Uma escrava que se tornou líder do movimento abolicionista no século 19 e foi espiã do Norte na Guerra Civil dos Estados Unidos será a primeira mulher a aparecer numa nota de dólar. Harriet Tubman substitui Andrew Jackson, o sétimo presidente dos EUA, por decisão do secretário do Tesouro, Jacob Lew.
Tubman não só conseguiu fugir da escravidão aos 13 anos de idade como ajudou a cerca de 70 escravos usando uma rede de ativistas e casas de passagem conhecida como Ferrovia Subterrânea. Ela se orgulhava de "nunca ter perdido um passageiro".
Jackson era senhor de escravos e ofereceu todas as terras a leste do Rio Mississípi para colonos europeus, expulsando os índios para o Oeste.
"A vida de Harriet Tubman é realmente uma das grandes histórias americanas", declarou o secretário do Tesouro, admitindo que ela "não foi bem recompensada durante a vida".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 20 de abril de 2016
sábado, 5 de dezembro de 2009
O que é escravidão?
De O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco: a escravidão "não significa somente a relação do escravo com o senhor; significa muito mais: a soma do poderio, influência, capital e clientela dos senhores todos; o feudalismo estabelecido no interior; a dependência em que o comércio, a religião, a pobreza, a indústria, o Parlamento, a Coroa, o Estado enfim, se acham perante o poder agregado da minoria aristocrática em cujas senzalas centenas de milhares de entes humanos vivem embrutecidos e moralmente mutilados pelo próprio regime a que estão sujeitos: e, por último, o princípio vital que anima a instituição toda..."
O objetivo do abolicionismo não se reduz à missão de libertar os escravos. Além dessa tarefa, há outra maior, ensina Nabuco, "a de apagar todos os efeitos de um regime que há três séculos é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores, e que fez do Brasil o Paraguai da escravidão".
A segunda tarefa não foi concluída. "Depois que os últimos escravos houverem sido arrancados ao Poder sinistro que representa para a raça negra a maldição da cor, será ainda preciso desbastar, por meio de uma educação viril e séria, a lenta estratificação de 300 anos de cativeiro, isto é, do despotismo, da servidão e da ignorância."
Nabuco advertiu profeticamente: "Enquanto a nação não tiver consciência de que lhe é indispensável se adaptar à liberdade cada um dos aparelhos do seu organismo de que a escravidão se apropriou, a obra desta irá por diante, mesmo quando não haja mais escravos."
E mais: "O nosso caráter, o nosso temperamento, a nossa organização toda, física, intelectual e moral, acham-se terrivelmente afetadas pelas influência com que a escravidão passou trezentos anos a permear a sociedade brasileira. (...) enquanto essa obra não for concluída, o abolicionismo terá a sempre razão de ser".
O objetivo do abolicionismo não se reduz à missão de libertar os escravos. Além dessa tarefa, há outra maior, ensina Nabuco, "a de apagar todos os efeitos de um regime que há três séculos é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores, e que fez do Brasil o Paraguai da escravidão".
A segunda tarefa não foi concluída. "Depois que os últimos escravos houverem sido arrancados ao Poder sinistro que representa para a raça negra a maldição da cor, será ainda preciso desbastar, por meio de uma educação viril e séria, a lenta estratificação de 300 anos de cativeiro, isto é, do despotismo, da servidão e da ignorância."
Nabuco advertiu profeticamente: "Enquanto a nação não tiver consciência de que lhe é indispensável se adaptar à liberdade cada um dos aparelhos do seu organismo de que a escravidão se apropriou, a obra desta irá por diante, mesmo quando não haja mais escravos."
E mais: "O nosso caráter, o nosso temperamento, a nossa organização toda, física, intelectual e moral, acham-se terrivelmente afetadas pelas influência com que a escravidão passou trezentos anos a permear a sociedade brasileira. (...) enquanto essa obra não for concluída, o abolicionismo terá a sempre razão de ser".
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