Três cientistas ganharam hoje o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026 por descobrir um técnica de neurociência chamada de optogenética, que permite acionar células nervosas e pode ser usada no futuro para tratar a cegueira.
Peter Hegemann, de 74 anos, é professor de biofísica experimental da Universidade Humboldt, em Berlim. Georg Nagel, de 73, é professor de fisiologia vegetal na Universidade de Wurzburg, também na Alemanha. Karl Deisseroth é professor de bioengenharia, psiquiatria e ciências do comportamento na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
O secretário-geral do Comitê do Prêmio Nobel de Medicina da Academia de Ciências da Suécia, Thomas Perlmann (foto), descreveu a optogenética como uma ferramenta de pesquisa que será "imensamente importante" para o tratamento futuro de muitas doenças. "É realmente uma nova era na neurociência."
No século passado, cientistas lançaram a hipótese de que seria possível "ligar e desligar" neurônios específicos como se fosse um interruptor. O processo era desconhecido até o início dos anos 1990, quando pesquisas revelaram que a alga verde unicelular Chlamydomonas se move em direção à luz.
O Dr. Hegemann percebeu no início deste século que a luz provocava uma reação na alga 20 vezes mais rápida do que no olho humano. Ele e o Dr. Nagel pesquisaram então para saber qual a proteína responsável pela sensibilidade à luz. Em 2013, anunciaram que é a channelrhodopsin-2.
Em 2005, o Dr. Deisseroth inseriu o gene que codifica a proteína channelrhodopsin-2 em células do cérebro de roedores e ativou-os com uma luz azul. Dois anos depois, sua equipe conseguiu inserir o gene no cérebro de roedores vivos e usou pulsos de luz via fibras óticas minúsculas para ativar neurônios e provocar comportamentos específicos pela primeira vez.
A descoberta permitiu a neurocientistas ligar os neurônios do cérebro a comportamentos específicos, comentou Anna Wedell, professora de genética clínica no Instituto Karolinska e membro do Comitê do Nobel de Medicina.
"Antes, tínhamos um mapa anatômico do cérebro", observa Wedell. "Agora, nós podemos gerar mapas funcionais e podemos entender como células diferentes falam entre si através do cérebro."