domingo, 14 de junho de 2026

Acordo consolida derrota estratégica de Trump no Irã

Um mês depois que o presidente Donald Trump anunciou que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã era iminente, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, principal mediador, finalmente confirmou que as duas partes chegaram a um acerto para prorrogar em 60 dias a trégua frágil em vigor desde 8 de abril e reabrir o Estreito de Ormuz, com a expectativa de acabar com a guerra. 

O acordo deve ser assinado na sexta-feira em Genebra, na Suíça. É uma derrota estratégica para Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos. Não tem vitória para cantar, embora alegue que conseguiu sucesso onde "todos os presidentes falharam."

Todas as ações militares devem cessar, inclusive os ataques de Israel ao Líbano. O Irã vai reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz, que estava aberto antes da guerra, e os EUA vão suspender o bloqueio a portos iranianos. Trump previu que a reabertura total vai levar cinco dias. Será necessário remover minas colocadas pelo Irã, que promete não cobrar pedágio durante a extensão da trégua, o que também não fazia antes da guerra. 

Os preços do petróleo caíram em média 5%. A normalização do tráfego de navios vai depender da reação das seguradoras. Pode levar meses. E não há garantia nenhuma de que o estreito não será fechado de novo se as negociações fracassarem.

Mais de 6 mil pessoas morreram nesta guerra inútil, quase todas no Irã e no Líbano, mas também no Iraque, em Israel e nas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, além de pelo menos 13 militares norte-americanos. A economia mundial fui abalada pela queda na oferta de petróleo, com grande impacto sobre os países em desenvolvimento. E Trump sai desmoralizado. A guerra mostrou que o uso da força não basta para resolver questões internacionais complexas como os conflitos no Oriente Médio e pode ser contraproducente.
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