pelo Exército Vermelho, da União Soviética, em agosto de 1944.

 TENSÃO RACIAL EXPLODE NO HARLEM

   Em 1943, a tensão racial e a frustração econômica explodem em Nova York no Distúrbio Racial de 1943 no Harlem, o principal bairro negro da cidade.

Em meio a uma discussão acalorada no saguão do Hotel Braddock, um policial branco dá um tiro no soldado negro Robert Bandy, deflagrando uma explosão de violência.

O Harlem é predominantemente branco até a Grande Migração, a fuga de mais de 6 milhões de negros do Sul para o Norte dos Estados Unidos de 1916 a 1970 por causa da segregação racial e da falta de oportunidades, num reflexo tardio da Guerra da Secessão (1861-65) e da discriminação que se segue desde a Reconstrução.

Quando os EUA entram na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1941, 89% dos moradores do Harlem são negros. Além do recrutamento militar obrigatório, a comunidade negra norte-americana enfrenta as dificuldades econômicas causadas pela guerra.

Na noite daquele 1º de agosto, Marjorie Polite, uma mulher negra, decide reclamar do quarto no Hotel Braddock, que está em decadência. Insatisfeita, pede a devolução do dinheiro.

A discussão leva o policial branco James Collins a dar voz de prisão a Marjorie por "perturbação da ordem pública". 

Em meio à confusão, Bandy chega ao hotel para jantar com a mãe, que está hospedada lá. Ele tenta impedir o policial de bater em Marjorie com o cassetete, é baleado e tratado num hospital com ferimentos leves.

O boato de que Bandy fora morto deflagra uma onda de saques contra empresas de propriedade de brancos, a tal ponto que empresários negros botam placas avisando que seus negócios são de propriedade de negros.

Seis negros morrem e 500 saem feridos quando a Polícia de Nova York e o Exército, convocado pelo prefeito Fiorello La Guardia, ocupam o Harlem. 

No poema Beaumount a Detroit: 1943, o poeta Langston Hughes fala da ironia perversa de que os negros norte-americanos lutem na Segunda Guerra Mundial (1939-45) por um país que não os reconhece: "Faço esta pergunta/porque quero saber/quanto tempo terei de lutar/tanto contra Adolf Hitler quanto contra Jim Crow".

Jim Crow é um nome dado com frequência a negros norte-americanos estereotipados, imortalizado como um personagem do compositor Thomas Rice, que pintava o rosto de preto e ridiculariza os negros ao tratá-los como indolentes, preguiçosos, idiotas e infantis. Dá nome a leis segregacionistas aprovadas no Sul dos EUA depois da Guerra de Secessão (1861-65) e da Abolição da Escravatura.

ANNE FRANK ESCREVE PELA ÚLTIMA VEZ

    Em 1944, Anne Frank, a adolescente judia alemã escondida numa casa em Amsterdã, na Holanda, durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45) escreve pela última vez em seu diário, que se torna um símbolo da inocência perdida, roubada pelo terror do Holocausto.

Anne Frank nasce em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de junho de 1929, ganha o diário no aniversário de 13 anos e escreve nele regularmente durante dois anos, descrevendo a vida cotidiana no esconderijo, um anexo de três andares acima do armazém de seu pai na Prinsengracht 263, em Amsterdã. 

Havia mais sete pessoas: seus pais, Otto e Edith; o sócio de seu pai, Herman van Pels, sua mulher, Auguste, e o filho Peter; e o dentista Fritz Pfeffer.

Três dias depois do último escrito, ela e a família são presas pelos alemães. Os pais vão para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde o pai sobrevive.

Ela e a irmã, Margot Frank, são enviadas para Bergen Belsen, em Hanôver, na Alemanha, onde morrem numa epidemia de tifo em em fevereiro ou março de 1945.

Desde 1960, o museu Casa de Anne Frank é uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, visitada por 1,2 milhão de pessoas em média por ano. A revista Time a considera uma das pessoas mais importantes do século 20.

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sábado, 9 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Agosto

GUERRA CIVIL ROMANA

    Em 48 antes de Cristo, o exército de Caio Júlio César derrota Cneu Pompeu, que tem o apoio da maioria do Senado, na Batalha de Farsalos, na região da Tessália, na Grécia.

Os dois fazem parte do primeiro triunvirato da República Romana, ao lado do milionário Marco Licínio Crasso, o homem mais rico da história da Roma. Quando Crasso morre numa guerra contra o Império Parta, em 53 AC, a aliança se dissolve.

Vitorioso nas Guerras da Gália, César desafia o Senado, cruza o Rubicão e enfrenta Pompeu. A Batalha de Farsalos é decisiva na Segunda Guerra Civil Romana (49-45 AC).

Na versão de César, suas forças perdem 30 centuriões, 200 legionários e um total de 1.200 homens, enquanto no exército de Pompeu morrem mais de 15 mil soldados. Entre 23 e 24 mil se rendem no dia seguinte.

Pompeu foge para o Egito onde é morto pelo faraó Ptolomeu XIII, que manda sua cabeça para César, talvez com o interesse de forjar uma aliança. César fica indignado com o tratamento dado a um general romano.

Em certo sentido, a Batalha de Farsalos marca o fim da República e o início do Império Romano. César se torna um ditador e é assassinado em março de 44 AC. Cai morto no Senado aos pés da estátua de Pompeu.

Sua morte deflagra uma nova guerra civil. Surge o Segundo Triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Vencidos os assassinos de César, Otávio e Marco Antônio entram em guerra. Vencedor depois da Batalha de Ácio, em 31 AC, Otávio César Augusto é proclamado imperador em 16 de janeiro de 27 AC.

VIDA NOS BOSQUES 

    Em 1854, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, um pioneiro da ecologia, publica um clássico da literatura norte-americana, Walden: a Vida nos Bosques, que vende 300 cópias num ano.


 
É um relato em primeira pessoa de sua vida à beira do Lago Walden, em Massachusetts, durante dois anos e dois meses, a partir de 1845. Explora suas visões da natureza, políticas e filosóficas.

Thoreau é contra a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA conquistam mais de um terço do território do México, e se nega a pagar impostos para evitar que seu dinheiro financie a guerra. É o pioneiro da desobediência civil e da resistência pacífica como formas de luta política.

Além de ser um pioneiro da luta pela preservação da natureza, suas ideias influenciam o escritor russo Leon Tolstói, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

QUARTA MEDALHA DE OURO

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens conquista sua quarta medalha de ouro na Olimpíada de Berlim, desta vez no revezamento 4x100, com novo recorde mundial (39,8 segundos) para a equipe dos Estados Unidos, demolindo o mito da superioridade da raça branca e ariana defendido pelo regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler.

Owens nasce no Alabama em 1913. No ensino médio, desponta como talento para o atletismo. Na Universidade Estadual de Ohio, em 25 de maio de 1935, bate os recordes mundiais dos 200 metros rasos, 200 metros com barreiras e salto em distância, e iguala o das 100 jardas.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) dá à Alemanha em 1931 a organização da Olimpíada de 1936, com sede em Berlim. Em 1933, os nazistas chegam ao poder e Hitler decide fazer dos Jogos Olímpicos um espetáculo da superioridade branca.

Owens e outros 311 atletas norte-americanos, inclusive 17 negros, representam os EUA e ajudam a derrubar a tese nazista da superioridade racial ariana (branca) e da Alemanha. 

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americana Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Na volta para casa, os negros norte-americanos continuam sendo discriminados por um regime de segregação racial.

BOMBA DE NAGASÁKI

     Em 1945, os Estados Unidos explodem a segunda bomba atômica, desta vez na cidade de Nagasáki, no Japão, matam pelo menos 40 mil pessoas na hora e outras 30 mil morrem até o fim do ano. O ataque leva à rendição incondicional do país e ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Naquela manhã de 9 de agosto, a União Soviética invade a Manchúria e a Ilha Sakalina, que estão sob controle do Japão. Stalin declara guerra ao Japão depois da bomba de Hiroxima.

Às 3h47, um bombardeiro B-29 decola de Tinian, nas Ilhas Marianas. A carga é Homem Gordo, uma bomba atômica de plutônio, semelhante à testada em 16 de julho em Alamogordo, no Novo México, mais poderosa do que a bomba de urânio jogada em Hiroxima.

O alvo é Kokura, onde o B-29 chega às 9h45, mas nuvens grossas e neblina cobrem a cidade, talvez com a ajuda do fogo de um ataque com bombas incendiárias a Yahata no dia anterior. Depois de sobrevoar Kokura três vezes, com o combustível perto do fim, sem conseguir ver o alvo, o grande arsenal da cidade, o major-aviador Charles Sweeney, decide ir para a segunda opção: Nagasáki.

Não é o alvo ideal. Hiroxima é uma cidade plana, onde a onda de choque se expandiu sem resistência. Nagasáki é uma cidade montanhosa dividida em dois vales com uma cadeia de colinas no meio. A capacidade de destruição da bomba é menor. O alvo é uma fábrica de armas da Mitsubishi.

Pouco antes das 11h, o B-29 chega a Nagasáki, que também está coberta de nuvens. Com pouco combustível, o piloto avisa à tripulação que só pode passar sobre a cidade uma vez. Diante de uma abertura entre as nuvens muito ao norte do alvo pretendido, o capitão Kermit Beahan dispara a bomba às 11h02.

Homem Gordo cai e explode a 500 metros do solo com a força equivalente a 21 mil toneladas de dinamite (21 quilotons). Cerca de 40% dos prédios de Nagasáki são arrasados, mas a área da sede do governo e a zona industrial do Sudeste da cidade sofrem poucos danos. Essa área é poupada por causa do relevo acidentado da cidade, em contraste com Hiroxima, que é uma cidade plana.

O bombardeiro sente as ondas de choque da bomba, mas consegue pousar com segurança na ilha de Okinawa, conquistada dois meses antes pelos EUA numa das batalhas mais sangrentas da guerra no Oceano Pacífico, com mais de 200 mil mortes.

As duríssimas batalhas de Iwo Jima e Okinawa levam o presidente Harry Truman a usar a bomba atômica porque o custo em vidas de uma invasão das quatro grandes ilhas do arquipélago japonês é estimado em um milhão de homens.

O Japão anuncia a rendição em 15 de agosto e se rende formalmente em 2 de setembro. Recupera sua independência política em 1952 sob uma Constituição pacifista imposta pelos EUA que impede o Japão de enviar forças militares ao exterior. Até hoje, há bases militares dos EUA no país, a maioria em Okinawa.

CULTO MACABRO NA CALIFÓRNIA

    Em 1969, membros de um culto macabro liderado por Charles Manson matam cinco pessoas na casa do cineasta Roman Polanski em Beverly Hills, na Califórnia, inclusive a atriz Sharon Tate, mulher de Polanski, que está grávida.

Dois dias depois, o grupo mata um diretor de supermercado e sua mulher na casa das vítimas. Os crimes bárbaros chocam os Estados Unidos e tornam Manson um dos criminosos mais odiados do país.

Manson nasce em Cincinnati, no estado de Ohio, em 1934, filho de mãe solteira. Passa grande parte da infância e da adolescência em reformatórios e o início da idade adulta na prisão. Quando é solto, em 1967, vai para a Califórnia, atrai uma turma de hippies e forma uma comuna onde orgias de sexo e drogas são frequentes. 

O guru cria seu próprio culto e chama o grupo de Família. Músico frustrado, Manson ataca a casa de Polanski porque lá morava um produtor musical que rejeitara seu trabalho. Manson não vai à casa do cineasta e não participa nem desses assassinatos nem nos do gerente de supermercado e esposa. É condenado como autor intelectual dos homicídios.

A polícia só desvenda o crime depois que um membro do culto é preso e conta vantagem na cadeia. Em 1971, Manson pega pena de morte, revogada para prisão perpétua em 1972, quando a Suprema Corte da Califórnia acaba com a pena de morte.

PRESIDENTE NÃO ELEITO

    Em 1974, Richard Nixon renuncia oficialmente, sob ameaça da impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e Gerald Ford se torna o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos Estados Unidos. 

Como presidente da Câmara, Ford vira vice-presidente meses antes, quando Spiro Agnew, eleito na chapa de Nixon, renuncia, em 10 de outubro de 1973 em meio a um escândalo de corrupção sem relação com Watergate. Fora denunciado por conspiração para cometer crimes, suborno, extorsão e fraude fiscal. Recebia propina desde quando era governador de Maryland e continuava como vice-presidente.

Nixon é o primeiro e único presidente dos EUA a renunciar, por causa do Escândalo de Watergate. Deixa a Casa Branca no dia da posse de Ford. Depois da posse, o novo presidente faz um pronunciamento na televisão: "Meus compatriotas americanos, nosso longo pesadelo nacional acabou."

Um mês depois, em 9 de setembro, Ford concede perdão total e incondicional a Nixon por quaisquer crimes cometidos enquanto presidente dos EUA.

JERRY GARCIA SE VAI

    Em 1995, Jerome John Garcia, mais conhecido como Jerry Garcia ou Capitão Barato, vocalista, guitarrista, compositor, letrista e líder da banda de rock californiana Grateful Dead, morre do coração dormindo aos 53 anos numa clínica para reabilitação de drogados em Forest Knolls, na Califórnia.

Ícone do rock ácido de São Francisco, Garcia cria a banda na comunidade hippie de Haight-Ashbury em plena era do amor e das flores no cabelo. O Grateful Dead forma uma legião de seguidores fanáticos, os dead heads, que afirmam que "não há nada como um concerto do Grateful Dead." 

Durante anos, é a banda que mais fatura nas turnês de verão nos EUA. Nos fins de ano, dá concertos grátis de 24 a 31 de dezembro em São Francisco. Vi um show espetacular de quatro horas em Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles.

Mas a vida louca cobra seu preço. Jerry Garcia, o Capitão Barato, o homem de mil viagens de ácido, tem problemas com o vício em heroína, No último show que eu vi, em 1982, muitos anos antes da morte, estava mal. Não queria estar ali.

                                             

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Agosto

 REI DA FRANÇA ESFAQUEADO

    Em 1589, o rei Henrique III da França é esfaqueado pelo frei dominicano fanático Jacques Clément e morre no dia seguinte, depois de indicar Henrique de Navarra, o futuro Henrique IV, da Dinastia dos Bourbon, um protestante huguenote, como sucessor.

Quarto filho do rei Henrique II e da rainha Catarina de Medici, Alexandre Édouard nasce em 19 de setembro de 1551 no Palácio de Fontainebleau. No reinado do irmão Carlos IX, ele comanda o Exército Real da França na guerra contra os protestantes e vence as batalhas de Jarnac e Moncontour.

Quando ainda é o Duque de Anjou, ajuda a planejar o Massacre dos Huguenotes na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando cerca de 3 mil protestantes são mortos. A matança se espalha pela França. O total de mortos é estimado entre 10 e 30 mil.

Aos 21 anos, em 1573, é eleito rei da Polônia e grão-duque da Lituânia. Seu governo da Comunidade Polaco-Lituana vai até 1575. Em 1574, ele se torna rei da França como Henrique III. Seu reinado é marcado por quatro guerras religiosas. Ele enfrenta partidos políticos e religiosos apoiados por potências estrangeiros.

Henrique III se prepara para retomar Paris quando é esfaqueado. O assassino é morto na hora pela guarda real.  

HITLER ABRE OLIMPÍADA DE BERLIM

    Em 1936, diante de 100 mil espectadores e 5 mil atletas de 51 países, o ditador nazista Adolf Hitler participa da abertura da Olimpíada de Berlim.


 Ao entrar no Estádio Olímpico, Hitler é saudado pelo Hino da Alemanha Nazista, Deutschland über alles (Alemanha acima de tudo), lema copiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao acender a pira olímpica, a tocha, fabricada pela companhia metalúrgica Krupp, que produz armas para o regime nazista, Hitler dá início à olimpíada que consagraria a superioridade da raça ariana (branca) e da Alemanha. Mas o racismo perde.

O negro norte-americano Jesse Owens demole o mito da supremacia branca ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo. 

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-norte-americano Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Atletas negros ganham 14 das 56 medalhas dos Estados Unidos, mas isso não evita que sejam discriminados pelo sistema segregação racial vigente no país naquela época ao voltar para casa.

LANCHA DE KENNEDY TORPEDEADA

    Em 1943, um contratorpedeiro japonês atinge a lancha torpedeira PT-109, dos Estados Unidos, partindo-a ao meio. Dois marinheiros morrem e 11 sobrevivem, entre eles o futuro presidente John Kennedy.

Depois de cinco horas no mar, os sobreviventes chegam a uma ilha de coral. Kennedy volta a entrar no mar nadando para ver se consegue avisar navios ou aviões norte-americanos. As fortes correntes e um problema crônico nas costas dificultam seu retorno.

Mais tarde, os sobreviventes nadam até uma ilha próxima, acreditando ser Nauru, e mandam uma mensagem numa casca de coco. Kennedy é condecorado pela Marinha dos EUA.

O filme O Herói da PT-109 é lançado em 1963, ano do assassinato de JFK.

ATAQUE AO POSTO DE GASOLINA DE HITLER

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), 117 aviões bombardeiros B-24 decolam de uma base aérea aliada na Líbia para atacar os poços de petróleo e as refinarias de Ploiesti, na Romênia, conhecidos como o posto de gasolina de Hitler.


A Operação Maremoto fracassa ao não dar um golpe fatal nas instalações, que processam 8,5 milhões de toneladas de petróleo bruto por ano.

Os bombardeiros voam a baixa altitude para escapar dos radares alemães e o ataque deixa de ser uma surpresa quando um esquadrão aéreo se perde e precisa de orientação por rádio-comunicação para retomar a rota. O ataque acaba vindo do sul, onde a Alemanha concentra suas baterias antiaéreas.

A ação é caótica, trágica e custosa, com grandes perdas para os aliados: 310 aviadores mortos, 108 capturados e 78 detidos na Turquia. Os aliados alegam ter destruído 40% da capacidade produtiva do campo, mas os danos são logo reparados. Meses depois, as refinarias superam a produção anterior.

O posto de gasolina de Hitler continua funcionando até ser capturado pelo Exército Vermelho, da União Soviética, em agosto de 1944.

 TENSÃO RACIAL EXPLODE NO HARLEM

   Em 1943, a tensão racial e a frustração econômica explodem em Nova York no Distúrbio Racial de 1943 no Harlem, o principal bairro negro da cidade.

Em meio a uma discussão acalorada no saguão do Hotel Braddock, um policial branco dá um tiro no soldado negro Robert Bandy, deflagrando uma explosão de violência.

O Harlem é predominantemente branco até a Grande Migração, a fuga de mais de 6 milhões de negros do Sul para o Norte dos Estados Unidos de 1916 a 1970 por causa da segregação racial e da falta de oportunidades, num reflexo tardio da Guerra da Secessão (1861-65) e da discriminação que se segue desde a Reconstrução.

Quando os EUA entram na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1941, 89% dos moradores do Harlem são negros. Além do recrutamento militar obrigatório, a comunidade negra norte-americana enfrenta as dificuldades econômicas causadas pela guerra.

Na noite daquele 1º de agosto, Marjorie Polite, uma mulher negra, decide reclamar do quarto no Hotel Braddock, que está em decadência. Insatisfeita, pede a devolução do dinheiro.

A discussão leva o policial branco James Collins a dar voz de prisão a Marjorie por "perturbação da ordem pública". 

Em meio à confusão, Bandy chega ao hotel para jantar com a mãe, que está hospedada lá. Ele tenta impedir o policial de bater em Marjorie com o cassetete, é baleado e tratado num hospital com ferimentos leves.

O boato de que Bandy fora morto deflagra uma onda de saques contra empresas de propriedade de brancos, a tal ponto que empresários negros botam placas avisando que seus negócios são de propriedade de negros.

Seis negros morrem e 500 saem feridos quando a Polícia de Nova York e o Exército, convocado pelo prefeito Fiorello La Guardia, ocupam o Harlem. 

No poema Beaumount a Detroit: 1943, o poeta Langston Hughes fala da ironia perversa de que os negros norte-americanos lutem na Segunda Guerra Mundial (1939-45) por um país que não os reconhece: "Faço esta pergunta/porque quero saber/quanto tempo terei de lutar/tanto contra Adolf Hitler quanto contra Jim Crow".

Jim Crow é um nome dado com frequência a negros norte-americanos estereotipados, imortalizado como um personagem do compositor Thomas Rice, que pintava o rosto de preto e ridiculariza os negros ao tratá-los como indolentes, preguiçosos, idiotas e infantis. Dá nome a leis segregacionistas aprovadas no Sul dos EUA depois da Guerra de Secessão (1861-65) e da Abolição da Escravatura.

ANNE FRANK ESCREVE PELA ÚLTIMA VEZ

    Em 1944, Anne Frank, a adolescente judia alemã escondida numa casa em Amsterdã, na Holanda, durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45) escreve pela última vez em seu diário, que se torna um símbolo da inocência perdida, roubada pelo terror do Holocausto.

Anne Frank nasce em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de junho de 1929, ganha o diário no aniversário de 13 anos e escreve nele regularmente durante dois anos, descrevendo a vida cotidiana no esconderijo, um anexo de três andares acima do armazém de seu pai na Prinsengracht 263, em Amsterdã. 

Havia mais sete pessoas: seus pais, Otto e Edith; o sócio de seu pai, Herman van Pels, sua mulher, Auguste, e o filho Peter; e o dentista Fritz Pfeffer.

Três dias depois do último escrito, ela e a família são presas pelos alemães. Os pais vão para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde o pai sobrevive.

Ela e a irmã, Margot Frank, são enviadas para Bergen Belsen, em Hanôver, na Alemanha, onde morrem numa epidemia de tifo em em fevereiro ou março de 1945.

Desde 1960, o museu Casa de Anne Frank é uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, visitada por 1,2 milhão de pessoas em média por ano. A revista Time a considera uma das pessoas mais importantes do século 20.